Envolvimento paterno durante o nascimento dos filhos: pai "real

Psicologia: Reflexão e Crítica, May 2019

The father is a major figure on mother's support network during childbirth transition. This study aims to report father's participation and support during the pregnancy and the birth of their children, according to the point of view of 45 pregnant women and 42 women with six-month-old children. Data was collected through the administration of a family questionnaire and a semi-structured interview answered by the mothers in order to get information about the "real" and the "ideal" father. The results show that, although the mothers were satisfied with the fathers' role in family life, they thought fathers were not as participative as they should be. Data suggest that it is necessary to stimulate father's participation during childbirth.

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Envolvimento paterno durante o nascimento dos filhos: pai "real

PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO   Envolvimento paterno durante o nascimento dos filhos: pai "real" e "ideal" na perspectiva materna   Paternal involvement during their children's birth: mother's perspective of 'real' and 'ideal' father     Maria Auxiliadora Dessen; Maíra Ribeiro de Oliveira Universidade de Brasília, Brasília, Brasil Endereço para correspondência     RESUMO O pai é a fonte de apoio materno mais importante durante a transição decorrente do nascimento de filhos. Este estudo objetiva descrever a percepção de 45 mulheres grávidas e 42 mães com bebês de até seis meses sobre a participação e apoio paterno, durante a gestação e nascimento de filhos. A coleta de dados consistiu da aplicação, às mães, de um questionário de caracterização do sistema familiar e de uma entrevista semiestruturada, visando obter informações sobre o pai "real" e o "ideal". Os resultados mostram que, apesar de os pais serem percebidos como pouco participativos, as mães estavam satisfeitas com o seu envolvimento. Os dados sugerem que é necessário estimular a participação do pai, por ocasião do nascimento de filhos. Palavras-chave: Pai, mãe, família, apoio, nascimento de filhos. ABSTRACT The father is a major figure on mother's support network during childbirth transition. This study aims to report father's participation and support during the pregnancy and the birth of their children, according to the point of view of 45 pregnant women and 42 women with six-month-old children. Data was collected through the administration of a family questionnaire and a semi-structured interview answered by the mothers in order to get information about the "real" and the "ideal" father. The results show that, although the mothers were satisfied with the fathers' role in family life, they thought fathers were not as participative as they should be. Data suggest that it is necessary to stimulate father's participation during childbirth. Keywords: Father, mother, family, support, childbirth.     Atualmente, há uma nova configuração de paternidade e de maternidade surgindo, pois o bebê e a criança não são mais compreendidos como sendo de responsabilidade exclusivamente feminina, no que tange aos cuidados e à educação (Goetz & Vieira, 2009; Piccinini, Levan-dowiski, Gomes, Lindenmeyer, & Lopes, 2009). Mesmo quando as mães são as principais responsáveis pela maior parte das tarefas domésticas, os pais estão participando com maior frequência, o que reflete uma reelaboração das atribuições masculinas frente à paternidade (Genesoni & Tallandini, 2009). Muitos pais relacionam-se com seus filhos cotidianamente, apreciando a companhia destes e tornando-se figuras centrais em suas vidas (Cia & Barham, 2009). A participação do pai no que concerne à distribuição das tarefas domésticas no lar é um dos aspectos fundamentais para o equilíbrio da família durante todo o curso de vida familiar, sobretudo durante a transição decorrente do nascimento de filhos (Lawrence, Nylen, & Cobb, 2007; Wagner, Predebon, Mosmann, & Verza, 2005). Quando há uma redistribuição de tarefas, a família parece ter um funcionamento mais harmônico, particularmente quando marido e esposa desenvolvem papéis complementares e específicos (Deutsch, Servis, & Payne, 2001). Apesar das mudanças que vêm ocorrendo nas últimas décadas quanto ao papel da mulher e do homem na vida familiar, a principal responsável pelas tarefas domésticas e cuidados com os filhos ainda é a mulher (Genesoni & Tallandini, 2009; Georgas, Berry, van de Vijver, Kagitçibasi, & Poortinga, 2006). Quando a mulher se torna mãe, pela chegada de um bebê, ela reestrutura sua vida profissional, o que sugere, também, mudanças para o homem, que precisa reorganizar suas próprias atividades rotineiras face ao impacto do nascimento dos filhos (Deutsch et al., 2001). Após a chegada dos filhos, a reorganização familiar depende, em parte, dos papéis que pai e mãe exercem dentro da família. Portanto, as tarefas concernentes a este período de transição familiar repercutem no funcionamento familiar e nas diferentes maneiras de vivenciar esta etapa do curso de vida (Hernandez & Hutz, 2008) e familiar (Dessen & Braz, 2005). Pais e mães têm não somente atribuições específicas na família, como também interagem de modo distinto com seus filhos (Lamb, 2010; Wall & Arnold, 2007). Enquanto os homens participam com maior frequência de brincadeiras e jogos, as mães tendem a manter uma relação de proteção e afetividade com as crianças (Deutsch et al., 2001; Genesoni & Tallandini, 2009). Quando a mãe está totalmente disponível para seu filho, exige-se dela uma maior responsabilidade, tornando qualquer outro cuidador, inclusive o pai, apenas um "substituto" nessa função (Deutsch, 2001). No entanto, quando a mãe possibilita ao pai cuidar de seus filhos, eles se tornam companheiros nessa tarefa, e não meros "coadjuvantes" (Crepaldi, Andreani, Hammes, Ristof, & Abreu, 2006), e a mãe fica menos sobrecarregada. Deutsch, Lussier e Servis (1993) examinaram a relação entre as tarefas domésticas realizadas pelos homens, antes e após o parto, e verificaram que a quantidade dos serviços domésticos realizados por eles crescia após o nascimento. Porém, quando questionadas, as mães consideravam a participação nas tarefas domésticas e o envolvimento paterno insuficientes, estando abaixo de suas expectativas, corroborando, assim, os dados de pesquisa realizada no contexto brasileiro (Dessen & Braz, 2000). Portanto, é preciso ter cautela quanto aos dados sobre a participação paterna, tendo em vista que a literatura sugere que há disparidades entre a efetiva realização de tarefas domésticas e de cuidado com os filhos por parte do pai e a maneira como a mãe os percebe (Goetz & Vieira, 2010). É usual que as mães tenham expectativas quanto ao desempenho do pai na família, desejando comportamentos "ideais" que são, em vários aspectos, diferentes das possibilidades "reais" dos pais. Neste contexto, o real é entendido "como as qualidades pertencentes a fenômenos que existem independentemente da nossa vontade, e por ideal, define-se aquilo que só existe no pensamento que se refere a realidades diferentes das pertencentes às pessoas" (Manfroi, Macarini, & Vieira, 2011, p. 66). Independentemente das mudanças sociais que ocorreram, particularmente em meados do século XX, alterando a compreensão do que significa ser pai, na atualidade, e a própria representação social da paternidade (Souza & Benetti, 2009), o tornar-se pai continua sendo um momento importante e decisivo no desenvolvimento do indivíduo e da família. Embora a experiência da paternidade seja diferenciada da vivida pelas mães, que desde a gravidez já passam por todas as alterações físicas e emocionais próprias da gestação, o pai também passa por um processo de transformação, em que sentimentos e emoções concernentes à mudança de papel social se fazem presentes (Piccinini et al., 2009). Portanto, apesar de os pais serem menos inclinados a relatarem suas experiências emocionais associadas à gestação do que as mães (Genesoni & Tallandini, 2009), eles também necessitam de atenção durante a transição para a paternidade, já que a gestação é um período de grandes expectativas com o filho que está a caminho (Piccinini et al., 2009). A transição para a paternidade é um dos maiores marcos de desenvolvimento na vida dos homens, e várias emoções diferentes estão presentes, tais como a alegria, o medo e os conflitos. Além disso, é notório o impacto da paternidade para as relações interpessoais, sobretudo para as conjugais, o que justifica fornecer suporte emocional também ao homem, e não somente à mulher (Doss, Rhoades, Stanley, & Markman, 2009; Lamb, 2010). O maior envolvimento do pai ao longo da gravidez da mãe, e após o nascimento dos filhos, está se tornando mais frequente, denotando um desempenho de papéis, neste período, que difere do tradicionalmente assumido por eles em outros períodos do curso de vida da família (Piccinini et al., 2009). Uma das implicações desta mudança é a escolha cada vez mais comum, por parte das gestantes, do pai como acompanhante durante o parto. Motta e Crepaldi (2005) acompanharam dez parturientes que escolheram como acompanhantes do parto os seus companheiros. Elas avaliaram positivamente a escolha, pois a participação do pai foi, de maneira unânime, considerada satisfatória pelas mães participantes do estudo. Erlandisson, Dsilna, Fagerberg e Christensson (2007) sugerem que, mesmo durante o parto cirúrgico, o contato do bebê com o pai, logo após a cirurgia cesariana, aumenta o sucesso da amamentação e faz com que o recém-nascido fique mais calmo e menos choroso, acarretando, portanto, em bem-estar, tanto para o bebê quanto para a mãe. Para descrever como o pai vivenciava a gravidez da esposa, Piccinini, Silva, Gonçalves, Lopes e Tudge (2004) acompanharam 35 pais que esperavam seu primeiro filho. Os resultados mostram que o envolvimento do pai variava conforme o estágio gestacional, e era comum que a chegada do bebê se tornasse um fato mais presente e real para ele apenas no terceiro trimestre, pois, nesta ocasião, a transformação física da mãe era evidente e os preparativos para a chegada do filho faziam parte do cotidiano da família. O envolvimento dos homens com a gestação de seus filhos ocorria quer apoiando a gestante e acompanhando-a durante as consultas médicas e exames rotineiros, quer ajudando-a nos preparativos com o enxoval do bebê. Esta ligação, que tem início durante a gravidez, reflete uma relação possivelmente mais próxima após o nascimento da criança, quando o pai, de fato, participa dos cuidados dispensados aos filhos (Piccinini et al., 2004). Desde a década de 80, as pesquisas têm mostrado que quanto maior é o envolvimento do pai, desde a gestação, melhor a sua adaptação ao papel parental (Genesoni & Tallandini, 2009; Souza & Benetti, 2009). De acordo com Lamb (2010), o envolvimento paterno é compreendido como o engajamento do pai, a acessibilidade à criança e a responsabilidade para com o filho. O envolvimento paterno com seus filhos, ainda nos primeiros anos de vida, é também um importante preditor do desenvolvimento social da criança, pois pode influenciar positivamente a competência social, protegendo e potencializando o desenvolvimento infantil (Cia & Barham, 2009). Neste contexto, quanto mais autonomia a mãe concede ao pai, mais experiente ele se torna com seu bebê, estabelecendo uma relação mais independente da figura materna (Bittelbrunn & Castro, 2010). Em síntese, as mudanças no papel do pai, ao longo das últimas décadas, mostram que os homens estão, ainda que vagarosamente, tornando-se mais companheiros, participativos e integrados à vida familiar, seja no contexto internacional (Lamb, 2010) seja no contexto brasileiro (Cia & Barham, 2009; Marin & Piccinini, 2007; Souza & Benetti, 2009). Porém, apesar das mudanças sociais, pouco ainda se pesquisa sobre o papel do pai e sua influência no ambiente familiar, especialmente se comparados com os dados sobre a participação materna (Cia, Williams, & Aiello, 2005; Levandowski & Piccinini, 2006). Apesar das limitações de se investigar a participação do pai na família, segundo a perspectiva materna (Aspesi, Dessen, & Chagas, 2005), esta continua sendo uma das principais formas para se compreender o envolvimento do pai durante a transição decorrente do nascimento de filhos. Assim, este estudo visa descrever a percepção de mães grávidas e de mães com filhos recém-nascidos a respeito da participação e do apoio prestado pelo pai a elas, durante a gestação e o nascimento dos filhos, particularmente quanto à divisão de tarefas domésticas e aos cuidados dispensados aos filhos. Além disso, objetiva-se identificar as expectativas maternas em relação à participação e ao envolvimento do pai na família, durante a gestação (para todas as mães) e os seis primeiros meses de vida do bebê (apenas para as mães que já tinham filhos nascidos).   Método Participantes Este estudo contou com a participação de 87 mulheres: 45 grávidas e 42 com bebês nascidos nos seis meses anteriores à coleta de dados. Para facilitar a identificação desses dois Grupos, o primeiro foi denominado "Grupo A" e, o segundo, "Grupo B". O Grupo "A" era composto por mulheres grávidas, primíparas ou não, não havendo gestantes de "alto risco". No segundo tipo de família (Grupo B), havia mães de bebês com até seis meses de idade, primogênitos ou não. No Grupo "A", a maioria das mulheres (n=45; 62,0%), estava entre o quarto e o nono mês de gestação, sendo que 40% destas estavam esperando o primeiro filho. No Grupo "B", a metade das mães (n=21) possuía apenas um filho. Todas as mulheres coabitavam com seu companheiro, o pai do bebê, e foram selecionadas em centros de saúde da rede pública do Distrito Federal. As mulheres participantes, em sua maioria (n=71; 81,61%), possuíam idades entre 15 e 29 anos; e os homens, entre 20 e 34 anos (n=68; 78,16%). Quanto ao grau de escolaridade, a maioria dos pais e mães possuía o ensino fundamental incompleto, tanto no Grupo "A" (n=27, 60% das mulheres; e n=27, 60% dos homens), quanto no Grupo "B"(n=24, 57,14% das mulheres; e n=20, 47,62% dos homens). Quanto à ocupação, 46% das mulheres e 93% dos homens exerciam atividades remuneradas, e a renda média das famílias era de aproximadamente 4,7 salários mínimos. Procedimentos para Coleta e Análise dos Dados A coleta de dados foi efetuada em um único encontro, em Centros de Saúde da rede pública, localizados nas Regiões Administrativas do Distrito Federal, e consistiu da aplicação de um questionário de caracterização da família e de uma entrevista semiestruturada, ambos respondidos pelas mães. Os questionários foram preenchidos pelo próprio aplicador, para evitar constrangimentos decorrentes de possíveis dificuldades de leitura por parte das mães. As entrevistas foram realizadas após o término do questionário e a duração média de aplicação de cada instrumento foi de 20 minutos. O Questionário de Caracterização do Sistema Familiar (Dessen, 2009) é constituído por três partes: (a) identificação da família do estudo; (b) informações sobre escolaridade, ocupação, renda familiar, religião, condições de moradia e constelação familiar; e (c) dados relativos à caracterização do sistema familiar, incluindo informações sobre atividades de lazer e de rotina da família. Foram priorizadas questões relativas ao local, tipo e compartilhamento de atividades de lazer; à divisão de tarefas domésticas; às características da rede social de apoio; às condições de saúde e aos principais eventos ocorridos com a família. Em relação à entrevista, seu roteiro abordou os seguintes aspectos: (a) alterações da rede de apoio durante a gravidez e após o nascimento do bebê (b) participação e apoio dispensados pelo marido/companheiro em relação às tarefas rotineiras da casa e aos cuidados com os filhos; e (c) expectativas quanto à participação do pai na vida familiar. As questões abertas do questionário foram categorizadas e tabuladas e as entrevistas semiestruturadas foram analisadas com base nos passos propostos por Dessen e Cerqueira-Silva (2009). Os dados são apresentados de maneira descritiva, de acordo com as orientações para a análise gerada por meio de entrevista semiestruturada (Gall, Gall, & Borg, 2007). A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Secretaria de Saúde do Distrito Federal – Divisão de Pesquisa/CEDRHUS.   Resultados Os resultados sobre a percepção das mães são apresentados em dois tópicos: (a) participação e apoio do pai na família, na perspectiva materna, com destaque para a realização de tarefas domésticas e de cuidados com os filhos durante o período de transição; e (b) expectativas maternas quanto ao envolvimento paterno. As ilustrações das falas foram mantidas na íntegra, isto é, em linguagem coloquial, conforme relato das mães, nas entrevistas. O Pai Real: Participação na Vida Familiar A maior parte das participantes relatou que o pai executava poucas tarefas domésticas, sendo a incidência dessa resposta maior no Grupo "B" (42%) do que no Grupo "A" (20,97%), situação ilustrada pelo depoimento: "Ajudar nos trabalhos domésticos, ele [pai] não ajuda nada" (Grupo "B"). Em contraste, a segunda resposta de maior incidência revelou que os pais executavam todas as tarefas em casa (Grupo "A" = 16,13%; Grupo "B" = 14%): "Nesse ponto, ele [pai] é um verdadeiro doméstico dentro de casa. Ele lava roupa, faz mamadeira, faz tudo!" (Grupo "A"). Dentre as tarefas domésticas executadas pelos pais, as mães citaram: arrumar e limpar a casa (Grupo "A"= 16%; Grupo "B"=12%); preparar refeições (Grupo "A"= 13%; Grupo "B"= 4%); lavar e passar a roupa (Grupo "A"= 18%; Grupo "B"= 8%); lavar a louça (Grupo "A"; Grupo "B"= 6%); e executar serviços pesados (Grupo "A"= 6%; Grupo "B"= 4%), tais como aqueles que exigiam força física. Portanto, os homens arrumavam e limpavam a casa; lavavam e passavam a roupa; executavam serviços pesados; e preparavam refeições em maior proporção no Grupo "A" do que no Grupo "B": "Às vezes, eu tô com preguiça, ele [pai] faz a comida pra mim" (Grupo "A"). Algumas mães do Grupo "B" (10%) responderam que o pai só realizava as tarefas quando solicitado. Quanto aos cuidados com as crianças, grande parte das mães do Grupo "B" (42,66%) respondeu que os pais cuidavam de seus filhos, embora elas não tenham identificado uma tarefa específica. Dentre as mães do Grupo "A" que possuíam filhos (n=27; 60%), apenas 24% responderam que o pai cuidava de seus filhos. Já 12% das mães do Grupo "A" e 4,41% das mães do Grupo "B" responderam que os pais não faziam nada. Dentre as tarefas específicas mencionadas, dar banho nos filhos e trocar a fralda e/ou vesti-los foram as mais citadas. Alimentar os filhos também era uma tarefa comum entre os homens do Grupo "A", enquanto a maior parte dos cuidados paternos demonstrados no Grupo "B" consistia em trocar a fralda e/ou vestir. Na Figura 1, são apresentados os percentuais de categorias relativas às tarefas de cuidados com os filhos executadas pelo pai, na perspectiva das mães. Considerando que 27 das 45 mães do Grupo "A" tinham outros filhos, os dados da tabela referentes aos cuidados com os filhos foram calculados com base nas respostas destas mães. Dentre os relatos de menor frequência, destacam-se o "educar" (Grupo "A"=7,41%; Grupo "B"=1,33%), por exemplo: "Ele é muito cuidadoso, eu não tenho o que preocupar. Conversa com ele [filho] sobre as coisas que acontece no mundo, fica orientando ele para ele não fazer errado" (Grupo "B"). Dentre os sentimentos envolvidos no cuidado dos filhos, as mães do Grupo "B" relataram que seus companheiros se preocupavam com os filhos (7,35%) e demonstravam carinho (2,94%). Aproximadamente metade das mães (Grupo "A"=50%; Grupo "B"=58,06%) relatou que os pais mudaram para melhor durante a gestação e o nascimento dos filhos. No entanto, algumas delas não perceberam mudanças no comportamento dos companheiros (Grupo "A"=22,22%; Grupo "B"=22,59%), ou perceberam que eles haviam mudado para pior, fato ilustrado pelos seguintes relatos: "Na outra gravidez, ele ajudou mais, agora ele tá bebendo, mas quando não bebe é uma ótima pessoa" (Grupo "A") e "Ele só faz reclamar que ela [filha] chora de noite, não deixa dormir; desde que ela nasceu, ele não dorme" (Grupo "B"). O Pai "Ideal": Expectativas das Mães Sobre o Envolvimento do Pai na Família A maior parte das mães acreditava que o pai fazia o que podia fazer, tanto no Grupo "A" (77,78%) quanto no Grupo "B" (59,52%), conforme ilustrado pela seguinte fala: "Acho que ele faz o que pode. O que ele não pode, ele não pode. O que ele pode ele faz" (Grupo "A"). A maioria das mães do Grupo "A" (71,11%) relatou acreditar que o pai não deveria fazer mais do que já fazia, uma vez que participava suficientemente da vida familiar. O relato, a seguir, ilustra a fala de uma mãe do Grupo "A": "Acho que não, ele já faz até demais. Se eu precisar passar cinco dias fora de casa, uma semana, eu posso ir tranquila que ele faz comida, dá banho, leva pro colégio". Outros motivos também foram citados pelas mães que acreditavam que o pai fazia o que deveria fazer em casa, tais como: "Acho que o homem tem que fazer a parte dele, a parte do homem é na rua, né, é trabalhar e colocar [comida] dentro de casa, acho que a parte do lar é referente à mulher, né" (Grupo "A"). Mais mães do Grupo "B" (40,48%), quando comparadas às do Grupo "A" (22,22%), consideravam que o pai não fazia o que deveria fazer, por exemplo: "Acho ele muito folgado, chega em casa quer tudo na mão" (Grupo "B") e: Ele não trabalha em casa; eu acho que o trabalho doméstico não é só da mulher; hoje em dia tem tanto homem aí que cozinha melhor do que uma mulher, arruma a casa, passa a roupa e tudo. Mas ele nada. (Grupo "B") As mães que consideravam que os homens não faziam o que deveriam fazer citaram motivos diversificados para explicar esta conduta, dentre os quais os valores e as crenças enraizados em nossa cultura, como no exemplo: "Ele fala que eu não faço o serviço todo que era pra eu fazer e diz que dava pra eu fazer tudinho" (Grupo "B"). Dentre as mães que consideravam que seus companheiros deveriam participar mais efetivamente da vida familiar (Grupo "A"= 28,89%; Grupo "B"= 52,38%), mais da metade desejava que eles executassem as tarefas domésticas (Grupo "A"=53,85%; Grupo "B"=54,55%), conforme ilustra o depoimento: ele poderia ajudar mais nas atividades domésticas. Tem homem que ajuda a mulher, ajuda a lavar as fraldas, descascar verdura ou dividir a tarefa todo dia, ou no sábado e domingo. Mas, [ele] chega em casa e vai ver TV!. (Grupo "B") As mães também manifestaram o desejo de que seus companheiros educassem e/ou cuidassem dos filhos. Essa resposta foi mais comum no Grupo "B" (31,82%), em que metade das famílias já possuía um filho primogênito e o bebê: "Quando eu preciso sair, eu tenho que levar todos os meninos porque ele não fica, podia ficar, né, mas ele sempre fala assim: 'Ah, não, deixa com a sua mãe.' Ele não gosta de ficar com os meninos, não" (Grupo "B"). Ainda, duas mães do Grupo "A" e três mães do Grupo "B" responderam que gostariam de receber mais atenção de seus companheiros. Quando questionadas sobre o que o pai poderia fazer de diferente, 36% das mães do Grupo "A" e 27,91% das mães do Grupo "B" relataram que a participação do pai já era a ideal, como pode ser ilustrado pelo seguinte relato: "Para ser um pai perfeito, acho que tem que fazer esse tipo de coisa que ele faz, lavar fralda, viver o dia-a-dia. Acho que o homem precisa sentir esse tipo de coisa" (Grupo "A"). As mães que gostariam que os pais procedessem de maneira diferente relataram as características, ilustradas em percentuais na Figura 2. No Grupo "B", 53,33% das mães gostariam que os companheiros fossem mais atenciosos com os filhos: "Ah, dar mais atenção, carinho, tem que andar com os filhos, conversar com eles. Porque os filhos quando o pai conversa, conta historinha, eles ficam mais quietos, não são muito danados" (Grupo "B"). Ser mais atencioso com a companheira e ajudar nas tarefas domésticas também foram respostas frequentes. No Grupo "B", houve, ainda, queixas por parte das mães quanto à necessidade de os pais educarem os filhos: "Ah, eu acho que o pai ideal, a primeira coisa que ele tem que fazer é dar bom exemplo. Sei lá. Eu acho que os filhos não respeitam ele como deve respeitar, se ele não dá moral" (Grupo "B"). As mães do Grupo "A", que acreditavam que a participação dos pais na família poderia melhorar, destacaram a necessidade de os pais dispensarem maior atenção à companheira e aos filhos e de educarem os filhos, fato ilustrado pelo seguinte depoimento: "Acho que o pai deveria conversar bastante com os filhos, ajudar eles em tudo, auxiliar, procurar educar da maneira... não ficar batendo" (Grupo "A"). Além dessas características idealizadas pelas mães, cinco mães do Grupo "A" gostariam que o pai ficasse mais tempo com a família, três que ele não fosse agressivo ou não bebesse, duas que ele fosse capaz de sustentar a família e uma desejava que ele aceitasse o trabalho da mulher: "Está bom porque ele não me maltrata. A única coisa que eu queria era poder trabalhar fora de novo e ele concordar e a gente viver bem daqui para frente". Uma mãe do Grupo "B" gostaria que o pai passeasse mais com ela e os filhos.   Discussão Os estudos realizados, tanto com as mães quanto com os próprios pais como informantes, têm destacado as mudanças recentes no papel exercido pelo pai na família, enfatizando a sua maior participação nas atividades domésticas e nos cuidados com os filhos (Cia & Barham, 2009; Lamb & Lewis, 2010; Motta & Crepaldi, 2005; Piccinini et al., 2009). No entanto, estas mudanças não foram tão perceptíveis pelas mães desta pesquisa. Os papéis tradicionais, ou seja, os pais como provedores do lar e as mães como responsáveis pelas tarefas do ambiente doméstico, foram os mais retratados nas famílias participantes deste estudo, seja no que tange à participação real quanto à ideal. Esse quadro não muito promissor, do ponto de vista das mudanças no papel feminino e masculino, parece mais acentuado em famílias menos favorecidas, educacional e financeiramente, como é o caso da amostra deste estudo. Mas, independentemente das mudanças nos papéis de gênero, o pai contribui significativamente para o desenvolvimento social, afetivo e emocional da criança, por meio tanto dos cuidados básicos dispensados aos filhos quanto da transmissão de valores (Lamb, 2010; Manfroi et al., 2011). No que tange aos dados dessa pesquisa, é preciso considerar que a participação do pai pode ter sido subestimada no relato das mães desta amostra, porque as mães, geralmente, consideram que o pai nada faz em relação às tarefas domésticas, ainda que ele passe a prestar mais serviços domésticos após o parto (Deutsch et al., 1993). Portanto, o relato materno, por ocasião do nascimento de filhos, pode estar mais vulnerável a dissonâncias entre as percepções e expectativas das mães e a execução efetiva de tarefas domésticas paternas (Goetz & Vieira, 2010). Entre os dois grupos pesquisados, há diferenças que denotam as particularidades de cada momento da etapa de transição decorrente do nascimento dos filhos. Devido ao fato de as mães do Grupo "A" apresentarem algumas dificuldades na execução das tarefas domésticas, os seus companheiros passaram a realizar todos os tipos de tarefas em casa, o que corrobora os dados de pesquisa encontrados por Singley e Hynes (2005). Para estes autores, os pais aumentam a execução das tarefas domésticas durante a gestação por dificuldades das mães em executá-las, particularmente no final da gestação. Ainda de acordo com Singley e Hynes (2005), este padrão é mantido por um longo período após o nascimento do bebê, uma vez que a exaustão física e mental da mulher é comum nesse período, em decorrência dos cuidados dispensados ao bebê e ao primogênito, quando se trata do nascimento do segundo filho (Dessen, 1997). Portanto, era esperado que os pais, no Grupo "B", estivessem mais atuantes, participativos e envolvidos em função das demandas decorrentes do nascimento de filhos, o que não ocorreu, de acordo com a percepção de grande parte das mães. O conteúdo das verbalizações nos permite sugerir que, neste caso, trata-se mais de uma característica cultural brasileira que, apesar de estar passando por importantes transformações, especialmente nos últimos 40 anos (Torres & Dessen, 2008), ainda tende a considerar que cabe apenas à mãe os cuidados com o recém-nascido, e que o bebê é responsabilidade da mulher. Quanto aos cuidados com os filhos, as mães tanto do Grupo "A", que já possuíam filhos, quanto as do Grupo "B", ao relatarem que o pai executava as tarefas de dar banho, vestir e trocar fraldas, indicam que os homens, embora não fossem os principais responsáveis pela rotina da criança, compartilhavam com elas algumas das atividades. Para Deutsch (2001), quando a mãe possibilita que o pai também cuide dos filhos, ela incentiva a relação deste com seus filhos, fica menos sobrecarregada e encontra no pai um bom parceiro para essa tarefa. O fato de os homens continuarem sendo retratados pelas mães da amostra como "aqueles que ajudam", e não como responsáveis pelos filhos, perpetua o papel de gênero tradicional, no qual ele atua apenas como coadjuvante nos cuidados com seus próprios filhos (Cia et al, 2005). Por outro lado, é importante ressaltar que, em alguns casos, as próprias mães não permitem que os companheiros cuidem efetivamente de seus filhos, delegando a eles um papel de "substituto" nas funções com a prole (Deutsch, 2001). As respostas sobre a realização das tarefas domésticas pelo pai apenas quando solicitado, mais presentes no Grupo "B", reforçam a ideia da importância da mulher na promoção das mudanças nos padrões masculinos na cultura brasileira, sobretudo no que tange ao envolvimento do pai. Parece paradoxal que estejamos atribuindo à mulher brasileira mais essa responsabilidade; no entanto, cabe lembrar que as grandes transformações nas sociedades ocidentais contemporâneas registradas na segunda metade do século XX, devem-se, em parte, à revolução no papel feminino (Torres & Dessen, 2008). Ainda sobre as mudanças nos papéis de gênero, é fundamental que a socialização promovida pela família, na mais tenra idade dos filhos, reflita tais mudanças, a fim de que os valores repassados à criança possam ter repercussões em sua vida adulta (Moraes, Costa, & Cruz, 2007). Portanto, mais pesquisas deveriam ser implementadas sobre a participação dos homens brasileiros na vida familiar, com destaque para a influência da mulher, tanto ao exercer o seu papel materno, durante o processo de socialização de seus filhos na infância e adolescência, quanto no papel de esposa. Com isso, mudanças perceptíveis no papel de gênero, particularmente no masculino, poderão ser detectadas nas gerações futuras, no que tange à formação da família. Apesar do relato das mães de que o pai executava poucas tarefas domésticas e de que elas eram as principais responsáveis pelo cuidado dos filhos, elas se sentiam satisfeitas com o papel desempenhado por eles, e que foi claramente expresso nas respostas sobre o "pai faz o que deveria fazer?". Uma das explicações fornecidas pelas próprias mães para essa satisfação com o papel do pai na vida familiar é o fato de muitas delas considerarem que a tarefa principal do pai é prover materialmente a família. Estes dados são coerentes com os encontrados na cultura americana, por Deutsch et al. (1993), em que estar trabalhando já significa um bom desempenho da paternidade. Merece destaque também o fato de que as mulheres, mesmo aquelas insatisfeitas com a participação dos homens no cuidado com os filhos, parecem resignadas com essa realidade. As mudanças que gostariam de ver em seus parceiros estão mais relacionadas ao afeto do que às tarefas domésticas ou à educação de seus filhos. Na concepção das mães, o pai ideal é aquele que dedica seu tempo às suas esposas e filhos, mesmo realizando poucos serviços em casa. De modo geral, ser atencioso, carinhoso e estar presente são qualidades que revelam uma participação paterna considerada suficiente para as mães (Dessen & Braz, 2000). Entre as mães do Grupo "B", essa resposta foi menos frequente do que entre as do Grupo "A", talvez justificada pelas alterações ocorridas na rotina da casa, características do período imediatamente após o nascimento do bebê. É nesse período que a família canaliza esforços para se adaptar à nova rotina provocada pela inserção de mais uma criança (Oliveira, 2007). Coerentemente, foram as mães do Grupo "B" que mais mencionaram o desejo de que gostariam que seus companheiros participassem mais ativamente da execução das tarefas domésticas e dos cuidados com os filhos. Portanto, apesar de lamentarem o pouco apoio que encontravam para a realização das tarefas domésticas e de cuidado com os filhos, as grandes mudanças que as mães gostariam de ver eram relativas ao afeto e à presença do pai no lar. Isto significa que, antes de lutar por um companheiro que dividisse igualmente as tarefas domésticas com ela, ou que se responsabilizasse pelos filhos tal como ela fazia, as mães deste estudo desejavam uma figura masculina de apoio dentro de casa, que estivesse presente e que, sobretudo, fosse carinhosa com elas e com seus filhos. Deve ser levado em conta que uma concepção dessa natureza não favorece e nem estimula um aumento na participação efetiva do homem na vida familiar o que, por sua vez, resulta, no longo prazo, em maior insatisfação para a mãe (Prado, Piovanotti, & Vieira, 2007). Como todos os membros de uma família estão intimamente interligados e se influenciam mutuamente ao longo do tempo, as mudanças que ocorrem em uma determinada relação afetam as demais (Kreppner, 2005). Portanto, a satisfação das mães quanto ao envolvimento paterno durante a sua gravidez e o nascimento dos filhos depende, também, da própria dinâmica familiar existente antes mesmo destes se tornarem pais. Além disso, deve ser considerado como fonte de influência as relações estabelecidas pelo casal com seus respectivos genitores, pois eles desempenham papéis significativos nas expectativas e realizações quanto ao papel parental (Pratt, Norris, Hebblethwaite, & Arnold, 2008). Os resultados deste estudo refletem o quanto a família muda durante as transições decorrentes do nascimento de filhos e denota, também, a diversidade nas famílias, pois apesar de o papel do pai estar mudando, essas alterações não vêm ocorrendo da mesma forma em todos os lares (Torres & Dessen, 2008; Wagner et al., 2005). As famílias possuem estruturas diferentes, e isso se reflete na dinâmica familiar, incluindo a divisão das tarefas domésticas e do cuidado com os filhos. Cabe mencionar, mais uma vez, que este estudo foi feito com base apenas no relato das mães, o que certamente não fornece um retrato fiel de como se dá a participação e o envolvimento do pai na família durante as transições decorrentes do nascimento de filhos. Como a literatura aponta disparidades nos relatos de mães e pais quanto ao envolvimento paterno, ambos deveriam ser consultados durante a realização de pesquisas acerca deste tema (Dessen & Braz, 2005; Kreppner, 2005; Lamb & Lewis, 2010; Mikelson, 2008). Porém, apesar das limitações, os dados apresentados são importantes no sentido de valorizar o fortalecimento da figura do pai como a principal fonte de apoio materna. O pai precisa ser visto como sujeito atuante na sua transição para a paternidade e na vida em família, devendo sua participação ser estimulada desde o período de gestação (Bittelbrunn & Castro, 2010; Cia & Barhan, 2009; Piccinini et al., 2004), ao invés de concentrar todas as atenções e funções na mãe, ou em outros membros de sua rede de apoio, incluindo os avós (Bengtson, 2001). Assim, os programas de educação voltados à família durante as transições decorrentes do nascimento de filhos deveriam priorizar a participação e o envolvimento do pai, visando o bem-estar da família e a qualidade de suas relações.   Referências Aspesi, C. C., Dessen, M. A., & Chagas, J. F. (2005). A ciência do desenvolvimento humano: Uma perspectiva interdisciplinar. In M. A. Dessen & A. L. 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E-mail: .e Recebido: 28/04/2011 1ª revisão: 13/09/2011 2ª revisão: 29/11/2011 3ª revisão: 19/01/2012 Aceite final: 19/01/2012     Artigo baseado na dissertação de Mestrado apresentada ao Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília pela segunda autora, sob a orientação da primeira. As autoras agradecem ao grupo de estudos do Laboratório de Desenvolvimento Familiar e o apoio concedido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).


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Maria Auxiliadora Dessen, Maíra Ribeiro de Oliveira. Envolvimento paterno durante o nascimento dos filhos: pai "real, Psicologia: Reflexão e Crítica, 184-192, DOI: 10.1590/S0102-79722013000100020