Children health care evaluation (0-5 years) according to users
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Children health care evaluation (0-5 years) according to
users’ perceptions in the Family Health Strategy of Teresópolis,
Rio de Janeiro State
José Mendes Ribeiro 1
Sandra Aparecida Venâncio de Siqueira 1
Luiz Felipe da Silva Pinto 2
1
Departamento de Ciências
Sociais, Escola Nacional de
Saúde Pública Sérgio
Arouca, Fundação Oswaldo
Cruz. Rua Leopoldo Bulhões
1480/920, Manguinhos.
21045-210 Rio de Janeiro RJ.
2
Secretaria Municipal de
Saúde e Defesa Civil do Rio
de Janeiro.
Abstract Family Health Strategy represents one
of the major public programs in Brazil covering
5,601 municipalities in 2006 (91.8%). This study
evaluated Teresópolis Family Health Strategy
through information and perceptions of adults
responsible for children around 0-5 years that
used those health services. It was used evaluation
forms answered by family in waiting rooms or
during home visiting. Results for urban and rural areas were compared and significant differences were observed in some issues. Major findings include users’ strong ties with the program
and a highly positive perception about the children health status. Access was satisfactory as to
use criteria when relating to regular care proceedings. Critical points observed include: low
coverage of home visiting, bad access to labs and
image exams and to systematic delivery of medicines. Rural areas presented a high number of
children who treated acute clinical conditions at
home without doctor assistance. Users satisfaction as to physicians, nurses, health community
agents and services were high level. Users not regularly visited at home presented lower access to
medicine delivery.
Key words Unified Health System, Family
Health Strategy, Health services evaluation
Resumo O PSF representa um dos principais programas públicos em saúde no Brasil, cobrindo em
2006 um total de 5.601 municípios (91,8%). O
estudo avaliou o PSF do município de Teresópolis
(RJ) por meio da percepção e das informações prestadas pelos responsáveis por crianças na faixa de
0-5 anos e que utilizam estes serviços, por meio de
questionários aplicados aos responsáveis nos próprios módulos de atendimento ou em visitas domiciliares. Resultados foram comparados entre
áreas urbanas e rurais e diferenças significativas
foram observadas para determinados itens e elevado vínculo da clientela ao programa e uma percepção predominantemente positiva sobre o estado de
saúde das crianças. O acesso se mostrou adequado
segundo os critérios utilizados quando se refere ao
atendimento de rotina. Os pontos críticos observados incluem baixa cobertura de visitas domiciliares, dificuldades na realização de exames solicitados e no fornecimento regular de medicamentos.
As áreas rurais apresentaram um número elevado
de crianças que trataram condições agudas em casa
sem assistência médica. A satisfação manifestada
pelos usuários quanto aos médicos, aos agentes de
saúde, aos profissionais de enfermagem e ao conjunto dos serviços foi elevada. A clientela não visitada por agentes de saúde apresentou menor acesso
à distribuição de medicamentos.
Palavras-chave SUS, Programa de Saúde da Família, Avaliação em Saúde
ARTIGO ARTICLE
Avaliação da atenção à saúde da criança (0-5 anos)
no PSF de Teresópolis (RJ) segundo a percepção dos usuários
Ribeiro JM et al.
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Introdução
O Sistema Único de Saúde (SUS), institucionalmente definido por seu caráter público, universal
e integral, financiado por recursos fiscais, apresentou ao longo da década de noventa um amplo
rol de iniciativas orientadas a cumprir com suas
disposições constitucionais. A necessidade de prover o acesso a serviços de saúde para amplos contingentes populacionais em distintas regiões influenciou diferentes governos a desenvolver incentivos financeiros para a ampliação da oferta
de serviços não-hospitalares. Modelos simplificados em termos do uso de profissionais de saúde, instalações, equipamento e meios diagnósticos e terapêuticos foram desenvolvidos em vários
municípios brasileiros e algumas experiências ganharam relevância em ambientes de alta escassez
de recursos e de pobreza. Igualmente em centros
urbanos, experiências de instalações simplificadas e adaptáveis a áreas de difícil acesso e de risco
social foram se multiplicando. Em comum, estas
soluções tinham o foco em (i) grupos sociais altamente vulneráveis e com problemas de acesso a
serviços de saúde; e (ii) reunir um número reduzido de profissionais de saúde seguindo a lógica
de equipes sanitárias integradas.
Estes programas se tornaram nacionais, disseminados em áreas urbanas e rurais e, mais recentemente, passaram a assumir um caráter substitutivo com relação à rede tradicional de atenção primária. Este conjunto de experiências levou à unificação do conceito de atenção básica e
à normatização de procedimentos de incentivos
financeiros por parte do Ministério da Saúde por
meio de sucessivas Normas Operacionais. Como
resultado, a política oficial do SUS para o atendimento ambulatorial foi paulatinamente se concentrando na Atenção Básica (AB) e na Estratégia de Saúde da Família (ESF), tendo sido sistematizada em 2006 mediante a Política Nacional
de Atenção Básica (PNAB)1.
Para o Ministério da Saúde, a atenção básica
envolve ações de promoção e proteção a agravos, desenvolvidas por equipes multidisciplinares orientadas a resolver os problemas de saúde
de maior prevalência e incidência na região. A
estratégia de saúde da família é considerada sua
principal ação no âmbito do sistema público.
A magnitude destes programas pode ser medida pelos gastos realizados pelo Ministério da
Saúde no ano de 2005 para o financiamento de
ESF, no total de R$ 2.679,27 milhões. Para o ano
de 2006, segundo o Ministério da Saúde, existia
em todo o país um total de 219.492 agentes co-
munitários de saúde; 26.729 equipes de saúde da
família e 15.086 equipes de saúde bucal. Muitas
destas equipes e agentes comunitários se superpõem nas mesmas instalações. O programa está
presente em 5.601 municípios brasileiros (91,8%
do total).
A literatura sobre atenção básica e estratégia
de saúde da família no Brasil foi marcada durante longo tempo por estudos de caso, propostas organizacionais e de estrutura de políticas ou
difusão de casos supostamente exitosos, mesmo
que desacompanhados de evidências mais sólidas de sucesso. Este tipo de produção refletiu, no
entanto, o forte interesse do tema nos meios políticos, governamentais e acadêmicos. Teses desenvolvidas em programas de pós-graduação
foram orientadas com muita frequência para estudos de caso de experiências conhecidas em diferentes cidades.
Mais recentemente, estudos têm buscado realizar amostras maiores, probabilísticas ou não,
promover modelos de avaliação mais articulados aos observados em outros países e apresentar estudos comparativos entre a ESF e serviços
ambulatoriais mais convencionais. Do ponto de
vista metodológico, foram difundidas técnicas de
estabelecimentos de linha de base, o que possibilitará a construção de séries históricas e fu (...truncated)