Detection of Listeria monocytogenes by PCR in artificially contaminated milk samples
Arq. Bras. Med. Vet. Zootec., v.62, n.4, p.973-979, 2010
Detecção de Listeria monocytogenes pela técnica de PCR em leite
contaminado artificialmente
[Detection of Listeria monocytogenes by PCR in artificially contaminated milk samples]
N.D. Peres1, C.C. Lange2*, M.A.V.P. Brito2, J.R.F. Brito2, E.F. Arcuri2, M.M.O.P. Cerqueira3
1
Aluno de pós-graduação - EV-UFMG – Belo Horizonte, MG
2
Embrapa Gado de Leite
Rua Eugênio do Nascimento, 610
36038-330 – Juiz de Fora, MG
3
Escola de Veterinária - UFMG – Belo Horizonte, MG
RESUMO
Avaliou-se a técnica de PCR como opção para reduzir o tempo de detecção de Listeria monocytogenes no leite.
Para tanto, amostras de leite desnatado esterilizado e de leite cru integral – com baixa, média e alta contagem
de microrganismos aeróbios mesófilos – foram inoculadas experimentalmente com diversas concentrações de
L. monocytogenes. Os resultados da reação de PCR foram comparados com os da cultura da amostra
empregando-se metodologia padronizada tradicional. Não se detectou L. monocytogenes pela reação de PCR
quando esta foi realizada a partir do caldo de enriquecimento de Listeria (LEB) após 24 horas de incubação,
nem no leite desnatado esterilizado, nem no leite cru integral. Após 48 horas de enriquecimento em LEB, a
bactéria foi detectada por PCR nas amostras de leite desnatado esterilizado, com a sensibilidade de 1UFC/mL,
mas não nas amostras de leite cru integral. Pela metodologia tradicional, a bactéria foi recuperada de todos os
ensaios. Entretanto, nas amostras de leite cru com altas contagens de aeróbios mesófilos, a sensibilidade da
metodologia tradicional foi reduzida (a partir de 7UFC/mL). Melhores resultados foram obtidos quando a
reação de PCR foi feita utilizando-se DNA obtido diretamente da colônia suspeita em meio sólido (Oxford e
Palcam). Foi possível substituir os testes fenotípicos de identificação de L. monocytogenes pela técnica de PCR
reduzindo-se o tempo de identificação da bactéria de vários dias para algumas horas.
Palavras-chave: patógeno alimentar, método de detecção, PCR, segurança do leite
ABSTRACT
The polymerase chain reaction (PCR) was used to detect Listeria monocytogenes in inoculated milk samples
after selective enrichment. Samples of sterile skim milk and raw whole milk (with low, intermediate, and high
counts of aerobic mesophilic microorganisms) were inoculated with several concentrations of L.
monocytogenes. The results of PCR assays were compared to the results of culturing the samples using a
standardized traditional method for isolation of L. monocytogenes. The pathogen was detected by PCR in
Listeria Enrichment Broth (LEB) after 48h-incubation (sensitivity of 1CFU/mL) but not after 24h-incubation
from the samples prepared with sterile skim milk. L. monocytogenes was not detected by PCR in LEB after 24
and 48h-incubation from the samples prepared with raw whole milk. Using the traditional method, the
pathogen was detected in all experiments. However, sensitivity decreased in raw whole milk with high counts
of aerobic mesophilic microorganisms (up to 7CFU/mL). Best results were obtained when PCR was done to
identify presumptive L. monocytogenes colonies directly from Palcam and Oxford media, after the enrichment
step. This procedure allowed reducing to a few hours the period of several days usually needed to obtain the
final identification of L. monocytogenes using phenotypic tests.
Keywords: food pathogen, detection method, PCR, food safety
Recebido em 23 de março de 2009
Aceito em 12 de julho de 2010
*Autor para correspondência (corresponding author)
E-mail:
Peres et al.
INTRODUÇÃO
O gênero Listeria compreende seis espécies: L.
monocytogenes, L. innocua, L. ivanovii, L.
seeligeri, L. welshimeri e L. grayi (Liu, 2006).
Por resistirem a grandes variações de pH,
temperatura e concentrações salinas, as espécies
de Listeria estão presentes em ampla variedade
de ambientes, incluindo solo, água, efluentes e
alimentos (Gandhi e Chikindas, 2007). Somente
duas espécies do gênero são consideradas
patogênicas, L. monocytogenes para o homem e
outros animais e L. ivanovii para outros
mamíferos (Liu, 2006). A doença causada no
homem inclui infecções severas, como
septicemias, encefalite, meningite e aborto, com
altas taxas de hospitalizações e mortes. Acomete
principalmente pessoas idosas, recém-nascidos,
gestantes e indivíduos imunocomprometidos
(Swaminathan, 2001).
Devido à ampla disseminação, capacidade de
sobreviver por longos períodos em condições
adversas e de se multiplicar em temperaturas de
refrigeração (2oC-4oC), L. monocytogenes tem
muitas oportunidades de contaminar o ambiente
de produção e processamento de alimentos.
Consequentemente, tem sido uma grande
preocupação para a indústria alimentícia, pois é
responsável por uma significativa proporção das
doenças transmitidas por alimentos em todo o
mundo (Gandhi e Chikindas, 2007).
Surtos e casos esporádicos de listerioses têm sido
relacionados a diferentes tipos de alimentos,
como leite, queijos, molhos e derivados cárneos
(Swaminathan, 2001). Estudos realizados no
Brasil têm comprovado a presença de L.
monocytogenes no leite (Moura et al., 1993;
Silva et al., 2003), queijo (Pimenta et al., 1999;
Silva et al., 2003; Maricato et al., 2006; Zaffari
et al., 2007) e produtos cárneos (Pimenta et al.,
1999; Silva et al., 2004).
Os métodos de diagnóstico tradicionais de
isolamento de L. monocytogenes, aprovados por
agências regulamentares, requerem vários dias
para
serem
concluídos,
pois
exigem
enriquecimento seletivo, plaqueamento em meios
seletivos e confirmação bioquímica dos isolados
(Gasanov et al., 2005). O uso de métodos
moleculares pode abreviar o tempo de
identificação dos métodos tradicionais. A reação
de PCR tem sido empregada para detectar L.
974
monocytogenes em diferentes tipos de alimentos,
incluindo leite e derivados (Starbuck et al., 1992;
Fluit et al., 1993; Manzano et al., 1998; Aznar e
Alarcón, 2003; Rijpens e Herman, 2004). Nesses
estudos,
foram
relatados
sucessos
na
identificação de L. monocytogenes pela
amplificação de genes específicos.
Em trabalho anterior, Lange et al. (2005)
padronizaram a técnica de PCR para a
identificação de L. monocytogenes testando três
pares de oligonucleotídeos iniciadores, dois para
a amplificação do gene da listeriolisina O e um
para o gene iap (invasion-associated protein). Os
melhores resultados foram obtidos com um par
de oligonucleotídeos que amplificam o gene da
listeriolisina O, o qual se mostrou sensível e
específico para L. monocytogenes. O objetivo do
presente trabalho foi avaliar a possibilidade de
empregar a técnica de PCR para a detecção de
L. monocytogenes diretamente do caldo
de enriquecimento de amostras de leite
contaminadas artificialmente com essa bactéria.
MATERIAL E MÉTODOS
Listeria monocytogenes ATCC 19117 foi usada
em toda a fase experimental. A bactéria foi
cultivada em caldo BHI (Brain Heart Infusion,
Difco) e mantida a 4oC com passagens semanais.
A inoculação experimental (...truncated)