Geographic variation of morphometric characters in Ogcocephalus vespertilio (Linnaeus) (Teleostei, Lophiiformes, Ogcocephalidae)
VARIAÇÃO GEOGRÁFICA DE CARACTERES QUANTITATIVOS
EM OGCOCEPHALUS VESPERTlLlO (LlNNAEUS)
(TELEOSTEI, LOPHIIFORMES, OGCOCEPHALlDAE)
Mauro José Cavalcanti 1
Paulo Roberto Duarte Lopes 2
ABSTRACT. GEOGRAPHIC VARIATION OF MORPHOMETRIC CHARACTERS lNOGCOCEPHA LUS VESPERTILlO (LINNAEUS) (TELEOSTEI, LOPHIIFORMES, OGCOCEPHALlDAE). Patterns of
geographic variation in 10 morphometric characters were analyzed in a sample of 91
specimens ofthe batfish, Ogcocephalus vespertilio (L.), from the NE and SE Brazilian
coast, using multivariate statistics and randomization tests. The spec imens were
ordinated by principal components analysis in two groups corresponding to the regions
nOl1h and south of the 23°C isothenn, and size variation was found to account for
70.3 %, whereas shape differences accounted for 23.6% of the total variation in
1110rphometric characters. The two groups were difJerent at the 1% significance levei
by multivariale analysis of variance based on the Wilk's criterion, tesled by a
randol11ization procedure. Width of illicial cavity and distance ti'om anus to anal tin
were the characters mosl contributing to lhe differentiation ofthe population samples.
KEY WORDS. Ogcocephalidae, Ogcocephalus, geographic variation, multivariate
morphometrics, randomization tests
o gênero Ogcocephalus Fischer, 1813 compreende 12 espécies, exclus ivas
do Novo Mundo, das quai s duas são endêmicas em ilhas do Pacífico Oriental ,
enquanto as demai s distribuem-se pelo Atlântico Ocidental (BRADBURY 1980).
Com base na revisão deste gênero realizada por BRADBURY (1980), três
espécies ocorrem no litoral bras ileiro: o. nasutus Cuvier & Valenci ennes, 1837, o.
notatus Cuvier & Valenciennes, 1837 e o. vespertilio (Linnaeus, 1758). Posteriormente, RAMOS & V ASCONCELLOS FILHO (1987) registraram também a ocorrência
de o. dec/ivirostris Bradbury, 1980 no litoral de Pernambuco. O peixe-morcego,
Ogcocephalus vespertilio (L.), ocorre da foz do Rio Amazonas à fo z do Rio da Prata,
desde a costa até 144 m de profundidade (FIGUEIREDO & MENEZES 1978). Apesar
de sua ampl a área de di stribui ção, pouco se conhece sobre a vari ação geográfica
desta espécie. MENEZES (1964) realizou um estudo morfométrico de o. vespertilio,
utili zando análise de regressão para comparar caracteres quantitativos de exem plares coletados em diferentes pontos do litoral brasi leiro. LEMA & PEREIRA (1975)
compararam qualitativamente exemplares de o. vespertilio procedentes de Santa
Catarina e Rio Grande do Sul, no limite meridional de di stribuição da espécie.
1) Departamento de Biologia Geral, Universidade Santa Úrsula . Rua Fernando Ferrari 75,
22231-040 Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil.
2) Departamento de Ciências Biológicas, Un iversidade Estadual de Feira de Santana . Campus
Universitário, BR 116 Km 3, 44031-460 Feira de Santana, Bah ia, Brasil.
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Os métodos estatísticos convencionai s de análise univariada ou bivariada principalmente a análise de variância e a análise de regressão - mostram-se inadequados à análise de padrões de variação geográfica em populações naturais, os quais
são suficientemente complexos para que sua descrição e interpretação requei ram o
uso das técnicas mais sofisticadas de análise estatística multivariada (GouLD &
JOHNSTON 1972; THORPE 1976, 1983 ; WILLlG et a!. 1986; WILLlG & OWEN 1987;
REIS 1988), as quais permitem considerar os padrões de variação e covariação
simultâneos de um conjunto de caracteres quantitativos. No Brasil, os estudos de
variação geográfica em peixes, utilizando métodos de estatística multivariada, são
bastante recentes e têm sido restritos a espécies de água doce (GARA VELLO el a!.
1992; SHlBA TTA & GARA VELLO 1993). Os estudos sobre variação geográfica de
peixes marinhos da costa brasileira, por outro lado, têm-se utilizado apenas de
comparações através de técnicas convencionais de estatística descritiva (V AZZOLER
1971; VARGAS 1976; YAMAGUTl 1979; BRAGA 1987; PAIVA FILHO & CERGOLE
1988).
Pouco se conhece sobre os padrões de variabilidade em populações de peixes
do Atlântico Ocidental, o que dificulta a compreensão dos fatores responsáveis pela
diferenciação desta ictiofauna. Hipóteses biogeográficas (BALL 1975) poderiam ser
derivadas de padrões de variação morfológica entre populações; contudo, até o
presente nenhuma análise de variação geográfica em espécies de peixes do Atlântico
Ocidental foi realizada com um enfoque em técnicas estatísticas adequadas à
investigação destes padrões, como a realizada por McEACHRAN et aI. (1989) em
raias pertencentes à família Rajidae no Atlântico Oriental.
Este trabalho tem por objetivo testar a hipótese da existência de variação
geográfica em
vespertilio no litoral brasileiro, utilizando métodos de análise
estatística multivariada para avaliar os padrões de variação morfométrica entre
populações selecionadas desta espécie.
o.
MA TERIAL E MÉTODOS
o.
Foram anali sados 91 exemp lares de
vesperlilio provenientes dos li torais
do Estado da Bahia (Baía de Todos os Santos, Ilha de Itaparica e Caravelas-Nova
Viçosa), Estado do Espírito Santo (Guarapari) e Estado do Rio de Janeiro (Arraial
do Cabo, Araruama-Cabo Frio, Baía de Guanabara, Ilhas Tijucas e Ilha Grande).
(Fig. 1). Os exemplares examinados encontram-se depositados nas co leções do
Laboratório de Citogenética de Peixes da Universidade Federal do Rio de Janeiro
(UFRJ), Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Museu Nacional da
Universidade Federal do Rio de Janeiro (MNRJ) e Universidade Estadual de Feira
de Santana (UEFS).
Para cada exemp lar, foram medidos 10 caracteres morfométricos (Fig. 2),
tomados de acordo com MENEZES (1964), por meio de um paquímetro de aço com
precisão de 0,05 mm: comprimento do rostro (ROS); diâmetro orbital (DO);
comprimento da cavidade do ilício (CI); largura da cavidade do ilício (LI); espaço
interorbital anterior (DIA); espaço interorbital posterior (DIP); distância do ânus à
base da caudal (AC); distância do ânus à mandíbula (A M); distância do ânus à base
da anal (AA); comprimento-padrão (CP).
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• Caravelas
Nova Viçosa
• Guarapari
Oceano Atlântico
c:-"~~--"f------r,. Arraial do Cabo
Baía de
Ilha
Guanabar a
Grande
48°
Cabo Frio
44°
Fig . 1. Localidades am ostradas no litoral brasileiro . A linha pontilhad a rndrca o limite aproximado da isoterma de 23°C.
CP
Fig . 2. Diagrama de O. vespertilio, indicando os cara cteres morfometrlcos analisados. (ROS )
Comprimento do rostro; (DO) diâmetro orbital; (C I) comprimento da cavidade do ilicio; (LI )
largura da cavidade do ilicio; (DIA) espaço interorbital anterior; (OlP) espaço interorbital
posterior; (AC ) distância do ânus à base da caudal ; (AM ) distância do ânus à mandíbula ; (AA )
distância do ânus à base da anal; (CP) comprimento-padrão.
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Para a (...truncated)