Barros Filho, Clóvis de y Karnal, Leandro (2016): Felicidade ou morte. Campinas, SP: Papirus 7 Mares, Coleção Papirus Debate

methaodos.revista de ciencias sociales, Sep 2017

O livro proporciona ao leitor um diálogo entre seus dois autores, Clóvis de Barros Filho e Leandro Karnal, acerca da essência da felicidade dentro da civilização humana.

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Barros Filho, Clóvis de y Karnal, Leandro (2016): Felicidade ou morte. Campinas, SP: Papirus 7 Mares, Coleção Papirus Debate

2340-8413 Barros Filho, Clóvis de y Karnal, Leandro (2016): Felicidade ou morte . Campinas, SP: Papirus 7 Mares, Coleção Papirus Debate, 2016. 90 pp. ISBN: 978-85-61773-89-2. - O livro intitulado “Felicidade ou Morte” proporciona ao leitor um diálogo entre seus dois autores, Clóvis de Barros Filho e Leandro Karnal, acerca da essência da felicidade dentro da civilização humana. A obra apresenta-se através do diálogo entre os autores, dividida em cinco sessões, visando à melhor compreensão da temática. A sessão inicial denomina-se como “O vazio da felicidade”, este capítulo traz uma discussão acerca da definição de felicidade, assim como a sua real existência. Indaga-se sobre a felicidade através do questionamento realizado a partir da inexistência. Para a compreensão deste fenômeno os autores utilizam para exemplificar a felicidade através da ausência da mesma, citando Aristóteles, Tomás de Aquino, passando por Frans Hals e Luc Ferry, ressaltando que nem todas as épocas consideraram a felicidade como objetivo a ser alcançado. O significado do termo é trazido de forma dicotômica, uma vez que se coloca que a felicidade pode ser simples e complexa ao mesmo tempo. Chama a atenção o aspecto da compreensão da felicidade por parte dos indivíduos mediante a sua ausência, pois só nos percebemos felizes diante da tristeza. Mediante a leitura do livro, surge-nos o questionamento: por que uma pessoa deve sempre buscar a felicidade? E, como os autores referem, tudo em volta encontra-se em um estímulo constante de fazer os indivíduos a buscarem. Frente ao excesso de atribuições da vida na contemporaneidade, muitos seres humanos nunca param para refletir se realmente são felizes. Identificase que na maior parte do tempo guiam-se pelo momento, pela real situação e pela busca de algo que muitas vezes não sabem o que é. Frente a reflexão que emergem acerca da discussão dos autores, foi possível perceber que o que se busca na verdade constitui-se nesta tal felicidade. Observa-se na sociedade contemporânea onde muitas pessoas, preocupadas com o amanhã, procuram sempre conquistar algo positivo como garantia de um futuro promissor, sem, muitas vezes, aproveitarem o presente, mecanizando suas vidas, sem desfrutarem dos seus prazeres. Na segunda sessão do livro, os autores fazem uma discussão: “ser feliz ou ser livre?” Será que realmente os indivíduos refletem sobre essa escolha de ser livre ou ser feliz? Será que encontram tempo para tomarem essa decisão? Ser feliz encontra-se no simples fato de amar e compreender cada momento como único, mesmo que esse seja algo não agradável aos olhos de quem vê. Como Clóvis de Barros Filho ressalta, a partir do pensamento filosófico na segunda sessão do livro em relação ao mundo: Não somente tolerá-lo; amá-lo mesmo. Entretanto, o desafio mais difícil é conseguir que a realidade do mundo seja algo que possamos chamar felicidade, diante de tanta violência, de tanta maldade, enfim, tanto egoísmo humano. Os seres humanos não pensam mais na coletividade, apenas no individual. Buscam muitas vezes a sua felicidade na infelicidade de outrem. Fato curioso que surge à tona na leitura do livro: é possível perceber, ao olhar para alguém, se ele é realmente feliz? Muitas vezes pessoas que vivem em completa miséria podem também ser felizes. É estranho pensar assim. Atualmente o mundo é envolto por muitas escolhas que, muitas vezes, transformam-se em fatores de estresse. E é interessante pensar que, mesmo diante de escolhas diárias, experimentadas pelas pessoas, não se pode impedir o destino universal e total, que é a morte, referido por Leandro Karnal. A terceira sessão, “A infelicidade do outro”, aborda a questão do desejo. Por que algo que desejamos nem sempre é atingido? E, nessa situação, por que nos contentamos com outra coisa? É engraçado quando Karnal coloca o contraponto entre o desejante e o não desejante diante da morte, exemplificando que muitas pessoas realmente gastam horas com tratamentos de beleza, apresentando como única diferença na hora da morte ser um “cadáver hidratado”. O “culto” ao corpo perfeito e suas expressões estão presente no cotidiano dos indivíduos e é reforçado pela mídia que avigora tais padrões, desta forma, existem inúmeras pessoas que desejam um melhor cuidado com sua beleza, mas não é de todo errado, afinal, somos seres desejantes. Como seria o mundo se não existissem pessoas desejantes? Caos completo seria. Karnal ainda ressalta sua reflexão sobre Freud diante do questionamento do porquê de as pessoas fazerem tantas escolhas erradas em busca da felicidade. Apresenta até o exemplo de as pessoas atualmente digitarem uma mensagem enquanto estão no volante. Será que ao fazerem isto não pensam no risco que correm? Ou na possibilidade de estarem escolhendo até mesmo a morte? Ainda dentro da terceira sessão, compreende-se que a inveja não seja o patamar da felicidade, conforme referido por Karnal. Acredita-se, sim, que a felicidade tenha sentido diante de escolhas. Ressalta-se um fato interessante: os autores não exemplificam as crianças como seres felizes. Elas, talvez por sua inocência, demonstram de forma verdadeira a felicidade apenas por brincarem, mesmo que seja com um único brinquedo, ou até mesmo sem nenhum brinquedo, apenas com a imaginação. Ou, ainda, até diante de um simples carinho proporcionado por seus pais. E as crianças não deixam de ser seres desejantes, porém não realizam muitas escolhas, como os adultos. Por que não se pode parar um pouco no tempo e tentar fazer pequenas escolhas, como as crianças? Acredita-se que isso aconteça por conta de toda uma sociedade disposta a uma condução diária de formar seres, diretamente e até mesmo indiretamente, para sempre serem os melhores. Constantemente observase e ouve-se a frase: “Aproveite seu dia, aproveite cada momento, pois ele é único.” Entretanto, o tempo para aproveitá-los nem sempre é proporcionado, se realmente essa for a escolha do desejante, ele deve parar suas obrigações para conquistá-lo. Bem que a sociedade atual poderia ter evoluído para uma civilização que soubesse aproveitar cada momento como único e prazeroso, mesmo com seus problemas, e assim conquistar a felicidade. A quarta sessão, “Felicidade e amor”, discorre em suas páginas sobre a fluidez da energia como essência da vida humana. O ineditismo dos acontecimentos da vida faz com que uma pessoa vivencie sua trajetória trabalhando com suas experiências, positivas ou não, ao longo da sua existência. Dessa forma, deve-se vivenciar cada momento com único, sem anseios pelo que vem depois. E nem esperar uma repetição de fatos e acontecimentos. Como Clóvis afirma “(...) é nesse ineditismo, que nunca é radical mas sempre real, que a vida ganha seu charme, suas incertezas e suas inseguranças” A quinta e última sessão, “A felicidade aqui e agora”, fecha o ciclo de reflexões que o livro traz sobre buscar a felicidade ou morrer tentando alcançá-la. E faz com que o leitor compreenda que, para saber se é feliz ou não, é necessário perceber que um dia foi infeliz, que esse ser já passou por problemas, dificuldades, ora superados, o que o fez alcançar sua felicidade. Compreende-se que o livro “Felicidade ou morte” não se trata de uma alternativa sugerida, mas sim de uma grande possibilidade para a reflexão acerca do que pode acontecer na vida para que possa valer a pena e, assim, se conquistar a felicidade.


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Carina Bandeira Bezerra, Francisca Bertilia Chaves Costa, July Grassiely de Oliveira Branco, Rosendo Freitas de Amorim. Barros Filho, Clóvis de y Karnal, Leandro (2016): Felicidade ou morte. Campinas, SP: Papirus 7 Mares, Coleção Papirus Debate, methaodos.revista de ciencias sociales, 2017, DOI: 10.17502/m.rcs.v5i2.168