Desenvolvimento de Aphidius colemani Viereck (Hymenoptera: Braconidae, Aphidiinae) e alterações causadas pelo parasitismo no hospedeiro Aphis gossypii Glover (Hemiptera: Aphididae) em diferentes temperaturas
May - June 2007
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BIOLOGICAL CONTROL
Desenvolvimento de Aphidius colemani Viereck (Hymenoptera:
Braconidae, Aphidiinae) e Alterações Causadas pelo Parasitismo no
Hospedeiro Aphis gossypii Glover (Hemiptera: Aphididae) em Diferentes
Temperaturas
Marcus V. Sampaio1, 2, Vanda H.P. Bueno1, Sandra M.M. Rodrigues1, 3, Maria C.M. Soglia1 e
Bruno F. De Conti1
Depto. Entomologia, Univ. Federal de Lavras, C. postal 37, 37200-000, Lavras, MG,
Instituto de Ciências Agrárias, Univ. Federal de Uberlândia, C. postal 593, 38400-902, Uberlândia, MG
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Embrapa Algodão, Av. Campo Grande 612 sala 2, Centro, 78850-000, Primavera do Leste, MT
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Neotropical Entomology 36(3):436-444 (2007)
Development of Aphidius colemani Viereck (Hym.: Braconidae, Aphidiinae) and Alterations Caused by the
Parasitism in the Host Aphis gossypii Glover (Hem.: Aphididae) in Different Temperatures
ABSTRACT - Aphidius colemani Viereck is among the main natural enemies used for biological control
of Aphis gossypii Glover. The objective of the present study was to evaluate the development of A.
colemani and the alterations caused by the parasitism in the host A. gossypii in different temperatures and
to estimate the thermal requirements of the parasitoid. The experiments were carried out in controlled
environmental chambers at 16, 19, 22, 25, 28 and 31 ± 1ºC, 70 ± 10% RH, and 12h photophase. Secondinstar nymphs of A. gossypii were parasitized once and kept individually in glass tubes (2.5 cm x 8.5
cm), containing leaf disc of cucumber (2 cm) and 1% water/agar solution. The development time of
A. colemani, from oviposition to mummies (11.9, 9.8, 7.7, 6.4 and 6.4 days) and from oviposition to
adult (19.4, 16.2, 12.6, 10.5 and 10.7 days) decreased with the increase of the temperature from 16ºC
to 25ºC. The rates of mummies and the emergence of the parasitoid, and its longevity also decreased
with the increase of the temperature. Mummies were not produced at 31ºC. The lower temperature
threshold of A. colemani was 5.94ºC and its thermal constant was 200 degrees-day. The alterations
caused by the parasitoid in the A. gossypii host were minimized at 31ºC, where 98% of the host did
not show symptoms of parasitism and produced nymphs. The temperature of 22ºC was optimal for
the development time of A. colemani.
KEY WORDS: Aphid, host regulation, parasitoid, temperature threshold
RESUMO - Aphidius colemani Viereck está entre os principais inimigos naturais utilizados no controle
biológico de Aphis gossypii Glover. Os objetivos deste trabalho foram avaliar o desenvolvimento de A.
colemani e as alterações causadas pelo parasitismo no hospedeiro A. gossypii em diferentes temperaturas
e estimar as exigências térmicas do parasitóide. O experimento foi conduzido em câmaras climatizadas
a 16, 19, 22, 25, 28 e 31 ± 1°C, com 70 ± 10% U.R. e fotofase de 12h. Ninfas de 2º instar de A. gossypii
foram parasitadas uma vez e individualizadas em tubos de vidro (2,5 cm x 8,5 cm), contendo disco
foliar de pepino (2 cm) e solução agar/água a 1%. O período da oviposição à formação da múmia (11,9;
9,8; 7,7; 6,4 e 6,4 dias) e o da oviposição ao adulto de A. colemani (19,4; 16,2; 12,6; 10,5 e 10,7 dias)
diminuíram com o aumento da temperatura no intervalo de 16ºC e 25ºC. A porcentagem de múmias
formadas e a de emergência do parasitóide, assim como a longevidade diminuíram com o incremento da
temperatura. Não houve formação de múmias a 31°C. O parasitóide A. colemani apresentou temperatura
base inferior de desenvolvimento de 5,94°C e constante térmica de 200 GD. As alterações ocasionadas
no hospedeiro A. gossypii pelo parasitismo foram minimizadas na temperatura de 31°C, sendo que
98% dos hospedeiros não apresentaram sintomas de parasitismo e produziram ninfas. A temperatura
de 22°C foi a mais adequada para o desenvolvimento de A. colemani.
PALAVRAS-CHAVE: Parasitóide, pulgão, regulação do hospedeiro, temperatura base
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Neotropical Entomology 36(3)
A temperatura é um dos fatores abióticos mais importantes
para a sobrevivência dos insetos. Em parasitóides, ela pode
afetar o desenvolvimento, a longevidade (Bleicher &
Parra 1989), a fecundidade (Steenis 1993), a velocidade
de caminhamento (Surverkropp et al. 2001) e o período de
tempo utilizado para efetuar a oviposição (Flinn & Hagstrum
2002), apresentando implicações diretas no crescimento
populacional desses insetos e, conseqüentemente, no sucesso
do controle biológico.
A regulação do hospedeiro é essencial para o
desenvolvimento de parasitóides cenobiontes, cujos
hospedeiros apresentam crescimento e desenvolvimento
após o parasitismo (Vinson & Iwantsch 1980). Alguns efeitos
causados pelos parasitóides da subfamília Aphidiinae em
seus hospedeiros podem ser visualizados pela diminuição do
potencial reprodutivo, por impedir a formação dos embriões,
e na forma mais globosa do corpo dos pulgões parasitados,
mesmo antes da formação da múmia. Pulgões parasitados nos
dois ínstares iniciais não chegam à fase adulta e mumificam
no quarto instar ninfal (Starý 1988). Esses sintomas de
parasitismo são causados nos pulgões pelos fluidos das
glândulas de veneno de fêmeas de parasitóide, mesmo sem
a deposição do ovo (Digilio et al. 1998, 2000).
O parasitóide Aphidius colemani Viereck é uma das
espécies dominantes dentre as encontradas em pulgões na
América do Sul (Starý & Cermeli 1989, Starý et al. 1993),
e apresenta elevado potencial como agente de controle
biológico de Aphis gossypii Glover (Sampaio et al. 2001).
Na Europa, falhas no controle biológico de A. gossypii por
esse parasitóide vêm sendo relacionadas às altas temperaturas
(Steenis & El-Kawass 1995, Toussidou et al. 1999).
Desta forma, este trabalho teve como objetivos
avaliar aspectos biológicos de A. colemani e as alterações
advindas do seu parasitismo no hospedeiro A. gossypii, em
diferentes temperaturas, e estimar as exigências térmicas
do parasitóide.
Material e Métodos
Os experimentos foram conduzidos no Laboratório de
Controle Biológico da Universidade Federal de Lavras
(UFLA) em Lavras, MG.
Criação de pulgões. Os pulgões A. gossypii foram coletados
em plantas de pepino (Cucumis sativus L.) no campo. Na
sua manutenção, no laboratório, foram utilizadas plantas de
pepino da variedade comercial Caipira, em luminosidade
e temperatura ambientes. Cerca de 30 a 50 fêmeas adultas
de A. gossypii foram colocadas em placa de Petri (15cm de
diâmetro), contendo seção foliar de pepino em solução agar/
água 1% e mantidas em câmaras climatizadas a 25 ± 1°C. Após
24h, os adultos foram retirados e as ninfas remanescentes ao
se apresentarem no 2º instar, com aproximadamente 48h de
vida, foram utilizadas no experimento (Steenis & El-Kawass
1995, Soglia et al. 2002).
Criação de parasitóides. O parasitóide A. colemani foi
coletado em pulgões mumificados da espécie Myzus persicae
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(Sulzer), em plantas de pimentão (Capsicum annum L.),
em casa-de-vegetação no Campus da UFLA. Para a criação
de A. colemani foram utilizadas colônias de A (...truncated)