Desenvolvimento de Aphidius colemani Viereck (Hymenoptera: Braconidae, Aphidiinae) e alterações causadas pelo parasitismo no hospedeiro Aphis gossypii Glover (Hemiptera: Aphididae) em diferentes temperaturas

Neotropical Entomology, Jan 2007

Aphidius colemani Viereck is among the main natural enemies used for biological control of Aphis gossypii Glover. The objective of the present study was to evaluate the development of A. colemani and the alterations caused by the parasitism in the host A. gossypii in different temperatures and to estimate the thermal requirements of the parasitoid. The experiments were carried out in controlled environmental chambers at 16, 19, 22, 25, 28 and 31 ± 1ºC, 70 ± 10% RH, and 12h photophase. Second-instar nymphs of A. gossypii were parasitized once and kept individually in glass tubes (2.5 cm x 8.5 cm), containing leaf disc of cucumber (2 cm) and 1% water/agar solution. The development time of A. colemani, from oviposition to mummies (11.9, 9.8, 7.7, 6.4 and 6.4 days) and from oviposition to adult (19.4, 16.2, 12.6, 10.5 and 10.7 days) decreased with the increase of the temperature from 16ºC to 25ºC. The rates of mummies and the emergence of the parasitoid, and its longevity also decreased with the increase of the temperature. Mummies were not produced at 31ºC. The lower temperature threshold of A. colemani was 5.94ºC and its thermal constant was 200 degrees-day. The alterations caused by the parasitoid in the A. gossypii host were minimized at 31ºC, where 98% of the host did not show symptoms of parasitism and produced nymphs. The temperature of 22ºC was optimal for the development time of A. colemani.

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Desenvolvimento de Aphidius colemani Viereck (Hymenoptera: Braconidae, Aphidiinae) e alterações causadas pelo parasitismo no hospedeiro Aphis gossypii Glover (Hemiptera: Aphididae) em diferentes temperaturas

May - June 2007 436 BIOLOGICAL CONTROL Desenvolvimento de Aphidius colemani Viereck (Hymenoptera: Braconidae, Aphidiinae) e Alterações Causadas pelo Parasitismo no Hospedeiro Aphis gossypii Glover (Hemiptera: Aphididae) em Diferentes Temperaturas Marcus V. Sampaio1, 2, Vanda H.P. Bueno1, Sandra M.M. Rodrigues1, 3, Maria C.M. Soglia1 e Bruno F. De Conti1 Depto. Entomologia, Univ. Federal de Lavras, C. postal 37, 37200-000, Lavras, MG, Instituto de Ciências Agrárias, Univ. Federal de Uberlândia, C. postal 593, 38400-902, Uberlândia, MG 3 Embrapa Algodão, Av. Campo Grande 612 sala 2, Centro, 78850-000, Primavera do Leste, MT 1 2 Neotropical Entomology 36(3):436-444 (2007) Development of Aphidius colemani Viereck (Hym.: Braconidae, Aphidiinae) and Alterations Caused by the Parasitism in the Host Aphis gossypii Glover (Hem.: Aphididae) in Different Temperatures ABSTRACT - Aphidius colemani Viereck is among the main natural enemies used for biological control of Aphis gossypii Glover. The objective of the present study was to evaluate the development of A. colemani and the alterations caused by the parasitism in the host A. gossypii in different temperatures and to estimate the thermal requirements of the parasitoid. The experiments were carried out in controlled environmental chambers at 16, 19, 22, 25, 28 and 31 ± 1ºC, 70 ± 10% RH, and 12h photophase. Secondinstar nymphs of A. gossypii were parasitized once and kept individually in glass tubes (2.5 cm x 8.5 cm), containing leaf disc of cucumber (2 cm) and 1% water/agar solution. The development time of A. colemani, from oviposition to mummies (11.9, 9.8, 7.7, 6.4 and 6.4 days) and from oviposition to adult (19.4, 16.2, 12.6, 10.5 and 10.7 days) decreased with the increase of the temperature from 16ºC to 25ºC. The rates of mummies and the emergence of the parasitoid, and its longevity also decreased with the increase of the temperature. Mummies were not produced at 31ºC. The lower temperature threshold of A. colemani was 5.94ºC and its thermal constant was 200 degrees-day. The alterations caused by the parasitoid in the A. gossypii host were minimized at 31ºC, where 98% of the host did not show symptoms of parasitism and produced nymphs. The temperature of 22ºC was optimal for the development time of A. colemani. KEY WORDS: Aphid, host regulation, parasitoid, temperature threshold RESUMO - Aphidius colemani Viereck está entre os principais inimigos naturais utilizados no controle biológico de Aphis gossypii Glover. Os objetivos deste trabalho foram avaliar o desenvolvimento de A. colemani e as alterações causadas pelo parasitismo no hospedeiro A. gossypii em diferentes temperaturas e estimar as exigências térmicas do parasitóide. O experimento foi conduzido em câmaras climatizadas a 16, 19, 22, 25, 28 e 31 ± 1°C, com 70 ± 10% U.R. e fotofase de 12h. Ninfas de 2º instar de A. gossypii foram parasitadas uma vez e individualizadas em tubos de vidro (2,5 cm x 8,5 cm), contendo disco foliar de pepino (2 cm) e solução agar/água a 1%. O período da oviposição à formação da múmia (11,9; 9,8; 7,7; 6,4 e 6,4 dias) e o da oviposição ao adulto de A. colemani (19,4; 16,2; 12,6; 10,5 e 10,7 dias) diminuíram com o aumento da temperatura no intervalo de 16ºC e 25ºC. A porcentagem de múmias formadas e a de emergência do parasitóide, assim como a longevidade diminuíram com o incremento da temperatura. Não houve formação de múmias a 31°C. O parasitóide A. colemani apresentou temperatura base inferior de desenvolvimento de 5,94°C e constante térmica de 200 GD. As alterações ocasionadas no hospedeiro A. gossypii pelo parasitismo foram minimizadas na temperatura de 31°C, sendo que 98% dos hospedeiros não apresentaram sintomas de parasitismo e produziram ninfas. A temperatura de 22°C foi a mais adequada para o desenvolvimento de A. colemani. PALAVRAS-CHAVE: Parasitóide, pulgão, regulação do hospedeiro, temperatura base May - June 2007 Neotropical Entomology 36(3) A temperatura é um dos fatores abióticos mais importantes para a sobrevivência dos insetos. Em parasitóides, ela pode afetar o desenvolvimento, a longevidade (Bleicher & Parra 1989), a fecundidade (Steenis 1993), a velocidade de caminhamento (Surverkropp et al. 2001) e o período de tempo utilizado para efetuar a oviposição (Flinn & Hagstrum 2002), apresentando implicações diretas no crescimento populacional desses insetos e, conseqüentemente, no sucesso do controle biológico. A regulação do hospedeiro é essencial para o desenvolvimento de parasitóides cenobiontes, cujos hospedeiros apresentam crescimento e desenvolvimento após o parasitismo (Vinson & Iwantsch 1980). Alguns efeitos causados pelos parasitóides da subfamília Aphidiinae em seus hospedeiros podem ser visualizados pela diminuição do potencial reprodutivo, por impedir a formação dos embriões, e na forma mais globosa do corpo dos pulgões parasitados, mesmo antes da formação da múmia. Pulgões parasitados nos dois ínstares iniciais não chegam à fase adulta e mumificam no quarto instar ninfal (Starý 1988). Esses sintomas de parasitismo são causados nos pulgões pelos fluidos das glândulas de veneno de fêmeas de parasitóide, mesmo sem a deposição do ovo (Digilio et al. 1998, 2000). O parasitóide Aphidius colemani Viereck é uma das espécies dominantes dentre as encontradas em pulgões na América do Sul (Starý & Cermeli 1989, Starý et al. 1993), e apresenta elevado potencial como agente de controle biológico de Aphis gossypii Glover (Sampaio et al. 2001). Na Europa, falhas no controle biológico de A. gossypii por esse parasitóide vêm sendo relacionadas às altas temperaturas (Steenis & El-Kawass 1995, Toussidou et al. 1999). Desta forma, este trabalho teve como objetivos avaliar aspectos biológicos de A. colemani e as alterações advindas do seu parasitismo no hospedeiro A. gossypii, em diferentes temperaturas, e estimar as exigências térmicas do parasitóide. Material e Métodos Os experimentos foram conduzidos no Laboratório de Controle Biológico da Universidade Federal de Lavras (UFLA) em Lavras, MG. Criação de pulgões. Os pulgões A. gossypii foram coletados em plantas de pepino (Cucumis sativus L.) no campo. Na sua manutenção, no laboratório, foram utilizadas plantas de pepino da variedade comercial Caipira, em luminosidade e temperatura ambientes. Cerca de 30 a 50 fêmeas adultas de A. gossypii foram colocadas em placa de Petri (15cm de diâmetro), contendo seção foliar de pepino em solução agar/ água 1% e mantidas em câmaras climatizadas a 25 ± 1°C. Após 24h, os adultos foram retirados e as ninfas remanescentes ao se apresentarem no 2º instar, com aproximadamente 48h de vida, foram utilizadas no experimento (Steenis & El-Kawass 1995, Soglia et al. 2002). Criação de parasitóides. O parasitóide A. colemani foi coletado em pulgões mumificados da espécie Myzus persicae 437 (Sulzer), em plantas de pimentão (Capsicum annum L.), em casa-de-vegetação no Campus da UFLA. Para a criação de A. colemani foram utilizadas colônias de A (...truncated)


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Marcus V. Sampaio, Vanda H.P. Bueno, Sandra M.M. Rodrigues, Maria C.M. Soglia, Bruno F. de Conti. Desenvolvimento de Aphidius colemani Viereck (Hymenoptera: Braconidae, Aphidiinae) e alterações causadas pelo parasitismo no hospedeiro Aphis gossypii Glover (Hemiptera: Aphididae) em diferentes temperaturas, Neotropical Entomology, 2007, pp. 436-444, Volume 36, Issue 3, DOI: 10.1590/S1519-566X2007000300012