Autocuidado universal praticado por idosos em uma instituição de longa permanência
Autocuidado universal praticado por idosos em uma instituição de
longa permanência
Universal self-care practiced by the elderly in a long-term institution
Zélia Maria de Sousa Araújo Santos1
Jocijânia de Oliveira Martins2
Natasha Marques Frota3
Joselany Áfio Caetano3
Rosa Aparecida Nogueira Moreira3
Lívia Moreira Barros3
Resumo
Objetivo: Descrever as ações do autocuidado universal em idosos institucionalizados com
enfoque na promoção da saúde. Métodos: Estudo quantitativo, exploratório e descritivo,
realizado em uma instituição de longa permanência situada em Fortaleza-CE, com
170 idosos. Os dados foram coletados no período de fevereiro a junho de 2010, por
meio de entrevista com a utilização de um roteiro estruturado com base nos requisitos
universais do autocuidado de Orem. Resultados: 65,8% (112) dos idosos tinham idade de
60 a 79 anos, 54,1% (92) pertenciam ao sexo feminino, 28,9% (49) eram viúvos, 64,8%
(110) tinham escolaridade até o ensino fundamental e 44,2% (75) tinham renda familiar
mensal menor que um salário mínimo. Alguns idosos descuidaram em alguns aspectos
relacionados ao autocuidado no que se refere a oxigenação, hidratação, atividade e
promoção da saúde. Esse déficit de autocuidado pode estar associado às limitações
físicas inerentes ao ciclo vital, ao déficit de conhecimento e ao baixo poder aquisitivo.
Conclusões: Faz-se necessário desenvolver atividades voltadas para o lazer e exercícios
físicos nessa população, uma vez que essas ações são consideradas importantes para a
promoção da saúde e a interação social.
Palavras-chave: Idoso.
Autocuidado. Enfermagem.
Geriatria.
Abstract
Objective: To describe the actions of the universal self-care in institutionalized elderly
focusing on health promotion. Methods: Quantitative, exploratory and descriptive
study carried out in a long-term institution in Fortaleza-CE, with 170 elderly. Data
were collected from February to June 2010, through interviews using a structured
questionnaire from the requirements of the universal self-care of Orem. Results: 65.8%
(112) of the elderly were aged 60-79 years, 54.1% (92) were female, 28.9% (49) were
widowed, 64.8% (110) had education up to primary school and 44.2% (75) had monthly
income less than minimum wage. Some older neglected in some aspects of self-care
1
2
3
Programa de Pós-graduação em Saúde Coletiva. Universidade de Fortaleza. Fortaleza, CE, Brasil.
Secretaria Municipal de Saúde de Tururu, CE, Brasil.
Programa de Pós-graduação em Enfermagem. Universidade Federal do Ceará. Fortaleza, CE, Brasil.
Correspondência / Correspondence
Zélia Maria de Sousa Araújo Santos
E-mail:
Key words: Aged. Self Care.
Nursing. Geriatrics.
Artigos Originais / Original Articles
747
748
Rev. Bras. Geriatr. Gerontol., Rio de Janeiro, 2012; 15(4):747-754
with regard to oxygen, moisture, and health promotion activities. This lack of self-care
may be associated with physical limitations inherent in the life cycle, the knowledge
deficit and the low purchasing power. Conclusions: It is necessary to develop activities
for leisure and exercise in this population, since these actions are considered important
for health promotion and social interaction.
INTRODUÇÃO
Durante muito tempo, acreditou-se que a
população brasileira ainda era jovem, e não se
deu crédito às informações demográficas que
projetavam o envelhecimento.1 O envelhecimento
populacional é um dos maiores desafios da saúde
pública contemporânea, já que vem acentuando
consideravelmente as demandas sociais e
econômicas. Esse fenômeno teve início em países
desenvolvidos, porém recentemente é nos países
em desenvolvimento que o envelhecimento vem
trazendo repercussões para a atenção à saúde.2
O envelhecimento causa transformações com
repercussões específicas nos aspectos funcionais,
sociais, emocionais e ambientais. Junto a essas
mudanças, ocorrem as doenças crônicas, o que
exige do idoso modificações em seus hábitos
diários e no desempenho das atividades antes
consideradas simples.3
Frente às várias alterações fisiológicas
e patológicas pertinentes ao processo de
envelhecimento, os idosos perdem sua autonomia
e independência, com a limitação da capacidade
para o autocuidado, o que, consequentemente,
compromete a qualidade de vida do indivíduo e
seu processo de interação social.4
Quando o idoso vive em uma instituição de
longa permanência (ILP), essa condição é um
fator ainda mais agravante, pois ele se encontra
afastado da família, da casa, dos amigos e das
relações nas quais sua história de vida foi
construída. Nesse cenário de cuidados, a proposta
de promoção da saúde deve fundamentar-se no
resgate do desenvolvimento do empoderamento.5
A responsabilidade pela promoção da saúde
é compartilhada entre indivíduos, comunidade,
grupos e instituições que prestam serviços de
saúde, governos e profissionais da saúde de todas
as áreas.6 A promoção da saúde com enfoque no
autocuidado pode contribuir para que os idosos
venham a se cuidar, influenciando positivamente
na preservação de sua autonomia, independência
e condições de saúde.7
Orem8 conceitua o autocuidado como
o desempenho ou a prática de atividades
desenvolvidas pelo indivíduo, em benefício
próprio, para satisfazer as necessidades do próprio
ser, sejam fisiológicas, de desenvolvimento ou
comportamentais, com base em determinados
requisitos ou condições.
O autocuidado é a prática de atividades que
o indivíduo inicia e executa em seu próprio
benefício, na manutenção da vida, da saúde e do
bem-estar. Tem como propósito as ações que,
seguindo um modelo, contribuem de maneira
específica na integridade, nas funções e no
desenvolvimento humano. Esses propósitos
são expressos por meio de ações denominadas
“requisitos de autocuidado”.9
São três os requisitos de autocuidado ou
exigências, apresentados por Orem: universais,
de desenvolvimento e de desvio de saúde. Os
universais estão associados a processos de vida
e à manutenção da integridade da estrutura e
funcionamento humanos. Eles são comuns a
todos os seres humanos durante todos os estágios
do ciclo vital, como por exemplo, as atividades
do cotidiano.
Então, frente a esta realidade, o autocuidado
deve ser estimulado para que haja promoção
da saúde e autoestima, fatores necessários a
qualquer pessoa, principalmente a pessoa idosa,
o que corrobora sua sensação de independência.
Portanto, o idoso deve ser coadjuvante no processo
de promoção de sua saúde e bem-estar de sua vida
dentro do ambiente em que ele está inserido.
Autocuidado por idosos em uma instituição de longa permanência
Diante desse contexto, questiona-se: em
instituições de longa permanência, é possível
identificar as ações de autocuidado, praticadas
por idosos, com vistas à promoção da saúde?
Mediante essa problemática, decidiu-se fazer
esta pesquisa com o objetivo de descrever as
ações do autocuidado universal em idosos
institucionalizados com enfoque na promoção
da saúde.
Conhecer essas ações possibilita identificar
fatores que contribuem para os déficits d (...truncated)