Avaliação da intoxicação de cultivares de cana-de-açúcar e I. grandifolia ao amicarbazone
Avaliação da intoxicação de cultivares de cana-de-açúcar ...
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AVALIAÇÃO DA INTOXICAÇÃO DE CULTIVARES DE CANA-DE-AÇÚCAR E
I. grandifolia AO AMICARBAZONE1
Evaluation of Intoxication of Sugarcane Cultivars and I. grandifolia by Amicarbazone
ARALDI, R.2, VELINI, E.D.3, GIROTTO, M.2, CARBONARI, C.A.4, GOMES, G.L.G.C.2 e
TRINDADE, M.L.B.4
RESUMO - O objetivo deste trabalho foi avaliar a intoxicação de planta daninha e cultivares
de cana-de-açúcar ao amicarbazone. Para isso, utilizou-se Ipomoea grandifolia como planta
daninha representante e os cultivares de cana-de-açúcar PO8862, SP80 3280 e RB83 5486,
caracterizados como sensível, intermediário e tolerante aos herbicidas, respectivamente.
Foi verificado o consumo de água e quantificada a concentração do amicarbazone em seiva de
xilema dos três cultivares de cana-de-açúcar e de I. grandifolia por meio da bomba de
Schollander e da cromatografia e espectrometria de massas (LC-MS). A intoxicação das plantas
foi verificada através de leituras da fluorescência, com auxílio do fluorômetro portátil, que
permitiu a correlação da taxa de transporte de elétrons (ETR) com a concentração de
amicarbazone absorvido pelos cultivares de cana-de-açúcar e por I. grandifolia. Verificou-se,
através do experimento, que a redução dos valores da ETR pode ser utilizada para indicar o
nível de intoxicação de I. grandifolia e de plantas de cana-de-açúcar ao amicarbazone.
I. grandifolia destacou-se em relação à cana-de-açúcar pela maior sensibilidade ao
amicarbazone. A suscetibilidade diferencial dos cultivares de cana-de-açúcar PO8862, SP80
3280 e RB83 5486 pode ser justificada, possivelmente, pela absorção diferencial do
amicarbazone entre os cultivares.
Palavras-chave: seletividade, fotossíntese, fluorescência, fluorômetro.
ABSTRACT - The objective of this work was to evaluate the intoxication of weeds and sugarcane
cultivars by amicarbazone. Ipomoea grandifolia was used as weed representative and the
sugarcane cultivars PO8862, SP80 3280, and RB835486, characterized as sensitive, intermediate
and tolerant to herbicides, respectively. Water consumption was verified and amicarbazone
concentration quantified in the xylem sap of the three sugarcane cultivars and of I. grandifolia,
using the Schollander pump and chromatography and mass spectrometry (LC-MS). Plant intoxication
was verified by fluorescence readings with the aid of portable fluorometer, which allowed the
correlation of the electron transport rate (ETR) with the concentration of amicarbazone absorbed by
the sugarcane cultivars and I. grandifolia. Thus, it could be verified through experiments that the
reduction of ETR values may be used to indicate the level of intoxication of I. grandifolia, and
sugarcane plants by amicarbazone. I. grandifolia was more sensitive to amicarbazone than
sugarcane. The differential susceptibility of the sugarcane varieties PO8862, SP80 3280, and
RB83 5486 can be justified possibly by the differential absorption of amicarbazone among
cultivars.
Keywords: selectivity, photosynthesis, fluorescence, fluorometer.
1
Recebido para publicação em 1o.12.2010 e aprovado em 17.2.2011.
Pós-Graduação em Agronomia pela Faculdade de Ciências Agronômicas, Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho
– FCA/UNESP, Campus de Botucatu, Fazenda Experimental Lageado, Caixa Postal 237, 18603-970 Botucatu-SP,
<>; 3 Professor, Dr., Dep. de Agricultura, FCA/UNESP, 4 Doutores, FCA/UNESP, Núcleo de Pesquisa Avançada
em Matologia – NUPAM.
2
Planta Daninha, Viçosa-MG, v. 29, n. 4, p. 869-875, 2011
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INTRODUÇÃO
Para controlar as plantas daninhas e evitar
os possíveis prejuízos à cultura da cana-deaçúcar, muitos herbicidas com diferentes
ingredientes ativos e formulações estão registrados para uso no Brasil. Dos herbicidas registrados para cana-de-açúcar, o amicarbazone é
um dos mais importantes para o controle das
plantas daninhas (Toledo et al., 2004). Para que
ocorra o efetivo controle das plantas daninhas
com a aplicação de herbicidas, é preciso que o
herbicida aplicado, além de ser absorvido,
translocado e redistribuído pelas plantas, chegue até o sítio de ação em quantidade suficiente para ser fitotóxico, ou seja, uma vez presente
na célula, interfira nos processos vitais específicos da planta. Como o amicarbazone é um
herbicida inibidor da fotossíntese, torna-se
necessário que ele alcance os cloroplastos das
células das folhas para atuar em seu sítio de
ligação no fotossistema II.
O herbicida amicarbazone como inibidor
da fotossíntese liga-se à proteína D1, não permitindo a transferência de elétrons entre as
QA e QB no fotossistema II. Uma vez ligado o
herbicida à proteína e estando a planta submetida a elevadas taxas de radiação fotossinteticamente ativa, ocorre a formação de radicais
livres, os quais promovem a peroxidação de
membranas, além do aumento da emissão de
fluorescência pelo aparato fotossintético
(Yamamoto, 2001).
A emissão de fluorescência fornece
informações sobre os processos fotoquímicos
do PSII em plantas. Sob condição de baixa luz,
em torno de 95% dos fótons absorvidos são
usados na fase fotoquímica, 4,5% são transformados em calor e 0,5% é reemitido como luz
fluorescente. Se todos os centros de reação do
PSII estiveram fechados por um bloqueio da
fotossíntese, 95-97% da energia pode ser
dissipada como calor e 2,5-5,0% dissipada via
fluorescência (Bolhàr-Nordenkampf & Oquist,
1993).
A análise cinética da fluorescência oferece
muitas vantagens como instrumento qualitativo para o estudo do transporte de elétrons
durante a fotossíntese, visto que o processo
de obtenção de medidas da fluorescência
da clorofila é rápido, específico e não destrutivo (Mohanty & Govindjee, 1974). Com um
Planta Daninha, Viçosa-MG, v. 29, n. 4, p. 869-875, 2011
ARALDI, R. et al.
fluorômetro, é possível registrar o comportamento da fase inicial da fotossíntese, que é o
transporte de elétrons no PSII, sendo este o
sítio de ação do amicarbazone.
Van Oorschot & van Leeuwen (1992)
conduziram experimento com folhas destacadas de Alopecurus myosuroides suscetíveis
e resistentes ao chlortoluron. As folhas das
plantas resistentes mostraram parcial a
completa recuperação da inibição do transporte
de elétrons, enquanto as plantas suscetíveis
não mostraram qualquer recuperação do
transporte de elétrons no PSII.
Em trabalho desenvolvido por Dayan et al.
(2009), foi monitorada a taxa de transporte de
elétron do fotossistema II (ETR) em plantas de
milho, Digitaria sanguinalis e Abutilon
theophrasti, quando submetidas à aplicação de
amicarbazone e atrazine. A taxa de transporte
de elétrons para Digitaria sanguinalis e Abutilon
theophrasti foi completamente inibida oito
horas após a aplicação do herbicida, enquanto
o milho manteve redução de aproximadamente 70 e 30% do ETR fotossintético com
24 horas após a aplicação do amicarbazone e
atrazine, respectivamente; o milho foi mais
tolerante aos herbicidas testados, quando
comparado às plantas daninhas.
Para o sucesso no controle químico d (...truncated)