Weed selectivity and control with oxyfluorfen and sulfentrazone in young arabica coffee plantations
Seletividade e controle de plantas daninhas com oxyfluorfen ...
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SELETIVIDADE E CONTROLE DE PLANTAS DANINHAS COM OXYFLUORFEN
1
E SULFENTRAZONE NA IMPLANTAÇÃO DE LAVOURA DE CAFÉ
Weed Selectivity and Control with Oxyfluorfen and Sulfentrazone in Young Arabica Coffee
Plantations
MAGALHÃES, C.E.O.2, RONCHI, C.P.3, RUAS, R.A.A.4, SILVA. M.A.A.2, ARAÚJO, F.C.2 e
ALMEIDA, W.L.2
RESUMO - Este trabalho teve por objetivo avaliar a seletividade do oxyfluorfen e do
sulfentrazone e o controle de plantas daninhas em diferentes épocas após o transplantio
das mudas de café no campo. Foram realizados três ensaios no delineamento experimental
de blocos casualizados com dez tratamentos e quatro repetições. No ensaio 1, aos 30 dias após
o transplantio (DAT) e, no ensaio 2, aos 90 DAT, testaram-se duas doses de oxyfluorfen (0,36
e 0,72 kg i.a. ha-1) e de sulfentrazone (0,4 e 0,6 kg i.a. ha-1), em jato dirigido ao solo (com proteção
das mudas) e em área total. No ensaio 3, os mesmos herbicidas e doses foram aplicados,
porém aos 300 DAT e apenas em aplicação dirigida, testando-se duas pontas de pulverização
de diferentes potenciais de deriva. Em todos os ensaios, acrescentaram-se as testemunhas
capinada e sem capina. A entrelinha foi manejada com roçada. Foram identificadas as espécies
de plantas daninhas e suas densidades. A eficácia dos herbicidas e suas seletividades também
foram avaliadas. A principal planta daninha que ocorreu na área experimental foi Brachiaria
decumbens. Sintomas visuais de toxicidade foram observados apenas quando os herbicidas
foram aplicados em área total (ensaios 1 e 2), independentemente da dose e época de aplicação.
No ensaio 3, independentemente do herbicida, da dose e da ponta utilizada, não houve
sintomas visuais de toxicidade, nem redução no crescimento das plantas, em função da
aplicação dirigida. Em todas as épocas o controle de plantas daninhas foi eficiente, porém a
seletividade só foi alcançada na aplicação dirigida, para ambos os herbicidas.
Palavras-chave: Brachiaria decumbens, Coffea arabica, herbicidas, manejo integrado, tecnologia de aplicação.
ABSTRACT - This study aimed to evaluate oxyfluorfen and sulfentrazone selectivity and weed
control in young coffee plantations (Coffea arabica cv. Red Catuaí). Three trials were conducted in a
randomized complete block design, with 10 treatments and four replicates. In the first and second
trials, at 30 and 90 days after transplanting (DAT), respectively, two doses of oxyfluorfen (0.36
and 0.72 kg a.i. ha-1) and sulfentrazone (0.4 and 0.6 kg a.i. ha-1) were tested by spraying the
herbicides directly into soil (with seedling protection) or onto the total area. The same herbicides and
doses were used in the third trial, but at 300 DAT and only directed to the soil, using two sprayer
nozzles with different drift potentials being tested. Two additional control plots were added: handweeding control and weedy treatments. Weeds present in the inter-row spaces were eliminated by
mowing operations. Weeds and their densities were identified. The toxicity of the herbicides to the
coffee plants and its effectiveness in controlling the weeds were assessed. The main weed occurring
in the experimental area was Brachiaria decumbens. Visual symptoms of herbicide toxicity were
observed only when the herbicides were applied in the entire area (trials 1 and 2), regardless of
their doses and application times. At the third herbicide application trial, no visual symptoms of
herbicide toxicity and no reductions in plant growth were observed, regardless of the herbicide, the
dose and the sprayer nozzles tested. At all times, a very good weed control percentage was
obtained, but selectivity occurred only when the herbicides were not applied onto the total area.
Keywords: application technology, Brachiaria decumbens, Coffea arabica, herbicides, integrated weed management.
1
Recebido para publicação em 25.6.2011 e aprovado em 15.5.2012.
Graduando em Agronomia, Universidade Federal de Viçosa – Campus Rio Paranaíba – Rod BR 354, km 310, Caixa Postal 22,
38810-000, Rio Paranaíba-MG; 3 Professor, Universidade Federal de Viçosa – Campus Rio Paranaíba – Rod BR 354, km 310, Caixa
Postal 22, 38810-000, Rio Paranaíba-MG, <>; 4 Professor, Universidade Federal de Viçosa – Campus Rio
Paranaíba – Rod BR 354, km 310, Caixa Postal 22, 38810-000, Rio Paranaíba-MG, <>.
2
Planta Daninha, Viçosa-MG, v. 30, n. 3, p. 607-616, 2012
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INTRODUÇÃO
Dados oficiais do Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística – IBGE apontam o café
arábica como a cultura de maior importância
para a região do Alto Paranaíba, seja por seu
cultivo em 100% dos municípios da região, pelo
alto valor econômico da produção ou pelo grande
emprego de mão de obra. Em 2010, a região do
Alto Paranaíba, particularmente os 139,403 mil
hectares colhidos, contribuiu com 17,65% dos
24,358 milhões de sacas produzidas pelo
Estado de Minas Gerais. É importante registrar
que esse Estado sozinho produziu, em 2010,
50,67% do café brasileiro; três dos cinco municípios maiores produtores de café do Estado
encontram-se na região do Alto Paranaíba:
Patrocínio, Monte Carmelo e Rio Paranaíba
(Minas Gerais, 2011).
O cafeeiro é uma cultura perene e pode
produzir por mais de 30 anos. Em razão da
competição com as plantas daninhas, sua
produtividade e qualidade podem ser severamente comprometidas. Por isso, o manejo
de plantas daninhas na lavoura constitui-se
numa das principais práticas que oneram o
custo de produção (Silva & Ronchi, 2008). Além
da redução da produtividade, que pode variar
de 24% (Moraima, et al., 2000) a 92% (Lemes
et al., 2010), existem outros efeitos indiretos
também prejudiciais à cultura, como, por
exemplo, dificultar a colheita e tratos fitossanitários (Silva & Ronchi, 2008). Não obstante, as plantas daninhas geralmente apresentam maior concentração de nutrientes no
tecido e maior habilidade ou eficiência na
absorção de nutrientes do que as plantas de
café (Ronchi et al., 2007).
Logo após o transplantio no campo, as
mudas de café apresentam crescimento lento
e são altamente sensíveis à competição com
as plantas daninhas (Ronchi et al., 2007;
Lemes et al., 2010; Fialho et al., 2010). Isso
ocorre porque a presença de plantas daninhas
na vizinhança do cafeeiro jovem limita o acesso
da cultura aos recursos do ambiente, especialmente luz e nutrientes (Radosevich et al.,
1996). Vale ressaltar que é na região de solo
próximo ao caule da planta, até 0,30 m de
profundidade, que a maior parte do sistema
radicular do cafeeiro (Alfonsi et al., 2005;
DaMatta et al., 2009) se concentra, indicando
Planta Daninha, Viçosa-MG, v. 30, n. 3, p. 607-616, 2012
MAGALHÃES, C.E.O. et al.
que a ocorrência de plantas daninhas nessa
região do solo é de fato indesejável e danosa ao
cafeeiro. Felizmente, à medida que a idade do
cafeeiro aumenta após o transplantio, as mudas tornam-se aparentemente mais tolerantes
à competição com as plantas daninhas (Fialho
et al., 2010).
Devido ao uso generalizado (...truncated)