Extraction and isolation of diosgenin from yams
EXTRAÇÃO E ISOLAMENTO
DE DIOSGENINA DE BARBASCO ( 1 )
MARCO ANTONIO TEIXEIRA ZULLO (2- 5 ), MARIA TEREZA BARALDI RAMOS (2),
DOMINGOS ANTONIO MONTEIRO (3) e GENTIL GODOY JR. (4)
RESUMO
Dioscorea composite Hemsl. e D. floribunda Mart. & Gal., introduzidas no Brasil, mostraram teores de diosgenina de 3,15 ± 1,41% e
4,72 ± 0,24% na matéria seca dos tubérculos, com pureza mínima de
54,7 e 39,2% respectivamente, lamogenina também ocorre nos tubérculos
de ambas as espécies. O teor de diosgenina em D. composita é crescente
com a idade da planta, mostrando um máximo pronunciado em torno do
terceiro ano de cultivo e estabilizandc-se ao redor do sexto ano.
Termos de indexação: barbasco, Dioscorea composita Hemsl., Dioscorea floribunda
Mart. & Gal., Dioscoriaceae, diosgenina, iamogenina.
1. INTRODUÇÃO
Diosgenina (25R-espirost-5-en-3 /}-ol) é uma sapogenina esteroídica
isolada, inicialmente, de Dioscorea tokoro Makino (TSUKAMOTO & UENO, 1936)
e, posteriormente, de numerosas dioscoriáceas mexicanas (MARKER et ai.,
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(5)
Recebido para publicação em 26 de novembro de 1985.
Seção de Fitoqufmica, Instituto Agronômico (IAC), Caixa Postal 28,13001 Campinas (SP).
Seção de Rafzes e Tubérculos, IAC.
Estação Experimental de Ubatuba, IAC.
Com bolsa de pesquisa do CNPq.
1943). Com o desenvolvimento de métodos para sua transformação em progesterona (MARKER et ai., 1940; MARKER, 1947), tomou-se uma das matérias-primas
de importância para o desenvolvimento da moderna indústria esteroídica (FIESER
& FIESER, 1959). A introdução de D. composita Hemsl, e D. floribunda Mart. &
Gal., na Seção de Raízes e Tubérculos do Instituto Agronômico, realizou-se pela
inexistência, no Brasil, de dioscoriácea que permitisse a obtenção, economicamente viável, de diosgenina. Este trabalho caracteriza os teores desta sapogenina
no material introduzido no País e relata um método para sua extração e purificação.
2. MATERIAL E MÉTODOS
Material vegetal: Sementes de D. composita e D. floribunda, originárias
do México, registradas no Serviço de Introdução de Plantas do IAC sob os
n9s 41.455 e 41.456, foram semeadas em caixa coletiva em fevereiro de 1968, na
Seção de Raízes e Tubérculos, e transplantadas para vasos individuais em abril.
Em setembro, 31 plantas de D. composita foram transferidas para a Estação
Experimental de Ubatuba: sob reprodução e seleção, forneceram outras 210, que
foram plantadas na Estação Experimental de Pariquera-Açu em agosto de 1974.
Extração e isolamento de diosgenina: Tubérculos de barbasco foram
fatiados, secos a 60 °C até peso constante e pulverizados em moinho tipo Wiley.
Cada 100 g de matéria seca foram refluxados por cinco horas com 500 ml de
ácido clorídrico 1.92N. Após resfriamento à temperatura ambiente, a mistura de
hidrólise foi filtrada a vácuo em funil de Buchnere lavada com cerca de 1.500 ml
de água. O resíduo de hidrólise foi seco em estufa a 65 °C até peso constante e
extraído em soxhlet com 150 ml de hexano durante oito horas. A solução hexânica foi concentrada em evaporador rotatório e seca em estufa a 105°C até peso
constante. A diosgenina bruta obtida foi isolada por recristalização em acetona
e lavagem com hexano. Concentração das águas-mãe acetônica e hexânica
combinadas e recristalização em metanol forneceram uma segunda coleta de
diosgenina.
Alternativamente, foi utilizado o método de MORRIS et ai. (1956) para
a extração e isolamento de diosgenina de tubérculos frescos de barbasco.
Purificação de diosgenina: Amostra analiticamente pura de diosgenina
foi obtida por çromatografia de adsorção em coluna, empregando-se, para cada
grama de diosgenina isolada, 20 g de silicaf(70^-200 "mêsff) ê 2 g de carvão
ativo (porção superior), eluindo-se com hexano (50 ml) e acetona (200 ml), seguindo recristalização em metanol do eluato acetônico concentrado.
Determinação da pureza da diosgenina bruta: A pureza de algumas
amostras de diosgenina bruta, extraída aos 39 meses, foi determinada por çromatografia em fase gasosa pelo método de ROZANSKI (1972) e por espectrofctometria de ultravioleta. Ambas as análises foram realizadas pelos Laboratórios
Lepetit
Acetilação de diosgenina: Foi realizada pelo método de BRUCE &
RALLS (1943), fornecendo o acetato de diosgenina.
Determinação dos pontos de fusão e rotação óptica: Os pontos de
fusão foram determinados em capilares selados e as rotações ópticas, em clorofórmio, em concentrações de 10 mg/ml.
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os teores de diosgenina em tubérculos de D. composita, cujo desenvolvimento no campo foi acompanhado, mostraram-se crescentes com a idade de
cultivo, tendendo a um limite à medida que a cultura se tomou perene e apresentando um máximo pronunciado ao redor dos três anos de cultivo, como mostra a
figura 1: esse máximo coincide com a época de floração mais vigorosa observada
na espécie. Tais dados são qualitativamente semelhantes aos apresentados por
CRUZADO et ai. (1965) para o cultivo de D. floribunda. Embora se tenham
observado teores de diosgenina de até cerca de 7% na matéria seca do tubérculo
aos 39 meses de cultivo no campo, esse teor nessa época foi de 4,00
± 1,79%, enquanto em todo o período foi de 3,10 ± 1,31%.
Devido a D. floríbunda apresentar um comportamento mais frágil no
campo, seus teores de diosgenina não foram examinados ao longo do tempo.
Tubérculos da espécie, com seis anos de cultivo, apresentaram 4,72 ± 0,24%
de diosgenina.
Com base na verificação de que o teor de diosgenina nos tubérculos de
D. composita era crescente com a idade do cultivo, tubérculos desta espécie aos
33 e 36 meses, de quatro clones, foram divididos em terços apical, mediano e
basal, e cada porção analisada quanto à diosgenina (Quadro 1). A análise de
variância mostrou que os teores de diosgenina são significativamente dependentes do clone, da posição amostrada e da idade do cultivo, bem como da interação entre clone e as outras variáveis.
Analisando diversas dioscoriáceas mexicanas, MARKER et ai. (1943)
encontraram 0,3% de diosgenina na matéria seca do tubérculo de D. composita, e
WALL et ai. (1954), um mínimo de 1,2% e um máximo de 3,0%. SAUVAIRE &
BACCOU (1978) encontraram 3,2% de diosgenina na matéria seca de D. ftoribunda.
BARBOSA F9 et ai. (1982, 1983) isolaram diosgenina, em rendimento não especificado, de D. trisepta, isolando ^-sitosterol e nenhuma ou insignificante quantidade de diosgenina em sete outras dioscórias nativas no Nordeste brasileiro.
Para comparar o método de extração aqui descrito ao preconizado por
MORRIS et ai. (1956), um mesmo tubérculo de D. composita foi analisado por
ambos os métodos. Pelo primeiro, o teor de diosgenina na matéria seca foi de
2,61 ± 0,14%, em oito repetições, enquanto, pelo método de MORRIS et ai.
(1956), verificou-se um teor de diosgenina de 1,97 ± 0,21% na matéria seca,
em duas repetições. A extração mais efetiva aqui observada parece ser devida a
uma melhor homogeneização do material pela pulverização da amostra: isso permite uma hidrólise mais eficiente do materia (...truncated)