Ways of inserting physicians into the healthcare production process: case of study of basic healthcare units in Belo Horizonte, Brazil

Ciência & Saúde Coletiva, Jan 2008

The main purpose of this paper is to describe and analyze the ways of inserting physicians into the health production process. This subject is justified by a belief that that this way of working may be a problem but at the same time may well be the key to implementing healthcare models that are ethically and politically committed to the lives of public health system users. Initially, the problem is presented through the construction of an archetype physician and his historical and social and cultural conditioning factors, taking the work processes of physicians at Basic Healthcare Units in Belo Horizonte as an example that is built up through interviews and participative observations. Some possibilities for intervention are indicated through the introduction of new concepts and technologies that could transform the work of these practitioners in ways that would build up links with more responsibility for the care and lives of users of public healthcare services.

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Ways of inserting physicians into the healthcare production process: case of study of basic healthcare units in Belo Horizonte, Brazil

153 Ways of inserting physicians into the healthcare production process: case of study of basic healthcare units in Belo Horizonte, Brazil Maria Terezinha Gariglio 1 Antônio Leite Alves Radicchi 2 1 Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte. Av. Afonso Pena 2336/12º andar, [Funcionários]. [30130 007] Belo Horizonte MG. 2 Departamento de Medicina Preventiva e Social, Faculdade de Medicina, Universidade Federal de Minas Gerais. Abstract The main purpose of this paper is to describe and analyze the ways of inserting physicians into the health production process. This subject is justified by a belief that that this way of working may be a problem but at the same time may well be the key to implementing healthcare models that are ethically and politically committed to the lives of public health system users. Initially, the problem is presented through the construction of an archetype physician and his historical and social and cultural conditioning factors, taking the work processes of physicians at Basic Healthcare Units in Belo Horizonte as an example that is built up through interviews and participative observations. Some possibilities for intervention are indicated through the introduction of new concepts and technologies that could transform the work of these practitioners in ways that would build up links with more responsibility for the care and lives of users of public healthcare services. Key words Medical work, Working process, General practice, Subject, Care Resumo O objetivo desse trabalho é descrever e analisar o processo de trabalho ou o modo de inserção do médico no processo produtivo em saúde. O tema se justifica pelo entendimento de que esse modo de trabalhar possa ser um problema e ao mesmo tempo uma chave que possibilite a implantação de modelos de assistência eticamente e politicamente comprometidos com a vida dos usuários dos sistemas públicos de saúde. A descrição do problema começa pela construção do arquétipo médico e seus condicionantes históricos e socioculturais; toma como exemplo o processo de trabalho dos médicos em unidades básicas de saúde em Belo Horizonte construído através de entrevistas e observação participante e aponta algumas possibilidades de intervenção através da introdução de novos conceitos e tecnologias capazes de transformar o trabalho desses profissionais de modo a garantir a formação de vínculos e de maior gradiente de responsabilização pelo cuidado e pela vida dos usuários que procuram os serviços públicos de saúde. Palavras-chave Trabalho médico, Processo de trabalho, Clínica, Sujeito, Cuidado TEMAS LIVRES FREE THEMES O modo de inserção do médico no processo produtivo em saúde: o caso das unidades básicas de Belo Horizonte Gariglio, M. T.; Radicchi, A. L. A. 154 Introdução Atualmente, por todos os lados para onde olhamos, parece haver um sentimento de crise. Quer na saúde, quer na saúde pública ou coletiva, quer na Medicina, esse tema tem sido citado, discutido e debatido. Momentos de crise nos remetem à possibilidade de estarmos a meio caminho de mudanças paradigmáticas. É no campo da saúde e principalmente na vertente da saúde coletiva que se pode perceber com mais intensidade os sinais de possíveis mudanças paradigmáticas1. A crise vivenciada por este campo do conhecimento humano se caracteriza por problemas que passam pelo entendimento e construção do conceito de saúde, que oscila entre a visão biologicista e mecanicista da saúde e doença, ao entendimento da saúde como um estado de equilíbrio do ser humano na sua vida e na sociedade onde vive, além das questões sociais e econômicas que são determinantes para o estabelecimento de políticas no contexto da saúde pública. É possível falar de crise quando se observa um desajuste entre discurso e prática. As causas podem ser múltiplas, e sua associação direta a sintomas específicos, perigosa: o que é causa pode ser também efeito e viceversa2. A crise da saúde pública pode ser melhor compreendida à luz da teoria da complexidade. A característica mais definidora desta teoria é a da não-linearidade entre causa e efeito, que abre a possibilidade de aceitação de paradoxos antes intoleráveis pela ciência convencional. A partir desta teoria, a crise da saúde pública pode ser entendida como um emaranhado de aspectos históricos, econômicos, sociais, políticos e morais que são causas e ou conseqüências dos problemas encontrados e que se potencializam mutuamente. A saúde, portanto, é geradora e é operada em ambiente de grande complexidade. Dentre as causas/efeitos da crise da saúde pública, está certamente a Medicina e a prática médica, e a persistência de modelos centrados na produção de procedimentos médicos voltados para a cura. Além disso, a sociedade hoje vive em um contexto de déficit de ideais transcendentes, de exacerbação do individualismo, de desregulamentação, de exclusão social e intolerância crescentes, que se traduzem no Brasil não só como deterioração da qualidade dos serviços e aumento na desigualdade de acesso, mas como crescente banalização da dor e do sofrimento alheios3. Apesar da presença de todos estes elementos da crise da saúde pública na realidade brasileira, pode-se perceber a existência de vários movimentos geradores de mudanças. No nível macro es- trutural está todo o esforço da reforma sanitária brasileira em alcançar as mudanças desejadas, culminando com o estabelecimento do arcabouço jurídico-legal do SUS. Mais recentemente, e com certeza oportunamente, os esforços governamentais têm-se voltado para as questões de caráter mais microestrutural: a reorganização dos serviços de saúde da ponta do sistema e, conseqüentemente, a mudança de seu processo de trabalho. Este esforço se traduz, hoje, na implantação ampla do Programa de Saúde da Família em todo o Brasil. Mas, apesar do consenso em torno destes projetos considerados progressistas, os resultados obtidos na assistência a saúde do usuário, objetivo primordial de todos eles, ainda são muito aquém do esperado e do desejado. É neste contexto da saúde pública que se insere o problema apontado, ou seja, qual o papel do médico nestes processos de mudanças enquanto um ator estratégico tanto pela sua centralidade na organização dos serviços de saúde, sua legitimidade técnica e sociocultural perante a população e equipe, quanto pela grande autonomia no seu processo de trabalho. Os médicos, por estas mesmas características, são também atores ou sujeitos com grande potencialidade para gerar mudanças. Então, a reflexão apresentada neste trabalho tem como ponto de partida um paradoxo em relação ao trabalho e profissional médico assim expresso por Merhy4: O trabalho médico pode ser entendido como um paradoxo tanto como dispositivo estratégico para implantar um modelo de atenção à saúde descompromissado com o usuário, quanto uma ferramenta a desarmá-lo e produzir um novo modo de agir em saúde. “O médico é um problema”. “É muito difícil discutir com o médico e faze-lo cumprir protocolos e programações”. (...truncated)


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Maria Terezinha Gariglio, Antônio Leite Alves Radicchi. Ways of inserting physicians into the healthcare production process: case of study of basic healthcare units in Belo Horizonte, Brazil, Ciência & Saúde Coletiva, 2008, pp. 153-163, Volume 13, Issue 1, DOI: 10.1590/S1413-81232008000100020