Perceptions of young people with Down Syndrome on amorous relations

Revista Brasileira de Educação Especial, Jan 2007

Difficulties parents and professionals have in coping with sexual behaviors of people with mental deficiency probably result from their faulty ideas or misconceptions of the potential these people have for developing of sexuality. One implication of this type of conception is that few opportunities are promoted for listening to what young people with mental deficiency have to say about their expectations and desires of amorous relationships. The aim of this study was to uncover the perceptions of young people with Down Syndrome about amorous relationships. To this end, two women and three men with Down Syndrome between 18 and 28 years, were interviewed individually. Their reports on what it means to fall in love and what they feel for each other was related to behaviors that expressed concern for their boyfriend/girlfriend, as well as feelings of excitement and passion. As to their reports on physical attraction, emphasis was placed both on physical and behavioral aspects. One young woman stated that she had sexual relations with her boyfriend and she described in details her experience and the precautions taken. Two other interviewees considered the possibility of having sexual relations in the future, although they had been dating for some time. One young woman indicated that having sexual relations requires interdependence of the couple, as well as precautions to prevent pregnancy. These results enable us to conclude that the perceptions that young people with Down Syndrome have about amorous relationships do not differ from those of young people without the syndrome and are probably developed when given opportunities to experience relationships in circumstances that favor amorous behavior.

Article PDF cannot be displayed. You can download it here:

http://www.scielo.br/pdf/rbee/v13n2/a06v13n2.pdf

Perceptions of young people with Down Syndrome on amorous relations

Relato de Pesquisa Síndrome de Down e relacionamento amoroso PERCEPÇÕES DE JOVENS COM SÍNDROME DE DOWN SOBRE RELACIONAR-SE AMOROSAMENTE PERCEPTIONS OF YOUNG PEOPLE WITH DOWN SYNDROME ON AMOROUS RELATIONS Elaine Cristina LUIZ1 Olga Mitsue KUBO2 RESUMO: dificuldades de pais e profissionais para lidar com comportamentos de natureza sexual de pessoas com deficiência mental são provavelmente advindas de concepções parciais ou equivocadas desses pais e profissionais sobre as potencialidades de desenvolvimento da dimensão sexual dessas pessoas. Uma das implicações desse tipo de concepção é promover poucas oportunidades para ouvir o jovem com deficiência mental sobre suas expectativas e desejos sobre relacionamento amoroso. O objetivo do trabalho foi descobrir quais as percepções de jovens com Síndrome de Down sobre relacionar-se amorosamente. Para isso, duas mulheres e três homens com Síndrome de Down, com idade entre 18 e 28 anos, foram entrevistados individualmente. As verbalizações desses jovens sobre o que é apaixonar-se e o que sentem um pelo outro se referiram a comportamentos que expressavam cuidados com (a) namorado (a), e a sentimentos como ânimo e paixão. Em relação ao que verbalizam sobre o que é uma pessoa atraente, houve ênfase em aspectos físicos e comportamentais. Uma jovem afirmou ter relações sexuais com o namorado e descreveu com minúcia a experiência e cuidados tomados para isso. Outros dois jovens consideraram a possibilidade de ter relações sexuais mais tarde, embora já namorassem há algum tempo. Uma adolescente indicou como necessário para ter relação sexual a interdependência do casal e a prevenção da gravidez. Os resultados possibilitam concluir que as percepções que jovens com Síndrome de Down têm sobre relacionamentos amorosos não diferem daquelas de jovens sem síndrome e, muito provavelmente, são desenvolvidas pelas oportunidades de se comportarem efetivamente sob contingências que favoreçam comportamentos amorosos. PALAVRAS-CHAVE: comportamento amoroso; sexualidade; Síndrome de Down; educação especial. ABSTRACT: difficulties parents and professionals have in coping with sexual behaviors of people with mental deficiency probably result from their faulty ideas or misconceptions of the potential these people have for developing of sexuality. One implication of this type of conception is that few opportunities are promoted for listening to what young people with mental deficiency have to say about their expectations and desires of amorous relationships. The aim of this study was to uncover the perceptions of young people with Down Syndrome about amorous relationships. To this end, two women and three men with Down Syndrome between 18 and 28 years, were interviewed individually. Their reports on what it means to fall in love and what they feel for each other was related to behaviors that expressed concern for their boyfriend/girlfriend, as well as feelings of excitement and passion. As to their reports on physical attraction, emphasis was placed both on physical and behavioral aspects. One young woman stated that she had sexual relations with her boyfriend and she described in details her experience and the precautions taken. Two other interviewees considered the possibility of having sexual relations in the future, although they had been dating for some time. One young woman indicated that having sexual relations requires interdependence of the couple, as well as precautions to prevent pregnancy. These results enable us to conclude that the perceptions that young people with Down Syndrome have about amorous relationships do not differ from those of young people without the syndrome and are probably developed when given opportunities to experience relationships in circumstances that favor amorous behavior. KEYWORDS: amorous behavior; sexuality; down syndrome; special education. 1 Mestranda do Programa de Pós-graduação em Psicologia, Universidade Federal de Santa Catarina 2 Programa de Pós-graduação em Psicologia, Universidade Federal de Santa Catarina. E-mail: Rev. Bras. Ed. Esp., Marília, Mai.-Ago. 2007, v.13, n.2, p.219-238 219 LUIZ, E. C.; KUBO, O. M. 1 I NTRODUÇÃO Nos anos do século XXI, de maneira geral, namorar, casar, manter relações sexuais antes do casamento, ter filhos, morar com o namorado são assuntos corriqueiros e já deixaram de ser proibidos, vergonhosos ou censurados. Mas, e se o assunto for namoro de pessoas com alguma deficiência? Relacionamento sexual de pessoas com Síndrome de Down? Gravidez de pessoas com Síndrome de Down? Estudos têm possibilitado perceber que jovens com deficiência mental raramente são ouvidos a respeito de seus anseios, desejos, dúvidas e experiências em relação à vida afetiva e sexual. Não se sabe exatamente o que esperam, necessitam, desejam, pensam, acreditam a respeito de sua sexualidade, e o que são realmente capazes de fazer em um relacionamento amoroso, incluindo “ficar”, namorar, casar. Em alguns estudos é possível identificar que jovens com alguma deficiência mental têm frustrações, fantasias e também são capazes de expressões de afeto e manifestações “normais” da sexualidade. Nesse contexto, algumas perguntas se fazem pertinentes: Qual o direito desses jovens de namorarem? E de terem relações sexuais? E de casarem? O que esses jovens pensam sobre isso? Têm oportunidades de vivenciar uma vida afetiva e sexual? Deveriam ter? Sob que situações? Quais as condições necessárias para que isso aconteça? Quem são os responsáveis por garantir essas condições? Nessa perspectiva, é configurada a necessidade de investigar quais as percepções que jovens com Síndrome de Down apresentam sobre se relacionar amorosamente. Glat (1993) afirma que profissionais que trabalham com pessoas com deficiência mental exercem forte influência sobre elas, são formadores de opinião, e reproduzem a concepção que a sociedade tem sobre deficiência mental. A autora explica que a imagem que a pessoa tem de si e de seu corpo é determinado por conceitos, idéias, valores que o grupo social lhe atribui. Assim, professores, pais e outras pessoas que convivem com pessoas com algum tipo de deficiência exercem influência sobre o que essas pessoas percebem de si próprias e do mundo. Portanto, é importante que profissionais que lidam com essas pessoas tenham uma formação que os capacitem a serem promotores de inclusão e não disseminadores de preconceitos e estereótipos de determinado grupo social a respeito de pessoas com deficiência mental. É possível constatar que a intervenção sobre a sexualidade de pessoas com deficiência mental continua sendo no sentido de limitá-la. Glat e Freitas (2002) relatam que em anos de pesquisa e trabalho com o tema da sexualidade de pessoas com deficiência, os profissionais, ao solicitarem ajuda para lidar com a sexualidade de pessoas com deficiência, esperam “resolver o problema” da sexualidade dessas pessoas, de forma a evitar ou restringir qualquer manifestação dessa. Em um estudo com 10 profissiona (...truncated)


This is a preview of a remote PDF: http://www.scielo.br/pdf/rbee/v13n2/a06v13n2.pdf
Article home page: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_abstract&pid=S1413-65382007000200006&lng=pt&nrm=iso&tlng=en

Elaine Cristina Luiz, Olga Mitsue Kubo. Perceptions of young people with Down Syndrome on amorous relations, Revista Brasileira de Educação Especial, 2007, pp. 219-238, Volume 13, Issue 2, DOI: 10.1590/S1413-65382007000200006