The dysphonic child: diagnostic, treatment and clinical evolution
Rev Bras Otorrinolaringol.
V.69, n.6, 801-6, set./out. 2003
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ARTIGO ORIGINAL
ORIGINAL ARTICLE
A criança disfônica:
diagnóstico, tratamento e
evolução clínica
The dysphonic child:
diagnostic, treatment and
clinical evolution
Regina H. G. Martins1, Sérgio H. K. Trindade2
Palavras-chave: disfonia, criança, laringe.
Key words: dysphonia, children, larynx.
Resumo / Summary
V
O
ocal nodules are the main cause of dysphonia in
children, but through the videolaryngoscopy, others lesions
are frequently found in infantile larynx like, cysts, sulcus,
anterior commissure microwebs, denominated vocal fold
cover minor structural alterations. Aim: To evaluate, in 71
children with dysphonia seen at “Ambulatório de Foniatria
da Faculdade de Medicina de Botucatu (Unesp)”, during
the last five years: sex incidence, age, diagnostic, treatment
and clinical evolution. Study design: Clinical retrospective.
Material and Method: We reviewed the evaluations of 71
children with dysphonia, with age range of 3 to 13 years,
who underwent otolaryngologic and endoscopic exams
(videolaryngoscopy or flexible fiberoptic). The children with
functional dysphonia or respiratory distress complaints were
excluded. Results: the main diagnoses were: vocal nodules
(47 cases; 66,2%), epidermic cysts (7 cases; 9,9%), fistuleted
cyst (6 cases; 8,4%), sulcus vocalis (5 cases; 7,1%), vocal
fold bridge associated to cyst (2 cases; 2,8%), anterior
microwebs associated to nodules (2 cases; 2,8%) and polyps
(2 cases; 2,8%). The dysphonias were more frequent in boys
(63,3%). The phonotherapy was the preferential treatment
to nodules (well clinical evolution), sulcus vocalis (failed
therapy) and microweb (failed therapy). The surgery
followed by phonotherapy was the treatment in cysts, bridge
and polyps, with satisfactory clinical evolution, except in
that cases that refused the surgery. Conclusion: The vocal
nodules are the main cause of dysphonia in children, but
the vocal fold cover minor structural alterations are frequently
seen in infantile larynx and for these diagnose the exam
may be careful.
s nódulos vocais são causas freqüentes de disfonias infantis, porém, através das vídeoendoscopias, outras lesões têm
sido diagnosticadas na laringe infantil, como os cistos, sulcos,
pontes e micromembranas, denominadas de lesões estruturais
mínimas. Objetivo: Avaliar, em 71 crianças com disfonia
agendadas nos ambulatórios de Foniatria da Faculdade de Medicina de Botucatu (Unesp) nos últimos cinco anos: sexo, idade, diagnósticos, tratamentos e evolução clínica. Forma de
estudo: Clínico retrospectivo. Casuística e Método: Realizou-se estudo retrospectivo das avaliações otorrinolaringológicas e endoscópicas de 71 crianças com queixas de disfonia e
idade entre 3 a 13 anos (45 meninos e 26 meninas). As crianças haviam sido submetidas a exame endoscópico com telescópio rígido ou nasofibroscópio flexível. Foram excluídas as
crianças com disfonias funcionais ou com queixas de obstrução
respiratória. Resultados Os principais diagnósticos foram: nódulo vocal (47 casos; 66,2%), cisto epidérmico (7 casos; 9,9%),
cisto aberto fistulizado (6 casos; 8,4%), sulco vocal (5 casos;
7,1%), ponte + cisto (2 casos; 2,8%), micromembrana anterior
(2 casos; 2,8%) e pólipo vocal (2 casos; 2,8%). As disfonias
foram mais freqüentes entre os meninos (63,3%). A fonoterapia
isolada foi o tratamento de escolha nos casos de nódulo vocal
(evolução favorável), sulco vocal (evolução desfavorável) e
micro-membrana (evolução desfavorável). Nas demais lesões
(cistos, pontes e pólipos) o tratamento de escolha foi a cirurgia
associada à fonoterapia, com resultados satisfatórios, exceto
nos casos que recusaram a cirurgia. Conclusão: Os nódulos
vocais são as principais causas de disfonias em crianças, porém
as lesões estruturais mínimas mostraram-se também freqüentes, exigindo exame minucioso para o diagnóstico.
1
Professora Assistente Doutora da Disciplina de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço da Faculdade de Medicina de Botucatu (UNESP).
2
Médico Residente da Disciplina de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço da Faculdade de Medicina de Botucatu (UNESP).
Trabalho realizado pela Disciplina de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço da Faculdade de Medicina de Botucatu (UNESP).
Endereço para Correspondência: Regina Helena Garcia Martins – Faculdade de Medicina de Botucatu (UNESP) – Departamento de
Oftalmologia, Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço Botucatu SP 18618-970.
Tel (0xx14) 6802-6256 – E-mail:
Artigo recebido em 06 de fevereiro de 2003. Artigo aceito em 04 de abril de 2003.
REVISTA BRASILEIRA DE OTORRINOLARINGOLOGIA 69 (6) P ARTE 1 N OVEMBRO/DEZEMBRO 2003
http://www.sborl.org.br / e-mail:
801
INTRODUÇÃO
CASUÍSTICA E MÉTODO
Estudos epidemiológicos apontam os nódulos vocais
como sendo as principais causas das disfonias entre as
crianças, estando diretamente relacionados ao abuso vocal15
. Entretanto, embora os nódulos despontem na incidência,
a cada dia, na prática clínica, encontramos outras lesões
laríngeas responsáveis pelas disfonias infantis como os cistos,
pontes, sulcos vocais, que, quando não diagnosticados
corretamente, podem justificar o insucesso da fonoterapia.
Essas lesões denominadas por Pontes et al.6, de alterações
estruturais mínimas, correspondem a pequenas alterações
congênitas da configuração estrutural da laringe ou desvios
anatômicos, cujo diagnóstico exige exame minucioso da
cobertura mucosa das pregas vocais. Muitas dessas lesões
podem ser diagnosticadas já na laringe infantil, sendo
responsáveis por grande porcentagem das disfonias entre
as crianças6.
Com os avanços tecnológicos das videoendoscopias nas últimas décadas, os diagnósticos das disfonias
infantis estão sendo cada vez mais bem definidos, o que
tem permitido um melhor direcionamento terapêutico 7.
Os exames endoscópicos detalhados das pregas vocais
permitem-nos observar pequenas lesões ou mesmo imperfeições na cobertura mucosa, antes diagnosticadas,
genericamente, de nódulos vocais. Entretanto, em muitos casos, mesmos com as belas e nítidas imagens
endoscópicas, as dúvidas nos diagnósticos persistem,
algumas vezes por falta de colaboração por parte das
crianças durante o exame, outras por se tratarem de diagnósticos difíceis que exigem a palpação e exploração
das pregas vocais com instrumentos delicados, sendo
nestes casos necessária a indicação de exame de laringoscopia direta sob anestesia geral para esclarecer o diagnóstico. Este poderá ser favorecido com a inclusão
das endoscopias rígida e de contato, quando disponibilizadas para esses procedimentos8.
A dúvida quanto à melhor conduta terapêutica nas
disfonias infantis sempre acompanha os profissionais que
atuam nessa área. Em muitos casos, principalmente quando
há a hipótese de lesão estrutural mínima, a indicação da
laringoscopia direta sob anestesia geral poderá não passar
de um exame detalhado das pregas vocais, sem que seja
realizado qualqu (...truncated)