Dispositions for militancy and the logic of militant investment

Pro-Posições, Jan 2009

This paper is focused on discussions about patterns of political involvement and militancy based on a research conducted in the state of Sergipe with leaders and former leaders of very different institutions: unions, institutions of philanthropy, human rights and sexual choice associations, a black movement, a lay catholic group and environmental NGOs. It analyzes the conditions of acquiring social dispositions for political commitment and how such dispositions are fulfilled and updated over individual routes. The results point out that sociably favorable familial and religious background, high education levels, university experiences, important biographical events, militant activism and early partisan ties are crucial elements for a militant career.Palavras-chave : militancy; socialization; political participation.

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Dispositions for militancy and the logic of militant investment

21 Disposições a militar e lógica de investimentos militantes Ernesto Seidl * Resumo: O artigo centra-se em discussões sobre modalidades de engajamento e militância, com base em investigação conduzida no estado de Sergipe com dirigentes e ex-dirigentes de instituições associativas bastante diversas: sindicatos, instituições de filantropia, defesa de direitos humanos e opção sexual, movimento negro, conselho de leigos católicos e ONGs ambientalistas. O eixo de análise gira em torno das condições de aquisição de disposições para diferentes engajamentos e da forma como tais disposições se realizam e se atualizam ao longo de itinerários individuais. Os resultados apontam condições de socialização familiar e religiosa favoráveis, escolarização elevada, passagem pelo espaço universitário, eventos biográficos marcantes, ativismo militante e vinculações partidárias precoces como elementos decisivos à realização de carreiras militantes. Palavras-chave: militância; socialização; participação política. Dispositions for militancy and the logic of militant investment Abstract: This paper is focused on discussions about patterns of political involvement and militancy based on a research conducted in the state of Sergipe with leaders and former leaders of very different institutions: unions, institutions of philanthropy, human rights and sexual choice associations, a black movement, a lay catholic group and environmental NGOs. It analyzes the conditions of acquiring social dispositions for political commitment and how such dispositions are fulfilled and updated over individual routes. The results point out that sociably favorable familial and religious background, high education levels, university experiences, important biographical events, militant activism and early partisan ties are crucial elements for a militant career. Key words: militancy; socialization; political participation. Introdução Se é indiscutível que as chances de alguém se interessar por e tomar parte em movimentos coletivos – associações, sindicatos, partidos, ONGs e cooperativas, por exemplo – variam enormemente na sociedade em função, notadamente, da posse de certos recursos sociais, culturais, experiências acu* Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal de Sergipe (UFS); Coordenador do Laboratório de Estudos do Poder e da Política (LEPP), Brasil. Pro-Posições, Campinas, v. 20, n. 2 (59), p. 21-39, maio/ago. 2009 22 muladas e, inclusive, de conjunturas históricas, como se articulam esses ingredientes, em que espaços e de que forma são obtidos por indivíduos que se engajam e militam em nome de causas as mais diversas? E ainda: há ligações entre as características sociais dos indivíduos, suas histórias individuais e os tipos de militância a que aderem? Em outras palavras, como se opera a construção social do desejo de dedicar-se a alguma causa, de que maneira ela é vivenciada e quais são as lógicas que operam os investimentos na militância? A investigação que está na base deste artigo teve por preocupação central a apreensão de um conjunto de elementos ou fatores que geraram participações militantes. As combinações precisas entre esses elementos, a associação com novos recursos e seus efeitos nos itinerários individuais de homens e mulheres engajados em diferentes causas compuseram, assim, o eixo principal das questões examinadas. Para tanto, partiu-se do exame dos itinerários de dirigentes e ex-dirigentes de diferentes associações sediadas na cidade de Aracaju, capital do estado de Sergipe, nordeste do Brasil. O material mobilizado como fonte de informação é constituído fundamentalmente de entrevistas biográficas com militantes dirigentes e ex-dirigentes de oito instituições de portes distintos: associação de defesa de homossexuais, instituto socioambiental, sociedade que acolhe crianças e jovens carentes, associação de docentes universitários federais, conselho de leigos pertencente à Igreja Católica, três associações vinculadas a movimentos negros e afro-religiosos. Trata-se, portanto, de espaços de militância bastante variados e, inclusive, de abrangência muito diversa: militância religiosa (católica e afro), sindical (professores universitários e petroleiros), ambientalista, filantrópica, de direitos humanos (ligados à opção sexual) e étnica ou identitária. Além dessas, como veremos, uma militância ativa em partidos políticos destaca-se em boa parte dos percursos analisados1. Condicionantes sociais do engajamento: socialização e aquisição de disposições Nesta investigação, alguns eixos foram privilegiados, dentro de uma proposta de integração analítica de apreensão dos contextos de socializações e de constituição de preferências políticas dos agentes, com a intervenção múltipla de eventos biográficos ao longo do desenrolar de trajetos sociais amplos. Nessa linha de procedimentos, indicam Mayer e Fillieule (2001, p. 23-24) e Fillieule 1. Este texto dá continuidade à discussão dos resultados do projeto de pesquisa “Engajamento e militância na esfera associativa no estado de Sergipe”, o qual contou com apoio da Universidade Federal de Sergipe. Parte da coleta e sistematização do material teve colaboração dos bolsistas PIBIC Vanderson de Gois Santos e Clarissa Miranda. Uma primeira apresentação dos dados encontra-se em Seidl (2008a e 2008b). Pro-Posições, Campinas, v. 20, n. 2 (59), p. 21-39, maio/ago. 2009 23 (2001), entra em pauta uma abordagem da militância como processo, o que permite que se trabalhem de modo conjunto questões como as das “predisposições à militância, da passagem à ação, das formas diferenciadas e variáveis ao longo do tempo adquiridas pelo engajamento, da multiplicidade dos engajamentos ao longo do ciclo de vida e da retração ou ampliação dos engajamentos”. Dentro dessa lógica, os principais indicadores utilizados foram origens familiares extensas, origem geográfica e deslocamentos, posições sociais, situações e trajetórias do grupo familiar, itinerário escolar e relações com a cultura, pertencimentos profissionais, étnicos e políticos, orientações sexuais e religiosas, acasos e experiências individuais, redes de relações, opções ideológicas, conjunturas históricas. Em boa medida, como lembra Gaxie (2002) ao falar de socialização política, trata-se de levar a sério as preferências ideológicas e políticas em dado momento, de tentar apreender os instrumentos de avaliação e as valorizações (das quais são, em parte, produto), buscando compreender o que essas valorizações devem às diversas socializações constitutivas da experiência do mundo de um indivíduo. Num nível mais geral, e conforme indicado em outro lugar (Seidl, 2008a), o exame da lógica de constituição dos gostos, das expectativas e das disposições favoráveis à participação associativa dos indivíduos entrevistados tende a validar em boa medida os achados de pesquisas sobre participação militante em contextos variados (Agrikoliansky, 2001; Barthélémy, 1994; Gaglietti, 2003; Ion, 1994, Juhem, 2001; Olive (...truncated)


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Ernesto Seidl. Dispositions for militancy and the logic of militant investment, Pro-Posições, 2009, pp. 21-39, Volume 20, Issue 2, DOI: 10.1590/S0103-73072009000200003