Registro de Floresta Ombrófila Mista nas regiões sudoeste e sul do Estado do Paraná, Brasil, durante o Pleistoceno/Holoceno
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Registro de Floresta Ombrófila Mista nas regiões sudoeste e sul do
Estado do Paraná, Brasil, durante o Pleistoceno/Holoceno
Édson Bertoldo1,3, Julio Cesar Paisani1 e Paulo Eduardo de Oliveira2
Recebido: 5.09.2012; aceito: 2.08.2013
ABSTRACT - (Araucaria Pine Forest records in southwestern and southern regions of Paraná State, Brazil, during the Pleistocene/
Holocene). Among the forest formations of southern and southeastern of Brazil, the Araucaria Pine Forest is considered one
of the most sensitive to climatic variations. Several paleoenvironmental studies try to identify the time at which this type of
forest was established in southern Brazil. This paper aims to present the Araucaria Pine Forest records in southwestern and
southern Paraná State, from palynological and geochronological data. This study was developed in the State Conservation
Unit, Área de Relevante Interesse Ecológico do Buriti, PatoBranco, Paraná State. Frompollen analysis, the presence of 37 taxa
was recorded.The record of Araucaria is at least 13,400 years BP (est.), one of the oldest records ever found in the state of
Paraná. The expansion of Araucaria and Podocarpus around 4,210 years BP indicates that the climate was cooler and wetter,
with well distributed rainfall.
Keywords: Araucaria, palynomorphs, Quaternary
RESUMO - (Registro de Floresta Ombrófila Mista nas regiões sudoeste e sul do do Estado do Paraná, Brasil, durante o
Pleistoceno/Holoceno). Dentre as formações florestais do sul e sudeste do Brasil, a Floresta Ombrófila Mista é considerada
uma das mais sensíveis às variações climáticas. Vários estudos paleoambientais buscam identificar em que época esse tipo de
floresta se estabeleceu no sul do Brasil. Este artigo tem como objetivo apresentar o registro da Floresta Ombrófila Mista na
região sudoeste e sul do Estado do Paraná, a partir de dados palinológicos e geocronológicos. Este estudo foi desenvolvido
na Unidade de Conservação Estadual Área de Relevante Interesse Ecológico do Buriti, município de Pato Branco, PR, Brasil.
Na análise palinológica foi registrado a presença de 37 táxons, sendo que, o registro de Araucaria é de pelo menos 13.400
anos AP 14C (est.), portanto, um dos registros mais antigos já encontrados no Estado do Paraná. A expansão de Araucaria
e Podocarpus em torno de 4.210 anos A.P. indica que o clima era mais frio e mais úmido, com chuvas bem distribuídas.
Palavras-chave: Araucária, palinomorfos, Quaternário
Introdução
A superfície do Estado do Paraná, Brasil
caracteriza‑se por uma diversidade fitogeográfica
notável, onde diferentes tipos de florestas ocorrem
entremeados por formações herbáceas e arbustivas,
resultantes de peculiaridades geomorfológicas,
pedológicas e climáticas (Roderjan et al. 2002). As
regiões sudoeste (SW) e sul (S) do Estado, assim
como grande parte da região sul do Brasil, já foram
ocupadas amplamente pela Floresta Ombrófila Mista
(ITCF 1991), a qual é considerada uma formação
típica do sul do país (Veloso 1992).
A partir do século XX, a exploração madeireira,
a substituição da vegetação pela agropecuária e a
ampliação das zonas urbanas provocaram a redução
da área originalmente ocupada pela Floresta Ombrófila
Mista. Estima‑se que os remanescentes desse tipo de
formação, não perfazem mais do que 0,7% da área
original em território brasileiro (Medeiros et al. 2005).
A associação de Araucaria angustifolia (Bertol.)
Kuntze e Podocarpus lambertii Klotzsch ex Eichler
é a que melhor representa a paisagem da Floresta
Ombrófila Mista (Seibert et al. 1975, Veloso et al.
1991). Essas espécies ocupam as áreas mais baixas
das montanhas, podendo ser encontradas acima de
1. Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Campus Francisco Beltrão, Rua Maringá, 1200, Vila Nova, 85605-010 Francisco Beltrão,
PR, Brasil
2. Universidade São Francisco, Engenharia Ambiental/Gestão Ambiental Av. São Francisco de Assis, s/n, 12900-000, Bragança Paulista,
SP, Brasil
3. Autor para correspondência:
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900 metros de altitude, concentrando‑se nos vales,
anfiteatros e nas encostas, onde é maior o grau de
umidade e os solos estão mais protegidos. Além de ser
caracterizada pela grande densidade de P. lambertii e
A. angustifolia, a Floresta Ombrófila Mista também
se destaca pela presença associativa de outras espécies
de Lauraceae e Myrtaceae, assim como um número
significativo de epífitas, lianas, líquens, musgos e
agrupamentos de algumas espécies de pteridófitas nas
áreas mais úmidas (Seibert et al. 1975).
A família Araucariaceae possui hoje uma
distribuição dominantemente austral, sendo
considerada a família de coníferas mais antiga ainda
existente, com início de desenvolvimento marcado
entre as Eras Paleozóica e Mesozóica (Dutra &
Stranz 2003), sendo que a maior parte de seus
representantes modernos vive em florestas úmidas de
locais submetidos a clima mesotérmico subtropical ou
temperado (Strahler & Strahler 1989, Nimer 1989).
O processo de sucessão da Floresta Ombrófila
Mista está relacionado, principalmente, com a
dinâmica populacional de A. angustifolia. Essa
espécie é considerada emergente e determinante da
fitofisionomia, pois ao colonizar áreas abertas ou
campos, cria condições de umidade e fertilidade
que facilitam o recrutamento de outras espécies
de plantas (Solórzano‑Filho & Kraus 1999). A
Floresta Ombrófila Mista é considerada uma das
formações florestais mais sensíveis a variações
climáticas. Devido a essa característica, diversos
estudos paleoambientais buscam identificar em que
época esse tipo de formação florestal se estabeleceu
no sul do Brasil, já que A. angustifolia, é muito
seletiva em relação à temperatura e umidade, sendo
possível, portanto, correlacionar a sua presença a
determinados paleoambientes (Jolly 1998, Lorenzi
2002, Klein 1975).
Este estudo vem ao encontro dessa temática
paleoambiental e tem como principal objetivo
apresentar o registro da Floresta Ombrófila Mista na
região sudoeste e sul do Estado do Paraná, a partir de
dados palinológicos e geocronológicos, permitindo
também uma aproximação do paleoambiente dessa
região a partir da presença de algumas espécies que
caracterizam esse tipo de formação florestal.
Material e Métodos
O presente estudo foi desenvolvido na Unidade de
Conservação Estadual denominada Área de Relevante
Interesse Ecológico do Buriti (A.R.I.E. do Buriti) que
possui 81,5 hectares, e está localizada no município
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de Pato Branco, região Sudoeste do Estado do Paraná
(figura 1). A área de estudo encontra‑se a uma altitude
de 631 metros e corresponde a uma cabeceira de
drenagem.
Por meio de 16 sondagens, utilizando‑se trado
holandês, foi obtida a distribuição bidimensional
Figura 1. Localização da área de estudo, Área de Relevante
Interesse Ecológico do Buriti, município de Pato Branco, PR,
Brasil.
Figure 1. Location of the study area, Área de Relevante Interesse
Ecológico do Buri (...truncated)