A construção da crítica em resenhas produzidas por alunos

Linguagem em (Dis)curso, Jan 2013

Usually, the production of texts by the students is guided by the school not to openly express their opinion or point of view. They learn the ways to hide their subjectivity. In the production of reviews, one must let the students express their opinion in order to criticize the subject reviewed, since criticism is one of the constituent elements of such a genre. Therefore, students are asked to do the opposite way and rescue their lost or forgotten subjectivity. This article discusses how this issue has been worked with high school students in the writing of reviews in classes of text production at a public school in Londrina, by analyzing their texts. We also want to investigate how students use the modal verbs in their texts. The approach used in the analysis and text production by students was the discursive or textual genres. This paper was a part of my doctoral work.

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A construção da crítica em resenhas produzidas por alunos

A CONSTRUÇÃO DA CRÍTICA EM RESENHAS PRODUZIDAS POR ALUNOS  Flávio Luis Freire Rodrigues Universidade Estadual de Londrina Londrina, Paraná, Brasil Resumo: Na produção dissertativa tradicional, os alunos são orientados a não manifestarem declaradamente seu ponto de vista. Eles aprendem os caminhos para ocultar sua subjetividade. Na produção de resenhas, é necessário que o aluno deixe aflorar essa opinião a fim de criticar o objeto resenhado, visto que a crítica é um dos elementos constitutivos deste gênero. Portanto, o aluno precisa fazer o caminho inverso ao habitual e resgatar a subjetividade perdida. Este artigo intenciona verificar, a partir da análise de excertos de textos produzidos pelos próprios alunos, em aulas de produção de texto do gênero resenha, se houve apropriação de uma das seções importantes deste gênero, a crítica. Também faz parte da investigação deste artigo o uso de modalizadores textuais. A abordagem para a análise e produção de texto foi a dos gêneros discursivos ou textuais sobre a qual se fundamentou o trabalho de doutorado de que este artigo faz parte. Palavras-chave: Subjetividade. Gênero discursivo. Produção de texto. Resenha. 1 INTRODUÇÃO Este artigo de pesquisa é oriundo de meu doutorado1, que tratava da aplicação de uma sequência didática do gênero resenha a alunos (de 32 alunos matriculados, apenas 22 assistiram e participaram das aulas) de ensino médio de uma escola pública da periferia de Londrina. A aplicação  Doutor em Estudos da Linguagem. Email: Pesquisa orientada pela doutora Alba Maria Perfeito, professora do PPG em Estudos da Linguagem/UEL. 1 274 | Linguagem em (Dis)curso foi feita por duas estagiárias do curso de Letras da Universidade Norte do Paraná (UNOPAR/Londrina), em 2010, e ao final solicitamos aos alunos a produção de resenha sobre o curta-metragem Ilha das Flores. Também foram feitas entrevistas com a professora e com alunos e anotações durante as aulas para triangular os dados para a pesquisa. O recorte feito aqui trata apenas da construção da crítica registrada pelos alunos em seus textos. Este trabalho objetiva, portanto, verificar como os alunos apresentaram um olhar particular – a crítica – sobre o filme, objeto proposto para resenha mediado pelo trabalho feito em sala de aula a partir da sequência didática. É necessário, sob minha ótica, nos debruçarmos didaticamente sobre os gêneros a fim de propor caminhos aos alunos, sejam gêneros extraescolares, ou escolares. Não se aprende a trabalhar com eles simplesmente porque se está na escola ou na academia, portanto, é necessário investir nos gêneros escolares, uma vez que eles existem praticamente no ambiente estudantil. Matencio nos ajuda a entender o alvo que queremos atingir. A autora (2006, p. 100) assinala que o que os resultados da pesquisa que temos desenvolvido têm demonstrado é que os problemas experienciados pelos alunos se originam, justamente, de sua dificuldade de perceber os traços que distinguem os modos de organização de funcionamento dos discursos científico e de divulgação daquele que caracteriza o discurso didático, que lhe é mais familiar. Levando-se em conta que a língua significa não somente pelo conteúdo, mas também pela forma, é necessário habilitar o aluno a falar na “língua da escola/academia”. A promoção é duplamente importante: é somente dessa forma que o aluno consegue obter êxito e é por esse caminho também que podemos investir em mais pesquisadores nas diversas áreas. O aluno alcança não somente outras formas de expressão linguística que vão permitir-lhe conviver no mundo acadêmico, mas vão abrir-lhe ainda portas de novas formas concretas de participação social como cidadão. A opção pelo gênero resenha deu-se pelo motivo de ela ser não um texto apenas acadêmico, mas que também circula em jornais, revistas e internet, tendo como foco filmes, livros e CDs; ela permite ao cidadão comum ter ao seu alcance um instrumento de interpretação e crítica sobre o objeto em foco, como postula Rodrigues, R. H. (2000, p. 213): Linguagem em (Dis)curso, Tubarão, SC, v. 13, n. 2, p. 273-297, maio/ago 2013. Linguagem em (Dis)curso | 275 tendo em vista a função social de cada esfera e a singularidade de constituição e funcionamento de cada gênero, pode-se dizer que um projeto pedagógico para a produção escrita deve se orientar (sem excluir os demais) para aqueles gêneros cujo domínio é necessário para o bom desempenho escolar (saber tomar notas, fazer resumos, resenhas, participar de seminários, etc.) e para a plena participação na vida social pública. Assim, a resenha instrumentaliza o indivíduo a olhar de forma mais exigente, podendo recorrer, inclusive, a várias resenhas sobre o mesmo objeto, a fim de compará-las. É um texto que permite, então, um comportamento mais crítico frente aos bens de consumo postos ao leitor, pelo viés da avaliação, seção importante na construção de uma resenha. Como uma característica típica da resenha, a crítica lida com opiniões próprias e alheias. Em um segundo momento, espera-se que o leitor faça transferência dessa operação para outros textos e contextos, em um movimento de educação libertadora, em que lhe seja dada voz, como diz Silva (2005, p. 79-80; grifos do autor): a leitura crítica é condição para a educação libertadora, é condição para a verdadeira ação cultural que deve ser implementada nas escolas [...]. Como empreendedor de um projeto, o leitor crítico necessariamente se faz ouvir. A criticidade faz com que o leitor não só compreenda as ideias veiculadas por um autor, mas leva-o também a posicionar-se diante delas. Esse posicionar-se criticamente implica a função social de qualquer texto: dirigir-se ao outro, num processo de desvelar-se perante ele. Assim, a resenha é uma forma de ser-no-mundo, em que o aluno assume o que diz (sobre outro texto) para outros. Diferente de um texto apenas argumentativo, em que o autor discorre sobre um tema, aqui o autor precisa posicionar-se diante de e dialogar com outras obras e autores. Essa proposta, assumidamente política, vai ao encontro do que Geraldi (2001, p. 40) diz sobre qualquer metodologia adotada em sala de aula: “antes de qualquer consideração específica sobra a atividade de sala de aula, é preciso que se tenha presente que toda e qualquer metodologia de ensino articula uma opção”. RODRIGUES. A construção da crítica em resenhas produzidas por alunos... 276 | Linguagem em (Dis)curso O contato que os alunos de ensino fundamental e médio podem vir a ter com resenha diz respeito àquelas veiculadas em jornais e revistas, portanto, as resenhas jornalísticas. A entrada dos diversos gêneros jornalísticos como objetos de ensino/aprendizagem permite trabalhar a realidade de mundo a partir da realidade textual, gerando condições para a criação de conhecimentos linguísticos e discursivos necessários à compreensão e produção de tais gêneros, como um caminho para a cidadania. A escolha de filmes como objeto de resenha partiu da necessidade de adequação do projeto (...truncated)


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Flávio Luis Freire Rodrigues. A construção da crítica em resenhas produzidas por alunos, Linguagem em (Dis)curso, 2013, pp. 273-297, Volume 13, Issue 2, DOI: 10.1590/S1518-76322013000200004