Serum cortisol, glycemic response and insulin secretion in healthy horses exposed to normobaric hypoxia sessions
Ciência Rural, Santa Maria,
Cortisol,
v.41,
resposta
n.3, p.463-469,
glicêmica emar,
secreção
2011 de insulina em equinos clinicamente sadios...
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ISSN 0103-8478
Cortisol, resposta glicêmica e secreção de insulina em equinos clinicamente sadios
submetidos a sessões de hipóxia normobárica
Serum cortisol, glycemic response and insulin secretion in healthy horses exposed to normobaric
hypoxia sessions
Diego De GasperiI Eduardo Almeida da SilveiraI Diego Rafael Palma da SilvaI
Roberta Carneiro da Fontoura PereiraI Luiz Osório Cruz PortelaII
Karin Erica BrassIII Flávio Desessards De La CorteIII*
RESUMO
Os níveis séricos de cortisol, resposta glicêmica e
secreção de insulina foram avaliados em equinos não
exercitados submetidos a sessões de hipóxia normobárica.
Cavalos adultos sadios (n=8) foram selecionados após exame
físico e submetidos ao teste de tolerância à glicose intravenosa
(0,5g kg -1 ) (TTGIV). Amostras d e sangue (n=11) foram
coletadas entre 0 e 180 minutos após a administração de
glicose para avaliar a resposta glicêmica e a secreção de
insulina. Os animais foram então expostos a sessões de uma
hora de hipóxia duas vezes ao dia, totalizando 43 sessões, com
concentração decrescente de O 2 de 17 a 12%. A frequência
cardíaca e as amostras sanguíneas para a determinação do
cortisol sérico foram coletadas antes e a cada 15 minutos
durante as sessões 1, 4, 6, 8, 10, 14, 22 e 43. A TTGIV foi
repetida ao final do estudo. Os níveis de cortisol sérico foram
maiores na sessão 1 (S1) (17% O 2 ) quando comparados aos
níveis da S10 (13% O 2) e da S43 (12% O 2)(P<0,05). A curva
glicêmica de equinos clinicamente sadios não submetidos a
exercício não é alterada pela exposição a 43 sessões de hipóxia
normobárica. O aumento na secreção de insulina,
acompanhada de diminuição da frequência cardíaca e cortisol
sérico sugerem uma adaptação dos cavalos ao modelo de
hipóxia utilizado.
Palavras-chave: cavalos, hipóxia intermitente, glicemia,
estresse, altitude.
ABSTRACT
The cortisol levels, glycemic response and insulin
secretion were evaluated in non-exercised horses submitted to
sessions of normobaric hypoxia. Healthy adult horses (n=8)
were selected after physical examination and underwent an
intravenous glucose tolerance test (0.5g kg -1 ) (IVGTT). Blood
samples (n=11) were collected between 0 and 180 minutes
after glucose administration to evaluate glycemic response and
insulin secretion. Then, they were exposed to 1-hour hypoxia
sessions twice a day, reaching a total of 43 hypoxia sessions,
with [O 2 ] decreasing from 17 to 12%. Heart rate and serum
samples to measure cortisol were collected before and every 15
minutes during the sessions 1, 4, 6, 8, 10, 14, 22 and 43. The
IVGTT was repeated at the end of the study. The serum cortisol
levels were higher in session 1 (S1) (17% O2) when compared
to the levels of S10 (13% O2) and S43 (12% O2) (P<0.05). The
glycemic curve in resting healthy horses is not altered by
exposure to 43 normobaric hypoxia sessions. The increase in
insulin secretion, followed by decreased heart rate and serum
cortisol suggest an adaptation of the horses to the hypoxia
model used.
Key words: horses, intermittent hypoxia, glycemia, stress,
altitude.
INTRODUÇÃO
A exposição a um ambiente de hipóxia aguda
ou crônica pode influenciar no metabolismo da glicose
e hormônios relacionados. Entretanto, os resultados
publicados até o momento ainda são inconsistentes.
Isso provavelmente ocorre pela diversidade entre
espécies, grau e duração da hipóxia ou como
consequência da complexidade dos mecanismos
regulatórios do metabolismo (CHEN et al., 2007).
I
Programa de Pós-graduação em Medicina Veterinária, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria, RS, Brasil.
Laboratório de Fisiologia e Performance Humana, UFSM, Santa Maria, RS, Brasil.
III
Departamento de Clínica de Grandes Animais, Hospital Veterinário, UFSM, 97105-900, Santa Maria, RS, Brasil. e-mail:
*Autor para correspondência
II
Ciência Rural, v.41, n.3, mar, 2011.
Recebido para publicação 25.08.10 Aprovado em 23.12.10 Devolvido pelo autor 07.02.11
CR-4038
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De Gasperi et al.
Estudos em diversas espécies demonstraram
que a exposição a diferentes condições de hipóxia pode
causar aumento da resistência à insulina (CHENG et
al., 1997; BRAUN et al., 2001; POLOTSKY et al., 2003;
IIYORI et al., 2007). Um dos hormônios capazes de
causar tal efeito é o cortisol (ANDREWS & WALKER,
1999), que pode estar com seus níveis circulantes
aumentados quando da exposição aguda ou crônica
de indivíduos a baixas concentrações de oxigênio ([O2])
(HUMPELER et al., 1980; COSTE et al., 2005).
A elevação dos níveis de cortisol no sangue
é um bom indicador que pode ser usado para avaliar se
um equino sofre de estresse (ALEXANDER & IRVINE,
1998). As glândulas adrenais possuem o papel principal
nas reações hormonais envolvidas nessa condição, por
estarem diretamente ligadas ao eixo hipotálamohipófise-adrenal (HHA) e ao sistema simpático. Apesar
de muitos hormônios estarem envolvidos nessa
resposta, o primeiro mecanismo endócrino de defesa é
o aumento da secreção de glicocorticóides e
catecolaminas (MÖSTL & PALME, 2002). A liberação
desses é consequência do aumento de ACTH
circulante, que possui mecanismos multifatoriais de
regulação com a liberação de fatores estimulantes do
hipotálamo, como o hormônio liberador de
corticotrofina (CRH) e a vasopressina (VP), e a
influência inibitória dos glicocorticóides quando em
estresse crônico (AGUILERA, 1994).
No passado, a maioria das pesquisas
apontou para os efeitos da hipóxia aguda ou crônica
no intuito de estudar a adaptação em resposta às altas
altitudes. Mais recentemente, alguns estudos têm
buscado desvendar os efeitos da exposição à hipóxia
intermitente (HI), objetivando explorar o valor
terapêutico em pacientes e a influência potencial no
desempenho de atletas (NEUBAUER, 2001).
Na medicina, a HI já foi aplicada em pacientes
com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC)
(BURTSCHER et al., 2009), hipertensão, processos
inflamatórios, doença de Parkinson, entre outras
(SEREBROVSKAYA, 2002). Em animais, a HI mostrou
ter efeito antiarrítmico em casos de isquemia aguda do
miocárdio em ratos (MEERSON et al., 1987) e para
proteger o miocárdio de cães com infarto
experimentalmente induzido (ZONG et al., 2004).
Em equinos, as principais causas em ordem
decrescente de diminuição de desempenho atlético são
as doenças musculoesqueléticas, respiratórias e
cardiovasculares. Dentre as quais, muitas são
semelhantes às afecções citadas anteriormente, como
DPOC, arritmias cardíacas e doenças do miocárdio
(HINES, 2004). Além dessas, doenças como a miopatia
por acúmulo de polissacarídeos, na qual os cavalos
apresentam um aumento na captação da glicose pelas
células musculares e um aumento da sensibilidade à
insulina (DE LA CORTE et al., 1999) podem ser alvo de
futuros estudos para o uso potencial da HI em medicina
veterinária.
O objetivo do presente estudo foi avaliar o
efeito da hipóxi (...truncated)