Zumbido: possível associação com alterações cervicais em idosos

Arquivos Internacionais de Otorrinolaringologia, Dec 2011

INTRODUCTION: Tinnitus is a prevailing symptom that highly jeopardizes the elderly patient's quality of life. Neck pain and cervical column alterations are frequent in patients complaining about tinnitus. OBJECTIVE: Evaluate the prevalence of both tinnitus and neck pain on an elderly group, and verify the likely association between tinnitus, neck pain and the constraint to make wide cervical movements. METHODS: Retrospective transversal study, evaluating both the width of cervical movement by way of a goniometry and the tinnitus and neck pain by requesting a standard questionnaire to be filled out. RESULTS: Sample was comprised of 147 individuals aged between 69. 22, 61. 90% of whom were female. Among these individuals, 42. 85% showed a buzz complaint and 51% of these individuals claimed to have a neck pain. Neither was association found between tinnitus and neck pain nor it was between tinnitus and the width constraint of cervical movements. CONCLUSION: Despite not finding an association between tinnitus and neck pain or between tinnitus and the width constraint of cervical movements, there was a significant prevalence of tinnitus, neck pain and a reduction in the width of cervical movements on the elderly people. The results hereof, by finding this important prevalence of tinnitus in all the individuals of this study, will be the basis to integrate health professionals engaged in such alterations.

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Zumbido: possível associação com alterações cervicais em idosos

Arq. Int. Otorrinolaringol. 2011;15(3):333-337. DOI: 10.1590/S1809-48722011000300011 Artigo Original Zumbido: possível associação com alterações cervicais em idosos Tinnitus: probable association with the elderly’s cervical alterations Michelle Damasceno Moreira1, Luciana Lozza de Moraes Marchiori2, Viviane de Souza Pinho Costa3, Erick Costa Damasceno4, Paula Carolina Dias Gibrin5. 1) 2) 3) 4) 5) Especialista, Mestranda em Ciências da Reabilitação UNOPAR. Fisioterapeuta concursada pelo Programa Saúde da Família. Doutora em Medicina e Ciências da Saúde. Docente do Mestrado em Ciências da Reabilitação UNOPAR. Doutora em Enfermagem, Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, USP. Professor, Universidade Norte do Paraná, PR. Bacharel em Estatística - Universidade de Brasília, 2008. Sócio-Diretor da Odds&Actions e Conselheiro do Conselho Regional de Estatística 1ª Região. Especialista em Audiologia, mestranda em Ciências da Reabilitação UNOPAR. Fonoaudióloga do Cismepar. Instituição: Universidade do Norte do Paraná – UNOPAR. Londrina / PR - Brasil. Endereço para correspondência: Michelle Damasceno Moreira - Rua Augusto Guerino, 195 Apto 35 - Bairro: Portal de Versailhes 1 - Londrina / PR – Brasil - CEP: 86057-240 – Telefone: (+55 43) 3178-0336 / 3371-7990 / 9161-5577 - E-mail: Artigo recebido em 6 de Abril de 2011. Artigo aprovado em 23 de Maio de 2011. RESUMO SUMMARY Introdução: O zumbido é um sintoma prevalente e de alto impacto na qualidade de vida do paciente idoso. A presença de cervicalgia e alterações na coluna cervical são comuns em pacientes com queixa de zumbido. Objetivo: Avaliar a prevalência do zumbido e cervicalgia em um grupo de idosos e verificar a possível associação entre zumbido, cervicalgia e restrição de amplitude de movimento cervical. Método: Estudo transversal retrospectivo com avaliação da amplitude de movimento cervical através de goniometria e do zumbido e da cervicalgia através da aplicação de questionário padronizado. Resultados: A amostra foi constituída por 147 indivíduos, com idade média de 69,22 anos sendo 61,90% mulheres. Desses indivíduos, 42,85% apresentaram queixa de zumbido 51% dos indivíduos relataram queixa de dor cervical. Não houve associação entre zumbido e dor cervical e nem associação entre zumbido e restrição de amplitude de movimento cervical. Conclusão: Embora não tenha sido constatada associação entre zumbido e dor cervical e entre zumbido e restrição de amplitude de movimento, observou-se grande prevalência de queixa de zumbido, de cervicalgia e de diminuição na amplitude de movimento cervical na população de idosos. Os resultados da presente pesquisa, por meio da constatação desta grande prevalência do zumbido em toda a população de estudo, servirão de base a uma integração entre profissionais da área de saúde envolvidos com tais alterações. Palavras-chave: zumbido, cervicalgia, coluna vertebral, idoso. Introduction: Tinnitus is a prevailing symptom that highly jeopardizes the elderly patient’s quality of life. Neck pain and cervical column alterations are frequent in patients complaining about tinnitus. Objective: Evaluate the prevalence of both tinnitus and neck pain on an elderly group, and verify the likely association between tinnitus, neck pain and the constraint to make wide cervical movements. Methods: Retrospective transversal study, evaluating both the width of cervical movement by way of a goniometry and the tinnitus and neck pain by requesting a standard questionnaire to be filled out. Results: Sample was comprised of 147 individuals aged between 69.22, 61.90% of whom were female. Among these individuals, 42.85% showed a buzz complaint and 51% of these individuals claimed to have a neck pain. Neither was association found between tinnitus and neck pain nor it was between tinnitus and the width constraint of cervical movements. Conclusion: Despite not finding an association between tinnitus and neck pain or between tinnitus and the width constraint of cervical movements, there was a significant prevalence of tinnitus, neck pain and a reduction in the width of cervical movements on the elderly people. The results hereof, by finding this important prevalence of tinnitus in all the individuals of this study, will be the basis to integrate health professionals engaged in such alterations. Keywords: tinnitus, neck pain, vertebral column, elderly. Arq. Int. Otorrinolaringol. / Intl. Arch. Otorhinolaryngol., São Paulo - Brasil, v.15, n.3, p. 333-337, Jul/Ago/Setembro - 2011. 333 Zumbido: possível associação com alterações cervicais em idosos. Moreira et al. INTRODUÇÃO MÉTODO O aumento da idade é diretamente proporcional à presença de múltiplos sintomas auditivos, tais como, vertigem, presbiacusia e zumbido (1). Além disso, a prevalência de degeneração na articulação cervical e cervicalgia em indivíduos acima de 50 anos é alta, com a tendência de aumentar a severidade com a idade (2). Foi realizado um estudo transversal em que os critérios foram à inclusão de pessoas idosas com idade igual ou superior a 60 anos, de ambos os sexos, com vida independente, que estavam classificados nos níveis 3 e 4 do Status Funcional proposto por SPIRDUSO (11), e que aceitaram participar voluntariamente do estudo. O zumbido é um sintoma definido como a percepção de um som nos ouvidos ou na cabeça sem que haja produção do som por uma fonte externa. Afeta aproximadamente 15% da população mundial e esta prevalência aumenta para 33% entre os indivíduos com mais de 60 anos de idade (3). O zumbido é um sintoma que frequentemente acompanha a presbiacusia e costuma ser mais perturbador que a própria perda auditiva (4). Foram alocados os primeiros 147 indivíduos do projeto EELO (estudo sobre envelhecimento e longevidade) no município de Londrina. A amostragem foi definida de forma aleatória estratificada, levando-se em consideração as cinco regiões do município. Atualmente, sabe-se que o zumbido surge como resultado da interação dinâmica de vários centros do sistema nervoso e do sistema límbico e que as alterações e ou lesões na cóclea são as precursoras deste processo, causando desequilíbrio nas vias inferiores do sistema auditivo, resultando em atividade neuronal anormal, mais adiante realçada pelo sistema nervoso central e, finalmente, percebida como zumbido (3). Além disso, aferências a partir da porção cervical com projeções para o núcleo coclear, indicam uma influência do reflexo da coluna cervical a este centro de audição (5). Entre as inúmeras etiologias do zumbido estão as doenças otológicas, metabólicas, cardiovasculares, patologias da coluna cervical, odontológicas, neurológicas, psiquiátricas e outras relacionadas com ingestão de drogas, cafeína, álcool e tabagismo (6,7). E ainda, a diminuição da acuidade auditiva, exposição à ruídos, lesões de cabeça e cervical,fatores de estilo de vida e estado mental (8). A presença de queixa de cervicalgia e cefaleia é comum em pacientes com zumbido e ainda, verifica-se que estes (...truncated)


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Michelle Damasceno Moreira, Luciana Lozza de Moraes Marchiori, Viviane de Souza Pinho Costa, Erick Costa Damasceno, Paula Carolina Dias Gibrin. Zumbido: possível associação com alterações cervicais em idosos, Arquivos Internacionais de Otorrinolaringologia, 2011,