Characterization of auditive processing of children with of reading and writing disturbance from 8 to 12 year old in treatment at the Clinical Center of Speech and Hearing of Pontifical University Catholic of Minas Gerais
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CARACTERIZAÇÃO DO PROCESSAMENTO AUDITIVO
DAS CRIANÇAS COM DISTÚRBIO DE LEITURA E ESCRITA
DE 8 A 12 ANOS EM TRATAMENTO NO CENTRO CLÍNICO
DE FONOAUDIOLOGIA DA PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE
CATÓLICA DE MINAS GERAIS
Characterization of auditive processing of children with
of reading and writing disturbance from 8 to 12 year old
in treatment at the Clinical Center of Speech and Hearing
of Pontifical University Catholic of Minas Gerais
Cíntia Santos Silva Machado (1), Hálida Larissa Batista da Silva do Valle (2),
Karen Maria de Paula (3), Sheilla da Silva Lima (4)
RESUMO
Objetivo: verificar possíveis desordens do processamento auditivo em crianças com distúrbio de
leitura e escrita. Método: foram selecionadas 15 crianças, com audição normal, na faixa etária de 8 a
12 anos, com baixo rendimento escolar e que se encontravam em tratamento no setor de linguagem
escrita no Centro Clínico de Fonoaudiologia da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Os
indivíduos foram submetidos aos testes: Pediatric Speech Intelligibility test, – Staggered Spondaic
Word test, Fala com Ruído, Fala Filtrada, Gap in Noise e Padrão de Duração e Freqüência Melódicos.
Resultados: verificou-se que todos os indivíduos apresentaram alterações em pelo menos uma habilidade auditiva do processamento auditivo.Conclusão: Verificou-se estreita e estrita relação entre as
habilidades do processamento auditivo e o distúrbio de leitura e escrita. Os procedimentos que se
destacaram na identificação de anormalidades no processamento neurológico da informação auditiva
foram os testes SSW, PSI com palavras no ruído e Teste de Padrão de Freqüência melódico.
Descritores: Linguagem; Baixo Rendimento Escolar; Audição; Criança; Leitura
(1)
Fonoaudióloga; Docente do curso de Fonoaudiologia da
Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais; Mestre
em Ciências da Saúde da Criança e do Adolescente pela
Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas
Gerais.
(2)
Fonoaudióloga; Pós-graduada em Gestão em Fonoaudiologia pela Faculdade de Estudos Administrativos de Minas
Gerais.
(3)
Fonoaudióloga; Mestranda em Estudos Lingüísticos pela
Universidade Federal de Minas Gerais.
(4)
Fonoaudióloga pela Pontifícia Universidade Católica de
Minas Gerais.
Conflito de interesses: inexistente
Rev. CEFAC. 2011 Mai-Jun; 13(3):504-512
INTRODUÇÃO
Os transtornos de aprendizagem têm sido foco
de inúmeras pesquisas durante os últimos anos.
Tal interesse por parte de diversas áreas da ciência
deve-se à importância da aprendizagem para o
completo desenvolvimento sócio-cultural e até
mesmo emocional do ser humano 1.
É crescente o número de crianças, dentro do
ciclo do fracasso escolar, que apresentam dificuldade no aprendizado da leitura e da escrita e que
permanecem em situação de sala de aula sem
Processamento auditivo X Aprendizagem
acompanhar as referidas atividades. Assim, o
fracasso escolar ainda é um dos grandes problemas
da nossa sociedade e propostas para minimizar tal
problema devem ser desenvolvidas2.
Dentre as diversas nomenclaturas e definições para os problemas específicos de aprendizagem pode-se citar: disortografia e disgrafia para
problemas específicos de escrita, dislexia para
problemas de leitura, distúrbio da aprendizagem,
dificuldade específica de aprendizagem e dificuldade de leitura 3.
Também é válido ressaltar que, há uma vasta
gama de terminologias para denominar os distúrbios de leitura e de escrita, dentre os quais podemos
citar: dislexia, dislexia específica de desenvolvimento, dificuldade específica de leitura, distúrbio
específico de leitura, atraso específico de leitura,
leitores fracos, distúrbios de leitura e distúrbio do
aprendizado da linguagem 4. Portanto, no presente
estudo será adotado o termo “distúrbios de leitura
e escrita” como um termo que denomina uma categoria ampla de dificuldades nessas habilidades,
uma vez que tanto na literatura nacional como na
internacional, todas as denominações, anteriormente citadas, são comumente utilizados como
sendo equivalentes 4-7.
O distúrbio de leitura e escrita é uma manifestação referente ao desenvolvimento da linguagem,
que tem por característica a dificuldade na aquisição e/ou no desenvolvimento da linguagem
escrita por indivíduos que apresentam déficits tanto
de decodificação fonológica como de compreensão
da linguagem oral e/ou escrita. Ainda que a manifestação seja mais evidente durante o aprendizado
da leitura e da escrita, alguns sinais de dificuldades
mais amplas de linguagem como vocabulário
pobre, uso inadequado da gramática e problemas
no processamento fonológico podem aparecer
desde os anos pré-escolares. Nas séries iniciais da
escolaridade, além de dificuldades em reconhecer
palavras e compreender a leitura, podem apresentar problemas de compreensão auditiva e de
discurso 3,8.
Os processos da linguagem e da aprendizagem
são bastante complexos, envolvem redes de neurônios distribuídas em diferentes regiões cerebrais e
se relacionam à percepção da fala, sendo dependentes da integridade auditiva periférica e central8.
Embora existam diferentes causas para os
distúrbios de aprendizagem, oriundas de processos
patológicos diversos, estes podem, também,
acometer indivíduos aparentemente saudáveis,
como visto em alguns estudos sobre a neuropsicologia da aprendizagem, nos quais essas alterações
podem estar presentes em indivíduos com total
integridade orgânica e podem manifestar-se de
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diferentes formas, como por exemplo; dificuldades
de atenção, memorização, desinteresse, compreensão, problemas de comportamento 3.
Entende-se por processamento auditivo (PA)
o conjunto de habilidades específicas das quais
o indivíduo depende para interpretar o que ouve.
Quando o indivíduo perde parcialmente ou totalmente a função da análise das imagens auditivas,
estamos diante de um distúrbio do processamento
auditivo9.
O questionamento de uma possível relação entre
as desordens do processamento auditivo/ distúrbio
de leitura e escrita, se faz presente, visto que, o
processamento auditivo refere-se ao conjunto de
habilidades necessárias à interpretação do que
se ouve, tais como: detecção, sensação, discriminação, localização, reconhecimento, compreensão,
atenção e memória e o déficit em tais habilidades
poderão estar presentes nas crianças com queixa
de dificuldade no aprendizado escolar 10,11.
É cada vez mais evidente em clínicas fonoaudiológicas a presença de crianças com distúrbios
do processamento auditivo em associação com os
distúrbios de linguagem oral1 e/ou escrita2,3. Neste
contexto, há a necessidade emergente de estudar
diferentes técnicas de reabilitação auditiva que
possam ser mais eficazes no tratamento destas
habilidades auditivas e de linguagem, constituindo
esta uma das vertentes de pesquisas na área do
processamento auditivo 12.
O papel do processamento auditivo em
problemas de aprendizagem adquiriu notoriedade
nos últimos anos. A partir desta perspectiva e,
salientando o fato de que a repetência é uma forma
de exclusão social, o pr (...truncated)