Nursing team expectations and caregivers
ARTIGO ORIGINAL
Expectativas da equipe de enfermagem e atividades realizadas por cuidadores de idosos hospitalizados*
Expectativas del equipo de enfermería y actividades realizadas por los cuidadores de ancianos hospitalizados
Silvana Barbosa PenaI; Maria José D'Elboux DiogoII
IEnfermeira. Mestre em Enfermagem. Professor da Universidade Federal do Mato Grosso. Cuiabá, MT, Brasil.
IIEnfermeira. Livre-Docente. Professora Associada do Departamento de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas. Campinas, SP, Brasil.
Correspondência
RESUMO
O objetivo deste estudo foi identificar as atividades no cuidado do idoso hospitalizado que os cuidadores realizam e as atividades com as quais os membros da equipe de enfermagem esperam que o cuidador auxilie, de acordo com sua freqüência de realização (sempre, quando necessário e nunca). Foram entrevistados 30 familiares de idosos hospitalizados e 30 profissionais de enfermagem. Os resultados apontaram diferença muito significativa nas freqüências: sempre, com respeito às atividades mudança de decúbito, limpar a boca e os dentes, colocar e tirar roupa, sentar, ficar em pé e cuidar da pele; quando necessário para as atividades ficar em pé, usar o banheiro, andar e realizar exercícios; e nunca para a atividade andar.
Descritores: Idoso. Cuidadores. Hospitalização. Equipe de enfermagem.
RESUMEN
El objetivo de este estudio fue identificar las actividades que los cuidadores realizan y las actividades que los miembros del equipo de enfermería esperan que el cuidador realice en el cuidado del anciano hospitalizado, de acuerdo con su frecuencia de realización (siempre, cuando necesario y nunca). Fueron entrevistados 30 familiares de ancianos hospitalizados y 30 profesionales de enfermería. Los resultados apuntaron una diferencia muy significativa en las frecuencias: siempre, con referencia a las actividades cambio de decúbito, limpiar la boca y los dientes, colocar y retirar ropa, sentar, colocar en pie y cuidar de la piel; cuando necesario para las actividades quedar en pie, usar el baño, andar y realizar ejercicios; y nunca para la actividad andar.
Descriptores: Anciano. Cuidadores. Hospitalización. Grupo de enfermería.
INTRODUÇÃO
Nos últimos anos, a equipe de enfermagem no ambiente hospitalar passou a se deparar com uma nova situação: o aumento do número de idosos ocupando os leitos hospitalares e a presença de seu cuidador. Essa nova situação exigiu, então, a construção de uma tríade de relações no cuidado do idoso hospitalizado, composta pelo enfermeiro e sua equipe, o paciente e o cuidador(1).
A presença do cuidador durante a hospitalização do idoso, tão importante e necessária, foi assegurada, no Brasil, pelo Ministério de Estado da Saúde, ao considerar a melhoria da qualidade de vida que traz ao idoso(2). Além de tornar obrigatórios os meios que viabilizam a permanência do cuidador, a Portaria Nº 280, de 7 de abril de 1999, do Ministério da Saúde, garante os recursos financeiros para sua acomodação.
A internação hospitalar de um membro gera circunstâncias que exigem uma reorganização familiar para atender às necessidades do indivíduo hospitalizado. Esse processo de reorganização nem sempre ocorre com tranqüilidade, pois a internação, muitas vezes, é um fato gerador de desequilíbrios emocionais, financeiros e de relacionamento. Os membros familiares vêm-se obrigados a assumir novos e diferentes papéis, como o de cuidador, no qual gastam e investem muita energia e esforço, significando, portanto, uma situação estressante, física e mentalmente(3).
Vários estudos reforçam a necessidade da presença do familiar durante a hospitalização do idoso, não só para acompanhá-lo, mas para ser orientado em seu papel de cuidador principalmente após a alta hospitalar. A atividade de cuidar, realizada com a equipe de enfermagem do hospital, torna o familiar um cliente e um parceiro da enfermagem(4-6).
Estudo anterior(7) apontou para as dificuldades e os conflitos existentes na relação entre os cuidadores, a equipe médica e a de enfermagem. Os profissionais reconhecem a importância da presença do cuidador durante o período de hospitalização, mas identificam dificuldades relacionadas à falta de preparo e orientação do cuidador e dos profissionais sobre os direitos e os deveres do cuidador. Os cuidadores indicaram como dificuldades a falta de estrutura no hospital para a sua acomodação e a falta de orientação, por parte das equipes médica e de enfermagem, quanto ao paciente, embora julguem ter um importante papel no auxílio ao cuidado.
A intensidade do envolvimento de familiares no cuidado de idosos com doenças mentais com longo tempo de hospitalização, a partir das perspectivas da equipe de enfermeiros e dos familiares, também foi objeto de investigação. Os resultados do estudo mostraram que o cuidador familiar, a partir da admissão do idoso no hospital, tende a se afastar desses cuidados, sentindo-se satisfeito quanto ao seu mínimo envolvimento no cuidado prestado, enquanto a equipe de enfermagem demonstra preocupação em envolver o cuidador familiar na assistência. A autora sugere que sejam realizadas ações integradas entre a equipe de enfermagem e o cuidador familiar; visando favorecer a continuidade do cuidado realizado no domicílio, antes e após a hospitalização(8).
Em estudos com ênfase sobre o cuidado de idosos e a participação do cuidador familiar nos períodos de hospitalização(9-11), observou-se que a participação dos familiares nos cuidados aos idosos hospitalizados foi limitada, devido à falta de experiência, de suporte emocional, de informação e de definição de papéis dos mesmos. A participação dessas pessoas no cuidar pode ser favorecida pelo fornecimento de informações relevantes sobre as possibilidades de participar do planejamento, da tomada de decisão e da avaliação do cuidado.
Os familiares participam de modo limitado nas atividades diárias do idoso, com destaque para as atividades de beber, levantar/ir para cama e sentar, embora desempenhem importante papel no suporte emocional e social dos mesmos. Segundo a autora(10), os cuidadores familiares, na busca de maior participação nos cuidados, muitas vezes se deparam com atitudes obstrutivas por parte da equipe de enfermagem. Sendo assim, a atuação da equipe de enfermagem e do cuidador necessita ser revista e reconsiderada, no sentido de se buscarem meios que favoreçam a compreensão mútua, a comunicação e a cooperação entre familiar e equipe de enfermagem, visando ao bem-estar do paciente e do próprio familiar.
Com relação aos fatores que promovem ou inibem a participação dos cuidadores familiares junto ao idoso hospitalizado, estudo mostra que, sob a ótica dos cuidadores, a equipe de enfermagem poderia promover a participação do familiar, por meio do suporte emocional e cognitivo, com informações sobre quando e como participar dos cuidados e sobre as co (...truncated)