The genus Canistrum E. Morren (Bromeliaceae) in Paraná State
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Acta boto bras. II (2): 1997
o GÊNERO CANISTRUM E. MORREN (BROMELIACEAE)
NO ESTADO DO PARANÁ
Rosângela Capuano Tardivo 1
Armando Carlos Cervi 1,2
Recebido em 13/06/96. Aceito 31/12/97
RESUMO- (O gênero Canistrum E. Morren (Bromeliaceae) no Estado do Paraná). Este trabalho é
um estudo taxonômico das espécies do gênero Canistrum no Estado do Paraná. Canistrum cyathiforme
(Vell.) Mez e C. lindenii (Regel)Mez são as únicas espécies pertencentes ao gênero, encontradas na
flora paranaense. C. /indenii está restrita a três variedades e quatro formas: C. /indenii (Regei) Mez varo
/indenii f. /indenii; C. /indenii varo viride (E. Morren) Reitz f. magnum Reitz; C. /indenii var. roseum
(E. Morren) L. B. Sm. f. humile Reitz e C. /indenii varo roseum f. procerum Reitz. São apresentadas
chaves de identificação, descrições, ilustrações e distribuição geográfica dos táxons estudados.
Palavras-chave: Canistrum, Bromeliaceae, taxonomia
ABSTRACf - (The genus Canistrum E. Morren (Bromeliaceae) in Paraná State). This work is a
taxonomic study of Canistrum species in the Paraná State. Canistrum cyathiforme (Vell.) Mez and C.
/indenii (Regei) Mez are the only species ofthe genus found in the flora ofParaná. C. /indenii is delimitted
to three varieties and four forms: C. /indenii varo /indenii f. /indenii; C. /indenii varo viride (E. Morren)
Reitz f. magnum Reitz; C. /indeniivar. roseum (E. Morren) L. B. Sm. f. humile Reitz and C. /indenii
varo roseum f. procerum Reitz. Identification keys, descriptions and geographical distribuition ofthe
studied taxa are presented.
Key words: Canistrum, Bromeliaceae, taxonomy
Introdução
o Brasil é um dos três mais importantes centros de diversidade genética das
espécies de Bromeliaceae. Os outros são os Andes, com prolongamentos em direção
ao México e Antilhas, e o Planalto das Guianas (Smith & Downs 1974). De acordo
com Leme & Marigo (1993), o leste brasileiro abriga a maior parte dos representantes
da subfamília Bromelioideae, com 28 gêneros, destes, 11 são endêmicos, incluindo
Canistrum.
Universidade Federal do Paraná, Centro Politécnico, Setor de Ciências Biológicas, Departamento de Botãnica,
Jardim das Américas, CEP 81531-970, Curitiba, PR, Brasil
Bolsa de Pesquisa, CNPq
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Tardivo & Cervi
o gênero Canistrum foi criado por Édouard Morren em 1873, com base em C.
aurantiacum. Baker (1889) enquadrou o gênero Canistrum como um subgênero de
Aechmea Ruíz & Pavon. Assim, todas as espécies até então descritas para o gênero
em questão foram transferidas para Aechmea. Mez (1891) restaurou o gênero Canistrum
e o enquadrou na Tribo Bromelieae, na subtribo Poratae Mez, seção Nidularinae Mez,
juntamente com Nidularium Lem., e citou oito espécies para Canistrum, enquadrandoas em dois subgêneros: Subg. 1- Nidulariopsis Mez, com uma única espécie, C.
amazonicum Mez, atual Wittrockia amazonica (Baker) L. B. Sm. e subg.II- Eucanistrum
Mez, no qual foram incluídas C. aurantiacum E. Morren, C. regnelli Mez, C.
cyathiforme Mez, C. viride E. Morren, C. roseum E. Morren, C. lindenii (Regei) Mez
e C. fuscum E. Morren.
Mez (1896) sinonimizou o subgênero Nidulariopsis e adotou Wittrockia Lindman
como subgênero de Canistrum, no qual incluiu C. superbum Mez (atual W superba
Lindman), além de C. amazonicum Mez.
Mez (1934-35) enquadrou o gênero em questão na subfamília Bromelioideae
Harms, tribo Poratae Mez, subtribo Nidulariinae Mez. Acrescentou ao sub gênero
Wittrockia (Lindman) Mez, C. minutum (Mez) L. B. Sm., atual W minuta (Mez) L. B.
Sm. Além disto, o autor criou o subgênero Graviopsis Mez, baseado em C. aurantiacum
Mez. Esta espécie que até então enquadrava-se no subgênero Eucanistrum Mez,
permaneceu como espécie única no novo subgênero.
Smith & Downs (1979) apresentaram várias mudanças para o gênero em questão.
Não consideraram os subgêneros Eucanistrum Mez e Graviopsis Mez e elevaram o
sub gênero Wittrockia ao nível de gênero. Nesta obra foram citadas sete espécies. Além
destas, mais quatro espécies foram acrescentadas para a flora brasileira.
Material e métodos
o material para esta pesquisa foi obtido através de coletas realizadas no Estado
do Paraná. Foram analisados ainda vários materiais-tipo, ou fotos destes, e coleções
provenientes dos herbários relacionados: B, GH, HB, HBR, LG, M, MBM, PKDC,
RB, SP, UPCB e USo
A nomenclatura utilizada na descrição morfológica das espécies foi baseada em
Mez (1891), Font Quer (1953), Steam (1983), Smith & Downs (1979), Brown &
Gilmartin (1984, 1989) Leme & Martinelli (1986) e Leme (1993).
Para a identificação dos táxons utilizou-se os seguintes trabalhos: Mez (18911894), Smith & Downs (1979) e Reitz (1983).
Resultados e discussão
Canistrum E. Morren, Belg. Hortic.23: 257, 1873.
Aechmea Ruiz & Pavon subgên. Canistrum (Morren) Baker, Handb. Bromel.: 68.1889. Tipo:
A. aurantiaca (=c. aurantiacum).
Mosenia Lindman, Sv. Vet-akad. Handl. III. 24(8): 27, 189l. Tipo: M. sicarius Lindman .
Canistrum E. Morren subgên. Eucanistrum Mez, Mart.FI.Bras. 3(3): 249. 1891. Tipo: C.
aurantiacum E. Morren.
o gênero Canistrum E. Morren (Bromeliaceae) no Estado do Paraná
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Canistrum E. Morren subgên. Eucanistrum Mez, Ptlanzenreich IV, 32: 65,67. 1934. Tipo:
Tillandsia cyathiformis Vell. (tipo indicado erroneamente por Smith & Downs, FI.
Neotropica 14(3): 1715. 1979).
Canistrum E. Morren subgên. Graviopsis Mez, Ptlanzenreich IV, 32: 65,67. 1934. Tipo: C.
aurantiacum E. Morren; nome ilegítimo.
Tipo: C. aurantiacum E. Morren, Belg.Hortic. 23: 257. 1873.
Planta terrestre, rupícola ou epífita, estolonífera ou não. Folhas 10-20, liguladas,
suberetas, formando roseta amplamente aberta ou infundibuliforme; bainha elíptica,
ovada ou estreitamente ovada, densamente coberta por escamas castanho-escuras em
ambas as faces; lâmina geralmente ligulada, subereta, ápice obtuso-apiculado, agudo
ou acuminado, leve ou distintamente estreitada em direção à base, canaliculada ou
não, glabra ou subglabra, margem espinulosa. Escapo verde, róseo ou avermelhado,
glabro ou muitas vezes coberto com densa lanugem escura. Brácteas do escapo 1-7,
lanceoladas, suboblongas, lineares, ovais ou elípticas, geralmente escamosas, ápice
agudo, apiculado ou acuminado, margem conspicuamente serreada. Inflorescência
composta, corimbosa, muitas vezes capituliforme, ca. 30-500 flores. Brácteas primárias
lanceoladas a largamente lanceoladas, linear-Ianceoladas ou ovadas, acuminadas,
agudas ou apiculadas, eretas ou levemente recurvadas, verdes, amarelas, róseas ou
avermelhadas. Fascículos com 4-14 flores, subflabeliformes ou flabeliformes, sésseis
ou curto-pedunculados, lanuginosos ou não. Brácteas florais ovaladas, lanceoladas,
lineares ou oblongas, margem inteira ou levemente denticuladas na base, carenadas
ou não, muitas vezes lanuginosas, ápice agudo-apiculado, acuminado ou obtuso. Flores
sésseis ou curto-pediceladas. Sépalas geralmente assimétricas, livres ou conadas na
base, estreitamente triangulares, elípticas, obovadas, suboblongas, oblongas ou ovadolanceoladas, glabra (...truncated)