Oral flaxseed oil (Linum usitatissimum) in the treatment for dry-eye Sjögren's syndrome patients
Uso oral do óleo de linhaça (Linum usitatissimum)
no tratamento do olho seco de pacientes
portadores da síndrome de Sjögren
Oral flaxseed oil (Linum usitatissimum) in the treatment for
dry-eye Sjögren’s syndrome patients
Manuel Neuzimar Pinheiro Jr.1
Procópio Miguel dos Santos2
Regina Cândido Ribeiro dos Santos3
Jeison de Nadai Barros4
Luiz Fernando Passos5
José Cardoso Neto6
Trabalho realizado no Ambulatório de Reumatologia
do Hospital Universitário Getúlio Vargas da Universidade Federal do Amazonas - UFAM.
1
Doutor em Ciências da Saúde pela Universidade de
Brasília - UnB - Brasília (DF) - Brasil.
Doutor em Oftalmologia pela Universidade Federal de
São Paulo - UNIFESP - São Paulo (SP) - Brasil. Professor
Orientador de Pós-Graduação da Faculdade de Ciências da Saúde da UnB - Brasília (DF) - Brasil.
3
Doutora em Oftalmologia pela UNIFESP - São Paulo
(SP) - Brasil. Professora Orientadora de Pós-Graduação da Faculdade de Ciências da UnB - Brasília (DF) Brasil.
4
Pós-Graduando (nível Doutorado) do Departamento
de Oftalmologia - UNIFESP - São Paulo (SP) - Brasil.
5
Mestre em Medicina Tropical pela Universidade Federal do Amazonas - UFAM - Manaus (AM) - Brasil.
Coordenador do Ambulatório de Reumatologia do Hospital Universitário Getúlio Vargas da UFAM - Manaus
(AM) - Brasil.
6
Doutor em Estatística pela Universidade de São Paulo
- USP - São Paulo (SP) - Brasil. Professor do Departamento de Estatística da UFAM - Manaus (AM) - Brasil.
2
Endereço para correspondência: Manuel Neuzimar
Pinheiro Junior. Rua Visconde de Porto Seguro, 5 Quadra 1-A - Manaus (AM) CEP 69058-090
E-mail:
Recebido para publicação em 16.01.2007
Última versão recebida em 22.04.2007
Aprovação em 02.05.2007
Nota Editorial: Depois de concluída a análise do artigo
sob sigilo editorial e com a anuência do Dr. Renato
Ambrósio Jr. sobre a divulgação de seu nome como revisor, agradecemos sua participação neste processo.
RESUMO
Objetivo: Avaliar se a utilização por via oral do óleo de linhaça (Linum
usitatissimum), que diminui a inflamação na artrite reumatóide, pode
auxiliar no tratamento da ceratoconjuntivite seca de portadores da síndrome
de Sjögren. Métodos: Em estudo clínico randomizado, 38 pacientes do sexo
feminino, com diagnóstico de artrite reumatóide ou lúpus eritematoso
sistêmico associadas à ceratoconjuntivite seca e síndrome de Sjögren,
provenientes do ambulatório de Reumatologia do Hospital Universitário
da Universidade Federal do Amazonas, foram consecutivamente selecionadas. O diagnóstico de ceratoconjuntivite seca foi baseado em questionário para olho seco (Ocular Surface Disease Index - OSDI®), Teste I de
Schirmer, tempo de quebra do filme lacrimal com fluoresceína e instilação
do corante rosa bengala a 1%, com intensidade da impregnação da
superfíce ocular quantificada pela escala de van Bijsterveld. Todas as
pacientes tiveram a inflamação da superfície conjuntival avaliada e quantificada por interpretação de exame de citologia de impressão conjuntival
antes do início e ao final do estudo. As pacientes foram divididas em três
grupos: Grupo I (n=13), Grupo II (n=12) e Grupo III (n=13). O Grupo I
recebeu cápsulas com dose final de 1 g/dia de óleo de linhaça, o Grupo II
recebeu cápsulas com dose final de 2 g/dia de óleo de linhaça e o Grupo
III - controle - recebeu cápsulas com placebo, por 180 dias. Resultados:
Comparando os resultados no início e no final do tratamento, foram
verificadas mudanças estatisticamente significantes (p<0,05) nos sintomas medidos pelo OSDI®, na inflamação da superfície ocular quantificada
pela citologia de impressão conjuntival e nos testes I de Schirmer e tempo
de quebra do filme lacrimal com fluoresceína nos Grupos I e II, quando
comparados ao Grupo-controle. Conclusão: Terapia oral com óleo de
linhaça, em cápsulas na dose de 1 ou 2 g/dia, reduz a inflamação da
superfície ocular e melhora os sintomas de olho seco em pacientes
portadores da síndrome de Sjögren. Estudos de longo prazo são necessários para confirmar o papel desta terapia como auxiliar no tratamento da
ceratoconjuntivite seca de portadores da síndrome de Sjögren.
Descritores: Síndromes do olho seco; Ceratoconjuntivte seca/quimioterapia; Óleo de
semente do linho/uso terapeutico; Ceratite; Síndrome de Sjögren; Lágrimas/metabolismo
INTRODUÇÃO
O quadro caracterizado como “síndrome do olho seco”, ceratoconjuntivite seca (CCS) ou simplesmente olho seco (OS), uma das doenças mais
Arq Bras Oftalmol. 2007;70(4):649-55
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650 Uso oral do óleo de linhaça (Linum usitatissimum) no tratamento do olho seco de pacientes portadores da síndrome de Sjögren
comuns da prática oftalmológica(1), se associado ao ressecamento oral por deficiência das glândulas produtoras de saliva
e a alterações de cunho reumatológico, caracteriza a “síndrome de Sjögren” (SS)(2), cujo risco de manifestação de OS é
maior em mulheres e idosos(3-4).
O diagnóstico é eminentemente clínico com a anamnese, o
exame ocular e o exame físico dirigidos para a suspeita de
OS(1,4). A ajuda de exames específicos utilizados como testes
diagnósticos para olho seco (TDOS), é essencial(2) e, entre
eles, destacam-se: 1) Teste de Schirmer I (SCH1)(5); 2) Tempo
de quebra do filme lacrimal (BUT)(6); 3) Coloração com o colírio
rosa bengala 1%, com quantificação da intensidade das alterações (RBVB)(7).
O uso dos ácidos graxos essenciais (AGE) em apresentação oral, na forma de óleo de linhaça ou óleo de peixe, é
considerado uma alternativa para o tratamento de portadores
de diversas formas de deficiência lacrimal, embora este fato
não encontre muito respaldo baseado em evidências na literatura(8). A dose ideal não foi bem determinada e admite-se que
sua eficácia pode variar(9-10). São fontes de ácidos graxos
essenciais do tipo ômega 3: as nozes, os peixes de água fria
(salmão, atum, bacalhau), a semente de soja, o óleo de canola
e o óleo de linhaça (OL)(8-11).
Já foi demonstrado que o uso sistêmico do ácido linolêico
(AL) e do γ-linolêico (AGL), reduz a inflamação ocular e melhora os sintomas de OS por deficiência aquosa(10). O baixo índice
de ácidos graxos na dieta ocidental em comparação com a
oriental, assinala a possibilidade da prevenção de doenças
que estariam ligadas à produção de tecido inflamatório, como
o OS, por meio da suplementação de alimentos, tais como: óleo
de semente de linhaça, nozes e vegetais foliáceos, muito presentes na dieta oriental(11). O maior consumo de AGE tipo
ômega 3 (n-3) está associado a uma menor incidência de OS em
mulheres(12). Os AGE contêm compostos antiinflamatórios naturais, com a propriedade de aliviar sintomas da artrite e de
outras doenças auto-imunes(13).
Trabalhos clínicos em humanos e experimentais em animais descrevem o uso oral do óleo de linhaça (Linum usitatissimum) com potencial benéfico em diversas áreas da medicina(14-17), visto que ele possui os ácidos graxos ômega 6 e
ômega 3 em proporção considerada ideal(14,17).
O objetivo do presente estudo é avaliar a eficácia da utiliz (...truncated)