Erythroxylum (Erythroxylaceae) in the Atlantic Forest of Bahia, Brazil

Rodriguésia, Jan 2014

A floristic treatment of Erythroxylum species from the Atlantic Forest of Bahia State is presented. We analyzed specimens from the following Brazilian herbaria: ALCB, CEPEC, HRB, HUEFS, HUESC, MBM, R, RB, SP, SPF, as well as images of specimens from a few virtual herbaria: BR, F, K, and NY. Field work was carried out in the studied area, to visit areas with few collections, record rare species, and find possibly undescribed taxa. Twenty eight species of Erythroxylum were recorded, among which E. ectinocalyx represents a new record for the state and E. compressum, E. distortum, E. leal-costae, E. mattos-silvae, E. membranaceum and E. petrae-caballi are threatened. We present descriptions, illustrations, identification keys and comments for all studied species.

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Erythroxylum (Erythroxylaceae) in the Atlantic Forest of Bahia, Brazil

Rodriguésia 65(3): 637-658. 2014 http://rodriguesia.jbrj.gov.br DOI: 10.1590/2175-7860201465305 Erythroxylum (Erythroxylaceae) na Mata Atlântica da Bahia, Brasil Erythroxylum (Erythroxylaceae) in the Atlantic Forest of Bahia, Brazil Thiago Felipe de Araújo1,4, Pedro Fiaschi2 & André M. Amorim3 Resumo Neste trabalho é apresentado o levantamento florístico de Erythroxylum na Mata Atlântica do estado da Bahia. Todas as informações sobre as espécies foram obtidas através de análise de exsicatas depositadas nos herbários ALCB, CEPEC, HRB, HUEFS, HUESC, MBM, R, RB, SP, SPF e consultas virtuais aos herbários BR, F, NY e K. Foram realizadas expedições em campo, priorizando regiões com poucas coletas, registros de espécies raras e suspeitas de novidades taxonômicas. Foram registradas 28 espécies, sendo E. ectinocalyx um novo registro para a Bahia e E. compressum, E. distortum, E. leal-costae, E. mattos-silvae, E. membranaceum e E. petrae-caballi constantes na lista de espécies da flora brasileira ameaçadas de extinção. São apresentadas descrições, ilustrações, chave de identificação e comentários para todas as espécies estudadas. Palavras-chave: flora, taxonomia, Malpighiales. Abstract A floristic treatment of Erythroxylum species from the Atlantic Forest of Bahia State is presented. We analyzed specimens from the following Brazilian herbaria: ALCB, CEPEC, HRB, HUEFS, HUESC, MBM, R, RB, SP, SPF, as well as images of specimens from a few virtual herbaria: BR, F, K, and NY. Field work was carried out in the studied area, to visit areas with few collections, record rare species, and find possibly undescribed taxa. Twenty eight species of Erythroxylum were recorded, among which E. ectinocalyx represents a new record for the state and E. compressum, E. distortum, E. leal-costae, E. mattos-silvae, E. membranaceum and E. petrae-caballi are threatened. We present descriptions, illustrations, identification keys and comments for all studied species. Key words: flora, taxonomy, Malpighialess. Introdução Erythroxylaceae Kunth é uma família de distribuição tropical, constituída pelos gêneros Aneulophus Benth., Nectaropetalum Engl., Pinacopodium Exell & Mendonça e Erythroxylum P. Browne, sendo os três primeiros restritos ao continente africano e o último presente em toda a zona tropical (Heywood et al. 2007). A família já foi incluída na ordem Linales por Cronquist (1981), porém recentes estudos moleculares e morfológicos apontaram o táxon como grupo irmão de Rhizophoraceae (Wurdack & Davis 2009; Xi et al. 2012), assegurando sua posição dentro da ordem Malpighiales. Erythroxylum é o maior gênero da família e comporta cerca de 230 espécies, que ocorrem em sua maioria na América do Sul (Daly 2004). O Brasil, com cerca de 114 espécies, é apontado como um importante centro de diversidade e endemismo do grupo (Plowman & Hensold 2004), especialmente a Região Nordeste, que abriga 71 espécies (Loiola 2013), boa parte destas, descritas nos últimos trinta anos (Costa-Lima & Alves 2013; Loiola & Sales 2008, 2012; Plowman 1983, 1986 e 1987). Dentre os estados brasileiros, a Bahia é o que apresenta maior número de espécies de Erythroxylum (ca. de 50), distribuídas principalmente na Mata Atlântica (Plowman 1987). Essa alta diversidade de Erythroxylum na Mata Atlântica da Bahia é acompanhada por uma destacada taxa de endemismo, já que das 13 espécies apontadas como endêmicas da Bahia por Loiola (2013), apenas E. longisetulosum não ocorre neste bioma. Universidade Estadual de Feira de Santana, Depto. Ciências Biológicas, Av. Transnordestina s/n, Novo Horizonte, 44036-900, Feira de Santana, BA, Brasil. ² Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências Biológicas, Depto. Botânica, Campus Universitário, Trindade, 88040-900, Florianópolis, SC, Brasil. 3 Universidade Estadual de Santa Cruz, Depto. Ciências Biológicas, Rod. Ilhéus-Itabuna km 16, 45600-970, Ilhéus, BA, Brasil. 4 Autor para correspondência: 1 Araújo, T.F., Fiaschi, P. & Amorim, A.M. 638 A presença de catafilos, estípulas intrapeciolares, flores diminutas, heterostílicas com tubo estaminal curto e frutos do tipo drupa permitem o reconhecimento do gênero. Porém, a complexidade morfológica de alguns caracteres, o elevado número de espécies simpátricas, a falta de chaves taxonômicas e de trabalhos que reúnam informações, especialmente sobre as espécies descritas nos últimos anos, tornam sua distinção infragenérica uma tarefa difícil. Diante desta problemática, objetivou-se neste trabalho contribuir para o conhecimento sobre a riqueza e distribuição de Eryhtroxylum na Mata Atlântica da Bahia, apontar os caracteres úteis para a identificação das espécies e fornecer descrições morfológicas, ilustrações e uma chave taxonômica contemplando todas as espécies encontradas. baixas). A compilação das informações sobre a distribuição geográfica das espécies fora da área de estudo foi baseada em literatura (Loiola 2013, 2001) e eventuais categorias infra-específicas não foram adotadas neste trabalho. A terminologia morfológica foi baseada em Radford et al. (1974) e para a definição de termos como catafilo, sétula, lígula, flores brevistilas e flores longistilas seguiu-se Schulz (1907) e Loiola (2001). Todas as flores ilustradas tiveram a corola total ou parcialmente removida. Material e Métodos Foram efetuadas análises de exsicatas depositadas nos herbários ALCB, CEPEC, HRB, HUEFS, HUESC, MBM, R, RB, SP, SPF e consultas virtuais aos herbários BR, F, K e NY (siglas seguem Thiers, continuamente atualizado). Estas informações foram complementadas por observações feitas em campo, priorizando regiões com poucas coletas, com registros de espécies raras ou possíveis novidades taxonômicas. A área de estudo considerada foi a extensão da Mata Atlântica no estado da Bahia, como delimitada pelo Mapa de Biomas do IBGE (2004) (Fig. 1). Quanto às fitofisionomias, foram adotados os limites propostos por Thomas & Barbosa (2008) que consideraram os seguintes tipos vegetacionais na Mata Atlântica da Bahia: restinga (arbustiva e arbórea), tabuleiro (floresta de tabuleiro, mussununga e campo nativo), floresta ombrófila densa (montana, submontana e de terras baixas), floresta estacional semidecidual (submontana e de terras baixas) e floresta estacional decidual (submontana e de terras Figura 1 ‒ Limites do Bioma Mata Atlântica no estado da Bahia adaptado de IBGE (2004) Figure 1 ‒ Limits of the Atlantic Forest biome in Bahia state, adapted from IBGE (2004). Chave para as espécies de Erythroxylum da Mata Atlântica na Bahia, Brasil 1. Estípulas estriadas (às vezes com estrias evidentes apenas nas estípulas jovens ou em sua face interna, E. squamatum). 2. Estípulas iguais ou maiores que 5 mm compr. 3. Estípulas com margem fimbriada ................................................. 11. Erythroxylum hamigerum 3’. Estípula com margem inteira (raro erosa, E. columbinum). 4. Pecíolo 6‒20 mm compr. ......................................................... 18. Eryth (...truncated)


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Thiago Felipe de Araújo, Pedro Fiasch, André M. Amorim. Erythroxylum (Erythroxylaceae) in the Atlantic Forest of Bahia, Brazil, Rodriguésia, 2014, pp. 637-658, Volume 65, Issue 3, DOI: 10.1590/2175-7860201465305