Flora of Espírito Santo: Meliaceae

Rodriguésia, Jan 2017

Meliaceae has 50 genera and about 550 species distributed in the whole world, although with greater diversity in the pantropical region. In Brazil, there are 84 species distributed in seven genera. This study presents the floristic treatment of the Meliaceae species in the state of Espírito Santo. In order to achieve these results, we consulted the main herbaria in the country and performed field activities. The main results of this work include the morphological descriptions of the genera and species, identification keys, illustrations and taxonomic comments. In terms of the taxonomic novelties, 25 species belonging to four genera were found: One belonging to Cabralea, two to Cedrela, six to Guarea, and 16 to Trichilia. In this study, we also present a new species occurrence for the state and therefore, the two Trichilia species are provisionally treated as Trichilia sp. 1 and Trichilia sp. 2.Keywords : angiosperms; flora; Atlantic forest; taxonomy.

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Flora of Espírito Santo: Meliaceae

Rodriguésia 68(5): 1693-1723. 2017 http://rodriguesia.jbrj.gov.br DOI: 10.1590/2175-7860201768512 Flora do Espírito Santo: Meliaceae Flora of Espírito Santo: Meliaceae Thiago Bevilacqua Flores1,2,4, Vinicius Castro Souza2 & Rubens Luiz Gayoso Coelho3 Resumo Meliaceae possui 50 gêneros e cerca de 550 espécies distribuídas em todo mundo, embora com maior diversidade na região pantropical. No Brasil, são encontradas 84 espécies distribuídas em sete gêneros. Esse estudo apresenta o tratamento florístico das espécies de Meliaceae no estado do Espírito Santo. Para alcançar esses resultados, foram consultados os principais herbários do país, além de realizadas atividades de campo. Os principais resultados deste trabalho incluem, descrições morfológicas para os gêneros e as espécies, chaves de identificação, ilustrações e comentários taxonômicos. Com relação as novidades taxonômicas, foram encontradas 25 espécies que pertencem a quatro gêneros, uma pertencente a Cabralea, duas a Cedrela, seis a Guarea e 16 a Trichilia. Nesse estudo também são apresentados uma nova ocorrência para o estado e ainda, duas espécies de Trichilia são provisoriamente tratadas como Trichilia sp. 1 e Trichilia sp. 2. Palavras-chave: angiospermas, flora, Mata Atlântica, taxonomia. Abstract Meliaceae has 50 genera and about 550 species distributed in the whole world, although with greater diversity in the pantropical region. In Brazil, there are 84 species distributed in seven genera. This study presents the floristic treatment of the Meliaceae species in the state of Espírito Santo. In order to achieve these results, we consulted the main herbaria in the country and performed field activities. The main results of this work include the morphological descriptions of the genera and species, identification keys, illustrations and taxonomic comments. In terms of the taxonomic novelties, 25 species belonging to four genera were found: One belonging to Cabralea, two to Cedrela, six to Guarea, and 16 to Trichilia. In this study, we also present a new species occurrence for the state and therefore, the two Trichilia species are provisionally treated as Trichilia sp. 1 and Trichilia sp. 2. Key words: angiosperms, flora, Atlantic forest, taxonomy. Introdução Meliaceae possui cerca de 550 espécies distribuídas em aproximadamente 50 gêneros. A família apresenta distribuição principalmente cosmopolita, mas sobretudo pantropical e ocorrendo em diversos habitats, desde florestas úmidas até ambientes semiáridos (Pennington & Styles 1975; Mabberley et al. 1995). A região neotropical é o centro de diversidade da família, apresentando 122 espécies em oito gêneros. O continente africano e a região da Malásia, também são importantes regiões para a diversidade desse grupo (Pennington 1981; Mabberley et al. 1995). No Brasil, são encontradas 84 espécies distribuídas em sete gêneros: Cabralea A.Juss., Carapa Aubl., Cedrela P.Browne, Guarea F.Allam. ex L., Melia L. (subespontâneo), Swietenia Jacq. e Trichilia P.Browne. Meliaceae é encontrada em todos os estados do Brasil, contudo, o maior número de espécies é concentrado principalmente nos domínios fitogeográficos da Amazônia e da Mata Atlântica (BFG 2015). Universidade Estadual de Campinas, Inst. Biologia, Cidade Universitária Zeferino Vaz, R. Monteiro Lobato 255, Campinas, 13083-862, SP, Brasil. Universidade de São Paulo, Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, Lab. Botânica Sistemática, Herbário ESA, Av. Pádua Dias 11, Bairro Agronomia, 13418-900, Piracicaba, SP, Brasil. 3 Universidade de São Paulo, Escola de Artes, Ciências e Humanidades, R. Arlindo Bettio 1000, 03828-000, São Paulo, SP, Brasil. 4 Autor para correspondência: 1 2 1694 Economicamente, merecem destaque algumas espécies que produzem madeira de boa qualidade para a indústria madeireira e moveleira, como os “mognos” (Swietenia spp.), as “canjeranas” (Cabralea canjerana (Vell.) Mart.) e os “cedros” (Cedrela spp.). Algumas espécies, também são cultivadas como ornamentais, como “aglaia” (Aglaia Lour. spp.), “árvore-de-Santa-Bárbara” (Melia azadirachta L.) e o “niim” (Azadirachta indica A. Juss.), que além disso, também apresenta uma substância chamada “azadiractina”, utilizada como inseticida (Lorenzi et al. 2003; Souza & Lorenzi 2010). Meliaceae tem um longo histórico taxonômico que foi sumarizado na obra de Pennington & Styles (1975). Os principais trabalhos que trataram a família de modo amplo, são os de De Candolle (1824); Hooker (1862); C. De Candolle (1878a); Harms (1896, 1940) e Pennington & Styles (1975). Também é importante ressaltar, os trabalhos de Pennington (1981) e Mabberley et al. (1995) que trataram um grande número de espécies em regiões de importante diversidade para a família. Além disso, algumas revisões taxonômicas para os gêneros foram realizadas recentemente, como por exemplo, para a região neotropical, os gêneros Cedrela (Pennington & Muellner 2010), Carapa (Kenfack 2011), Guarea (Pennington & Clarkson 2013) e Trichilia (Pennington 2016) foram revistos nessa década. Do ponto de vista da classificação, vale destacar os trabalhos de C. De Candolle (1878b) que dividiu a família em quatro tribos (Melieae, Trichilieae, Swietenieae e Cedreleae), os de Harms (1896 e 1940), que propuseram a divisão da família em três subfamílias (Cedreloideae, Swietenioideae e Melioideae) e o de Pennington & Styles (1975), que dividiu a família em quatro subfamílias - Melioideae com sete tribos e 35 gêneros, Swietenioideae com três tribos e sete gêneros e Quivisianthoideae e Capuronianthoideae, com apenas um gênero cada. Muellner et al. (2003), através do uso de dados macromoleculares, indicam que Quivisianthe Baill. e Capuronianthus J.-F. Leroy devem ser inseridos em Melioideae e Swietenioideae, respectivamente. Filogeneticamente, Meliaceae é monofilética (Gadek et al. 1996; Muellner et al. 2003) e o grupoirmão dessa família é Simaroubaceae (Muellner et al. 2007). Contudo, as principais análises filogenéticas que trataram dessas questões foram realizadas com baixo número de terminais e em especial, uma baixa amostragem das espécies da região neotropical. Flores TB, Souza VC & Coelho RLG O estado do Espírito Santo é constituído por formações florestais peculiares ao bioma da Mata Atlântica e recentemente muitas espécies novas foram descobertas nessas formações (Filho et al. 2000). Além disso, Meliaceae também está entre as famílias que mais contribuem para a diversidade florística na região neotropical (Gentry 1988) e do ponto de vista econômico, algumas espécies produzem madeira de boa qualidade, como Cedrela fissilis (Souza & Lorenzi 2010), o que leva a ameaças de extinção graças à pressão de extrativismo. O presente trabalho trata do estudo das espécies de Meliaceae no estado do Espírito Santo. São apresentados descrições morfológicas, chaves de identificação, ilustrações e comentários taxonômicos. Material e Métodos O estado do Espírito Santo ocupa uma área de 46.098.571 km2 no Sudeste do B (...truncated)


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Thiago Bevilacqua Flores, Vinicius Castro Souza, Rubens Luiz Gayoso Coelho. Flora of Espírito Santo: Meliaceae, Rodriguésia, 2017, pp. 1693-1723, Volume 68, Issue 5, DOI: 10.1590/2175-7860201768512