Expansion of the geographical distribution of three species of Utricularia (Lentibulariaceae) to the Mata Atlantica biome
Rodriguésia 65(2): 563-565. 2014
http://rodriguesia.jbrj.gov.br
Nota Científica / Short Communication
Ampliação da distribuição geográfica de três espécies
de Utricularia (Lentibulariaceae) para o bioma Mata Atlântica
Expansion of the geographical distribution of three species of Utricularia (Lentibulariaceae)
to the Mata Atlantica biome
Tamires Carregosa1,3 & Suzana Maria Costa2
Resumo
O presente estudo ressalta a ocorrência de Utricularia costata P.Taylor, U. lloydii Merl. ex F. Lloyd e
U. resupinata B.D.Greene ex Bigelow na Região Nordeste do Brasil, ampliando a sua distribuição para
o bioma da Mata Atlântica.
Palavras-chave: Sergipe, plantas carnívoras, macrófitas aquáticas.
Abstract
The present study emphazises the occurrence of Utricularia costata P.Taylor, U. lloydii Merl. ex F.Lloyd
and U. resupinata B.D.Greene ex Bigelow in Northeast region of Brazil, expanding their distribution to the
Mata Atlântica biome.
Key words: Sergipe, carnivorous plants, aquatic macrophytes.
Utricularia A.St.-Hil. compreende mais de
220 espécies herbáceas palustres e aquáticas (Müller
et al. 2006; Taylor 1989) e apresenta distribuição
cosmopolita, com maior riqueza nas regiões
tropicais e subtropicais (Taylor 1989). Suas espécies
caracterizam-se pela presença de armadilhas
utriculiformes adaptadas para a captura e digestão
de pequenos organismos (Rutishauser et al. 1992)
Assim como para outros táxons herbáceos,
sobremaneira os de hábito palustre ou aquático, há
poucos estudos sobre a distribuição de Utricularia
na Região Nordeste. Segundo Miranda & Rivadavia
(2012), nessa região há registro de 36 das 69
espécies do gênero registradas para o Brasil.
Sergipe, menor estado do Nordeste e do
Brasil, possui em seus 21.918,354 km² áreas
pertencentes aos domínios da Mata Atlântica e
Caatinga, além de uma área de ecótono entre eles
(popularmente conhecida como “Agreste”). Até
o trabalho de Mendes et al. 2010 que realizou o
inventário florístico do Parque Nacional Serra
de Itabaiana (Areia Branca), Sergipe era o único
estado onde não havia informações referentes à
ocorrência de Utricularia. Neste trabalho foram
registradas as seguintes espécies: Utricularia gibba
L., U. pusilla Vahl e U. tridentata Sylvén.
Após a revisão do acervo de Lentibulariaceae
depositado no Herbário ASE (Universidade Federal
de Sergipe) e de coletas botânicas realizadas em
2010 e 2011, foi possível ratificar a ocorrência de
várias espécies da família no estado de Sergipe
(Carregosa & Monteiro 2013). Entre as espécies
listadas para Utricularia, três são novas ocorrências
para a Região Nordeste do Brasil: Utricularia
costata P.Taylor, U. lloydii Merl ex F.Lloyd e U.
resupinata B.D.Greene ex Bigelow.
Utricularia costata P.Taylor (Figs. 1a, 2a)
ocorre apenas nos territórios da Venezuela e do
Brasil. Neste último, havia registros apenas para
os estados de Roraima e Pará (Região Norte), e
Mato Grosso e Goiás (Região Centro-Oeste). Em
Sergipe, U. costata foi encontrada no PARNA da
Serra de Itabaiana, área de ecótono entre Mata
Atlântica e Caatinga, em solo úmido entre rochas
e em áreas de solo de areia-branca localizadas na
base das serras. A espécie pode ser reconhecida por
apresentar indivíduos com até 5 cm compr., folhas
filiformes com até 0,2 mm larg., utrículos laterais
Universidade Federal de Sergipe – UFS, Depto. Ciências Biológicas, Av. Marechal Rondon s/n, 49100-000, São Cristóvão, SE, Brasil.
Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP, Instituto de Biologia, Depto. Biologia Vegetal, C.P. 6109, 13083-970, Campinas, SP, Brasil.
3
Autor para correspondência:
1
2
Carregosa, T. & Costa, S.M.
564
a
b
a
b
c
Figura 1 – a. Utricularia costata P.Taylor – ocorrência nos biomas do Brasil e Sergipe. b. Utricularia lloydii Merl. ex
F. Lloyd – ocorrência nos biomas do Brasil e Sergipe. c Utricularia resupinata B.D.Greene ex Bigelow – ocorrência
nos biomas do Brasil e Sergipe.
Figure 1 – a. Utricularia costata P.Taylor – occurence in biomes of Brazil and Sergipe state. b. Utricularia lloydii Merl. ex F. Lloyd
– occurence in biomes of Brazil and Sergipe state. c. Utricularia resupinata B.D.Greene ex Bigelow – occurence in biomes of Brazil
and Sergipe state.
c
Figura 2 – a.Utricularia costata P.Taylor – hábito. b. Utricularia lloydii Merl. ex F. Lloyd – hábito. c. Utricularia
resupinata B.D.Greene ex Bigelow – hábito. [Imagens 2a,b – Tamires Carregosa; 2c – Ítallo Romany Menezes]
Figure 2 – a. Utricularia costata P.Taylor – habit. b. Utricularia lloydii Merl. ex F. Lloyd – habit. c. Utricularia resupinata B.D.Greene
ex Bigelow – habit. [Images 2a,b – Tamires Carregosa; 2c – Ítallo Romany Menezes]
com apêndice dorsal curto e apêndice ventral
bífido, inflorescência geralmente com até três flores
de corola lilás ou branca e pela presença de nervuras
proeminentes nos lobos do cálice.
Utricularia lloydii Merl. ex F. Lloyd (Figs.
1b, 2b) distribui-se nas América Central e do
Sul. No Brasil, sua ocorrência é confirmada para
os estados do Acre, Amazonas, Pará e Tocantins
(Região Norte), e Mato Grosso e Goiás (Região
Centro-Oeste). Em Sergipe, foi encontrada na APA
do Litoral Sul, no bioma da Mata Atlântica, num
ambiente de solo arenoso úmido de restinga. Esta
espécie apresenta indivíduos com até 12 cm compr.,
folhas filiformes com até 0,3 mm larg., utrículos
laterais com dois apêndices dorsais curtos e um
apêndice ventral proeminente, inflorescência laxa
com até quatro flores de corola amarela e ausência
de nervuras proeminentes nos lobos do cálice.
Utricularia resupinata B.D.Greene ex
Bigelow (Figs. 1c, 2c) ocorre nas Américas e tem
como limite norte o Canadá e limite sul a Região
Norte do Brasil. No Brasil sua ocorrência era
confirmada apenas para o estado do Amazonas
(Região Norte). Essa espécie foi encontrada na
APA do Litoral Sul de Sergipe, em solo encharcado
lamoso, ampliando sua distribuição para áreas mais
ao sul da América do Sul. Seus indivíduos podem
apresentar até 8 cm compr., folhas filiformes,
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Novas ocorrências de Utricularia no Brasil
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utrículos laterais com apêndice dorsal provido
cerdas curtas e apêndice ventral com cerdas laterais,
bráctea do pedúnculo tubular e inflorescência com
apenas uma flor de corola rosa com mácula branca
e amarela no lábio inferior.
Esses registros ampliam a ocorrência dessas
três espécies entre os biomas brasileiros, com
sua adição para o bioma da Mata Atlântica. Até
então Utricularia costata era registrada para os
biomas Amazônico e do Cerrado; U. lloydii para
os biomas Amazônico, do Cerrado e do Pantanal,
e U. resupinata para o bioma Amazônico.
Referências
Carregosa, T. & Monteiro, S.H.N. 2013. Lentibulariaceae.
In: Prata, A.P.; Amaral, M.C.E.; Farias, M.C.V. &
Alves, M.V. (orgs.). Flora de Sergipe. Vol. 1.
Triunfo, Aracaju. Pp. 306-321.
Mendes, K; Gomes, P & Alves, M. 2010. Floristic
inventory of a zone of ecological tension in the
Atlantic Forest of Northeastern Brazil. Rodriguésia
61: 669-676.
Miranda, V.F.O. & Rivadavia, F. (...truncated)