Study on virulence factors associated with biofilm formation and phylogenetic groupings in Escherichia coli strains isolated from patients with cystitis
ARTIGO/ARTICLE
Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical 42(1):58-62, jan-fev, 2009
Estudo dos fatores de virulência associados à formação de
biofilme e agrupamento filogenético em Escherichia coli
isoladas de pacientes com cistite
Study on virulence factors associated with biofilm formation and phylogenetic
groupings in Escherichia coli strains isolated from patients with cystitis
Monique Ribeiro Tiba1, Gustavo Prado Nogueira1 e Domingos da Silva Leite1
RESUMO
Amostras de Escherichia coli, isoladas de pacientes do sexo feminino com quadro clínico de cistite, foram caracterizadas quanto à presença de fatores
de virulência associados à formação de biofilme e ao agrupamento filogenético. Os resultados da reação em cadeia da polimerase demonstraram
que todas as amostras foram positivas para o gene fimH (fímbria do tipo1), 91 amostras foram positivas para o gene fliC (flagelina) 50 amostras
positivas para o gene papC (fímbria P), 44 amostras positivas para o gene kpsMTII (cápsula) e 36 amostras positivas para o gene flu (antígeno
43). Os resultados dos ensaios de quantificação da formação de biofilme demonstraram que 44 amostras formaram biofilme em microplacas de
poliestireno e 56 amostras apresentaram resultado ausente/fraco. Também confirmamos a incidência das amostras de Escherichia coli no grupo
filogenético B2 e D.
Palavras-chaves: Escherichia coli uropatogênica. Reação em cadeia da polimerase. Biofilme bacteriano.
ABSTRACT
Escherichia coli samples isolated from female patients with cystitis were characterized with regard to the presence of virulence factors associated
with biofilm formation and phylogenetic groupings. Polymerase chain reaction results demonstrated that all the samples were positive for the gene
fimH (type 1 fimbriae), 91 for fliC (flagellins), 50 for papC (P fimbriae), 44 for kpsMTII (capsules) and 36 for flu (antigen 43). The results from
assays to quantify the biofilm formation demonstrated that 44 samples produced biofilm on polystyrene microplates and 56 samples produced weak
or no biofilm. We also confirmed that Escherichia coli samples were present in phylogenetic groups B2 and D.
Key- words: Uropathogenic Escherichia coli. Polymerase chain reaction. Bacterial biofilm.
Escherichia coli uropatogênica (UPEC) é o principal agente
que ocasiona infecções no trato urinário (ITU), além de ser
uma das fontes mais comuns de bacteremia em indivíduos
hospitalizados17. Este agente é responsável por 80% das ITUs,
sendo que, 95% de todas estas infecções, desenvolvem-se em
uma rota ascendente12.
Dentre os principais fatores de virulência, presentes no
estabelecimento da infecção no trato urinário, estão as adesinas
(fímbria do tipo 1, fímbria P, fímbria S, adesinas Afa/Dr), que
promovem a colonização e formação de biofilme15.
1. Laboratório de Antígenos Bacterianos II, Departamento de Microbiologia e Imunologia,
Instituto de Biologia, Universidade Estadual de Campinas, Campinas. SP.
Apoio financeiro: Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo – FAPESP
(Processo 05/02473-4) e Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível
Superior - CAPES.
Endereço para correspondência: Dr. Domingos da Silva Leite. Laboratório
de Antígenos Bacterianos II, Depto de Microbiologia e Imunologia, IB/UNICAMP.
Cidade Universitária Zeferino Vaz, 13081-970 Campinas, SP.
Tel: 55 19 3521-6272.
e-mail:
Recebido em:5/09/2008
Aceito em 09/12/2008
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Escherichia coli uropatogênica também tem sido encontrada
formando biofilme bacteriano, que confere importantes vantagens
aos microrganismos como resistência à desidratação e oxidação
e maior tolerância a detergentes e antibióticos2 6.
Diversas linhagens de Escherichia coli patogênica ou
comensais são capazes de colonizar superfícies pela expressão de
estruturas de adesão como flagelo, pili conjugativo, polissacarídeos
extracelulares e curli, formando o biofilme bacteriano2.
Foi descrito o papel da adesina antígeno 43 (Ag43), atuando
na persistência da UPEC no trato urinário21. A expressão do Ag 43,
codificada pelo gene flu, resulta em auto-agregação das células,
promovendo a formação de biofilme bacteriano e a sobrevivência
e persistência da bactéria durante uma infecção prolongada9.
A expressão da fímbria do tipo 1 tem sido reportada por
ser esta uma importante estrutura para formação do biofilme,
devido sua adesão celular inicial23. Enquanto a adesão mediada
pela fímbria do tipo 1 é importante durante os estágios
iniciais de colonização, a motilidade e quimiotaxia do flagelo
bacteriano permitem que a UPEC se dissemine para novos sítios
do trato urinário, tanto para obter nutrientes quando estes se
tornam limitados, quanto para escapar da resposta imune do
hospedeiro10. Como as infecções do trato urinário ocorrem de
Tiba MR cols
maneira ascendente, tem-se sugerido que a motilidade mediada
pelo flagelo contribua para a virulência das bactérias, uma vez
que permite a disseminação bacteriana no trato urinário10.
Os polissacarídeos capsulares são produzidos por muitas
UPEC e estão associados à proteção contra a fagocitose, além de
contribuírem para a formação de biofilme na bexiga14. Porém,
estudos demonstram que a expressão da cápsula é reduzida
na formação do biofilme, por mascarar outras estruturas de
superfície18. Estudos epidemiológicos moleculares demonstraram
que amostras de Escherichia coli podem ser divididas em
quatro grupos filogenéticos designados A, B1, B2 e D3. Amostras
que causam infecções extra-intestinais, como ITU, meningite
e septicemia, têm sido classificadas no grupo B2, ou, menos
frequentemente, no grupo D24. Amostras dos grupos B2 e D são
conhecidas por possuírem mais fatores de virulência do que as
amostras pertencentes aos grupos A e B116.
O objetivo deste trabalho foi caracterizar genotipicamente
100 amostras de Escherichia coli uropatogênicas, quanto aos
fatores de virulência associados à formação de biofilme, bem
como demonstrar em ensaios fenotípicos a formação de biofilme
e motilidade. Além disso, foi realizado o estudo do agrupamento
filogenético das cepas de Escherichia coli uropatogênicas.
MATERIAL E MÉTODOS
Amostras bacterianas. Foram utilizadas 100 amostras
de Escherichia coli, coletadas na década de 1990, e isoladas
de pacientes do sexo feminino, atendidas nos ambulatórios do
Hospital das Clínicas da Universidade de Campinas (UNICAMP),
Campinas, São Paulo, apresentando quadro clínico de cistite. Foram
excluídas as pacientes, que no momento da coleta, apresentassem
febre, e/ou mal estado geral que pudesse caracterizar suspeita
clínica de pielonefrite aguda ou qualquer quadro infeccioso.
Pacientes com anomalias do trato urinário, ou qualquer doença
de base também foram excluídos. O diagnóstico de cistite foi
baseado pelos sintomas clínicos típicos como ardor à micção,
polaquiúria, urgência urinária e/ou perda urinária de esforço e
urocultura com contagem de colônias superior a 105UFC/ml, com
crescimento de um único tipo de microrganismo.
Estas amostras são pertencentes à Bac (...truncated)