Linear Voltammetry Assessment to Quantitative Determination of the Sigma Phase in Duplex Stainless Steel UNS S31803
Soldagem & Inspeção. 2015;20(3):333-346
http://dx.doi.org/10.1590/0104-9224/SI2004.03
Artigos Técnicos
Avaliação da Técnica de Voltametria Linear para Determinação Quantitativa de
Fase Sigma no Aço Inoxidável Duplex UNS S31803
Hudison Loch Haskel1, Luciana Schimidlin Sanches2, Paulo Roberto Stocco Zempulski2, Haroldo de Araújo Ponte3
Programa de Pós-Graduação em Engenharia e Ciência dos Materiais - PIPE, Universidade Federal do Paraná - UFPR, Curitiba,
PR, Brasil.
2
Programa de Pós-Graduação em Engenharia Mecânica - PG-Mec, Universidade Federal do Paraná - UFPR, Curitiba, PR, Brasil.
3
Departamento de Engenharia Química, Universidade Federal do Paraná - UFPR, Curitiba, PR, Brasil.
1
Recebido: 27 Jun., 2015
Aceito: 23 Set., 2015
E-mail:
(HLH)
Resumo: A precipitação de fases intermetálicas nos aços inoxidáveis duplex constitui um problema
no que diz respeito à utilização destes materiais em determinadas faixas de temperatura, desta
forma, fazem-se necessários métodos de quantificar, de forma não destrutiva, a presença
de alterações microestruturais decorrentes de aporte térmico. Neste trabalho, ensaios
eletroquímicos de voltametria linear, de tração e de microdureza Vickers foram realizados
no aço inoxidável duplex UNS S31803 para avaliação da presença da fase intermetálica sigma
na microestrutura do material. Amostras deste aço foram envelhecidas isotermicamente a
870 °C, em tempos de até 3600 segundos para induzir a precipitação de diferentes teores
desta fase. Os ensaios de voltametria linear foram conduzidos em solução eletrolítica de 5%
KOH, em uma célula eletroquímica de 3,3.10 –6 m2 de área, com eletrodo de referência do
tipo Calomelano Saturado e eletrodo auxiliar de fio de platina. Os resultados desta técnica
apresentaram sensibilidade para detectar teores de fase sigma maior que 1% no material
viabilizando sua aplicação como um Ensaio Não Destrutivo (END).
Palavras-chaves: Aço duplex; Fases deletérias; Fase sigma; Voltametria linear.
Linear Voltammetry Assessment to Quantitative Determination of the
Sigma Phase in Duplex Stainless Steel UNS S31803
Abstract: Precipitation of intermetallic phases in duplex stainless steels constitute a problem
regarding the use of such materials in certain temperature ranges, in this way, are necessary
methods to quantify, non-destructively, the presence of microstructural changes due to
thermal contribution. In this work, electrochemical tests of linear voltammetry, tensile
and Vickers hardness were performed in duplex stainless steel UNS S31803 for evaluation
of the intermetallic sigma phase presence in the microstructure of the material. Samples
of this steel were isothermally aged at 870 °C for times up to 3600 seconds to induce the
precipitation of different grades of this phase. Linear voltametry tests were conducted in 5%
KOH electrolyte solution in an electrochemical cell 3.3.10 -6 m2, with a reference electrode
of the type Saturated Calomel and auxiliary electrode of platinum wire. The results of this
technique showed sensitivity to detect sigma phase content greater than 1% in the material
enabling its application as a Non-Destructive Testing (NDT).
Key-words: Duplex steel; Deleterious phases; Sigma phase; Linear voltammetry.
1. Introdução
Os aços inoxidáveis duplex foram estudados extensivamente ao longo dos anos
por apresentarem boas características em relação à resistência mecânica e a corrosão.
Estas características se devem a sua microestrutura balanceada de ferrita e austenita, onde
a resistência mecânica se deve a boa correlação das propriedades individuais destas fases,
e a resistência à corrosão ao cromo em sua estrutura, formando um filme passivador [1].
Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access)
sob a licença Creative Commons Attribution Non-Commercial,
que permite uso, distribuição e reprodução em qualquer meio,
sem restrições desde que sem fins comerciais e que o trabalho
original seja corretamente citado.
No entanto, componentes fabricados a partir deste material que operem em
determinadas faixas de temperatura ou que sejam submetidos a algum gradiente
térmico durante a fabricação, tal como ocorre na conformação a quente ou durante o
processo de soldagem, podem sofrer alterações metalúrgicas em sua microestrutura e,
consequentemente, perda das propriedades originais [2-4]. Estas alterações metalúrgicas
dizem respeito à precipitação de fases intermetálicas, como a fase sigma, que se presente,
mesmo em pequenas quantidades, leva a efeitos deletérios em relação às propriedades
Haskel et al.
mecânicas e de resistência à corrosão. Existem duas faixas de temperaturas que podem levar a precipitações nos
aços inoxidáveis duplex, sendo elas a temperatura de 475 °C que é responsável pela precipitação da fase alfa linha
(α’) e a faixa de temperatura entre 600 e 900 °C na qual precipitam fases tais como a sigma (σ), chi (ϗ), austenita
secundária (γ2), carbetos tais como o M7C3 e o M23C6 e o nitreto Cr2N [5-8].
A presença de fases secundárias pode ser detectada por ensaios mecânicos, no entanto estes são destrutivos
e logo não são indicados para monitorar a presença de fases intermetálicas durante a operação ou em processos
que envolvam soldagem, como por exemplo, no processo de união de tubos para dutos [9]. Desta forma, estudos
apontam para a necessidade da criação de um Ensaio Não Destrutivo (END) que possa ser utilizado para quantificar,
preferencialmente em campo, a presença de fase sigma em aços duplex [10-15].
Entre estas propostas, a detecção magnética, também conhecida como ferritoscopia apresenta a possibilidade
de detectar esta fase de modo não destrutivo. No entanto esta técnica apresenta algumas limitações no que diz
respeito à capacidade de diferenciar as fases geradas durante a exposição do material em determinadas faixas de
temperatura [16,17]. Tal falta de sensibilidade na obtenção dos resultados se deve ao fato da ferritoscopia se basear na
indução magnética, onde um campo magnético gerado por uma bobina interage com as fases magnéticas da amostra
e as mudanças no campo magnético induzem uma voltagem proporcional ao conteúdo da fase ferromagnética [17].
Esta voltagem fornece então o sinal que é avaliado para quantificar a quantidade de fase ferromagnética. A fase σ
é paramagnética, logo sua precipitação deverá causar uma queda no sinal obtido [17]. No entanto, os problemas
relacionados à sensibilidade dos resultados advêm do fato que o decréscimo do sinal obtido não se deve apenas
à precipitação de fase σ, mas também a outros microconstituintes paramagnéticos, tais como nitretos e carbetos
de cromo e principalmente de austenita secundária [16]. Além disso, outro fator limitante se dá pelo fato de que
para longos períodos de exposição em temperaturas elevadas, a fase sigma também pode precipitar da fase
austenita (não magnética), não sendo detectada pelo método [18]. Ademais, propriedades magnéticas utilizadas
para avaliação, tal como a permeabilidade magnética, também são s (...truncated)