Oral delivery systems for peptides and proteins: III. Application to insulin

Revista Brasileira de Ciências Farmacêuticas, Jan 2003

Insulin is an important therapeutic protein, generally administered subcutaneously due to the obstacles of oral delivery. A number of different methods have been explored to improve the low oral bioavailability of insulin, particularly in the last decade, namely protease inhibitors, absorption enhancers, chemical modification and the formulation approach which includes particulate systems, emulsions, targeting delivery systems and bioadhesive systems. Although an effective formulation for oral insulin delivery remains to be achieved, the results are encouraging. Microencapsulation has proven to be a promising method of choice, especially when using natural polymers.Keywords : Absorption enhancer; Microencapsulation; Natural polymers; Oral insulin; Protease inhibitors.

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Oral delivery systems for peptides and proteins: III. Application to insulin

Revista Brasileira de Ciências Farmacêuticas Brazilian Journal of Pharmaceutical Sciences vol. 39, n. 1, jan./mar., 2003 Administração oral de peptídios e proteínas: III. Aplicação à insulina Catarina Silva1, António Ribeiro2, Domingos Ferreira3 e Francisco Veiga1* Laboratório de Tecnologia Farmacêutica, Faculdade de Farmácia, Universidade de Coimbra, Coimbra, Portugal, 2 Laboratório de Tecnologia Farmacêutica, Instituto Superior da Ciências da Saúde do Norte, Gandra, Paredes, Portugal, 3Laboratório de Tecnologia Farmacêutica, Faculdade de Farmácia, Universidade do Porto, Porto, Portugal 1 * Correspondência: F. Veiga Faculdade de Farmácia Universidade de Coimbra 3000 Coimbra Portugal A insulina é um peptídeo biologicamente ativo, normalmente administrado por via subcutânea, pelos obstáculos que se colocam a sua administração oral. O desenvolvimento de uma forma farmacêutica passível de ser administrada oralmente tem sido razão de uma investigação persistente, acentuada na última década, conforme é descrito. As estratégias utilizadas têm sido muito variadas, a saber, a utilização de inibidores das enzimas proteolíticas, promotores da absorção, modificação química e fórmulas farmacêuticas específicas, como sistemas de partículas, emulsões, sistemas de liberação targeting e sistemas bioadesivos. Embora ainda nenhuma abordagem tenha sido suficientemente eficaz, os resultados são encorajadores. A microencapsulação e, em particular, os métodos que utilizam polímeros naturais, mostram-se promissores neste propósito, pelas características vantajosas que apresentam. Unitermos: • Inibidores das proteases • Insulina oral • Microencapsulação • Polímeros naturais • Promotores da absorção E-mail: INTRODUÇÃO A insulina é um hormônio anabólico secretado pelas células β das ilhotas de Langerhans do pâncreas. Quando a produção de insulina é inadequada ocorre o diabetes mellitus, cujo tratamento com insulina tem como objetivo obter níveis plasmáticos idênticos aos da secreção fisiológica bimodal em indivíduos não diabéticos. A terapêutica normal consiste na administração parenteral de insulina, em especial pela via subcutânea (s.c.). A duração de ação normal é curta, ou seja, 4-8 horas, o que exige 2-4 injeções diárias para um controle apropriado da doença (Chien, 1996; Trehan, Ali, 1998). Embora o prolongamento da atividade insulínica tenha sido alcançado pela investigação tecnológica, a administração crônica por via subcutânea conduz a efeitos secundários de lipoatrofia e lipoipertrofia nos locais de injeção, agravados pelo desconforto causado aos doentes (Chien, 1996; Ramkissoon- Ganorkar et al., 1999). Por outro lado, em termos fisiológicos, a insulina é secretada para a veia pancreática para ser primeiramente transportada para o fígado, onde cerca de metade das moléculas são degradadas e removidas da circulação hepática (Ramkissoon-Ganorkar et al., 1999). Quando a insulina é administrada para a circulação geral, todos os tecidos são expostos a uma concentração igual de insulina, o que implica que o fígado receba apenas uma fração da dose injetada e que os músculos e adipócitos respondam à dose injetada sem que a insulina presente na circulação tenha sido monitorada pelo fígado. A exposição excessiva dos vasos e músculos lisos à insulina (hiperinsulinemia periférica) pode causar superestimulação indesejável das respostas metabólicas, associada às complicações do diabetes (Saffran et al., 1997). Deste modo, para responder aos anseios dos doentes diabéticos e para proporcionar insulina ao fígado por uma via mais fisiológica, tem-se procurado desenvolver um sistema de 22 liberação recorrendo a outras vias de administração (Trehan, Ali, 1998). A obtenção de uma forma farmacêutica oral de insulina com biodisponibilidade adequada (10-20%) seria uma grande contribuição para o tratamento do diabetes e mesmo que não substituísse a terapia parenteral poderia complementá-la (Schilling, Mitra, 1990). Na primeira e segunda partes desta revisão (Silva et al., 2002a; Silva et al., 2002b) foram descritos aspectos associados à administração oral de fármacos peptídicos, em especial, as estratégias possíveis a adotar para alcançar esse fim, com um particular destaque para a microencapsulação. Nesta terceira parte, estes aspectos serão aplicados na administração da insulina por via oral. C. Silva, A. Ribeiro, D. Ferreira, F. Veiga riores a 0,1 mM, a insulina dimeriza. Em soluções neutras ou ligeiramente ácidas (pH 4-8), na presença de íons zinco e para concentrações superiores a 10 mM, ocorre a associação de 3 dímeros para formar um hexâmero de forma esférica ligeiramente achatada e com diâmetro hidrodinâmico de ~5,6 nm, em comparação com o diâmetro de ~2,6 nm do monômero (Figura 1). Para concentrações superiores a 2 mM, o hexâmero forma-se em pH neutro mesmo na ausência íons de zinco (Chien, 1996). PROPRIEDADES FÍSICO-QUÍMICAS DA INSULINA A insulina é uma proteína formada por duas cadeias de aminoácidos (a.a.), A e B, que contêm 21 e 30 a.a., respectivamente, interligadas por duas pontes de dissulfeto. A massa molecular (MM) é de ~6 KDa. A composição em a.a. é variável para diferentes animais, mas em cada cadeia 10 resíduos são comuns. Na cadeia A existe uma ponte de dissulfeto intra-cadeia (A6-A11). Alguns a.a. da molécula não são essenciais à atividade biológica da insulina, como os resíduos em B30 ou A21. O octapeptídeo terminal da cadeia B (B 23 -B 30) é importante na ação hipoglicêmica, visto que a separação deste segmento conduz à perda de 85% da atividade biológica (Chien, 1996). Os resíduos invariáveis das cadeias A e B são responsáveis pela integridade estrutural da molécula de insulina e ajudam a definir a conformação da mesma (através das pontes de dissulfeto inter- e intracadeias entre os resíduos de cisteína). Os resíduos variáveis interagem no enrolamento da molécula para formar uma estrutura tridimensional. Apesar das diferenças na composição da estrutura primária o enrolamento e o empacotamento das cadeias A e B numa conformação tridimensional são, essencialmente, os mesmos para todas as moléculas de insulina. A estrutura tridimensional da insulina é determinada primariamente pelas pontes de dissulfeto e depende muito de forças de Van der Waals. A conformação estrutural da insulina é essencial para a sua atividade hipoglicemiante (Chien, 1996). A molécula de insulina existe como um monômero apenas em baixas concentrações (<0,1 mM ou ~0,6 mg/mL). Em condições fisiológicas, a insulina é normalmente mantida a concentração inferior a 10-3 mM, para assegurar sua circulação, e exerce sua atividade biológica como molécula monomérica. Para concentrações supe- FIGURA 1 - Tamanhos relativos do monômero, dímero e hexâmero da insulina humana (Adaptado de Chien, 1996) OBSTÁCULOS À ADMINISTRAÇÃO ORAL DE INSULINA Degradação enzimática pré-sistêmica A tripsina e a α-quimotripsina, as principais enzimas proteolíticas secretadas pelo pâncreas para o lúme intestinal, clivam a molécula da (...truncated)


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Catarina Silva, António Ribeiro, Domingos Ferreira, Francisco Veiga. Oral delivery systems for peptides and proteins: III. Application to insulin, Revista Brasileira de Ciências Farmacêuticas, 2003, pp. 21-40, Volume 39, Issue 1, DOI: 10.1590/S1516-93322003000100003