Garlic vernalization for in vitro cultivation
YURI, J.E.; MOTA, J.H.; SOUZA, J.R.; RESENDE, G.M.; PASQUAL, M. Vernalização do alho para o cultivo in vitro. Horticultura Brasileira, Brasília,
v.22, n.3, p. 585-588, jul-set 2004.
Vernalização do alho para cultivo in vitro
Jony E. Yuri1; José H. Mota1; Rovilson J. de Souza1; Geraldo M. de Resende2; Moacir Pasqual1
1
UFLA, Depto. Agricultura, C. Postal 37, Lavras-MG; 2Embrapa Semi-Árido, C. Postal 23, 56300-970 Petrolina-PE; E-mail:
ABSTRACT
RESUMO
Garlic vernalization for in vitro cultivation
Com o objetivo de avaliar o período de vernalização sobre a
incidência do índice de pseudoperfilhamento em plantas de alho
(Allium sativum L.) cultivadas in vitro, visando maior multiplicação, foi conduzido este experimento em laboratório da UFLA (MG).
Utilizou-se o delineamento inteiramente casualizado com seis períodos de vernalização (40; 50; 60; 70; 80 e 90 dias) em câmara
frigorífica a 5±2ºC, com quatro repetições, utilizando-se a cultivar
Roxo Pérola de Caçador. O tratamento com 90 dias de vernalização
foi o que apresentou os melhores resultados para as variáveis bulbo/
meristema/tubo, massa fresca total das plantas e dos bulbos com
1,81 bulbo/meristema/tubo, 235,32 mg plantas-1 e 110,51 mg bulbo-1,
respectivamente. A massa fresca media por bulbo obtida não evidenciou diferenças significativas entre os tratamentos, no entanto, o
tratamento com 90 dias de vernalização (58,68 mg bulbo-1) apresentou-se com uma produção de bulbos 79,29% superior ao tratamento
com 60 dias de vernalização, que demonstrou o pior resultado.
The vernalization time to obtain secondary growth of garlic plants
(Allium sativum L.) was evaluated, through in vitro tissue culture
technique at the Universidade Federal de Lavras, Minas Gerais State,
Brazil. The experimental design was completely randomized with
six vernalization periods (40; 50; 60; 70; 80 and 90 days) in
refrigerator chamber at 5±2ºC, with four replicates. The cultivar Roxo
Pérola de Caçador was used in the experiment. The treatment
evaluating 90 days of vernalization presented the best results for the
ratio bulbs/meristem/tube, plant total fresh matter and bulbs with
1,81 bulbs/meristem/tube, 235.32 mg plant-1 and 110.51 mg bulb-1,
respectively. No significant differences among treatments were
observed for average fresh matter per bulb. However, 90 days of
vernalization with 58.68 mg bulb-1 was 79.29% superior to 60 days
of vernalization, presenting the worst result.
Palavras-chave: Allium sativum, cultura de tecidos, bulbos, índice
de multiplicação.
Keywords: Allium sativum, tissue culture, fresh matter of bulb,
multiplication index.
(Recebido para publicação em 23 de junho de 2003 e aceito em 16 de abril de 2004)
A
produção brasileira de alho para a
safra 2002/2003 foi de 120 mil
toneladas, entre alho comum e nobre, perfazendo cerca de 64% do total da demanda. Dessa forma, o Brasil importou cerca de 68.000 toneladas de alho do tipo 5,
ou de qualidade superior, para o seu abastecimento interno (Carvalho, 2002).
Entre as cultivares utilizadas no Brasil destaca-se a Roxo Pérola de Caçador que apresenta características
organolépticas muito apreciadas pelos
consumidores brasileiros e com
potencialidades de concorrer com os
alhos importados. Segundo Biasi e
Mueller (1989), esta cultivar apresenta
bulbos arroxeados, com túnicas branco
perola, bulbilhos arroxeados em número de 5 a 15, com predisposição ao
pseudoperfilhamento em campo, com
produtividade variando de 10 a 14 t ha-1
A propagação da cultura do alho no
campo é feita somente por meio de
bulbilhos. Cultivado geração após geração, ocorre gradativamente um
acúmulo de viroses com efeitos diretos
na redução da produtividade. Segundo
Hortic. bras., v. 22, n. 3, jul.-set. 2004
Silva et al. (2000) as viroses não chegam a causar a morte das plantas de alho,
porém sua importância foi subestimada
durante muito tempo e só recentemente
essas doenças passaram a receber maior
atenção dos pesquisadores.
As técnicas de cultura de tecidos têm
sido empregadas na obtenção de plantas de alho livres de vírus. Dentre elas,
a cultura de ápices caulinares é considerada um instrumento valioso na obtenção de plantas livres de vírus e de
outros patógenos, na propagação clonal
rápida e no desenvolvimento de cultivares melhoradas (tolerância a doenças,
a herbicidas, à salinidade e à seca entre
outros). Sendo que esta técnica possibilita a preservação de germoplasma e um
melhor entendimento dos princípios
básicos relacionados com fisiologia,
bioquímica e no desenvolvimento das
plantas (Vaz, 1986). A associação da
cultura de tecidos com a termoterapia
tem colaborado para o aumento da porcentagem na obtenção de plantas livres
de doenças (Conci e Nome, 1991;
Robert et al., 1998). Torres et al. (2000)
obtiveram, com a cv. Amarante, 54% de
plantas livres de vírus associando cultura de tecidos a termoterapia a seco,
com a exposição dos bulbilhos à temperatura de 37ºC durante 35 dias.
Dentre as anormalidades fisiológicas que ocorrem no alho, o
perfilhamento ou pseudoperfilhamento
é considerado uma característica comercialmente indesejável, depreciando o
produto e reduzindo a produtividade
(Burba, 1983). Diversos fatores têm sido
relacionados com a ocorrência de
pseudoperfilhamento, dentre eles o
fotoperíodo e temperatura (Silva, 1982;
Carmo et al., 1985), o excesso de água
próxima à colheita e o excesso de adubação nitrogenada também contribui
para esta anormalidade.
Porém a limpeza clonal, via cultura
de ápices caulinares, é dificultada pela
reduzida taxa de multiplicação e conseqüentemente pouco material para produção comercial. Além disso o material
proveniente da limpeza clonal é, rapidamente sujeito à infecção dos bulbos.
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J. E. Yuri et al.
Figura 1. Número de bulbos por ameristema em função do período de vernalização. Lavras,
UFLA, 2002.
Uma possível alternativa para promover maior rendimento na multiplicação in vitro estaria na utilização de baixas temperaturas (vernalização) dos
bulbos em câmara frigorífica para posterior retirada dos ápice caulinares para
cultivo in vitro.
Braz et al. (1997), observaram que
o cultivo a campo do alho vernalizando
a 4ºC, resultou nos melhores resultados
para a cv. Quitéria, quando vernalizado
por 30 e 40 dias.
Utilizando uma cultivar local denominada Howaito Roppen (tardia) com
bulbos armazenados durante quatro
meses a uma temperatura mínima de
20°C e posteriormente vernalizados por
30 ou 60 dias a 5°C, Ferreira et al.
(1991), observaram que a vernalização
(0 a 39 dias a 4±1ºC) das cultivares
Quitéria e Chonan foi imprescindível
para o aumento da produção de bulbos
e redução da percentagem de charutos
(plantas improdutivas).
Kimoto et al. (1996), vernalizando
a cultivar Roxa Pérola de Caçador por
45 dias a 4ºC, verificaram produtividade total de 2944 kg/ha e somente 16,6%
de pseudoperfilhamento, que é um índice baixo, pois esta anomalia pode chegar a 100% da produção.
O presente trabalho teve como objetivo avaliar o período de vernalização
sobre a incidência (...truncated)