Large Tourism Projects in the Brazilian Savanna: The Disney Model in the Río Quente Resorts
Grandes projetos turísticos na savana brasileira:
O Modelo Disney no Rio Quente Resorts
Grandes proyectos turísticos en la sabana brasileña:
el modelo Disney en el Río Quente Resorts
Large Tourism Projects in the Brazilian Savanna:
The Disney Model in the Río Quente Resorts
Ycarim Melgaço Barbosa*
Pontifícia Universidade Católica de Goiás, Brasil
Humberto Miranda do Nascimento**
Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Brasil
Resumo
Resumen
Abstract
O presente artigo analisa a implantação
de um Grande Projeto Turístico na
Savana brasileira, o Rio Quente Resorts,
baseado nas estratégias do Modelo
Disney. Nesse sentido, o artigo discorre
sobre a Disneyficação, ressaltando a
tematização, a teatralização no mundo
dos negócios o consumo coletivo e os
não lugares. O Rio Quente Resorts
introduz o que há de mais sofisticado em
equipamentos de lazer e entretenimento
numa região onde se encontra o mais
importante manancial hidrotermal
do país, mas relega a sustentabilidade
ambiental. Assim, toda essa
megaestrutura poderá acarretar danos
irreversíveis ao ecossistema.
Este artículo analiza la implantación de
un gran proyecto turístico en la sabana
brasileña, el Río Quente Resorts, basado
en las estrategias del Modelo Disney. En
ese sentido, el artículo narra acerca de la
Disneyficación, resaltando la temática,
la teatralización en el mundo de los
negocios, el consumo colectivo y los nolugares. El Río Quente Resorts introduce
los más sofisticados equipos de diversión
y entretenimiento en una región donde
se encuentra el manantial hidrotermal
más importante del país, pero desprecia
la sostenibilidad ambiental. Así, toda esa
mega-estructura podrá acarrear daños
irreversibles al ecosistema.
This article analyzes the implementation
of Río Quente Resorts, a large tourism
project in the Brazilian savanna,
conceived along the lines of the Disney
model. It discusses the phenomenon
of Disneyfication, emphasizing the
theatralization of the business world,
collective consumption, and non-places.
Río Quente Resorts introduces the most
sophisticated leisure and entertainment
equipment into the region where the
country’s most important hot water
springs are located, but it neglects
environmental sustainability. Thus, this
mega-structure could cause irreversible
damage to the ecosystem.
Palavras-chave: modelo Disney, Rio
Quente Resorts, savana brasileira,
turismo.
Palabras clave: modelo Disney, Río
Quente Resorts, sabana brasileña,
turismo.
Keywords: Disney model, Río Quente
Resorts, Brazilian savanna, tourism.
Recibido: 16 de mayo del 2011. Aceptado: 29 de agosto del 2011.
Artículo de investigación sobre el proyecto turístico Rio Quente Resorts, Modelo Disney en la sabana brasilera.
*
Endereço postal: Rua 142, N. 179. Setor Marista. Goiânia - Go. 74170-00, Brasil.
Correio eletrônico:
** Endereço postal: Instituto de Economía / UNICAMP, Centro de Estudos de Desenvolvimento Econômico – CEDE. Cidade Universitária
“Prof. Zeferino Vaz”. Rua Pitágoras, 353 CEP 13083 857, Caixa Postal 6135.
Correio eletrônico:
CUADERNOS DE GEOGRAFÍA | REVISTA COLOMBIANA DE GEOGRAFÍA | Vol. 20, n.º 2, julio-diciembre del 2011 | ISSN: 0121-215X | BOGOTÁ, COLOMBIA | PP. 51-59
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Ycarim Melgaço Barbosa y Humberto Miranda do Nascimento
Introdução
Este artigo discorre sobre a implantação de um grande projeto turístico, localizado num manancial de
águas quentes, com várias nascentes
que formam o ribeirão hidrotermal
denominado Rio Quente Resorts.
Considerado o maior do país, esse
complexo de lazer marca o triunfo
da tecnologia do entretenimento e a
globalização do turismo temático na
região de Cerrado, bioma predominante no estado de Goiás, localizado
a 290 quilômetros da Capital Federal, Brasília, (figura 1).
Esse grande projeto turístico espelhou-se na maior empresa de parques temáticos do mundo, a Disney
World Company. Foi o início da interiorização dessa modalidade de
entretenimento, já instalada em
diversos locais do mundo, com alto
aporte tecnológico. Nesse sentido,
destacamos o depoimento de Francisco Costa Neto, presidente do Rio
Quente Resorts, em declaração ao
Jornal O Estado de São Paulo (Oscar 2010): “Queremos ser a Disney
brasileira”. Mas o que é o Modelo
Disney?
O Modelo Disney
Disney é conhecida pelos parques
temáticos, histórias em quadrinhos
e filmes. Mas, por trás de histórias
ingênuas de contos de fadas e de um
famoso rato de orelhas grandes, esconde-se um mega empreendimento na área de entretenimento sob as
égides do capital monopolista.
O Modelo Disney surgiu a partir
do primeiro parque temático, a Disneylândia, inaugurada na Califórnia, em 1955, e serviu de laboratório
para a Walt Disney Company adquirir experiência nesse tipo de atividade. Atualmente o Modelo Disney
BRASIL
Rio Quente Resorts
Océano Atlántico
Figura 1. Mapa de localização do resort.
Fonte: adaptado pelo autor.
consiste na incorporação de procedimentos adotados pela Disney
World Company em seus parques
temáticos, os quais podem ser inseridos na modalidade de grandes
projetos turísticos, com a tematização e a incorporação de tecnologia
avançada em equipamentos de lazer e entretenimento.
Apesar de a Disneylândia ter
representado uma significativa extensão (tanto em termos criativos
quanto financeiros) para o que era
na época, uma empresa de puro
entretenimento, ela comprovou
seu sucesso no âmbito de execução
como empresa. Bebendo diretamente da tradição, Walt Disney criou a
Disneylândia para ser um desenho
animado tridimensional no qual o
público ficava imerso. Ele não aceitou delegar a terceirização da administração do local a outras empresas,
quando seus executivos informaram que seu staff não tinha experiência na operação de um parque de
diversões. Disney lhes disse: “Este
não é um parque de diversões”, mas
sim um parque temático (Gilmore e
UNIVERSIDAD NACIONAL DE COLOMBIA | FACULTAD DE CIENCIAS HUMANAS | DEPARTAMENTO DE GEOGRAFÍA
Pine II 2008, 245). Nesse contexto,
cabe uma referência a Koenig:
Não chame a Disneylândia de
um parque de diversão. Disneylândia é um parque temático e para os
puristas há um mundo de diferença.
Parque de diversão é uma coleção
desorganizada de atrativos. Mas um
parque temático, especialmente a
Disneylândia, é um show, mais parecido a um filme ou a um jogo do
que a um parque de diversão. Cada
imagem é manipulada, cada área,
ou “terra”, é organizada numa sequência lógica de eventos ou cenas
para atrair através de uma história
a atenção das pessoas [...]. (1999, 17)
A Disneylândia usa a terminologia do show business. A multidão é
o auditório, constituída não de consumidores, mas de convidados.
Uma das primeiras experiências na Disneylândia ocorreu com a
aquisição de uma área para erguer
o primeiro parque temático. O local
onde foi construída a Disneylândia
era insuficiente para uma futura
ampliação e para a instalação de no-
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vos atrativos, portanto, diante das
limitações de área, percebeu- (...truncated)