Annonaceae in Serra Negra, Minas Gerais, Brazil

Rodriguésia, Jan 2012

The taxonomic study of Annonaceae in Serra Negra is presented, which covers the municipalities of Rio Preto, Olaria, Santa Bárbara do Monte Verde and Lima Duarte in Minas Gerais state. Seven species belonging to three genera has been registered: Annona dolabripetala, A. mucosa, A. sylvatica, Guatteria australis, G. pohliana G. sellowiana and Xylopia brasiliensis. A key for identification as well as descriptions, illustrations, and comments about of the species taxonomy, ecology and geographic distribution are presented.

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Annonaceae in Serra Negra, Minas Gerais, Brazil

Rodriguésia 63(4): 785-793. 2012 http://rodriguesia.jbrj.gov.br Annonaceae na Serra Negra, Minas Gerais, Brasil1 Annonaceae in Serra Negra, Minas Gerais, Brazil Saulo Moreira Dutra2, Fátima Regina Gonçalves Salimena2,4 & Luiz Menini Neto3 Resumo Apresenta-se o estudo taxonômico de Annonaceae na Serra Negra, a qual abrange os municípios de Rio Preto, Olaria, Santa Bárbara do Monte Verde e Lima Duarte no estado de Minas Gerais. Foram registradas sete espécies pertencentes a três gêneros: Annona dolabripetala, A. mucosa, A. sylvatica, Guatteria australis, G. pohliana, G. sellowiana e Xylopia brasiliensis. São apresentadas chave de identificação, descrições, ilustrações, comentários taxonômicos, ecológicos e de distribuição geográfica para as espécies. Palavras-chaves: Annona, Guatteria, Serra da Mantiqueira, Xylopia. Abstract The taxonomic study of Annonaceae in Serra Negra is presented, which covers the municipalities of Rio Preto, Olaria, Santa Bárbara do Monte Verde and Lima Duarte in Minas Gerais state. Seven species belonging to three genera has been registered: Annona dolabripetala, A. mucosa, A. sylvatica, Guatteria australis, G. pohliana G. sellowiana and Xylopia brasiliensis. A key for identification as well as descriptions, illustrations, and comments about of the species taxonomy, ecology and geographic distribution are presented. Key words: Annona, Guatteria, Serra da Mantiqueira, Xylopia. Introdução A Serra Negra é uma região montanhosa composta por um mosaico de campos rupestres e fisionomias florestais (Valente et al. 2011) e localiza-se no sul da Zona da Mata de Minas Gerais, integrando o Complexo da Mantiqueira, na região denominada Bom Jardim. Esta região foi considerada de alta prioridade para conservação da flora e teve indicação para investigação científica sob a forma de inventários, em virtude da alta diversidade e baixo conhecimento científico da área (Drummond et al. 2005). Tal diversidade vem sendo apresentada pelos estudos de Menini Neto et al. (2009), Abreu & Menini Neto (2010), Abreu et al. (2011), Feliciano & Salimena (2011) e Valente et al. (2011), além de um sítio na Internet (<http://www.ufjf.br/floraserranegra/>), baseados em levantamento florístico realizado na área entre os anos de 2003 e 2010. Annonaceae possui cerca de 112 gêneros e 2.440 espécies (Couvreur et al. 2011) com distribuição predominantemente pantropical, com alguns gêneros como Asimina Adans. e Deeringothamnus Small ocorrendo de forma restrita na América do Norte subtropical (Chatrou et al. 2004). No Brasil ocorrem 29 gêneros (sendo um endêmico) e cerca de 386 espécies (Maas et al. 2012), distribuídos predominantemente na Amazônia, e secundariamente na Floresta Atlântica (Lobão et al. 2005). Trabalhos sobre Annonaceae no estado de Minas Gerais são escassos, podendo ser citados Mello-Silva & Pirani (2003), Pontes & Mello-Silva (2005) e Lobão et al. (2006). Visando um maior conhecimento sobre a flora do estado de Minas Gerais, este estudo tem por objetivo contribuir para o levantamento florístico da Serra Negra, focando na família Annonaceae, pouco abordada em floras de Minas Gerais. São apresentadas descrições, chave de identificação, ilustrações e comentários taxonômicos, ecológicos e de distribuição geográfica das espécies registradas. Monografia de conclusão de curso de Ciências Biológicas do primeiro autor, Universidade Federal de Juiz de Fora, R. José Lourenço Kelmer s/n, Campus Universitário, 36036-900, Juiz de Fora, MG, Brasil. 2 Depto. Botânica, Inst. Ciências Biológicas, Campus Universitário, 36036-330, Juiz de Fora, MG, Brasil. 3 Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora, R. Luz Interior 345, Santa Luzia, 36030-776, Juiz de Fora, MG, Brasil. 4 Autor para correspondência: 1 Dutra, S.M., Salimena, F.R.G. & Menini Neto, L. 786 Material e Métodos Área de estudo A Serra Negra é uma região montanhosa localizada no Complexo da Mantiqueira, no sul da Zona da Mata de Minas Gerais, entre os municípios de Rio Preto, Lima Duarte, Santa Bárbara do Monte Verde e Olaria, na vertente sul da Serra da Mantiqueira (21º58’24”S e 43º53’15”W), em altitudes entre 900 e 1.698 m. A vegetação da Serra Negra é representada por um mosaico formado principalmente por remanescentes de Floresta Ombrófila Densa e campos rupestres. O clima é do tipo mesotérmico úmido (Cwb segundo a classificação de Köppen), apresentando invernos secos e frios e verões úmidos e amenos. A precipitação média anual entre os anos de 1964 e 2004 foi de 1.886 mm (Valente et al. 2011). Trabalho de campo e laboratório Um amplo estudo florístico da Serra Negra foi realizado entre os anos de 2003 e 2010, pelo Departamento de Botânica da Universidade Federal de Juiz de Fora. Os espécimes férteis foram coletados, prensados em campo e herborizados de acordo com a metodologia usual, sendo posteriormente depositados no Herbário CESJ (acrônimo segundo Thiers 2011). Os dados relevantes foram anotados em campo, como variação de coloração das estruturas e características do ambiente. O material examinado refere-se aos espécimes coletados na Serra Negra e, quando necessário, foram utilizados exemplares provenientes de outras localidades para complementação das descrições, referidos como material adicional examinado. A terminologia morfológica adotada segue Harris & Harris (2003). Resultados e Discussão Annonaceae está representada na Serra Negra por três gêneros e sete espécies, a seguir: Annona dolabripetala Raddi, A. mucosa Jacq., A. sylvatica A. St.-Hil., Guatteria australis A. St.-Hil., G. pohliana Schltdl., G. sellowiana Schltdl. e Xylopia brasiliensis Spreng. Esta riqueza de espécies está de acordo com o que foi observado em outras áreas com estudos disponíveis de Annonaceae no estado de Minas Gerais sejam elas campestres, como em Grão Mogol (Mello-Silva & Pirani 2003) e Serra da Canastra (Pontes & Mello-Silva 2005), em que quatro gêneros e oito espécies foram registradas, ou florestais, como na Reserva Biológica da Represa do Grama (Lobão et al. 2006), em que cinco gêneros (incluindo Rollinia, hoje considerado sinônimo de Annona (Rainer 2007)) e sete espécies foram registradas. Annonaceae Juss. Árvores, raramente arbustos, subarbustos ou lianas, com casca fibrosa; tricomas simples escamosos ou estrelados. Folhas simples, alternas, dísticas, sem estípula, margem inteira. Inflorescência cimosa, normalmente reduzida a uma única flor geralmente monoclina, axilar, infra-axilar, supra-axilar, opositifólia ou caulinar; brácteas geralmente presentes, caducas ou persistentes; perianto cíclico, comumente trímero; sépalas geralmente 3, livres ou conatas, valvares ou imbricadas; pétalas 6 na maioria dos gêneros, mas raramente 2, 3, 4, 8 ou 12, as externas geralmente mais desenvolvidas; estames em geral numerosos, pouco diferenciados em filete e antera, conectivo dilatado, estaminódios presentes em algumas espécies; carpelos 3 a muitos, livres ou soldados na base; óvulos 1 a muitos por carpelo. Fruto apocárpico, sincárp (...truncated)


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Saulo Moreira Dutra, Fátima Regina Gonçalves Salimena, Luiz Menini Neto. Annonaceae in Serra Negra, Minas Gerais, Brazil, Rodriguésia, 2012, pp. 785-793, Volume 63, Issue 4, DOI: 10.1590/S2175-78602012000400004