Desempenho agronômico e variabilidade genética em genótipos de couve
Desempenho agronômico e variabilidade
genética em genótipos de couve
Alcinei Mistico Azevedo(1), Valter Carvalho de Andrade Júnior(2), Carlos Enrrik Pedrosa(2),
José Sebastião Cunha Fernandes(2), Nermy Ribeiro Valadares(2),
Marcos Aurélio Miranda Ferreira(2) e Rafael Augusto do Valle Martins(2)
Universidade Federal de Viçosa, Avenida PH Rolfs, s/no, CEP 36570‑000 Viçosa, MG. E‑mail:
Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, Campus JK, Alto da Jacuba, Rodovia MGT‑367, Km 583, no 5.000,
CEP 39100‑000 Diamantina, MG. E‑mail: , , ,
, ,
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Resumo – O objetivo deste trabalho foi avaliar o desempenho agronômico de acessos de couve e estimar os
parâmetros genéticos e a correlação entre características de interesse para o melhoramento. O experimento foi
realizado em delineamento de blocos ao acaso, com 30 genótipos de couve, entre os quais, três cultivares comerciais,
de diferentes empresas. Foram utilizadas quatro repetições, com cinco indivíduos por parcela. Verificou-se
variabilidade genética entre os genótipos, com predominância dos efeitos genéticos sobre os ambientais, o que
indica a possibilidade de se obterem ganhos genéticos representativos com o melhoramento. As características
importantes para o melhoramento da espécie foram: comprimento e largura de folha, diâmetro de pecíolo, área
foliar, altura de planta, número de brotações e massa de folhas secas. Os genótipos comerciais apresentaram
menor área foliar, massa de matéria seca de folhas, altura de planta, comprimento e largura de folha, comprimento
de pecíolo, e número de brotações e de folhas comerciais.
Termos para indexação: Brassica oleracea var. acephala, correlação fenotípica, correlação genotípica,
herdabilidade, parâmetros genéticos.
Agronomic performance and genetic variability in kale genotypes
Abstract – The objective of this work was to evaluate the agronomic performance of kale genotypes and to estimate
the genetic parameters and the correlation between traits of interest for breeding. The experiment was carried out in a
randomized block design, with 30 kale genotypes, with three commercial cultivars, from three different companies.
It was used four replicates, with five individuals per plot. Variability was significant among genotypes, with
predominance of genetic effects over environmental ones, indicating the possibility of obtaining expressive genetic
gains in breeding. The most important traits for breeding purposes were: leaf length and width, stem diameter, leaf
area, plant height, number of shoots, and leaf dry weight. Commercial genotypes showed smaller leaf area, dry leaf
mass, plant height, leaf length and width, petiole length, and number of sprouts and commercial leaves.
Index terms: Brassica oleracea var. acephala, phenotypic correlation, genotypic correlation, heritability,
genetic parameters.
Introdução
A couve (Brassica oleracea var. acephala DC.) é
uma hortaliça arbustiva anual ou bienal, cujo consumo
no Brasil tem aumentado gradativamente (Novo et al.,
2010b). Além de apresentar potencial anticarcinogênico, pois suas folhas são ricas em glucosinolatos, a
couve possui elevado teor de flavonoides, vitaminas e
nutrientes minerais (Moreno et al., 2006).
A espécie B. oleracea (2n = 18) apresenta
autoincompatibilidade do tipo esporofítica, o que
contribui para o aumento na variabilidade genética.
Há várias pesquisas, em outros países, acerca da
variabilidade genética em couve, avaliada por
caracteres morfoagronômicos (Cartea et al., 2002;
Nath et al., 2003; Balkaya & Yanmaz, 2005; Vaishnava
et al., 2006; Khan et al., 2009; Khatun et al., 2010;
Belete et al., 2011; Yousuf et al., 2011) e moleculares
(Okumus & Balkaya, 2007; Koutita et al., 2008; Sjödin
et al., 2008; Christensen et al., 2011). Entretanto, no
Brasil, pesquisas nesta área são pouco frequentes, entre
as quais destacam-se as de Sawazaki et al. (1997), Novo
et al. (2010b) e Novo et al. (2010a), que caracterizaram
genótipos de couve com descritores agromorfológicos,
isoenzimáticos e RAPD. Portanto, são desejáveis mais
pesquisas de caracterização, com vistas à seleção de
genótipos superiores e de genitores para programas de
melhoramento.
Pesq. agropec. bras., Brasília, v.47, n.12, p.1751-1758, dez. 2012
1752
A.M. Azevedo et al.
Atualmente, o melhoramento genético de couve
tem procurado selecionar genótipos com menor
altura, menor número de brotações e maior número de
folhas, para facilitar os tratos culturais e aumentar o
rendimento por área.
Além da avaliação do desempenho agronômico
de possíveis genitores, alguns estudos preliminares
devem ser feitos para auxiliar na escolha de estratégias
de melhoramento mais adequadas para a cultura e
que permitam fazer inferências sobre a predição de
ganhos com a seleção (Cruz et al., 2004). Entre esses
estudos, destacam-se as estimativas de parâmetros
genéticos como: variância genotípica, coeficiente de
variação genética, herdabilidade e índice de variação,
que refletem a proporção da variação fenotípica
determinada pela variação genética ou genotípica para
determinado caráter. Além disso, é importante que se
determinem as correlações entre caracteres de interesse
para o melhoramento, causadas por pleiotropia ou
ligação entre os genes.
O objetivo deste trabalho foi avaliar o desempenho
agronômico de acessos de couve do banco de
germoplasma da Universidade Federal dos Vales
do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), e estimar os
parâmetros genéticos e a correlação entre características
de interesse para o melhoramento.
Material e Métodos
O experimento foi realizado no Setor de
Olericultura, no campus JK da UFVJM, Diamantina,
MG (18º12'01"S, 43º34'20"W, altitude de 1.387 m).
No período de condução do experimento, a temperatura
média foi de 18,3ºC, e a umidade relativa do ar de
80,3%, com pequenas oscilações.
Foram avaliadas três cultivares comerciais e vinte
e sete acessos de couve do banco de germoplasma
da UFVJM, em delineamento de blocos ao acaso,
com quatro repetições e cinco plantas por parcela.
Dos acessos, 19 vieram de coletas em propriedades
rurais na região de Diamantina, MG (UFVJM‑2,
UFVJM‑3, UFVJM‑4, UFVJM‑5, UFVJM‑7,
UFVJM‑8, UFVJM‑9, UFVJM‑10, UFVJM‑13,
UFVJM‑19, UFVJM‑21, UFVJM‑22, UFVJM‑24,
UFVJM‑26, UFVJM‑27, UFVJM‑30, UFVJM‑32,
UFVJM‑34 e UFVJM‑36), e oito acessos foram
doados pela Universidade Federal de Lavras (UFLA‑1,
UFLA‑3, UFLA‑6, UFLA‑8, UFLA‑5, UFLA‑10,
Pesq. agropec. bras., Brasília, v.47, n.12, p.1751-1758, dez. 2012
UFLA‑11 e UFLA‑12). As cultivares comerciais
avaliadas foram: couve‑manteiga 900 legítima pé
alto (Feltrin Sementes, Farroupilha, RS, Brasil);
couve‑manteiga Baby (Vidasul Sementes Ltda.,
Xanxerê, SC, Brasil); e couve‑de‑folha Manteiga
Geórgia (Horticeres Sementes Ltda., Indaiatuba, SP,
Brasil).
O experimento foi instalado em 28/07/2011. Para a
formação das mudas pelo sistema de estaquia verde,
coletaram-se brotações laterais do terço basal das
plantas matrizes, com três a quatro centímetros de altura
e dois folíolos. Os brotos (...truncated)