Genetic divergence and importance of morphological characters in genotypes of kale
AZEVEDO AM; ANDRADE JÚNIOR VC; FERNANDES JSC; PEDROSA CE; VALADARES NR; FERREIRA MAM; MARTINS RAV. 2014. Divergência
genética e importância de caracteres morfológicos em genótipos de couve. Horticultura Brasileira 32: 48-54.
Divergência genética e importância de caracteres morfológicos em
genótipos de couve
Alcinei M Azevedo1 ; Valter C Andrade Júnior2; José SC Fernandes2; Carlos E Pedrosa2; Nermy R
Valadares2; Marcos AM Ferreira2; Rafael AV Martins2
UFV, Depto. Fitotecnia, 36570‑000 Viçosa-MG; ; 2UFVJM, Campus JK, Alto da Jacuba, Rod. MG 367
km 583, nº 5000, 39100-000 Diamantina-MG; ; ; ;
;
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RESUMO
ABSTRACT
A caracterização morfológica de genótipos de couve é necessária
bem como as estimativas da divergência genética entre os mesmos.
O presente trabalho teve como objetivos estudar os caracteres morfológicos dos genótipos de couve oriundos do banco de germoplasma
da UFVJM, a divergência genética existente entre os genótipos e
a importância destes caracteres nas estimativas da divergência. O
experimento foi conduzido no Setor de Olericultura da UFVJM,
Diamantina-MG, utilizando-se o delineamento experimental em blocos casualizados com trinta genótipos e quatro repetições, constituídas
por cinco plantas. Para a caracterização morfológica avaliaram-se
em cada planta quarenta e quatro características. Verificou-se que
há genótipos com grande divergência genética entre si, sendo os
genótipos UFLA-6 e UFVJM-24 os mais divergentes em relação
aos demais, contudo, a maioria dos genótipos é similar. Verificou-se
também que há características importantes que podem ser usadas nas
estimativas da divergência.
Genetic divergence and importance of morphological
characters in genotypes of kale
Palavras-chave: Brassica oleracea var. acephala, análise
multivariada, distância de Mahalanobis, agrupamento de Tocher.
Keywords: Brassica oleracea var. acephala, multivariate analysis,
Mahalanobis distance, Tocher grouping.
The morphological characterization of genotypes of kale is
needed as well as the estimates of genetic divergence between them.
We studied the morphological characters of kale genotypes originated
from the germplasm bank of UFVJM, the genetic divergence among
the genotypes and the importance of these characters in the estimates
of divergence. The experiment was carried out in the Department
of Horticulture of UFVJM, Diamantina, Minas Gerais state, Brazil,
using the randomized complete block design with four replications
and thirty genotypes, consisting of five plants. Forty-four traits
were evaluated on each plant for morphological evaluations. Some
genotypes showed high genetic divergence, such as the genotypes
UFLA-6 and 24-UFVJM, which were the most divergent compared
to the others. Most of the genotypes, however, were similar to each
other. It was also observed that there are important characteristics
that can be used in the estimation of divergence.
(Recebido para publicação em 29 de Agosto de 2012; aceito em 27 de setembro de 2013)
(Received on August 29, 2012; accepted on September 27, 2013)
A
couve (Brassica oleracea var.
acephala) é uma das formas mais
antigas da família Brassicaceae, originada no leste do mediterrâneo e
utilizada para a alimentação humana
há mais de 2000 anos a.C (Balkaya &
Yanmaz, 2005). A exemplo de outras
brássicas, esta espécie apresenta alto
teor de água e baixo teor de lipídeos,
carboidratos e propriedades calóricas
(Vilar et al., 2008). Também, tem como
características, ação anticarcinogênica,
uma vez que é rica em glucosinolatos e
contém elevados teores de flavonóides,
vitaminas e nutrientes minerais (Moreno
et al., 2006).
Por ser uma cultura rústica, que se
adapta a diferentes condições ambientais, a couve não necessita de alto nível
tecnológico para o seu cultivo (Vilar
48
et al., 2008). No entanto, é necessário
um intenso trabalho de melhoramento
para esta cultura, principalmente para
aumentar a produtividade de folhas
com padrão comercial e melhorar a sua
resistência ao ataque de Brevicoryne
brassicae e Plutella xylostella que são as
principais pragas das brássicas (Lovatto
et al., 2004; Boiça Júnior et al., 2010).
Existem muitos recursos genéticos
que podem ser utilizados no melhoramento da couve, porém, há a possibilidade de se perder cultivares antigas devido
à modernização das técnicas produtivas,
mudanças socioeconômicas e pela introdução de novas cultivares (Laghetti et
al., 2005; Gepts, 2006; Christensen et
al., 2011). Desta forma, há necessidade
de se caracterizar os genótipos de couve
quanto aos seus caracteres agronômicos,
variabilidade genética e mantê-los para
futuros programas de melhoramento.
Atualmente, pesquisadores de vários
países estão considerando a necessidade
de estudar a divergência genética existente nas brássicas, dos quais podem-se
citar a Índia (Vaishnava et al., 2006;
Khan et al., 2009), Paquistão (Yousuf
et al., 2011), Etiópia (Belete et al.,
2011), Turquia (Okumus & Balkaya,
2007), Bangladesh (Nath et al., 2003;
Khatun et al., 2010), Grécia (Koutita et
al., 2008), Dinamarca, Suécia e Itália
(Sjödin et al., 2008; Christensen et al.,
2011), utilizando-se a análise multivariada como ferramenta no estudo da
divergência. No entanto, no Brasil são
raros os trabalhos que visam caracterizar
a divergência genética da couve e de
outras brássicas.
Hortic. bras., v. 32, n. 1, jan. - mar. 2014
Divergência genética e importância de caracteres morfológicos em genótipos de couve
Assim, objetivou-se com este trabalho caracterizar genótipos de couve
do banco de germoplasma da UFVJM
quanto aos seus caracteres morfológicos, visando estimar a divergência
genética por meio de diferentes técnicas
de análise multivariada e verificar a
importância das características avaliadas
para o estudo de divergência.
MATERIAL E MÉTODOS
O experimento foi conduzido no
Setor de Olericultura, localizado no
campus JK da Universidade Federal
dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri
(UFVJM) (18º12’01’’S, 43º34’20’’O,
altitude de 1387 m). No período de
condução do experimento, a temperatura média foi de 18,3ºC com umidade
relativa do ar de 80,3%, havendo poucas
oscilações no decorrer deste período.
O delineamento experimental utilizado foi em blocos casualizados, com
quatro repetições e cinco plantas por
parcela. Foram avaliados 30 genótipos
de couve do banco de germoplasma da
UFVJM, sendo 19 genótipos oriundos
de coletas em propriedades rurais na
região de Diamantina-MG (UFVJM-2,
UFVJM-3, UFVJM-4, UFVJM-5,
UFVJM-7, UFVJM-8, UFVJM-9,
UFVJM-10, UFVJM-13, UFVJM-19,
UFVJM-21, UFVJM-22, UFVJM-24,
UFVJM-26, UFVJM-27, UFVJM-30,
UFVJM-32, UFVJM-34 e UFVJM-36),
oito genótipos doados pela Universidade Federal de Lavras (UFLA-1,
UFLA-3, UFLA-6, UFLA-8, UFLA-5,
UFLA-10, UFLA-11 e UFLA-12) e três
cultivares comerciais: couve-manteiga
900 legítima pé alto (Feltrin Sementes,
Farroupilha-RS); couve-manteiga Baby
(Vidasul Sementes Ltda., Xanxerê-SC) e
couve-de-folha Manteiga Geórgia (Horticeres Sementes Ltda., Indaiatuba-SP).
No dia 28 de julho de 2011 (...truncated)