Frutification of the quince tree cv. Provence
FRUTIFICAÇÃO DO MARMELEIRO 'PROVENCE' 0)
FERNANDO ANTÓNIO CAMPO DALL'ORTO ( 2 ' 5 ) , MÁRIO OJIMA ( 2 ),
WILSON BARBOSA ( 2 > 5 ), ORLANDO RIGITANO ( 3 ) , JOSÉ CARLOS SABINO ( 4 ' s )
e ARY DE ARRUDA VEIGA ( 4 )
RESUMO
O emprego do marmeleiro como porta-enxerto de pereiras paia a formação de plantas anãs constitui prática cultural antiga na Europa, notadamente na França, de cujos trabalhos de seleção, com essa finalidade, resultaram os marmeleiros tipo
'Provence', atualmente disseminados em todo o mundo, nos pomares comerciais de
pereiras enxertadas sobre marmeleiro. Propagado vegetativamente, o 'Provence' não é
normalmente reconhecido como um tipo de marmeleiro de valor comercial para o
aproveitamento de seus frutos. Entretanto, de modo surpreendente, constatou-se
em um experimento realizado com essa variedade, na Estação Experimental de Tietê,
do Instituto Agronómico, em plantas com quatro anos de condução, e na safra de
1984, uma produção média de 4.750kg/ha de marmelos de bela aparência e ótima
qualidade, enquanto 'Portugal', a mais importante variedade cultivada em São Paulo,
produziu apenas 2.021kg/ha. Ao lado das boas características produtivas das plantas,
os frutos apresentaram-se como de possível aptidão comercial e, industrializados
experimentalmente, propiciaram a manufatura de excelente marmelada.
Termos de indexação: 'Provence', marmeleiro, frutificação, doce em pasta.
(*) Os autores agradecem aos Irmãos Caji, da Fruticultura Cristal, Atibaia (SP), a cessão do material de propagação, e ao Sr. A. S. Viotto, da Indústria Fafá, Tietê, a confecção experimental da marmelada. Recebido para publicação em I o de junho de 1984.
( 2 ) Seção de Fruticultura de Clima Temperado, Instituto Agronómico (IAC), Caixa Postal 28,
13100 - Campinas (SP).
( ) Divisão de Horticultura, IAC.
( ) Estação Experimental de Tietê, IAC.
( ) Com bolsa de suplementação do CNPq.
1. INTRODUÇÃO
O marmeleiro {Cydonia oblonga Mill.) vem sendo cultivado em diversas regiões do País, desde o início do período colonial, dando produções
exuberantes de frutos que eram comercializados em profusão, até os primeiros decénios deste século. Com a introdução da doença fúngica entomosporiose, causada por Entomosporium maculatum Lev., os marmeleiros existentes na época em grande número, principalmente na região de Delfim Moreira (MG), e nas proximidades da Capital paulista, foram praticamente dizimados (CAMARGO & GONÇALVES, 1943). A situação das culturas remanescentes foi posteriormente ainda mais agravada, pelo abandono dos tratamentos, em vista, principalmente, dos baixos preços alcançados pelo marmelo junto às indústrias de transformação.
Ultimamente, a diminuição da oferta dessa matéria-prima e sua consequente valorização vem sendo percebida pelas próprias fábricas de conserva, que a têm inclusive importado, sob a forma de polpa, da Argentina ou do
Uruguai, ou a têm substituído em parte pela de maçã, mais abundante.
Esses fatores fizeram com que surgisse novamente estímulo gradual
para a produção comercial de marmelo. Pode-se afirmar que a cultura do
marmeleiro se encontra hoje em fase de transição, ou seja, existe uma forte
tendência para ela sair do ponto de estagnação em que se encontra, para dar
lugar à implantação de novos marmeleirais mais produtivos. A fim de atender
a essa finalidade, torna-se necessária, porém, maior racionalização da cultura,
através da adoção de técnicas de cultivo mais adequadas, bem como de novos
cultivares que ofereçam aos produtores alternativas melhores que a variedade
Portugal, a mais cultivada atualmente.
Desse modo, é de relevante interesse o desenvolvimento de trabalhos de melhoramento genético do marmeleiro, visando, inicialmente, à reunião e ao estudo de novos tipos de germoplasma, e, em seguida, à obtenção
e seleção de novas variedades, com características superiores de produção
comercial, sobretudo alta produtividade, adaptabilidade, precocidade, rusticidade e resistência à entomosporiose, além de boa qualidade dos frutos às
diferentes finalidades: indústria e mesa. Para esses trabalhos, a Seção de Fruticultura de Clima Temperado tem procurado introduzir e estudar o comportamento de alguns tipos de marmeleiros disponíveis nas principais Tegiões
produtoras mundiais, a exemplo dos seguintes cultivares: Portugal, Cheldow, Champion, Açúcar (Sugar), Manning, Orange (Apple), INTA
37, INTA 117, INTA 147, EM-A (Tipo-A ou Anger) e, mais recentemente, Provence, objeto deste estudo (CAMPO DALL'ORTO, 1982; LAINE
&QUAMME, 1975;MARTINEZ-ZAPORTA, 1964; RIGITANO, 1957).
2. MATERIAL E MÉTODOS
2.1. Origem do material
O clone do marmeleiro 'Provence', utilizado neste estudo, foi cedido à Seção de Fruticultura de Clima Temperado, em 1979, pelos irmãos Caji,
fruticultores e viveiristas estabelecidos em Atibaia (SP). Nessa localidade, o
material fora introduzido diretamente da França, pelo saudoso fruticultor
Rolf Herz, com a finalidade de servir como porta-enxerto para a produção
comercial de mudas de pereiras das novas seleções lançadas pelo IAC (RIGITANO & OJIMA, 1972; RIGITANO et alii, 1975).
2.2. Observações fito técnicas
As estacas, já enraizadas, recebidas no inverno de 1978, foram plantadas em recipientes de plástico contendo terra esterilizada, e deixadas a se
desenvolver em condições de ripado, sob inspeções frequentes. Em março de
1980, verificada a sanidade do material, 16 mudas foram plantadas na Estação Experimental de Tietê, em linhas duplas, no espaçamento de 3,0 x 1,0 x
l,0m, formando quincõncio, como parte integrante do ensaio de densidade
de plantio do cultivar Portugal, e intercaladas como um dos blocos experimentais. Somente após a condução inicial com três ramos primários, a partir
de 1980, seis ramos secundários, em 1981, e doze ramos terciários, em 1982,
é que se consideraram as plantas com o esqueleto básico já formado. Durante o período de formação, o lote recebeu todos os tratamentos culturais e
fitossanitários necessários.
Em agosto de 1983, efetuou-se o tratamento de quebra de dormência e desfolhamento, o que induziu, a partir do início da segunda quinzena
de outubro, abundante e coincidente florescimento nos dois cultivares — Provence e Portugal. Durante o florescimento, pôde-se verificar uma intensa movimentação de abelhas, por todo o ensaio, do que resultou um bom pegamento de frutos, cuja colheita foi efetuada em abril de 1984.
Após contados e pesados, os frutos foram enviados, separadamente,
a uma indústria na cidade de Tietê, especializada na confecção de doces de
frutas, para o preparo experimental de amostras de marmelada dos dois cultivares destinados a posteriores testes de comparação.
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
3.1. Produtividade
O experimento mostrou que 'Provence' é muito mais produtivo que
'Portugal'. Plantas de quatro anos de idade, no espaçamento de 3,0 x 1,0 x
1,0m, em sua frutificação inicial apresentaram produções médias de frutos
equivalentes a 4.750kg/ha e 2.021kg/ha, para os marmeleiros 'Provence' e
'Portugal' respectivamente. (...truncated)