Descoloration of industrial dyes and simulated textile effluents dyes by turnip peroxidase
Quim. Nova, Vol. 35, No. 5, 889-894, 2012
Maria Cristina Silva*, Angelita Duarte Corrêa e Juliana Arriel Torres
Departamento de Química, Universidade Federal de Lavras, CP 3037, 37200-000 Lavras - MG, Brasil
Maria Teresa Sousa Pessoa Amorim.
Departamento de Engenharia Têxtil, Universidade do Minho, 4800-058 Guimarães, Portugal
Artigo
DESCOLORAÇÃO DE CORANTES INDUSTRIAIS E EFLUENTES TÊXTEIS SIMULADOS POR PEROXIDASE
DE NABO (Brassica campestre)
Recebido em 21/4/11; aceito em 11/11/11; publicado na web em 23/1/12
DESCOLORATION OF INDUSTRIAL DYES AND SIMULATED TEXTILE EFFLUENTS DYES BY TURNIP PEROXIDASE
The removal of important textile dyes by turnip peroxidase (TNP) was evaluated. The textile effluents besides the residual dyes
contain also chemical auxiliaries such as salts, dispersing and wetting agents. The effect of these was evaluated in the removal of the
dyes reactive blue 21 and reactive blue 19 by TNP in synthetic effluents. A decrease of the efficency decolorization was observed.
The action of the enzyme on colour removal of dye mixture was equivalent to the dyes alone. The chemical demand of oxygen in the
effluent after enzymatic treatment had a significant increase in relation to the untreated effluent.
Keywords: turnip peroxidase; synthetic effluent; decolorization.
INTRODUÇÃO
Nos últimos anos, o nível de compostos xenobióticos nos ecossistemas aquáticos tem aumentado de forma alarmante, como resultado
da atividade antropogênica sobre o meio ambiente. Neste contexto, o
setor têxtil merece destaque, sendo responsável por 15% do consumo
industrial de água. Este fato, associado ao baixo aproveitamento dos
insumos (especialmente corantes), faz com que a indústria têxtil
seja responsável pela geração de grandes volumes de resíduos, com
elevada carga orgânica e forte coloração.1
Estima-se que aproximadamente 20% da carga de corantes seja
liberada nos resíduos de tingimento durante o processamento têxtil.2
Além de corantes residuais, os efluentes têxteis contêm também
auxiliares químicos, como surfactantes, sais, óleos e graxas. Estes
auxiliares químicos utilizados no processo de tingimento contribuem
para a complexidade do tratamento destes efluentes.3 Substâncias
como detergentes e dispersantes podem interromper a remoção do
nitrogênio por bactérias nitrificantes em processos de lodo ativado.4,5
O tingimento com corantes reativos baseia-se na formação de
ligações covalentes com os grupos hidroxila ionizados da celulose,
em pH alto e temperaturas elevadas. Nestas condições, a hidrólise do
corante ocorre como uma reação secundária, impossibilitando que este
se ligue covalentemente à fibra, uma vez que o corante hidrolisado
não mais reage com a celulose. Parte do corante hidrolisado pode
ainda ser absorvida pela celulose como se fosse um corante direto,
por meio de interações de van der Waals,2 mas o restante acaba por
ser liberado para o efluente.6 Portanto, banhos de tingimento contendo
corantes reativos além dos auxiliares químicos e sais contêm também
corantes hidrolisados.
Além da interferência estética, quando não tratados adequadamente, e lançados em águas naturais, os efluentes provenientes da
indústria de corantes ou de processos envolvendo tingimento de fibras
têxteis podem interferir na absorção da luz pelos vegetais e animais
do ambiente aquático, provocando modificações nas atividades fotossintetizantes da biota aquática.7
Uma combinação de processos físicos, químicos e biológicos
tem sido proposta para a remoção da cor, entretanto, geralmente,
*e-mail:
são processos de custo elevado.8,9 Dentro deste contexto, e tendo em
vista a implementação de normas cada vez mais rigorosas em relação
ao descarte de resíduos no meio ambiente, o desenvolvimento de
processos alternativos e de alta eficiência para a remoção da cor em
efluentes industriais é de extrema importância.
Cada vez mais é reconhecido o uso das enzimas em processos de
remediação para tratamento de poluentes específicos. Estas podem
atuar em compostos recalcitrantes, para removê-los por precipitação
ou transformação em outros produtos inócuos.10 Podem também
mudar as características de um determinado rejeito para aumentar
sua biodegradabilidade, ou auxiliar na bioconversão dos rejeitos em
produtos de maior valor agregado.11
As principais oxirredutases, lacases e peroxidases apresentam
potencial no tratamento de uma variedade de compostos orgânicos,
incluindo corantes12,13 e seu uso pode ser uma prática interessante
para a descoloração de corantes sintéticos. Estas enzimas podem
catalisar a transformação/degradação de corantes aromáticos, tanto
por precipitação como pela ruptura do anel aromático.14
As peroxidases podem ser classificadas em três superfamílias:
planta peroxidase, animal peroxidase e catalase peroxidase. A superfamília planta peroxidase está ainda subdividida em três classes:
a classe I, que inclui as peroxidases intracelulares; a classe II, que
consiste em peroxidases fúngicas extracelulares e a classe III, que
compreende as classes vegetais, sendo a isoenzima C da horsehadish
peroxidase o exemplo mais estudado.14,15
O uso de enzimas na remoção da cor de efluentes industriais
apresenta limitações devido ao baixo rendimento e o alto custo de
produção destes biocatalisadores. Entretanto, a redução do custo de
produção dessas enzimas pode ser obtida pela utilização de vegetais
contendo alta atividade enzimática, que podem ser aplicados diretamente com a mesma eficiência que a enzima purificada.16
Neste contexto, foi feita a avaliação do potencial de descoloração
de vários corantes utilizados na indústria têxtil por peroxidase extraída
do nabo (PEN). A enzima bruta extraída foi utilizada diretamente
nos ensaios de oxidação, ou seja, não foi feito nenhum processo de
purificação, para diminuir os custos do processo.
A remoção destes corantes pela PEN foi avaliada também no
efluente têxtil sintético que simula as etapas de pré-tratamento e tingimento e apresenta em sua constituição sais e auxiliares químicos.
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Silva et al.
Uma vez que os efluentes reais normalmente incluem mais de um
componente de cor, a descoloração de uma mistura de três corantes
reativos pela PEN também foi avaliada.
PARTE EXPERIMENTAL
Os experimentos foram desenvolvidos no Laboratório de Investigação de Química e Ambiente do Departamento de Engenharia
Têxtil da Universidade do Minho, na cidade de Guimarães, Portugal.
Corantes
Quim. Nova
A mistura reacional foi incubada em espectrofotômetro acoplado
a um banho termostatizado e a absorbância dos corantes foi medida
em diferentes tempos, durante os experimentos. O acompanhamento
da oxidação foi feito no comprimento de onda máximo de cada corante: turqueza remazol G 133% - CTR (624 nm); remazol brilliant
blue R - RBBR (596 nm), levafix brilliant green E 5BA – RG21 (596
nm), remazol vermelho ultra RGB - RVU (517 nm), remazol brilliant
orange 3R (490 nm) – RBO3R; acid orange 52– AO52 (452 nm) e
600 nm para o acid blue 62 (AB62). Os ensaios foram realizados
em (...truncated)