Parasitism of Trichogramma pretiosum on diamondback moth eggs under different temperatures
PRATISSOLI, D.; PEREIRA, F.F.; BARROS, R.; PARRA, J.R.P.; PEREIRA, C.L.T. Parasitismo de Trichogramma pretiosum em ovos da traça-das-crucíferas
sob diferentes temperaturas. Horticultura Brasileira, Brasília, v.22, n.4, p.754-757, out-dez 2004.
Parasitismo de Trichogramma pretiosum em ovos da traça-das-crucíferas
sob diferentes temperaturas
Dirceu Pratissoli1; Fabricio F. Pereira1; Reginaldo Barros2; José R.P. Parra3; Cácia L.T. Pereira1
1
UFES, Alto Universitário S/N, C. Postal 16, 29500-000 Alegre-ES; 2Depto. Agronomia/Fitossanidade, UFRPE, Av. Dom Manuel de
Medeiros S/N, Dois Irmãos, 52171-900 Recife-PE; 3Depto. Entomologia, Fitopatologia e Zoologia Agrícola, ESALQ/USP, C. Postal 09,
13418-900 Piracicaba-SP; E-mail: ; ; ; ;
RESUMO
ABSTRACT
Estudou-se a capacidade de parasitismo de Trichogramma pretiosum
Riley (Hymenoptera: Trichogrammatidae), em ovos de Plutella
xylostella (L.)(Leptoptera: Plutellidae) nas temperaturas de 18; 20; 22;
25; 28; 30 e 32ºC, avaliando-se número de ovos parasitados diariamente, porcentagem acumulada de parasitismo, número total de ovos
parasitados por fêmea e longevidade de fêmeas. O ritmo de parasitismo
durante as primeiras 24 horas, oscilou de 1,6 a 16 ovos parasitados por
fêmea de T. pretiosum nas temperaturas entre 18 e 32ºC. O parasitismo
acumulado de ovos de P. xylostella, nas temperaturas de 18; 20; 22; 25;
28; 30 e 32ºC, atingiu 80%, aos 2; 16; 11; 3; 5; 4 e 7 dias, por T. pretiosum.
As maiores taxas de parasitismo ocorreram nas faixas térmicas de 25;
28 e 30ºC. A longevidade média de fêmeas de T. pretiosum nas faixas
térmicas compreendidas entre 18 e 32ºC, variaram de 2,3 a 13,3 dias.
Parasitism of Trichogramma pretiosum on diamondback
moth eggs under different temperatures
Palavras-chave: Plutella xylostella, controle biológico,
Trichogrammatidae.
The parasitism capacity of Trichogramma pretiosum Riley
(Hymenoptera: Trichogrammatidae) on eggs of Plutella xylostella (L.)
(Lepidoptera: Plutellidae) was studied, under temperatures of 18; 20;
22; 25; 28; 30 and 32°C aiming to evaluate the number of days with
parasitism, cumulated parasitism, total number of eggs parasitized per
female and their longevity. Parasitism during the first 24 hours ranged
from 1.6 to 16 eggs of P. xylostella per T. pretiosum female in the
range of 18 to 32°C. Cumulated egg parasitism of P. xylostella by T.
pretiosum reached 80% after 2; 16; 11; 3; 5; 4 and 7 days at 18; 20; 22;
25; 28; 30 and 32°C. Higher parasitism rates were recorded at 25; 28
and 30°C while longevity of T. pretiosum females varied from 2.3 to
13.3 days under temperatures of 18 to 32°C.
Keywords: Plutella
Trichogrammatidae.
xylostella,
biological
control,
(Recebido para publicação em 3 de março de 2004 e aceito em 27 de outubro de 2004)
A
tualmente, a traça-das-crucíferas
Plutella xylostella (L.) é considerada a praga mais importante de
crucíferas em todo o mundo e o custo
com seu manejo tem sido estimado em
mais de um bilhão de dólares por ano
(Talekar e Shelton, 1993). As diversas
estratégias de controle para esta praga
têm resultado numa acentuada dependência de inseticidas, o que vem propiciando resistência de P. xylostella a
pesticidas químicos e até mesmo biológicos como os produzidos a partir de
Bacillus thuringiensis Berliner (Perez et
al.,1997).
O controle biológico de P. xylostella
quando bem implantado pode ser excelente alternativa frente às habituais recomendações de controle químico
(Krnjajic et al.,1997). O elevado número de trabalhos mencionando o complexo de parasitóides nas diferentes regiões
produtoras de crucíferas demonstra a
importância destes inimigos naturais
para manutenção do nível populacional
754
desta praga abaixo do nível de dano econômico (Mitchel et al.,1998).
Dentre estes agentes de controle biológico, os parasitóides de ovos pertencentes ao gênero Trichogramma destacam-se pelo fato de ter ampla distribuição geográfica, serem altamente
especializados, além da comprovada
eficiência no controle de pragas, sobretudo aquelas pertencentes à ordem
Lepidoptera (Zucchi e Monteiro, 1997).
Várias espécies de Trichogramma
têm sido mencionadas como eficientes
em relação ao seu potencial de uso no
controle de P. xylostella em diversos
países, como T. ostriniae Pang & Chen,
T. chilonis Ishii e T. pintoi Voegelé na
Alemanha (Wuhrer e Hassam, 1993), T.
pretiosum e T. minutum Riley nos EUA
(Vasquez et al., 1997), T. evanescens
Westwood na Yugoslavia (Krnjajic et
al.,1997); T. voegelei Pintureau, T. oleae
Voegelé & Pointel, T. dendrolimi
Matsumura, T. exiguum Pinto & Platner,
T. chilonis, T. pretiosum, T. buesi
Voegelé,
T.
ostriniae,
e
Trichogrammatoidea bactrae Nagaraja
na França (Tabone et al.,1999).
Aspectos biológicos de T. pretiosum
já foram pesquisados em diferentes
hospedeiros e temperaturas por Basso
et al. (1998) no Chile, Harrison et al.
(1985) nos EUA e Wuhrer e Hassan
(1993) na Alemanha. Mas no Brasil, à
exceção de Barros e Vendramin (1999),
são escassos os relatos de pesquisas
mencionando aspectos biológicos desse parasitóide quando criado em ovos
de P. xylostella.
Um dos fatores que pode ser responsável pelo sucesso ou fracasso da utilização de parasitóides do gênero
Trichogramma no controle de
lepidópteros-praga é o conhecimento de
parâmetros biológicos deste parasitóide
quando associado a determinado hospedeiro alvo, tais como capacidade e viabilidade do parasitismo, duração do ciclo de desenvolvimento, razão sexual e
longevidade (Fuentes, 1994). Noldus
Hortic. bras., v. 22, n. 4, out.-dez. 2004
Parasitismo de Trichogramma pretiosum em ovos da traça-das-crucíferas sob diferentes temperaturas
(1989) ainda enfatiza que tais características podem ser altamente influenciadas por fatores físicos, como umidade,
luz e principalmente temperatura.
Assim, o estudo da capacidade de
parasitismo de T. pretiosum em função
da temperatura pode fornecer informações importantes para a implantação de
programas de manejo integrado de P.
xylostella, visto que, cada espécie de
Trichogramma possui comportamento
diferenciado e que pode variar de acordo com suas características intrínsecas,
proporcionando uma maior ou menor
adequação a um determinado ambiente
e hospedeiro (Bleicher e Parra, 1990).
Deste modo, esta pesquisa teve como
objetivo obter informações básicas sobre aspectos biológicos de T. pretiosum
criado em ovos de P. xylostella em diferentes temperaturas.
MATERIAL E MÉTODOS
Criação de P. xylostella
Inicialmente, cerca de 500 pupas de
P. xylostella provenientes da criação
estoque do laboratório de Biologia de
Insetos da Área de Fitossanidade da
(UFRPE), foram transferidas para o laboratório de Entomologia do (CCAUFES), onde foi iniciada a criação da
traça-das-crucíferas em folhas de couve, segundo método adotado por Barros e Vendramin (1999).
Coleta, manutenção e multiplicação dos parasitóides
A espécie T. pretiosum, proveniente
da criação estoque do laboratório de
Entomologia do (CCA-UFES), foi inicialmente coletada em plantios comerciais de tomate lo (...truncated)