Peat palynology from the Banhado Amarelo bog, São Francisco de Paula, Rio Grande do Sul, Brasil: fungi and cryptogams
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Palinologia de sedimentos da turfeira do Banhado Amarelo, São
Francisco de Paula, Rio Grande do Sul, Brasil. Fungos e criptógamas
Bianca Batista da Costa Spalding1,2 e Maria Luisa Lorscheitter1
Recebido: 15.10.2008; aceito: 19.03.2009
ABSTRACT - (Peat palynology from the Banhado Amarelo bog, São Francisco de Paula, Rio Grande do Sul, Brasil. Fungi
and cryptogams). The vegetation analysis based on sediment palynology needs correct taxonomy of the palynomorphs. The
aim of the research is to present reference material to this analysis in Quaternary sediments from the Brazilian Southern
Plateau, using palynomorphs of fungi and cryptogams preserved in the peat from Banhado Amarelo bog (29o19’S and
50o08’W), São Francisco de Paula, RS. The profile (390 cm) was collected with a Hiller Sampler. The chemical processing
of the 30 extracted samples followed standard methodology, using HCl, HF, KOH and acetolysis. Light microscopy was
used in the analysis. A radiocarbon dating at the base of the profile (26.080 ± 320 yrs BP, Beta 245611) indicated the time
interval. Palynomorphs from nine fungi, five algae, three bryophytes and 13 pteridophytes are presented. Descriptions,
illustrations and, whenever possible, ecological data from the original organisms are included. The high number of taxa
shows the potential of these palynomorphs to offers subsidies to the palaeoenvironment research of the last millennia from
Southern Brazilian Plateau.
Key words: palynomorphs, taxonomy, Quaternary, Southern Brazil
RESUMO - (Palinologia de sedimentos da turfeira do Banhado Amarelo, São Francisco de Paula, Rio Grande do Sul,
Brasil. Fungos e criptógamas). A análise da vegetação baseada em palinologia de sedimentos exige adequada taxonomia
dos palinomorfos. O trabalho visa assim fornecer subsídios taxonômicos para esta análise em sedimentos quaternários do
Planalto sul-brasileiro, através do estudo de palinomorfos de fungos e criptógamas preservados num perfil sedimentar da
turfeira do Banhado Amarelo (29o19’S e 50o08’W), São Francisco de Paula, RS. Usou-se o Amostrador de Hiller na coleta
do perfil (390 cm). Dele extraíram-se 30 amostras, tratadas com HCl, HF, KOH e acetolisadas, com análise em microscopia
óptica. Uma datação por 14C na base da seqüência (26.080 ± 320 anos AP, Beta 245611) estabeleceu o intervalo de tempo
envolvido. Foram encontrados nove fungos, cinco algas, três briófitos e 13 pteridófitos. Incluem-se descrições, ilustrações e,
sempre que possível, dados ecológicos do organismo de origem. A riqueza de táxons mostra a potencialidade também desses
palinomorfos em oferecer subsídios ao conhecimento da história da vegetação dos últimos milênios do Planalto sul-brasileiro.
Palavras-chave: palinomorfos, taxonomia, Quaternário, Sul do Brasil
Introdução
As mudanças climáticas ocorridas nos últimos
milênios têm grande influência nos padrões
fitogeográficos da atualidade por terem interferido
na dinâmica da vegetação (Berglund 1986). Assim,
o estudo da sucessão vegetal do Quaternário Tardio
permite detectar processos envolvidos na gênese das
formações vegetais atuais e a melhor compreensão da
história e das tendências naturais dos ecossistemas.
Pólen, esporos e outros palinomorfos preservados em
sedimentos são uma importante ferramenta de trabalho
na análise da história da vegetação por refletirem na sua
morfologia a planta de origem e, consequentemente, seu
ambiente. Por se preservarem em grande quantidade
em ambientes deposicionais apropriados, como fundo
de determinadas lagoas e pântanos, os palinomorfos
de um perfil sedimentar permitem também análises
quantitativas que tornam significativos os resultados
obtidos. Quando a palinologia de sedimentos é
associada a datações por 14C o controle cronológico
dos eventos pode ser estabelecido.
A palinologia de sedimentos para análise da
vegetação pretérita exige uma correta identificação
1. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Instituto de Biociências, Departamento de Botânica, Av. Bento Gonçalves 9500, 91540000 Porto Alegre, RS, Brasil
2. Autor para correspondência:
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dos palinomorfos preservados, porque dela
depende fundamentalmente toda a reconstituição
paleoambiental. Para tanto, trabalhos taxonômicos
baseados na palinologia da flora atual e também de
palinomorfos preservados em bacias deposicionais de
uma região são de grande relevância como material
básico de referência.
A dinâmica da mata com Araucária no Quaternário
Tardio e a gênese das turfeiras do Planalto do
Rio Grande do Sul tem despertado a atenção de
muitos pesquisadores, mas ainda são poucos os
trabalhos sobre palinologia de sedimentos na região,
relacionados à análise de paleoambientes (Roth &
Lorscheitter 1993, Behling et al. 2001, 2004, Behling
& Pillar 2007, Leonhardt & Lorscheitter 2007,
Scherer & Lorscheitter 2008, Roth & Lorscheitter
2008). Visando contribuir para os estudos de
sucessão vegetal no Planalto oriental do Sul do Brasil
durante o Quaternário Tardio, é apresentada aqui a
primeira parte da taxonomia de palinomorfos de um
perfil sedimentar da turfeira do Banhado Amarelo,
município de São Francisco de Paula, Rio Grande do
Sul. Abrange a caracterização morfológica sucinta,
taxonomia e, sempre que possível, dados ecológicos
de palinomorfos ligados a fungos, algas, briófitos e
pteridófitos, com fotomicrografias.
Material e métodos
A turfeira estudada integra o Banhado Amarelo
(29o19’S e 50o08’W), município de São Francisco
de Paula (figura 1). O perfil sedimentar foi coletado
aproximadamente no centro da turfeira, correspondendo
à porção mais espessa da bacia deposicional. Para a
coleta do perfil foi usado o Amostrador de Hiller
(Faegri & Iversen 1989), em 15 secções de 26 cm,
que foram posteriormente alinhadas, formando um
testemunho de 390 cm de comprimento. Ao longo
desse perfil foram retiradas 30 amostras em intervalos
regulares, cada uma contendo 8 cm³ de sedimento
fresco. O processamento químico das amostras para
análise palinológica seguiu o método padrão (Faegri
& Iversen 1989), usando-se HCl, HF, KOH e acetólise,
com filtragem em malha de 250 μm. As lâminas para
microscopia foram montadas em gelatina-glicerinada e
a análise das mesmas foi realizada em fotomicroscópio
óptico Diaplan Leitz em aumento de 400 vezes. A
determinação do intervalo de tempo envolvido foi
feita por uma datação por 14C em sedimentos da base
da seqüência, sendo realizada no laboratório Beta
Analytic Inc., Miami, Flórida.
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A palinoteca de plantas atuais do Laboratório
de Palinologia do Departamento de Botânica da
Universidade Federal do Rio Grande do Sul e diversos
catálogos palinológicos serviram de base para a
identificação do material. Devido à maior dificuldade
taxonômica, para fungos e algas são indicadas no texto,
sempre que possível, as referências que embasaram a
identificação.
Na análise procurou-se sempre alca (...truncated)