Structure and aspects of natural regeneration of a Mixed Ombrophyllous Forest at Parque Estadual de Campos do Jordão, São Paulo State, Brazil
Hoehnea 39(3): 387-407, 5 tab., 5 fig., 2012
Estrutura e aspectos da regeneração natural de Floresta Ombrófila
Mista no Parque Estadual de Campos do Jordão, SP, Brasil
Rose Pereira Muniz de Souza1,3, Vinícius de Castro Souza1, Rodrigo Trassi Polisel2 e
Natália Macedo Ivanauskas2
Recebido: 6.05.2011; aceito: 24.07.2012
ABSTRACT - (Structure and aspects of natural regeneration of a Mixed Ombrophyllous Forest at Parque Estadual de Campos
do Jordão, São Paulo State, Brazil). The objective of this study was to evaluate the floristics and structural differences between
adult and regenerating components of a stretch of Mixed Ombrophyllous Forest at Parque Estadual de Campos do Jordão,
within the scope of raising hypotheses on its successional trajectory. In order to sample the adult component (CBH ≥ 15 cm),
50 permanent plots of 10 × 20 m were allotted while five sub‑plots of 1 × 1 m of the regenerating component (h ≥ 30 cm
and CBH < 15 cm) were allotted in each plot. In the adult component, 1,770 individuals were sampled, distributed in
58 species, 38 genus and 26 families (H' = 3.08 and J = 0.73). In the regenerating component, 576 individuals, 55 species,
39 genus and 23 families (H' = 3.41 and J = 0.84) were sampled. We have concluded that procedures for conservation of
the coniferous are needed.
Key words: Araucaria angustifolia, phytogeography, phytosociology, regeneration, understorey
RESUMO - (Estrutura e aspectos da regeneração natural de Floresta Ombrófila Mista no Parque Estadual de Campos do
Jordão, SP, Brasil). O estudo buscou avaliar diferenças florísticas e estruturais entre os componentes adulto e regenerante
de trecho de Floresta Ombrófila Mista em Campos do Jordão, a fim de levantar hipóteses sobre sua trajetória sucessional.
Para amostragem do componente adulto (CAP ≥ 15 cm) foram instaladas 50 parcelas permanentes de 10 × 20 m e, em cada
uma dessas, cinco subparcelas de 1 × 1 m para amostragem do componente regenerante (h ≥ 30 cm e CAP < 15 cm). No
componente adulto foram amostrados 1.770 indivíduos, distribuídos em 58 espécies, 38 gêneros e 26 famílias (H' = 3,08
e J = 0,73). Já entre os regenerantes foram observados 576 indivíduos, 55 espécies, 39 gêneros e 23 famílias (H' = 3,41 e
J = 0,84). Constatou‑se que são necessárias ações de manejo para a conservação in situ das coníferas locais.
Palavras-chave: Araucaria angustifolia, dinâmica, fitogeografia, fitossociologia, sucessão natural
Introdução
A Floresta Ombrófila Mista é uma região
fitoecológica típica do Sul do Brasil, presente em área
contínua nos Estados do Rio Grande do Sul, Santa
Catarina e Paraná (Veloso 1992). No entanto, algumas
manchas disjuntas são encontradas em áreas de maior
altitude na região Sudeste, é o caso do planalto de
Campos do Jordão, que se configura como uma
paisagem de exceção, inserida em região caracterizada
por formações tropicais (Ab'Sáber 1977).
A partir do século XX, a exploração madeireira,
a substituição da vegetação pela agropecuária e a
1.
2.
3.
ampliação das zonas urbanas provocaram a redução
da área originalmente ocupada por Floresta Ombrófila
Mista. Estima‑se que os remanescentes de Floresta
Ombrófila Mista, nos estágios primários ou mesmo
avançados, não perfazem mais do que 0,7% da área
original em território brasileiro (Medeiros et al. 2005).
No Estado de São Paulo, a Floresta Ombrófila Mista
recobre 174.681 ha, mas 80% da área corresponde à
vegetação secundária (Kronka et al. 2005). Esse cenário
resultou na inclusão do ecossistema na categoria de
criticamente ameaçado e sua espécie típica, Araucaria
angustifolia (Bert.) O. Kuntze, foi considerada
em perigo de extinção (Medeiros et al. 2005).
Universidade de São Paulo, Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, Departamento de Ciências Biológicas, Herbário
E.S.A., Av. Pádua Dias, 11, Caixa Postal 9, 13418-900 Piracicaba, SP, Brasil
Instituto Florestal, Seção de Ecologia, Rua do Horto, 931, 02377-000 São Paulo, SP, Brasil
Autor para correspondência:
388
Hoehnea 39(3): 387-407, 2012
O processo de sucessão da Floresta Ombrófila
Mista está relacionado com a dinâmica populacional
da Araucaria angustifolia. Essa espécie é emergente
e determinante da fisionomia da vegetação que, ao
colonizar áreas abertas ou campos, cria condições
de umidade e fertilidade do solo que facilitam o
recrutamento de outras espécies de plantas. No
entanto, com o pleno desenvolvimento do subosque,
os indivíduos adultos de araucária passam a ser
encontrados somente nos estratos superiores, porque as
condições de sombreamento impedem o recrutamento
de novos indivíduos dessa espécie (Solórzano‑Filho
& Kraus 1999).
O conhecimento sobre a estrutura, composição
e dinâmica da Floresta Ombrófila Mista ainda é
incipiente, sobretudo para os remanescentes paulistas.
A maioria dos estudos sobre a Floresta Ombrófila
Mista foi realizada no sul do Brasil, em sua área core
de ocorrência, como demonstrado por Sanquetta &
Mattei (2006). Uma boa síntese sobre a composição
florística e a estrutura dessas comunidades é
apresentada em Jarenkow & Budke (2009).
Nas áreas disjuntas da região sudeste do Brasil
foram realizados estudos florísticos na Serra da
Mantiqueira em Minas Gerais (Meireles et al. 2008)
e levantamentos florísticos (Robim et al. 1990) e
fitossociológicos (Los 2004) em São Paulo, sendo
esses os únicos trabalhos realizados em Floresta
Ombrófila Mista em território paulista. Dessa maneira,
visando preencher parte da lacuna de conhecimentos
sobre a Floresta Ombrófila Mista, teve início o projeto
temático para o estudo da Floresta Ombrófila Mista
no Estado de São Paulo (Cardoso 2004, Ivanauskas
2007). Adotando o mesmo protocolo de amostragem
para a comunidade arbórea, foram avaliados trechos
florestais na Serra da Bocaina, nas Bacias Hidrográficas
do Alto Ribeira e do Alto Paranapanema.
Como parte do projeto temático, este estudo
tem por objetivo avaliar a florística e a estrutura
dos componentes adulto e regenerante de trecho de
Floresta Ombrófila Mista na Serra da Mantiqueira
para, assim, levantar hipóteses sobre a sua trajetória
sucessional.
Material e métodos
O planalto de Campos do Jordão localiza‑se
na Serra da Mantiqueira, caracterizada por relevo
declivivoso com altitudes entre 1.000 e 2.000 m
(Modenesi 1988). O Parque Estadual de Campos
do Jordão (PECJ), criado em 1941, possui 8.172 ha
e localiza‑se no município de Campos do Jordão,
Nordeste do Estado de São Paulo.
O clima regional é temperado brando sem
estiagem (Cfb), segundo o sistema de Köppen (Seibert
et al. 1975). Os aspectos climáticos que caracterizam
e diferenciam a região referem‑se às amplitudes entre
temperaturas máximas e mínimas, tanto anuais quanto
diárias, e a ocorrência de geadas (Modenesi 1988).
O mês mais quente é fevereiro, com temperatura
média de 22,5 °C e as temperaturas mais baixas
são observadas de maio a agosto, com médias entre
15 °C e 16,7 °C (período observado de 1961 a 1990,
Sentelhas et al. 1999). No entanto, no inverno (julho)
foi registrad (...truncated)