STRUCTURE, DIVERSITY AND HETEROGENEITY OF AN UPPER MONTANE MIXED OMBROPHYLOUS FOREST IN ITS EXTREME NORTHERN DISTRIBUTION (MINAS GERAIS STATE)
Ciência Florestal, Santa Maria, v. 28, n. 2, p. 567-579, abr.- jun., 2018
DOI: http://dx.doi.org/10.5902/1980509832039
ISSN 1980-5098
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ESTRUTURA, DIVERSIDADE E HETEROGENEIDADE DE UMA FLORESTA OMBRÓFILA
MISTA ALTOMONTANA EM SEU EXTREMO NORTE DE DISTRIBUIÇÃO (MINAS GERAIS)
STRUCTURE, DIVERSITY AND HETEROGENEITY OF AN UPPER MONTANE MIXED
OMBROPHYLOUS FOREST IN ITS EXTREME NORTHERN DISTRIBUTION (MINAS GERAIS
STATE)
Lucas Deziderio Santana1 José Hugo Campos Ribeiro2 Natalia Macedo Ivanauskas3 Fabrício Alvim
Carvalho4
RESUMO
A Floresta Ombrófila Mista é uma das fitofisionomias mais ameaçadas do Brasil. Estima-se que apenas cerca
de 3% da cobertura original desta formação florestal tenham restado. Em Minas Gerais, os remanescentes
destas florestas com araucária são raros, restringindo-se principalmente ao Sul do estado. O trabalho
objetivou avaliar a estrutura, a diversidade e a heterogeneidade de espécies do estrato arbóreo de uma
Floresta Ombrófila Mista Altomontana em seu extremo norte de distribuição, Minas Gerais - Brasil. O
presente estudo foi conduzido no Parque Estadual da Serra do Papagaio (PESP), que engloba o único
remanescente de floresta com araucária em uma Unidade de Conservação (UC) de proteção integral em
Minas Gerais. Foram alocadas na área 25 parcelas de 20 x 10 m (0,5 ha) e toda vegetação arbustiva-arbórea
com DAP ≥ 4,8 cm foi mensurada, identificada e teve a altura estimada. Amostramos 1.158 indivíduos,
pertencentes a 41 espécies, 28 gêneros e 22 famílias. Foi observada uma comunidade com forte concentração
dos Valores de Importância (VI) nas três primeiras espécies (Podocarpus lambertii, Araucaria angustifolia
e Myrceugenia bracteosa), que juntas somam 52,74% do VI total. A área basal total da comunidade foi de
30,82 m² (61,65 m².ha-1), estando entre uma das maiores já registradas para a Floresta Ombrófila Mista.
O índice de diversidade de espécies de Shannon (H’ = 2,67 nats.ind-1) está na faixa observada em outros
estudos na formação Altomontana. Por meio de análises multivariadas, constatou-se baixa heterogeneidade
florística na comunidade, já que as principais espécies, representadas em termos de densidade na matriz de
análise, estão bem distribuídas por toda a floresta. O estudo descreve uma comunidade bem estruturada e
com grande acúmulo de biomassa, mostrando a relevância da UC para a preservação desta importante, rara
e ameaçada fitofisionomia em Minas Gerais.
Palavras-chave: Fitossociologia; Floresta com Araucária; Floresta Atlântica; Unidade de Conservação.
ABSTRACT
The Mixed Ombrophylous Forest is one of the most threatened forest ecosystems in the country and it is
estimated that only about 3% of the original covering of this vegetation type has remained. In Minas Gerais
state, these remaining forests are rare, restricted mainly to the south of the state. This study aimed to evaluate
the structure, diversity and heterogeneity of tree layer species of a Mixed Ombrophylous Forest in its most
extreme northern distribution (Minas Gerais state, Brazil). The study was conducted in Parque Estadual
1 Biólogo, MSc., Doutorando em Engenharia Florestal, Laboratório de Ecologia Vegetal, Universidade
Federal de Lavras, Avenida Doutor Sylvio Menicucci, 1001, Kennedy, CEP 37200-000, Lavras (MG),
Brasil.
2 Biólogo, Dr., Professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sudeste de Minas Gerais, CEP
36884-036, Muriaé (MG) Brasil. Brasil.
3 Engenheira Agrônoma, Drª., Pesquisadora Científica do Instituto Florestal do Estado de São Paulo, Divisão de
Dasonomia, Rua do Horto, 931, Horto Florestal, CEP 02377-000, São Paulo (SP), Brasil. .
br
4 Biólogo, Dr., Professor do Departamento de Botânica, Universidade Federal de Juiz de Fora, Rua José Lourenço
Kelmer, s/n, Martelos, CEP 36036-330, Juiz de Fora (MG), Brasil.
Recebido para publicação em 18/07/2015 e aceito em 16/03/2017
Ci. Fl., v. 28, n. 2, abr. - jun., 2018
Santana, L. D. et al.
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da Serra do Papagaio (PESP), which includes the only remaining of araucaria forest in a full protection
Conservation Unit (CU) in Minas Gerais state. We allocated in the area 25 permanent plots of 20m x 10m
(0.5 ha) and every shrub and tree vegetation with DBH ≥ 4.8 cm was measured, identified and the height
was estimated. We measured 1,158 individuals, belonging to 41 species, 28 genera and 22 families. It was
observed a community with a strong concentration of the importance values (IV) in the first three species
(Podocarpus lambertii, Araucaria angustifolia and Myrceugenia bracteosa), that together add up 52.74%
of total IV of the community. The basal area of the community was 30.82 m² (61.65 m².ha-1), being one
of the largest ever registered for Mixed Ombrophylous Forests. The Shannon species diversity index (H’
= 2.67 nats.ind-1) was in the range observed in other studies of Upper Montane Mixed Ombrophylous
Forest. Multivariate analysis indicated a low floristic heterogeneity in the community; however, this low
heterogeneity occurred because the main species in terms of density are also the most frequent and are
distributed throughout the forest. The study shows a well-structured community with large accumulation of
biomass, showing the importance of the conservation unit for the preservation of this important, rare and
threatened vegetation type in Minas Gerais state.
Keywords: Araucaria forest; Atlantic forest; Conservation Unit; Phytosociology.
INTRODUÇÃO
A Floresta Ombrófila Mista (FOM) é uma das fitosionomias mais ameaçadas no Brasil. Algumas
estimativas apontam que apenas cerca de 3% da cobertura original desta formação florestal tenham restado
(BAUERMANN; BEHLING, 2009). A redução drástica desta fitofisionomia nas últimas décadas é reflexo
da intensa pressão exploratória de sua espécie típica, Araucaria angustifolia (Bertol.) Kuntze (KOCH;
CORRÊA, 2010; CARLUCCI et al., 2011). A situação é preocupante, pois poucos remanescentes de floresta
com araucária se encontram em unidades de conservação de proteção integral, a maior parte é encontrada
no estado de Santa Catarina (KERSTEN; BORGO; GALVÃO, 2015).
No fim da última era glacial, a distribuição da Floresta Ombrófila Mista se estendia até o nordeste
brasileiro (BEHLING; PILLAR, 2007; KOCH; CORRÊA, 2010). Contudo, quando a temperatura da Terra
começou a elevar e o sul do país tornou-se mais úmido, esta formação vegetacional deslocou-se principalmente para o Planalto Meridional Brasileiro, enquanto algumas populações ficaram isoladas em locais
de grandes altitudes na Serra da Mantiqueira e na Serra do Mar, em que o clima frio e úmido permitiu sua
existência até os dias atuais (BAUERMANN; BEHLING, 2009; KOCH; CORRÊA, 2010; CARLUCCI et
al., 2011; KERSTEN; BORGO; GALVÃO, 2015).
Atualmente, a Floresta Ombrófila Mista tem seu limite sul de distribuição no norte do estado do
Rio Grande do Sul; a oeste ultrapassa o Rio Paraná, alcançando a província de Missiones na Argentina e
algumas porções no Paraguai e tem seu limite sul de distribuição no norte (...truncated)