The option for teachership represented by Primary Education teachers in academic memorials
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DOI XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
A OPÇÃO PELO MAGISTÉRIO REPRESENTADA POR PROFESSORAS
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DE ENSINO FUNDAMENTAL EM MEMORIAIS
Lúcia Velloso Maurício*
RESUMO: Este trabalho procurou elucidar a constituição de representações sociais por meio
da memória social. Foram analisados 31 memoriais de professoras de 1ª a 4ª série como
trabalho final em curso de atualização. Memórias pessoais têm como objeto a história de
vida de cada um, mas são sociais pelo seu conteúdo. As professoras se distribuíram
equitativamente entre efetivas e contratadas, com largo leque etário. As categorias
emergiram dos memoriais por meio da análise de conteúdo. Os resultados apontaram
maior coesão nos relatos das professoras concursadas e perceptível preocupação com a
renovação de contrato pelas não-efetivas. Em vez de representação social sobre o fazer
docente, os depoimentos estavam ancorados na representação de aluno, responsável pelos
obstáculos que se impõem à prática docente. Predominou a valorização do aprendizado
prático: aprende-se trabalhando. Os memoriais indicaram que a opção pelo magistério se
dá pela vocação, pela instituição formadora e pelas experiências iniciais de trabalho.
Palavras-chave: Representação e Memória Social; Formação de Professores; Opção pelo
Magistério
THE OPTION FOR TEACHERSHIP REPRESENTED BY PRIMARY
EDUCATION TEACHERS IN ACADEMIC MEMORIALS
ABSTRACT: Assessment of the frame of social representations through the social memory of
primary education teachers. Thirty-one academic memorials written by first to fourth grade
teachers as a final work for an updating course were analyzed. Personal reminiscences describe
private lives, but they are social recollections in their very content. Teachers were equally
grouped in permanent and contracted, largely varying in age, and these categories were
assessed by means of content analysis. The results pointed to a greater cohesion in the public
teachers´ reports, while contracted teachers were perceptively worried about contract renovation. Instead of showing the social representation of the teaching activities, the reports were
attached to the students´ representation, responsible for the obstacles to the teaching practice.
The practical apprenticeship valorization prevailed: one learns by working. The academic
memorials pointed that the option for teachership is based on vocational grounds, on the educational institution one has attended, and by one´s own first occupational experiences.
Keywords: Social Representation and Social Memory; Teachers´ Formation; Option for
Teachership
* Doutora em Educação pela Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio de
Janeiro (UFRJ); Professora-adjunta do Mestrado em Educação da Universidade Estácio
de Sá (UNESA) e Professora-adjunta da Faculdade de Formação de Professores da
Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). E-mail:
Educação em Revista | Belo Horizonte | v. 25 | n. 01 | p. 115-138 | abr. 2009
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INTRODUÇÃO
Este trabalho originou-se de um encantamento circunstancial.
Em 2004, participei da formulação e do acompanhamento de um curso
de atualização de professores promovido pela Secretaria de Educação do
Estado do Rio de Janeiro, por meio da Fundação Darcy Ribeiro
(FUNDAR). A Fundação foi responsável pelo planejamento do curso,
pela preparação do material didático e por selecionar e preparar os
dinamizadores e o apoio on-line. O curso, que se destinava a professores
da rede pública de Ensino Fundamental e de Ensino Médio, tinha como
exigência a produção escrita de memorial como trabalho de conclusão.
Desenvolvido em 29 municípios do estado do Rio de Janeiro, o curso
agrupou 68 turmas, envolvendo 1403 professores, durante oito encontros
mensais. Os certificados foram conferidos aos 1293 profissionais que
produziram seus memoriais. O contato com essa produção escrita, que
relaciona o exercício do magistério atual à memória de formação dessas
professoras, reacendeu antiga curiosidade de investigar a relação entre
representação social e memória.
As representações sociais são construídas ao longo do tempo.
Elas são alimentadas em várias circunstâncias, simbólicas ou não, e
circulam na sociedade, entre as pessoas em geral e nas escolas, no interior
do agrupamento social que exerce o magistério. O fato de o magistério ser
uma profissão predominantemente feminina, particularmente no Ensino
Fundamental, imprime marcas que vêm se modificando ao longo do
tempo. O estudo da memória, por meio de histórias de vida, pode contribuir para elucidar a construção de representações sociais no passado.
Há autores, como Roussiau; Bonardi (2002), Sá (2005), Jedlowski (2005) e
Valencia (2005), empenhados na discussão teórica sobre memória social e
representação social. Este trabalho aproveitou a oportunidade de explorar
o acervo empírico produzido neste curso para colaborar com o desvelamento das relações entre representação social e memória social.
REPRESENTAÇÃO SOCIAL, HISTÓRIA DE VIDA E MEMÓRIA SOCIAL
Tomamos a representação social como uma forma de conhecimento, um saber prático que se refere exatamente à experiência a partir
da qual ele se produz e serve para agir sobre o mundo (JODELET, 1989).
Pela relação que estabelece com o imaginário social e por levar à ação, a
representação social torna-se essencial para compreender mecanismos
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que interferem no processo educativo, pois as interações sociais vão
criando consensos que constituem verdadeiras “teorias” do senso comum
(ALVES-MAZZOTTI, 1994).
Segundo Jodelet (1989), a representação social é sempre
representação de alguma coisa e de alguém na qual as características do
sujeito e do objeto se manifestam. A representação social simboliza e
interpreta o objeto, substituindo-o e atribuindo-lhe sentido. A representação é construção e expressão do sujeito que se dá por meio de processos
cognitivos e psíquicos, com a particularidade de incorporar, na análise dos
processos, a pertença e a participação social e cultural do sujeito.
A memória é entendida como “uma rede complexa de atividades, cujo estudo mostra que o passado nunca permanece uno e idêntico a
si, mas é constantemente selecionado, filtrado e reestruturado por
questões e necessidades do presente, tanto no nível individual como no
social” (JEDLOWSKI, 2005, p. 87). Compartilhamos a categorização
sistematizada por Sá (2005), que utiliza o termo “memória social” para
designar o conjunto dos fenômenos ou instâncias sociais da memória.
Justifica o adjetivo “social” porque parece ser o mais adequado para
abranger o campo da memória na sociedade e também por observar que,
de forma espontânea, o termo já vem sendo preferido na literatura sobre
memória em sociedade.
Ao definir memórias pessoais, Sá descarta a possibilidade de se
referir a memórias que digam respeito ao indivíduo, no sentido que é
adotado pela Psicologia Social americana, ou não as incluiria como sendo
sociais. Memórias pessoais designam “aqueles a (...truncated)