Living with a permanent intestinal stoma: changes tolo by patients with a stoma
PÁGINA DO ESTU DANTE
CONVIVER COM UM OSTOMA DEFINITIVO: MODIFICAÇÕES RELATADAS PELO
OSTOMIZADO
L l VING WITH A PERMANENT INTESTINAL ST OMA: CHANGES T OLO BY PATIENTS WIT H A
ST OMA
CON VIVIR CON UN OST OMA DEFINITIVO: M ODIFICACIONES RELATADAS POR EL PACIENTE
Renata Furlani 1
Maria Filomena Ceolim 2
RESUMO: Trata-se da primeira parte de um estudo desenvolvido com pacientes que possuem ostomas i ntestinais definitivos,
atendidos no Ambulatório de C i ru rgia do H C/U N I CAM P e na Pol iclín ica II em Campinas (SP), com a finalidade de identificar
as informações prestadas ao ostomizado e suas dificuldades no convívio com o ostoma. Verificou-se conhecimento insuficiente
acerca do ostoma antes de sua confecção , o que pode ter favorecido a presença de medos pós-cirúrgicos e de dificuldades
de adaptação no convívio com o ostoma. Os resu ltados a pontam para a necessidade d e enfermeiros atuantes em todo o
processo perioperatório q u e poss i b i litem melhora da qualidade de vida do ostomizado.
PALAVRAS-CHAVE: ostoma, E nfermagem , cuidados de enfermagem
ABSTRACT: This study relates to the first part of a study developed with persons with permanent i ntestinal stomas, assisted
in specialized outpatient cl i n i cs in Campinas, SP (Brazil), aiming to identify the i nformation provided to these patients about
their stoma and their difficulties i n living with this device. It was verified that patients received insufficient information concerning
the stoma before the surgery, what could have contri buted to postoperative fears a nd d ifficulties i n adaptation to the stoma.
Results suggest that n u rses should assume their roles as patient educators i n the whole preoperative process i n order to
facilitate improvement of quality of l ife for the stoma patient.
KEYWO RDS: stoma , ostomy, n u rs i n g , n u rsing care
RES U M E N : Se trata de la primera parte de un estudio desarrollado con pacientes q u e padecen de ostomas i ntestinales
defi n itivos, atendidos en el Ambulatorio de C i ru gía dei Hospital de Clín icas ( U n iversidad de Campinas, S P, Brasil ), con la
fi nalidad de identificar las i nformaciones prestadas a ese tipo de paciente en el sentido de ayudarle con las d ificultades de
su enfermedad. Se ha constatad o un i nsuficiente conoci miento antes ya de prod ucirse la ostomía i ntestinal, lo que pudo
haber prod ucido la presencia de m i edos posq u i rú rg i cos y d ificultades para adaptarse a i convivia con el ostoma . Los
resultados apuntan hacia la necesidad de que haya enfermeros actuantes en todo el proceso perioperatorio que posibiliten
una mejoría en la calidad de vida dei enfermo ostom izado.
PALAB RAS C LAVE: ostoma , ostom í a, E nfermería , cuidados de enfermería
Recebido em 22/04/2002
Aprovado em 20/09/2002
Al una do sétimo semestre do C u rso de G raduação em Enfermagem da U n iversidade Estadual de Campinas.
Professor Doutor. Departamento d e E nfermagem d a Facu ldade d e Ciências Médica s d a U n iversidade Estad u a l de
Campinas.
1
2
586
Rev. Bras. E nferm . , B rasília, v. 55, n . 5 , p . 586-59 1 , set.!out. 2002
F U RLAN I , R . ; CEOL l M , M . F.
INTRODUÇÃO
o ostoma de e l i m i n ação pode conferir ao paciente
a capacidade de recuperar-se de sua patologia, de seu defeito
de nascença ou tra u m a , ou mesmo constitu i r em sua ú n ica
chance de cura na ocorrência de alguns tipos de neoplasias.
N o entanto, "pode ser uma experi ê n c i a m u i to d ifíc i l e
traumatizante p a ra certas pessoas reaj usta r-se a u m a
imagem corpora l a ltera d a , ada pta r-se à perda de controle
das e l i m i n ações, ao uso d e acessórios desconhecidos, à
e l i m i n a ç ã o d e o d o re s d e s a g ra d á v e i s e ru í d o s "
(ZERBETIO, 1 98 1 , p.7), sobretudo quando a sociedade exige
que as pessoas seja m j ove n s , saudáveis, perfeitas e que
seus organismos fu ncionem por completo (S H I PE S , 1 987).
A importância de identificar as d ificu l dades decorrentes d o
ostoma, relatadas p or pacientes que convivem há certo tempo
com essa realidade, centra-se no fato de que, para os futu ros
ostomizados, é encorajador perceber qu e há pessoas que
enfre ntara m p ro b l e m a s com o ostoma e , n o entanto,
conti nuaram ativas por terem adotado soluções das quais,
t a m bé m , p o d e rã o s e v a l e r, c a s o sej a n ec e s s á ri o . O
sentimento de não estar sozinho pode ser decisivo, sobretudo
no processo de reab i litação d esses pacientes.
A permanência d e determ i nadas manifestações,
detectadas por depoimentos dos pacientes, pode alertar o
enfermeiro para a necessidade de uma in tervenção mais
efetiva , a fi m de anteci par a recu peração do bem estar de
seus pacientes , uma vez qu e é este o profissional de saúde
capacitado a prestar cuidados ao ostomizado, tanto do ponto
de vista técn ico quanto psicológico; a fornecer informações
e orientações ao paciente e sua família, tirando suas dúvidas;
e , sobretudo, a ouvir e entender os medos e ansiedades do
ostomizado, para que ele possa se tornar prog ressivamente
i ndependente no seu autocu idado.
Este estudo representa a pri m e i ra parte de uma
pesquisa desenvolvida com pessoas que possuem ostomas
i ntestinais defi nitivos, colosto m i a ou i l eostomia.
O presente estud o tem o objetivo de identificar, a
parti r dos relatos de u m g rup o de ostomizados, q u e tipo de
informação receberam acerca do ostoma, antes da confecção
do mesmo; quais os principais temores que sentiram logo
a p ó s a c i ru rg i a de c o n fe c ç ã o do o s to m a ; q u a i s a s
modifi cações causadas pela presença d o ostoma n a vida
destes in d ivíduos, nos â m b itos pessoal , fam i l i a r, soci a l , e
p rofi s s i o n a l ; q u a i s o s p ro b l e m a s e a s d i fi c u l d a d e s
enfrentadas no convívio com o ostoma defi n itivo .
idade igual ou superior a 1 8 anos; portador de ostoma i ntestinal
defin itivo há no mínimo seis meses; não hospita lizado; capaz
de responder às questões de u m a entrevista ; vol u ntário na
partici pação do estud o .
As e n trevi stas fora m rea l i zadas em salas com
adequada privacidade, após esclarecimento dos sujeitos e
obtenção da ass i n atu ra d o termo de consentimento livre e
escla recido, em am bos os l oca i s de coleta de dados. N o
H C-U n icam p , as entrevistas foram real izadas na data d e
retorno dos pacientes selecionados a o s ambu latórios e m
questão e, na Policl ínica I I , os pacientes foram entrevistados
à m e d i d a d e s e u c o m p a re c i m e n to ao P rog ra m a d e
Atendi mento a o Ostom izado.
Previa m ente ao i n ício d a coleta de dados, este
projeto foi enca m i n hado ao Comitê de É tica em Pesq uisa
da Faculdade de Ciências Médicas da U nicamp, para análise
quanto aos requisitos mínimos de protocolo de pesquisa com
seres h u manos, tendo sido aprovado sem restrições.
Para a coleta d e dados util izou-se um i n stru mento ,
adaptado de M atos e Noro n h a , ( 1 998) contendo questões
s e m i -fe c h a d a s e q u estões a b e (...truncated)