Auditory processing in stutterers: performance of right and left ears

Revista da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, Jan 2008

PURPOSE: To compare the difference between the performances of right and left ears in behavioral tests of auditory processing and to compare the results obtained by subjects with different stuttering severity classifications in each auditory processing test. METHODS: Fifty six subjects (49 male, 7 female), with ages ranging from four to 34 years, were referred to auditory processing evaluation as a complement to speech and language evaluation. All subjects were submitted to auditory, speech and language evaluation. Disfluency severity was classified according to the Riley Stuttering Severity Index as: very mild, mild, moderate, severe and very severe. Behavioral auditory processing tests were selected and analyzed regarding the patients' age and following the proposal of Pereira & Schochat (1997). RESULTS: Mild stuttering was prevalent among subjects with ages ranging from four to seven years and from 12 to 34 years. Moderate stuttering was the most prevalent degree among subjects with eight to 11 years old. Auditory processing disorders were observed in 92,85% of the subjects tested. Significant statistical differences between left and right ears were found in directed attention conditions for the nonverbal dichotic test, in all age ranges. No differences were found among subjects with different stuttering severity classifications in any of the auditory processing tests carried out. CONCLUSIONS: Right ear showed better results than left ear in both monotic and dichotic tests. Stuttering severity didn't interfere with the results of each test.

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Auditory processing in stutterers: performance of right and left ears

Artigo Original Processamento auditivo em gagos: análise do desempenho das orelhas direita e esquerda Auditory processing in stutterers: performance of right and left ears Adriana Neves de Andrade1, Daniela Gil2, Ana Maria Schiefer3, Liliane Desgualdo Pereira4 Resumo Objetivo: Comparar a diferença entre as orelhas nos testes comportamentais do processamento auditivo e os resultados de sujeitos com diferentes graus de gravidade de gagueira em cada teste do processamento auditivo. Métodos: Cinqüenta e seis indivíduos, com idades entre quatro e 34 anos, foram encaminhados pelo Ambulatório de Avaliação Fonoaudiológica da UNIFESP para avaliação comportamental do processamento auditivo. Todos os pacientes foram submetidos à avaliação de audição, fala e linguagem. A disfluência foi classificada segundo o protocolo de Riley (1994), o qual prevê os seguintes graus de gravidade da gagueira: muito leve, leve, moderado, severo e muito severo. Os testes para avaliação do processamento auditivo foram selecionados e analisados de acordo com a idade do paciente e a proposta de Pereira & Schochat (1997). Resultados: Observamos prevalência da gagueira de grau leve nas faixas etárias de quatro a sete anos e de 12 a 34 anos de idade, e de grau moderado nos indivíduos de oito a 11 anos de idade. Dos 56 indivíduos avaliados 92,85% apresentaram alteração do processamento auditivo. Houve diferença estatisticamente significante entre as orelhas direita e esquerda na etapa de atenção direcionada do teste dicótico não verbal, em todas as faixas etárias estudadas. Não foram encontradas diferenças significativas entre os graus de gravidade da gagueira em nenhum dos testes de processamento auditivo. Conclusões: A orelha direita apresentou melhor desempenho do que a esquerda nos diferentes testes comportamentais. O grau de gravidade da gagueira não interferiu no resultado de cada teste. DESCRITORES: Gagueira; Transtornos da percepção auditiva; Audição; Transtornos da fala Introdução A fluência verbal pode ser definida como a fala de fluxo contínuo e suave decorrente de uma integração harmônica entre os processamentos neurais envolvidos na linguagem e no ato motor(1-2). Para que a fala seja fluente os sistemas simbólicos e de sinais, devem estar equilibrados temporalmente antes que a mensagem gerada chegue ao córtex motor(3). Se estes sistemas desequilibram-se o fluxo da fala é temporariamente rompido, Este trabalho foi realizado no Ambulatório de Avaliação do Processamento Auditivo da Disciplina dos Distúrbios da Audição do Departamento de Fonoaudiologia da Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP – São Paulo (SP), Brasil. (1) Pós-graduanda em Distúrbios da Comunicação Humana - Campo Fonoaudiológico da Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP – São Paulo (SP), Brasil. (2) Doutora, Professora Adjunto do Departamento de Fonoaudiologia da Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP – São Paulo (SP), Brasil. (3) Doutora; Professora Adjunto do Departamento de Fonoaudiologia da Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP – São Paulo (SP), Brasil. (4) Doutora, Professora Adjunto do Departamento de Fonoaudiologia da Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP – São Paulo (SP), Brasil. Endereço para correspondência: Adriana Neves de Andrade. R. São Francisco, 498, Santo Antônio, São Caetano do Sul – SP, CEP 09530-050. E-mail: Recebido em: 21/6/2007; Aceito em: 16/12/2007 Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2008;13(1):20-9 gerando as disfluências(4). Assim, a disfluência é um distúrbio que ocorre no momento da produção da fala, na qual o falante se depara com um impedimento que o impossibilita, momentaneamente, de produzir a palavra que deseja falar(5). Existe uma redução na habilidade de produção dos padrões de percepção auditiva em indivíduos gagos, quando comparados aos não gagos(6). A imprecisão temporal na percepção de fala pode levar a momentos de disfluência e a diminuição das habilidades de processamento pode estar relacionada à incapacidade de manutenção da fala fluente(7-8). Denominamos processamento auditivo (PA) o conjunto de habilidades específicas das quais o indivíduo depende para interpretar o que ouve(9). Quando o indivíduo perde parcialmente ou totalmente a função da análise das imagens auditivas, estamos diante de um distúrbio do processamento auditivo. O PA pode ser um dos fatores que contribuem para a produção do discurso disfluente no nível da produção da sílaba. A relação entre a fluência verbal e a alteração do processamento auditivo não é um fenômeno relacionado somente à gagueira ou não gagueira, mas também um fenômeno normal de fluência e não fluência(10). Existe a hipótese de que os indivíduos com gagueira possuem alteração na dominância cerebral da função da linguagem. Investigações realizadas sobre o desempenho das Processamento auditivo em gagos orelhas direita e esquerda em testes comportamentais do PA em indivíduos gagos e não gagos, não revelaram diferenças entre os grupos estudados e nem entre os graus de gravidade da gagueira e alterações do PA, apesar do desempenho dos indivíduos gagos ter sido discretamente pior em comparação com os não gagos. Desta forma, não foi possível concluir sobre diferenças entre a dominância cerebral hemisférica para a fala, habilidades receptivas e a gagueira(11). Tendo em vista a correlação entre o processamento auditivo e a gagueira, este estudo tem por objetivos: Comparar a diferença entre as orelhas direita e esquerda nos testes comportamentais do processamento auditivo em indivíduos gagos. Comparar os resultados de cada teste do processamento auditivo com o grau de gravidade da gagueira. Métodos Este trabalho foi analisado e aprovado pelo comitê de ética em pesquisa da Universidade Federal de São Paulo sob o nº 0745/05. Realizou-se um estudo retrospectivo por meio do levantamento de prontuários de 56 indivíduos com alteração da fluência da fala, avaliados durante o período de 1999 a 2005, no ambulatório de Avaliação e Diagnóstico Fonoaudiológico da Disciplina dos Distúrbios da Comunicação Humana do Departamento de Fonoaudiologia da Universidade Federal de São Paulo e encaminhados para a avaliação comportamental do Processamento Auditivo na mesma instituição. Nesta pesquisa, todos os indivíduos foram submetidos à avaliação fonoaudiológica específica de gagueira, avaliação audiológica básica e comportamental do processamento auditivo. Analisamos os dados dos protocolos considerando às variáveis: faixa etária, tipo e grau de disfluência da fala. Da avaliação fonoaudiológica, utilizamos, para este estudo, apenas a classificação do grau de gravidade da gagueira, que foi realizado segundo o Stuttering Severity Instrument for Children and Adults – SSI-3(12). Este instrumento classifica a gagueira em: grau muito leve, leve, moderado, severo e muito severo; considerando a freqüência e duração das rupturas da fala, bem como a presença de concomitantes físicos associados a essas rupturas, por meio da análise da fala espontânea e leitura (apenas pa (...truncated)


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Adriana Neves de Andrade, Daniela Gil, Ana Maria Schiefer, Liliane Desgualdo Pereira. Auditory processing in stutterers: performance of right and left ears, Revista da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, 2008, pp. 20-29, Volume 13, Issue 1, DOI: 10.1590/S1516-80342008000100006