Auditory processing of servicemen exposed to occupational noise

Revista CEFAC, Jan 2008

PURPOSE: to evaluate the auditory processing of military personnel exposed to occupational noise. METHODS: 41 servicemen, exposed to noise for at least 10 years were evaluated, divided into Group A (n= 16), without hearing loss and Group B (n= 25), with hearing loss. The following evaluations were carried through: basic audilogic evaluation and auditory processing tests (low-filtered, SSW and Pitch Pattern Sequence tests). RESULTS: there were high incidences of auditory processing alterations, especially at low-filtered test (43.75% and 68% on groups A e B, respectively) and Pitch Pattern Sequence test (68.75% and 48%, on groups A e B, respectively). The SSW test was not efficient to evaluate the central hearing abilities of people exposed to high levels of sound pressure. CONCLUSION: the occupational noise exposure interferes in the auditory processing of military personnel. The alterations on central auditory pathways can be verified even if there is no any alteration on peripheral hearing.Palavras-chave : Hearing; Noise, Occupational; Hearing Tests.

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Auditory processing of servicemen exposed to occupational noise

92 PROCESSAMENTO AUDITIVO DE MILITARES EXPOSTOS A RUÍDO OCUPACIONAL Auditory processing of servicemen exposed to occupational noise Carla Cassandra de Souza Santos (1), Luiza de Salles Juchem (2), Angela Garcia Rossi (3) RESUMO Objetivo: avaliar o processamento auditivo de militares expostos a ruído ocupacional. Métodos: foram avaliados 41 militares, com exposição a ruído superior a 10 anos, subdivididos em Grupo A (n =16), sem perda auditiva e Grupo B (n = 25), com perda auditiva. Foram realizadas avaliação audiológica básica e testes de processamento auditivo (testes de Fala Filtrada, SSW em Português e de Padrão de Freqüência). Resultados: observou-se altas incidências de alteração de processamento auditivo, especialmente no teste de Fala Filtrada (43,75% e 68% nos grupos A e B, respectivamente) e teste de Padrão de Freqüência (68,75% e 48%, nos grupos A e B, respectivamente). O teste SSW não se mostrou eficiente para avaliar as habilidades auditivas centrais de indivíduos expostos a elevados níveis de pressão sonora. Conclusão: a exposição a ruído ocupacional interfere no processamento auditivo de militares. As alterações na via auditiva central podem ser verificadas independente da presença de alteração auditiva periférica. DESCRITORES: Audição; Ruído Ocupacional; Testes Auditivos ■ INTRODUÇÃO Atualmente, a perda auditiva induzida por ruído (PAIR) é a segunda maior causa de perda auditiva neurossensorial, logo após a presbiacusia 1. Tal patologia é a enfermidade profissional irreversível de maior ocorrência em todo o mundo 2. Há bastante tempo, a literatura audiológica tem mostrado os danos causados à audição pelo ruído intenso. Em 1890, já era feita a descrição de achados anátomo-patológicos detectados na cóclea e no nervo coclear de caldeireiros. Foi verificada a degeneração de células situadas na porção basal da cóclea 3. Sabe-se que a PAIR é uma patologia neurossensorial, bilateral e irreversível 4-8. Várias categorias de profissionais trabalham em locais em que o ruído é suficientemente intenso para causar uma perda (1) Fonoaudióloga; Militar da Aeronáutica; Mestre em Distúrbios da Comunicação Humana pela Universidade Federal de Santa Maria. (2) Fonoaudióloga; Integrante da Clínica Escuta em Santa Maria – RS; Mestre em Distúrbios da Comunicação Humana pela Universidade Federal de Santa Maria. (3) Fonoaudióloga; Professora adjunta da Universidade Federal de Santa Maria; Doutora em Distúrbios da Comunicação Humana pela Universidade Federal de São Paulo. Rev CEFAC, São Paulo, v.10, n.1, 92-103, jan-mar, 2008 auditiva. Em homens expostos a ruído industrial, por mais de cinco horas por dia por até 35 anos, foram observadas mudanças ocorridas no limiar auditivo na freqüência de 4000 Hz em função da exposição em anos. Ficou evidente que a máxima mudança ocorreu dos dez aos 12 anos de exposição, independente do nível de ruído 9. Em mulheres tecelãs expostas a ruído intenso, foi verificada perda da acuidade auditiva nos primeiros dez a 15 anos de exposição, seguido por um período de cerca de dez anos na qual a deterioração foi muito pequena 10. De 300 funcionários de uma usina siderúrgica e metalúrgica, foram encontradas 34% de audiometrias alteradas. Além disso, muitas queixas auditivas e neuro-vegetativas foram citadas pelos indivíduos, como, por exemplo, 18,3% deles relataram diminuição da acuidade auditiva para conversação. Todas as queixas foram mais freqüentes em indivíduos com audiometria alterada e no grupo de trabalhadores com dois a cinco anos de serviço 11. Metalúrgicos também foram alvos de outro estudo, sendo todos os avaliados com idade entre 56 e 68 anos e mais de 30 anos de exposição a ruído intenso. Os resultados mostraram que 52% dos indivíduos até 62 anos e 67% dos indivíduos com mais de 62 anos apresentaram perda audi- O processamento auditivo de militares tiva severa nas freqüências de 3, 4 ou 6 KHz. Os testes de discriminação vocal com o uso de monossílabos no silêncio foram encontrados dentro do padrão de normalidade em quase 100% da amostra. Os mesmos testes aplicados com ruído causaram uma diminuição dos índices com piora de cerca de 20% 12. As alterações auditivas sugestivas de PAIR em metalúrgicos jovens avaliados por outros autores, totalizaram 21% e 41% dos avaliados, respectivamente 13,14. Além da perda auditiva, as pessoas expostas a ruído ocupacional costumam relatar diversas queixas. Sensação de perda auditiva, dificuldade de comunicação, zumbido, intolerância a sons intensos foram algumas queixas encontradas na literatura 15. Neste estudo, a sensação de perda auditiva mostrou uma nítida progressão, de acordo com o tempo de exposição a ruído. Houve um aumento considerável na dificuldade de comunicação em indivíduos que estavam trabalhando expostos a ruído há mais de 12 anos. Muitas queixas auditivas, além de um percentual de 50% de alterações auditivas à audiometria, foram encontradas em funcionários de seções de manutenção e lavanderia de um hospital 16. Em ex-funcionários de uma indústria de bebidas, onde todos os avaliados já possuíam perda auditiva neurossensorial, as queixas mais relatadas foram: zumbido (68,7%), disacusia (62,5%), recrutamento (56,2%) e dificuldade de compreensão de fala (43,7%) 17. Os militares constituem o grupo estudado por diversos autores e sabe-se que esses profissionais têm alta incidência de perda auditiva 18-20. Pesquisadores avaliaram os perfis auditivos de um grupo de militares de uma unidade do exército. Foram avaliados 99 sujeitos do sexo masculino, nos quais verificou-se alteração em 38,1% dos traçados audiométricos, sendo a maioria sugestiva de PAIR. A perda auditiva encontrada foi mais intensa quanto maior a idade e o tempo de serviço 20. Os indivíduos que se expõem ao ruído em seus ofícios, periodicamente devem ser submetidos à avaliação auditiva. De acordo com NR-7, do Ministério do Trabalho e Emprego 21, o trabalhador deve ser submetido à audiometria tonal liminar por via aérea e, em caso de alterações, avaliação por via óssea e determinação dos limiares de reconhecimento de fala. Com este tipo de avaliação, facilmente, é possível verificar a presença ou não de PAIR. Esse déficit sensorial tem sido bastante estudado e, nesse caso, o dano auditivo tem sua localização na porção coclear do sistema auditivo 3,6. Porém, sabe-se que a audição não é apenas a percepção da presença dos sons. Além disso, a audiometria tonal é limitada para informar sobre a capacidade de comunicação dos indivíduos, pois a 93 percepção da fala envolve a audição periférica e a central 22. Processamento auditivo é o conjunto de habilidades específicas que permitem o indivíduo interpretar o que ouve. Tal habilidade é mediada por centros auditivos do tronco encefálico e cérebro 23. As habilidades auditivas ou os processos do sistema auditivo central são: • fechamento auditivo – capacidade do ouvinte normal em utilizar redundâncias extrínsecas e intrínsecas para preencher partes distorcidas ou ausentes do som ou (...truncated)


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Carla Cassandra de Souza Santos, Luiza de Salles Juchem, Angela Garcia Rossi. Auditory processing of servicemen exposed to occupational noise, Revista CEFAC, 2008, pp. 92-103, Volume 10, Issue 1, DOI: 10.1590/S1516-18462008000100013