ANNONACEAE OF THE RESTINGAS OF RIO DE JANEIRO STATE, BRAZIL
ANNONACEAE DAS RESTINGAS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, BRASIL
Adriana Quintella Lobão1, Dorothy Sue Dunn de Araujo 2 & Bruno Coutinho Kurtz 1
RESUMO
(Annonaceae das restingas do estado do Rio de Janeiro, Brasil.) A família Annonaceae está representada nas
restingas do estado do Rio de Janeiro por nove espécies: Anaxagorea dolichocarpa Sprague & Sandwith,
Annona acutiflora Mart., A. glabra L., A. montana Macfad., Duguetia sessilis (Vell.) Maas, Guatteria
nigrescens Mart., Oxandra nitida R.E.Fr., Xylopia ochrantha Mart. e X. sericea A.St.-Hil. Apresentam-se
chave de identificação das espécies, breves descrições, ilustrações e comentários sobre fenologia, distribuição
geográfica, habitats e usos.
Palavras-chave: Annonaceae, flora, taxonomia.
ABSTRACT
(Annonaceae of the restingas of Rio de Janeiro State, Brazil) The family Annonaceae is represented in the
restingas (sandy coastal plains) of Rio de Janeiro State by nine species: Anaxagorea dolichocarpa Sprague
& Sandwith, Annona acutiflora Mart., A. glabra L., A. montana Macfad., Duguetia sessilis (Vell.) Maas,
Guatteria nigrescens Mart., Oxandra nitida R.E.Fr., Xylopia ochrantha Mart. and X. sericea A.St.-Hil. A
species key, short descriptions, illustrations and comments on the phenology, geographic distribution,
habitats and uses are included.
Key-words: Annonaceae, flora, taxonomy.
I NTRO DUÇÃO
O termo restinga pode ser usado no
sentido geomorfológico, significando diversos
tipos de depósitos arenosos litorâneos de origem
marinha, ou no sentido botânico, designando
o co njun to d e co mu n id ad es v egetais
fisionomicamente distintas, sob influência
marinha e fluvio-marinha (Araujo 1992).
As restingas do estado do Rio de Janeiro
ocupam uma área de 1.200 km2, ou seja, cerca
de 2,8% de seu território (Araujo & Maciel
1998). São encontradas 10 comunidades vegetais nessas planícies arenosas costeiras, variando de herbáceas até arbóreas (Araujo et
al. 1998). Essas comunidades ocupam habitats
marginais à mata atlântica e são extremamente frágeis devido a sua dependência em reduzido número de espécies focais (Scarano 2002).
Annonaceae constitui a principal família
do clado Magnoliales (APG 2003) e é uma
das maiores entre as Angiospermas, com cerca
de 135 gêneros e 2.500 espécies (Chatrou et
al. 2004). A família possui distribuição
pantropical, sendo que no neotrópico está
repr esen tada p or ap ro ximadamente 40
gêneros e 900 espécies (Chatrou et al. 2004)
e no Brasil por 26 gêneros (sete endêmicos)
com cerca de 260 espécies (Maas et al. 2002).
Apresenta considerável riqueza de espécies
principalmente na região amazônica e na
floresta atlântica (s.l.).
Annonaceae é conhecida principalmente
por seus frutos comestíveis, tais como a fruta
do conde ou ata (Annona squamosa L.) e a
graviola (A. muricata L.). Além disso, algumas
espécies fornecem madeira própria para
carpintaria e raízes utilizáveis como cortiça (A.
glabra L., A. crassiflora Mart.); outras são
consideradas medicinais (A. spinescens Mart.,
A. foetida Mart.) e ornamentais (A. cacans
Warm. e Xylopia sericea A.St.-Hil.) (Corrêa
1984).
São arbustos, arvoretas ou árvores.
Tricomas simples, escamiformes ou estrelados.
Folhas alternas, simples, dísticas. Flor 1 ou em
inflorescência, axilar, extra-axilar, opositifolia,
Artigo recebido em 03/2005. Aceito para publicação em 07/2005.
1
Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, rua Pacheco Leão 915, 22460-030, Rio de Janeiro, RJ, Brasil,
2
Laboratório de Ecologia Vegetal, Instituto de Biologia, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Caixa Postal 68020, Ilha
do Fundão, CEP 21941-590, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.
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caulinar ou em ramo flageliforme; sépalas
três; pétalas seis, em dois ciclos, subiguais a
bastante diferentes entre si; estames poucos
a numerosos, conectivo dilatado em forma de
disco; carpelos poucos a numerosos, livres ou
soldados na base. Fruto apocárpico, pseudosincárpico ou sincárpico; carpídios deiscentes
ou indeiscentes. Sementes com endosperma
ruminado e embrião diminuto.
Este trabalho tem como finalidade ampliar
o co nh ecimen to sob re as espécies d e
Annonaceae ocorrentes nas restingas do
estado do Rio de Janeiro.
MATERIAL E MÉTODOS
As descrições, ilustrações e informações
sobre floração e frutificação das espécies
foram baseadas nos materiais das restingas do
estado do Rio de Janeiro depositados principalmente no herbário RB. Quando necessário
foi utilizado material adicional. Informações
relacionadas à distribuição geográfica e usos
foram obtidas da literatura. Os materiais
analisados estão organizados em ordem
Lobão, A. Q., Araújo, D. S. D. & Kurtz, B. C.
alfabética de municípios e, dentro desses, em
ordem cronológica. A terminologia morfológica
foi baseada em Radford et al. (1974).
Apresenta-se chave de identificação das
espécies, breves descrições, ilustrações, e
comentários sobre fenologia, distribuição
geográfica, habitat e usos das espécies.
R ESULTADOS E DISCUSSÃO
Nas r estin gas d o Rio d e Jan eiro ,
Ann onaceae está rep resentad a po r seis
gên er os e no ve espécies: Ana xag o rea
d ol icho carpa , Ann on a a cu tiflo ra , A.
glabra, A. mon tana, Duguetia sessilis,
Gua tteria nig rescens, Oxandra n itid a,
Xylopia ochrantha e X. sericea.
Das espécies aqui tratadas, somente
Annona glabra possui ampla distribuição nas
planícies arenosas do sul e sudeste brasileiro.
As outras espécies, com exceção de Duguetia
sessilis, que é endêmica ao estado do Rio
de Janeiro, e Annona montana, que é citada
aqui pela primeira vez em restinga, ocorrem
nas restingas do Espírito Santo e/ou Bahia.
Chave para identificação das espécies
1. Fruto apocárpico ou pseudo-sincárpico. Flor axilar, caulinar ou em ramo flageliforme.
2. Carpídios deiscentes. Estaminódios presentes.
3. Botão ovóide. Anteras não septadas transversalmente. Carpídios claviformes ...............
........................................................................................ 1. Anaxagorea dolichocarpa
3’. Botão estreitamente piramidal. Anteras septadas transversalmente. Carpídios elipsóides.
4. Flores caulinares. Lâminas foliares 6-10 x 2,5-4 cm, elípticas, glabras em ambas as faces
.......................................................................................... 8. Xylopia ochrantha
4’. Flores axilares. Lâminas foliares 7-10,5 x 1-2 cm, estreitamente elípticas, glabras na face
adaxial, densamente cobertas por tricomas adpressos na face abaxial .... 9. Xylopia sericea
2’. Carpídios indeiscentes. Estaminódios ausentes.
5. Fruto apocárpico. Flor 1 ou em inflorescência, axilar.
6. Flor 1. Carpídios com estipes ca. 5-10 mm compr. ............. 6. Guatteria nigrescens
6’. Flor em inflorescência. Carpídios sésseis ................................... 7. Oxandra nitida
5’. Fruto pseudo-sincárpico. Flores em inflorescência, em ramo flageliforme partindo da base
do tronco paralelamente ao solo ................................................... 5. Duguetia sessilis
1’. Fruto sincárpico. Flor extra-axilar, opositifo (...truncated)