ANNONACEAE OF THE RESTINGAS OF RIO DE JANEIRO STATE, BRAZIL

Rodriguésia, Jan 2005

The family Annonaceae is represented in the restingas (sandy coastal plains) of Rio de Janeiro State by nine species: Anaxagorea dolichocarpa Sprague & Sandwith, Annona acutiflora Mart., A. glabra L., A. montana Macfad., Duguetia sessilis (Vell.) Maas, Guatteria nigrescens Mart., Oxandra nitida R.E.Fr., Xylopia ochrantha Mart. and X. sericea A.St.-Hil. A species key, short descriptions, illustrations and comments on the phenology, geographic distribution, habitats and uses are included.Palavras-chave : Annonaceae; flora; taxonomy.

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ANNONACEAE OF THE RESTINGAS OF RIO DE JANEIRO STATE, BRAZIL

ANNONACEAE DAS RESTINGAS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, BRASIL Adriana Quintella Lobão1, Dorothy Sue Dunn de Araujo 2 & Bruno Coutinho Kurtz 1 RESUMO (Annonaceae das restingas do estado do Rio de Janeiro, Brasil.) A família Annonaceae está representada nas restingas do estado do Rio de Janeiro por nove espécies: Anaxagorea dolichocarpa Sprague & Sandwith, Annona acutiflora Mart., A. glabra L., A. montana Macfad., Duguetia sessilis (Vell.) Maas, Guatteria nigrescens Mart., Oxandra nitida R.E.Fr., Xylopia ochrantha Mart. e X. sericea A.St.-Hil. Apresentam-se chave de identificação das espécies, breves descrições, ilustrações e comentários sobre fenologia, distribuição geográfica, habitats e usos. Palavras-chave: Annonaceae, flora, taxonomia. ABSTRACT (Annonaceae of the restingas of Rio de Janeiro State, Brazil) The family Annonaceae is represented in the restingas (sandy coastal plains) of Rio de Janeiro State by nine species: Anaxagorea dolichocarpa Sprague & Sandwith, Annona acutiflora Mart., A. glabra L., A. montana Macfad., Duguetia sessilis (Vell.) Maas, Guatteria nigrescens Mart., Oxandra nitida R.E.Fr., Xylopia ochrantha Mart. and X. sericea A.St.-Hil. A species key, short descriptions, illustrations and comments on the phenology, geographic distribution, habitats and uses are included. Key-words: Annonaceae, flora, taxonomy. I NTRO DUÇÃO O termo restinga pode ser usado no sentido geomorfológico, significando diversos tipos de depósitos arenosos litorâneos de origem marinha, ou no sentido botânico, designando o co njun to d e co mu n id ad es v egetais fisionomicamente distintas, sob influência marinha e fluvio-marinha (Araujo 1992). As restingas do estado do Rio de Janeiro ocupam uma área de 1.200 km2, ou seja, cerca de 2,8% de seu território (Araujo & Maciel 1998). São encontradas 10 comunidades vegetais nessas planícies arenosas costeiras, variando de herbáceas até arbóreas (Araujo et al. 1998). Essas comunidades ocupam habitats marginais à mata atlântica e são extremamente frágeis devido a sua dependência em reduzido número de espécies focais (Scarano 2002). Annonaceae constitui a principal família do clado Magnoliales (APG 2003) e é uma das maiores entre as Angiospermas, com cerca de 135 gêneros e 2.500 espécies (Chatrou et al. 2004). A família possui distribuição pantropical, sendo que no neotrópico está repr esen tada p or ap ro ximadamente 40 gêneros e 900 espécies (Chatrou et al. 2004) e no Brasil por 26 gêneros (sete endêmicos) com cerca de 260 espécies (Maas et al. 2002). Apresenta considerável riqueza de espécies principalmente na região amazônica e na floresta atlântica (s.l.). Annonaceae é conhecida principalmente por seus frutos comestíveis, tais como a fruta do conde ou ata (Annona squamosa L.) e a graviola (A. muricata L.). Além disso, algumas espécies fornecem madeira própria para carpintaria e raízes utilizáveis como cortiça (A. glabra L., A. crassiflora Mart.); outras são consideradas medicinais (A. spinescens Mart., A. foetida Mart.) e ornamentais (A. cacans Warm. e Xylopia sericea A.St.-Hil.) (Corrêa 1984). São arbustos, arvoretas ou árvores. Tricomas simples, escamiformes ou estrelados. Folhas alternas, simples, dísticas. Flor 1 ou em inflorescência, axilar, extra-axilar, opositifolia, Artigo recebido em 03/2005. Aceito para publicação em 07/2005. 1 Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, rua Pacheco Leão 915, 22460-030, Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2 Laboratório de Ecologia Vegetal, Instituto de Biologia, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Caixa Postal 68020, Ilha do Fundão, CEP 21941-590, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. 86 caulinar ou em ramo flageliforme; sépalas três; pétalas seis, em dois ciclos, subiguais a bastante diferentes entre si; estames poucos a numerosos, conectivo dilatado em forma de disco; carpelos poucos a numerosos, livres ou soldados na base. Fruto apocárpico, pseudosincárpico ou sincárpico; carpídios deiscentes ou indeiscentes. Sementes com endosperma ruminado e embrião diminuto. Este trabalho tem como finalidade ampliar o co nh ecimen to sob re as espécies d e Annonaceae ocorrentes nas restingas do estado do Rio de Janeiro. MATERIAL E MÉTODOS As descrições, ilustrações e informações sobre floração e frutificação das espécies foram baseadas nos materiais das restingas do estado do Rio de Janeiro depositados principalmente no herbário RB. Quando necessário foi utilizado material adicional. Informações relacionadas à distribuição geográfica e usos foram obtidas da literatura. Os materiais analisados estão organizados em ordem Lobão, A. Q., Araújo, D. S. D. & Kurtz, B. C. alfabética de municípios e, dentro desses, em ordem cronológica. A terminologia morfológica foi baseada em Radford et al. (1974). Apresenta-se chave de identificação das espécies, breves descrições, ilustrações, e comentários sobre fenologia, distribuição geográfica, habitat e usos das espécies. R ESULTADOS E DISCUSSÃO Nas r estin gas d o Rio d e Jan eiro , Ann onaceae está rep resentad a po r seis gên er os e no ve espécies: Ana xag o rea d ol icho carpa , Ann on a a cu tiflo ra , A. glabra, A. mon tana, Duguetia sessilis, Gua tteria nig rescens, Oxandra n itid a, Xylopia ochrantha e X. sericea. Das espécies aqui tratadas, somente Annona glabra possui ampla distribuição nas planícies arenosas do sul e sudeste brasileiro. As outras espécies, com exceção de Duguetia sessilis, que é endêmica ao estado do Rio de Janeiro, e Annona montana, que é citada aqui pela primeira vez em restinga, ocorrem nas restingas do Espírito Santo e/ou Bahia. Chave para identificação das espécies 1. Fruto apocárpico ou pseudo-sincárpico. Flor axilar, caulinar ou em ramo flageliforme. 2. Carpídios deiscentes. Estaminódios presentes. 3. Botão ovóide. Anteras não septadas transversalmente. Carpídios claviformes ............... ........................................................................................ 1. Anaxagorea dolichocarpa 3’. Botão estreitamente piramidal. Anteras septadas transversalmente. Carpídios elipsóides. 4. Flores caulinares. Lâminas foliares 6-10 x 2,5-4 cm, elípticas, glabras em ambas as faces .......................................................................................... 8. Xylopia ochrantha 4’. Flores axilares. Lâminas foliares 7-10,5 x 1-2 cm, estreitamente elípticas, glabras na face adaxial, densamente cobertas por tricomas adpressos na face abaxial .... 9. Xylopia sericea 2’. Carpídios indeiscentes. Estaminódios ausentes. 5. Fruto apocárpico. Flor 1 ou em inflorescência, axilar. 6. Flor 1. Carpídios com estipes ca. 5-10 mm compr. ............. 6. Guatteria nigrescens 6’. Flor em inflorescência. Carpídios sésseis ................................... 7. Oxandra nitida 5’. Fruto pseudo-sincárpico. Flores em inflorescência, em ramo flageliforme partindo da base do tronco paralelamente ao solo ................................................... 5. Duguetia sessilis 1’. Fruto sincárpico. Flor extra-axilar, opositifo (...truncated)


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Adriana Quintella Lobão, Dorothy Sue Dunn de Araujo, Bruno Coutinho Kurtz. ANNONACEAE OF THE RESTINGAS OF RIO DE JANEIRO STATE, BRAZIL, Rodriguésia, 2005, pp. 85-96, Volume 56, Issue 87, DOI: 10.1590/2175-78602005568706