The quality of life of adolescents with spina bifida at the Children's National Medical Center Washington DC
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The quality of life of adolescents with spina
bifida at the Children’s National Medical
Center – Washington DC
Ana Helena Rotta Soares 1
Martha Cristina Nunes Moreira 1
Lúcia Maria Costa Monteiro 2
Hans G. Pohl 3
1 Saúde & Brincar –
Programa de Atenção
Integral à Criança
Hospitalizada,
Departamento de Ensino
do Instituto Fernandes
Figueira, Fiocruz.
Av. Rui Barbosa 716,
Flamengo, 22250-020,
Rio de Janeiro RJ.
2 Ambulatório de
Urodinâmica do Instituto
Fernandes Figueira,
Fiocruz; Grupo de Pesquisa
Avanços em Uropediatria.
3 Diretoria de Pesquisa
do Children’s National
Medical Center.
Abstract The present article explores the quality
of life of adolescents with spina bifida at the Children’s National Medical Center in Washington
DC. The research is based on a qualitative perspective that utilizes the “Theory of stigma” as the
central theoretical framework, in addition to the
discussions of the concept of quality of life and its
dimensions. Fifteen adolescents were interviewed
at the above institution, eight of which then participated in a focal group structured through issues that emerged during this previous phase. The
discourses reflected the need for more encompassing categories for quality of life that do not pulverize the life experience. The adolescent’s discourses demonstrate an inequality structure in
interactions between the healthy and the disabled.
The results demonstrated that stigma permeates
all life dimensions of these subjects, interfering in
their social inclusion, as well as in their subjective
construction and self-esteem, asserting the role of
the disabled as a “non-person”. Finaly, we found
that even though sexuality was not prioritized in
other instruments that contemplate this population, the theme emerges as central to the discussion of their life experiences.
Key words Quality of life, Stigma, Adolescence,
Disability
Resumo O presente artigo tem como objetivo
explorar a qualidade de vida de jovens portadores
de espinha bífida atendidos no Children’s National Medical Center em Washington DC. A pesquisa baseia-se em uma perspectiva qualitativa
que utiliza como referencial teórico central a
“Teoria do estigma” e as discussões conceituais sobre as dimensões de qualidade de vida. Foram entrevistados 15 jovens do serviço acima citado,
sendo que 8 deles participaram de um grupo focal
construído através das questões levantadas durante entrevistas. Os discursos dos jovens em
questão refletem a necessidade de categorias mais
englobantes que não remetam a uma pulverização da experiência de vida. Evidenciou-se uma
estrutura de desigualdade nas interações entre
saudáveis e deficientes, e reproduzida pelos próprios jovens. Os resultados demonstram que o estigma se encontra presente em todas as dimensões
da vida dos sujeitos, interferindo na inserção social, construção subjetiva do jovem e sua auto-estima, reforçando o papel do portador de deficiência como uma “não-pessoa”. Embora a categoria
sexualidade não seja priorizada em outros instrumentos para esta população, o tema se faz presente e central na discussão da experiência da vida
dos mesmos.
Palavras-chave Qualidade de vida, Estigma,
Adolescência, Portador de deficiência física
TEMAS LIVRES FREE THEMES
A qualidade de vida de jovens portadores
de espinha bífida do Children’s National
Medical Center – Washington DC
Soares, A. H. R. et al.
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Introdução
O presente artigo refere-se aos dados preliminares da pesquisa de doutorado “Análise exploratória da qualidade de vida de adolescentes
portadores de espinha bífida, brasileiros e norte-americanos”. Discutem-se aqui os dados produzidos na primeira fase da pesquisa no Children´s National Medical Center (CNMC) em
Washington DC, realizada durante o período
de fevereiro a julho de 2004. A pesquisa tem como objetivo explorar a qualidade de vida de
pacientes portadores de espinha bífida em dois
serviços de referência: no Brasil e nos Estados
Unidos. A busca de um serviço norte-americano que é referência para o tratamento de espinha bífida não objetiva a comparação entre
dois universos distintos (Brasil e Estados Unidos), mas compreende que em uma sociedade
mundializada com fronteiras fluidas, uma situação social serve de referência para outra,
sem a pretensão comparativa1.
Embasada em uma perspectiva qualitativa,
a pesquisa tem como referencial teórico central
a “Teoria do estigma”2 e a discussão conceitual
das dimensões de qualidade de vida3 no campo
da sociologia da saúde e da medicina4. Temos
como pressuposto a concepção de que o estigma relacionado ao jovem portador de espinha
bífida está diretamente associado à maneira como o mesmo é percebido e percebe sua posição
na vida, definindo os elementos essenciais para
seu bem-estar e satisfação de acordo com sua
cultura, crenças, valores e expectativas. Entendemos, ainda, que esse processo se configura a
partir de uma linguagem interacional, que se
constrói através do encontro entre suas marcas
e as expectativas normativas da sociedade em
que o portador se encontra inserido. Para a discussão do conceito de qualidade de vida, recorremos à Minayo et al.3, que definem o construto como uma noção que pressupõe a capacidade de unificar todos os elementos essenciais para o bem-estar e a satisfação do indivíduo em
uma sociedade, de acordo com sua cultura,
crenças, valores e expectativas. Assim, discutimos a qualificação e a atribuição de sentidos à
experiência da espinha bífida na juventude
através da perspectiva dos adolescentes estudados. A qualidade de vida como estratégia conceitual para a percepção da vida do indivíduo
estigmatizado se estabelece como uma ferramenta de observação, exploração e organização desta vivência em diferentes culturas. Deste modo, optamos pelo estudo da qualidade de
vida de jovens portadores de espinha bífida,
através de um método que contempla este universo interacional de significados e crenças, ou
seja, o método qualitativo.
Cabe ressaltar que na revisão empreendida
sobre qualidade de vida foi observado que os
instrumentos utilizados demonstravam uma
tendência à especificação de muitos domínios
para descrevê-la5, 6, 7, 8. Essa tendência talvez
reflita a necessidade de aumentar o alcance dos
aspectos relacionados ao conceito de qualidade
de vida. No entanto, a presente pesquisa se preocupou em formar categorias mais englobantes,
que não remetam a uma pulverização da experiência de vida.
População e métodos
Foram incluídos no presente estudo, após consentimento, 15 jovens, 9 do sexo feminino e 6
do sexo masculino, entre 15 e 20 anos, portadores de espinha bífida e usuários da Clínica de
Espinha Bífida do CNMC em Washington DC,
durante o período de seis meses. É importante
ressaltar que o projeto de pesquisa foi submetido ao Institutional Review Board do CNMC
para avaliação ética e aprovado no dia 22 de
março de 2004.
O recrutamento de jovens para o estudo foi
realizado durante visitas de rotina ao serviço
acima citado. Com o propósito de alcançar uma
visão de qualidade de vid (...truncated)