Disabled adolescents: sexuality and stigma
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Disabled adolescents: sexuality and stigma
Ana Helena Rotta Soares 1
Martha Cristina Nunes Moreira 1
Lúcia Maria Costa Monteiro 2
1
Saúde & Brincar –
Programa de Atenção
Integral à Criança
Hospitalizada,
Departamento de Ensino
IFF/FIOCRUZ. Av. Rui
Barbosa 716, Flamengo.
22250-020. Rio de Janeiro
RJ.
2
Ambulatório de
Urodinâmica Pediátrica,
IFF/FIOCRUZ.
Abstract This paper is designed to extend discussions of disability and sexuality, highlighting the
expectations, beliefs, desires and experiences of
young people with physical disability and presenting the partial findings of the doctoral research
project entitled “You laugh because I am different,
I laugh because you are all the same: dimensions
of the quality of life in adolescents with spina bifida”, which discusses the quality of life in two
cultures: Brazilian and American. The perception and interest of the participants, and their
need to discuss problems related to their sexuality
and its implications for their families, friends and
healthcare services spurred investigations of this
topic in greater depth, indicating the need to address concepts of sexuality on broader bases. The
discourse of these youngsters stresses four aspects
related to the experience of sexuality: (1) Sexuality and care; (2) Sexuality, body image and discredited characteristics; (3) Sexuality of people
with special needs from the standpoint of violence,
and finally; (4) Sexuality and questions about
medical information.
Key words Adolescence, Disability, Stigma, Sexuality, Quality of life
Resumo O presente artigo pretende ampliar a
discussão sobre deficiência e sexualidade valorizando as expectativas, crenças, desejos e experiências de jovens com deficiência física. Refere-se a
um recorte parcial dos dados da pesquisa de doutorado “Vocês riem porque eu sou diferente, eu
rio porque vocês são todos iguais: as dimensões da
qualidade de vida em jovens portadores de espinha bífida”, que objetivou discutir a qualidade da
vida de jovens portadores de espinha bífida em
duas culturas: brasileira e norte-americana. A
percepção, interesse e problematização dos participantes em relação à sua sexualidade e seus desdobramentos na sua família, serviço de saúde e
círculo de amizades motivaram um maior aprofundamento da temática e apontaram para a necessidade de abordar o conceito sexualidade de
maneira englobante. Os discursos dos jovens priorizam quatro aspectos relacionados à vivência da
sexualidade: (1) sexualidade e cuidado; (2) sexualidade, imagem corporal e as características desacreditáveis; (3) a sexualidade do portador de deficiência física através do olhar da violência, e finalmente; (4) a sexualidade e interrogação das
informações médicas.
Palavras-chave Juventude, Deficiência física,
Estigma, Sexualidade, Qualidade de vida
TEMAS LIVRES FREE THEMES
Jovens portadores de deficiência: sexualidade e estigma
Soares, A. H. R. et al.
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Introdução
Segundo Heilborn et al.1, as idéias difundidas pelo
senso comum e pela mídia sustentam que a juventude deve ser protegida e disciplinada. Tal
proteção se refere tanto ao que se acredita serem
características próprias da adolescência, como
irresponsabilidade, imaturidade, inconseqüência,
quanto aos perigos da sociedade, como drogas,
violência e sexo. Deste modo, observa-se ao longo dos anos a associação da juventude com as
práticas de risco, relacionamentos transitórios,
irresponsabilidade e vitimização. Para o jovem
portador de deficiência, a questão do risco e o
sentimento de insegurança florescem com maior
intensidade. A relação lógica de causa e efeito
entre a juventude como uma ameaça constante a
si mesmo e à sociedade e a necessidade de prevenção a sua exposição a determinados fatores
fica ressaltada e intensificada quando a juventude em referência foge dos padrões de “normalidade”. Desta forma, busca-se tanto na família,
quanto nos serviços de saúde e finalmente, na
sociedade em geral, uma maneira para prevenir,
disciplinar e controlar a juventude deficiente.
O imaginário social que envolve o jovem deficiente contribui para uma visão estigmatizante
e limitante pautada em valores, crenças e expectativas sociais que traduzem o portador de deficiência como um incapaz, frágil e vulnerável2. As
dificuldades destes jovens em exercitar seus direitos e buscar sua autonomia através da inserção e participação social efetiva dizem respeito
essencialmente ao cumprimento dos direitos desta população, incluindo o direito à sexualidade.
O fator de risco ressaltado no caso destes jovens
se retroalimenta do pressuposto de que o indivíduo portador de deficiência é um ser incompleto
sexualmente sem possibilidades ou desejos afetivo-sexuais, que deve ser cuidado, disciplinado e
protegido.
Para Lhomond3, a sexualidade é um fenômeno socialmente construído, apesar de ser considerado, muitas vezes, como uma evidência “natural”. A autora aborda a concepção da sexualidade como um conjunto de leis, costumes, regras
e normas variáveis no tempo e espaço, que reflete
o pensamento social sobre a mesma, além da
maneira que a mesma é controlada e organizada
pela sociedade. Segundo Bastos & Deslandes4, uma
das maiores barreiras para a discussão da sexualidade de pessoas com deficiência deve-se à escassez de relatos de experiência sobre o assunto, que
alimentada pelo preconceito e discriminação existentes colabora para uma perspectiva de que o
portador de deficiência não tem direito a exercer a
sua sexualidade. Desta forma, o desenvolvimento
desta faceta fundamental para o ser humano tem
sido negligenciado, silenciado e desconsiderado
tanto pelas famílias de portadores de deficiência
quanto pelos profissionais de saúde que atendem
a esta clientela. A dificuldade da sociedade em perceber nestes jovens possibilidades de vinculação
afetiva e sexual limita suas oportunidades de vida,
mantendo uma relação antagônica entre a imagem dos mesmos como “não-pessoa” e o desenvolvimento da sexualidade. Esta postura de negação das possibilidades sexuais destes jovens indica que os mesmos devem ser isolados, protegidos
e infantilizados.
O presente artigo pretende ampliar a discussão sobre deficiência e sexualidade valorizando
as expectativas, crenças, desejos e experiências de
jovens portadores de deficiência física. Acreditamos que tal proposta contribuirá para a transformação da visão limitante e contraproducente
acerca desta população.
Métodos
O presente artigo refere-se a um recorte parcial
dos dados da pesquisa de doutorado “Vocês riem
porque eu sou diferente, eu rio porque vocês são
todos iguais: as dimensões da qualidade de vida em
jovens portadores de espinha bífida”5. O título do
trabalho reflete a presença do estigma através de
uma frase utilizada pelos jovens para diferenciar-se positivamente dos “normais”. A pesquisa
teve como objetivo explorar a qualidade de vida
de pacientes portadores de espinha bífida em dois
serviços de referência: no Brasil e nos Estados
Unidos. A percepção, interesse e problematização dos jovens (...truncated)