Multiple Sclerosis Functional Composite Measure (MSFC) standardized in Brazilian population
Arq Neuropsiquiatr 2005;63(1):127-132
PADRONIZAÇÃO DA MULTIPLE SCLEROSIS
FUNCTIONAL COMPOSITE MEASURE (MSFC)
NA POPULAÇÃO BRASILEIRA
Charles P. Tilbery1, Maria Fernanda Mendes2, Rodrigo Barbosa Thomaz3,
Bianca Etelvina Santos de Oliveira4, Giorge Luiz Ribeiro Kelian5,
Roberta Busch4, Patrícia Príncipe Carvalho Miranda4, Paula Caleffi4
RESUMO - A Multiple Sclerosis Functional Composite Measure (MSFC) é escala para avaliação dos pacientes
portadores de esclerose múltipla, desenvolvida pela National Multiple Sclerosis Society dos EUA em 1994,
que envolve uma composição de três testes - 9-Hole Peg Test, Timed 25-Foot Walk e PASAT - abrangendo de
maneira multidimensional as principais funções neurológicas comprometidas nestes pacientes. A MSFC foi
aplicada em 91 indivíduos sadios com o objetivo de padronizá-la na população brasileira para posterior uso
nos diversos centros de tratamento e pesquisa no Brasil.
PALAVRAS-CHAVE: esclerose múltipla, MSFC, padronização, Brasil.
Multiple Sclerosis Functional Composite Measure (MSFC) standardized in Brazilian population
ABSTRACT - The Multiple Sclerosis Functional Composite Measure (MSFC) is an outcome measure in multiple
sclerosis developed by USA National Multiple Sclerosis Society (1994), a three-part composite clinical
measure - 9-Hole Peg Test, Timed 25-Foot Walk and PASAT. It should be multidimensional in order to reflect
the principal ways MS affects an individual. The MSFC was applied in 91 Brazilian subjects and standardized
to be use in MS centers.
KEY WORDS: multiple sclerosis, MSFC, standardize, Brazil.
As manifestações clínicas da esclerose múltipla
(EM) são variáveis de paciente para paciente e sua
evolução usualmente não é linear, caracterizada por
piora dos sintomas, acúmulo de incapacidades i n t e rcalados, no início da doença, por períodos variáveis
de melhora. Estas variações são difíceis de quantificar na prática neurológica, motivo pelo qual os instrumentos disponíveis para estas avaliações terem
sido até a presente data um desafio constante1,2.
A Sociedade Americana de Esclerose Múltipla
desenvolveu em 1994 nova escala de avaliação de
pacientes com EM, a Multiple Sclerosis Functional
Composite Measure (MSFC), instrumento atualmente utilizado de maneira crescente por centros de t r atamento de pacientes com a doença 1,3.
Com a finalidade de aplicar este teste nos portadores de EM no Brasil, a MSFC foi aplicada em i n d ivíduos sadios com intuito de padronizá-lo na população brasileira.
MÉTODO
Sujeitos – Foram avaliados 91 voluntários normais,
recrutados entre familiares e amigos dos pacientes que freqüentam o Centro de Atendimento e Tratamento de Esclerose Múltipla da Santa Casa de São Paulo (CATEM). Para obedecer aos critérios necessários para validação para
a população brasileira, as variáveis de sexo, idade e escolaridade foram controladas no momento de inclusão dos
sujeitos na amostra. Avaliamos 49 indivíduos do feminino
e 42 do masculino, com faixa etária variando entre 20 e
50 anos e a escolaridade entre 4 e 15 anos (ou mais). Foram criadas três faixas de idade (20-29 anos, 30-39 anos e
40-50 anos) e de escolaridade (4 a 8 anos, 9 a 14 anos, 15
anos ou mais). Com distribuição homogênea dos sujeitos
entre os grupos quanto as variáveis pré-estabelecidas.
Esta pesquisa foi submetida à aprovação do Comitê
de Ética da Santa Casa de São Paulo.
Material – Para a elaboração da MSFC, utilizamos o
material doado pelo Laboratório Abbott do Brasil Ltda,
Centro de Atendimento e Tratamento da Esclerose Múltipla (CATEM) - Disciplina de Neurologia da Faculdade de Ciências Médicas
da Santa Casa de São Paulo, São Paulo SP, Brasil (FCMSCSP): 1Médico Neurologista, Professor Adjunto e Chefe da Disciplina de Neurologia
da Santa Casa de São Paulo; 2Médica Neurologista, Professora Assistente da Disciplina de Neurologia da FCMSCSP; 3Médico Neurologista,
Pós-graduando do CATEM; 4Fonoaudiólogas da Santa Casa de São Paulo.
Recebido 1 Julho 2004. Aceito 14 Outubro 2004
Dr. Charles Peter Tilbery - Avenida Albert Einstein 627/1217 - 05651-901 São Paulo SP - Brasil. E-mail:
128
Arq Neuropsiquiatr 2005;63(1)
composto por: 1) Manual de Administração e Escores para
o MSFC, 2) Kit para a realização do 9-HPT, 3) Fita Cassete,
com gravação completa do PASAT, em inglês. Os testes f oram traduzidos e/ou adaptados de acordo com a sua necessidade, conforme descreveremos a seguir, sendo seguidas as instruções do manual4.
Para a realização do Teste Caminhada Cronometrada
de 25 pés (Timed 25-Foot Walk - 25-FW), foi pintada uma
faixa branca, com 7,62 metros em um corredor do Hospital Central da Santa Casa de São Paulo, coberto, com
piso antiderrapante. O sujeito da pesquisa era orientado
a utilizar sapatos confortáveis, não sendo permitido c a rregar nenhum objeto durante a prova. Um cronômetro
é necessário para a medição do tempo, que é expresso
em décimos de segundo (Ex. 35,45” deverá ser arredondado para 35,5” e 35,44” para 35,4”). São realizadas duas
tentativas consecutivas, sendo o tempo máximo de 180
segundos por tentativa.
No Teste dos 9 Pinos nos Buracos (9-Hole Peg Test 9 - H T P ), é necessário o equipamento adequado, apoiado
sobre uma mesa, com o sujeito confortavelmente sentado. A plataforma de testes é composta por nove orifícios, um compartimento para os pinos, com um total
de 15 pinos. O equipamento é disposto horizontalmente
em frente ao sujeito, de forma que o compartimento que
contém os pinos fique voltado para a mão que será testada. O teste será realizado duas vezes em cada mão,
sendo duas tentativas consecutivas com a mão dominante, seguidas imediatamente por duas tentativas consecutivas com a mão não dominante. A mão utilizada com
maior freqüência para a escrita foi considerada como a
mão dominante. Um cronômetro foi utilizado para a medição do tempo, expresso em décimos de segundos. O
tempo máximo permitido por teste é 300 segundos.
A versão brasileira do Teste Auditivo Compassado de
Adição Seriada (Paced Auditory Serial Addition Task PASAT) foi elaborada, gravada e aplicada por uma equipe
de fonoaudiólogas. Os estímulos foram gravados em cabine acústica através de sistema digital, nas duas versões,
com intervalos interestímulos de três e dois segundos.
Para evitar distorções após utilizações repetidas, utilizamos a gravação em Compact Disc. Foi realizada a gravação de três seqüências de treinamento com 11 estímulos
cada, para o teste de treinamento de 3” e de 2”. A forma A e B do teste foram gravadas com 3” e 2”, sendo
que cada uma delas contém 61 estímulos. Neste teste,
os estímulos são algarismos de um a nove, apresentados
em seqüência aleatória e pré-determinada. A tarefa consiste em realizar a soma dos números apresentados, dois
a dois, desconsiderando o resultado do cálculo, assim, se
a seqüência for “7, 8, 6, 3 e 7” a resposta correta será
“15, 14, 9 e 10”. O teste é iniciado com a apresentação
da seqüência numérica a cada 3”. Para a aplicação do teste,
é necessário ambiente silencioso, sem estímulos visuais
o (...truncated)