Spore dosimetry: Bacillus subtilis TKJ6312 as biosensor of biologically effective solar radiation
Quim. Nova, Vol. 32, No. 2, 282-285, 2009
Artigo
Dosimetria esporular: Bacillus subtilis TKJ6312 como biossensor de radiação solar
biologicamente ativa
Marcelo Barcellos da Rosa*, Pabulo Henrique Rampelotto e Nelson Jorge Schuch
Laboratório de Exobiologia e Biosfera, Centro Regional Sul de Pesquisas Espaciais, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais,
CP 5021, 97110-970 Santa Maria – RS, Brasil
André Passaglia Schuch
Instituto de Ciências Biomédicas, Universidade de São Paulo, 05508-900 São Paulo – SP, Brasil
Nobuo Munakata
Faculty of Science, Rikkyo University, 171-8501 Tokyo, Japan
Recebido em 30/10/07; aceito em 28/8/08; publicado na web em 26/1/09
SPORE DOSIMETRY: Bacillus subtilis TKJ6312 AS BIOSENSOR OF BIOLOGICALLY EFFECTIVE SOLAR RADIATION. Since
2000, spore dosimetry and spectral photometry have been performed in parallel at the Southern Space Observatory, São Martinho
da Serra (Southern Brazil). A comparative study involving data from Punta Arenas - Chile (53.2° S), São Martinho da Serra (29.5°
S), Padang – Indonesia (0.9°S), Brussels – Belgium (50.9° N) and Kiyotake – Japan (31.9° N) from 2000 to 2006 is presented. The
Spore Inactivation Doses presented the higher values in summer (973 ± 73 for Punta Arenas and 4,369 ± 202 for São Martinho da
Serra, as well 1,402 ± 170 and 3,400 ± 1,674 for Brussels and Kiyotake, respectively). The simplicity, robustness and high resistance
of bacterial spores makes the biosensor an potential biological tool for UV-B monitoring.
Keywords: spore dosimetry; biosensor; UV-B radiation.
INTRODUÇÃO
A radiação solar é essencial para a vida na superfície da Terra,
mas paradoxalmente é também um fator de estresse ambiental para os
organismos vivos. Trabalhos têm mostrado que desde a década de 70
a concentração de ozônio estratosférico tem decrescido em média de
0,5% ao ano para quase todas as latitudes nas regiões extra-tropicais,
devido a emissões antropogênicas de derivados de clorofluorcarbonos.
Deste então, a média global de incidência de radiação UV-B (280- 320
nm) tem aumentado em torno de 5%.1 O ácido desoxirribonucléico
(DNA), ou seja, o material genético das células é o principal alvo da
radiação UV solar.² Portanto, danos causados em organismos vivos
devido à exposição solar, incluindo riscos à saúde humana, a ecossistemas terrestres e aquáticos têm sido uma preocupação global.3,4
Conseqüentemente, o monitoramento da radiação UV solar tem sido
realizado mundialmente.
Esse monitoramento requer instrumentos de coleta de dados de
alta sensibilidade, para que se possam dimensionar efetivamente os
riscos causados pela radiação UV solar à saúde humana. Atualmente,
um método comum para se ter acesso ao potencial dano biológico
causado pela radiação solar é o cálculo da dose biologicamente ativa
da radiação solar, que é obtida através da transformação de dados
da radiação solar incidente com algum espectro de ação biológica
de interesse, através do uso de espectrofotômetros. Um porém é que
espectrofotômetros são aparelhos normalmente de grande porte, de
alto custo operacional e requerem calibrações onerosas, uma vez
que necessitam de jogos de lâmpadas e filtros especiais, além de
necessitarem de um controle de tensão bastante refinado.
No caso de dosímetros comercialmente disponíveis, que medem
o efeito biológico da radiação, têm sido construídos com sensibilidade espectral próxima ao espectro de ação do eritema, definido
pela Comissão Internacional de Radiação.5 Entretanto, utilizando
*e-mail:
estes instrumentos de banda larga, os quais fornecem a irradiância
integral para toda a faixa espectral que medem para detectar tendências de longo tempo da radiação UV-B, dados controversos têm sido
observados.6 Para complementar tais dosímetros físicos, diversos
biossensores têm sido desenvolvidos, utilizando a vitamina D, uracil, DNA, bacteriófagos, esporos de bactérias, entre outros.7-11 Para
aplicações em medidas de campo, os dosímetros biológicos devem
ser robustos, ou seja, fisiologicamente estáveis por longo período de
tempo, de fácil manuseio, fotossensíveis, seguros, de baixo custo e
o efeito biológico avaliado deve ser afetado somente pela radiação e
não por fatores ambientais e climáticos.12
Entre os métodos biológicos citados e propostos na literatura,
o uso de biossensor baseado na inativação de esporos de Bacillus
subtilis apresenta várias propriedades adequadas para sua utilização
como dosímetro solar biológico, incluindo sua simplicidade, facilidade de manuseio e transporte para o local de teste, possibilidade de
armazenamento prolongado estável antes e depois da exposição, bem
como uma reprodutibilidade da resposta de inativação.
Tentativas de aplicar este dosímetro sob várias condições têm sido
bastante estudadas na última década e comparações com dosímetros
físicos têm sido realizadas geralmente com a taxa de dose sendo
determinada em minutos.13,14 Entretanto, para aplicação de longo
período, sob diversas condições climáticas, alguns problemas surgem
e serão discutidos posteriormente.
Neste trabalho são apresentados os resultados de monitoramentos
mensais contínuos da radiação biologicamente ativa usando dosimetria esporular no sul do Brasil, bem como comparações com outras
localidades espalhadas em diversas latitudes e continentes.
PARTE EXPERIMENTAL
Medidas físicas de radiação podem ser realizadas com espectrofotômetros Brewer capazes de medir além da radiação na faixa de UV-B
e UV-A, O3, NO2, SO2 e espalhamento rayleigh. Os modelos MKII
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056 (2000-2002) e MKIII 167 (2002-atual) medem a radiação UV na
faixa espectral de 286,5 a 363,0 nm, com uma resolução de 0,5 nm.
Neste estudo, as medidas de radiação UV-B obtidas pelos Brewer’s
foram ponderadas com o espectro de ação dos esporos utilizando o
software UV-Brewer versão 2.1 e seguindo uma calibração quinzenal
utilizando-se lâmpadas padrões externas.
As medidas de radiação biologicamente ativa, empregando a
dosimetria esporular, consistem na utilização de esporos de Bacillus
subtilis TKJ6312. Devido à deficiência, ou modificação de ambos
mecanismos de reparo do DNA esporular, NER e liase SP, estes se
tornam sensíveis à radiação solar UV, o que possibilita a sua utilização como um dosímetro solar biológico para monitorar a fração da
radiação solar UV que é biologicamente ativa. O dosímetro de esporos
tem sido preparado no Laboratório de Ciência da Vida da Faculdade
de Ciências da Universidade Rikkyo, Tóquio, Japão, onde os esporos
da cepa mutante de Bacillus subtilis TKJ6312 são misturados com
0,6% (m/v) de agarose.15 Quatro alíquotas de 5 µL dessa suspensão,
cada uma contendo aproximadamente 106 esporos são adicionadas
sobre um filtro de membrana e dispostos em slides. Em seguida, uma
amostra é coberta com cartão (controle). Por último, as três amostras
que serão expostas à radiação solar local são cobertas uma lâmina
de polietileno azul de 0,04 mm (modelo BPS04) d (...truncated)