Evaluation of dysphagia in pediatric population using fiberoptic endoscopy
Rev Bras Otorrinolaringol.
V.68, n.1, 91-6, jan./fev. 2002
ARTIGO ORIGINAL
««««
ORIGINAL ARTICLE
Avaliação da disfagia
pediátrica através da
videoendoscopia da
deglutição
Evaluation of
dysphagia in pediatric
population using
fiberoptic endoscopy
Ari de Paula 1, Izabel Botelho 2,
Ariovaldo A. Silva 3, José M. M. de Rezende 4,
Celi Farias 5, Lucilaine Mendes 5
Palavras-chave: deglutição, disfagia, nasofibroscopia,
pediatria, fonoaudiologia, nutrição, neurologia.
Key words: deglutition, dysphagia, fiberoptic endoscopy,
pediatric, fonoaudyology, nutrition, neurology.
Resumo / Summary
O
A
bjetivo: Utilizando do nasofibroscópio que pode ser
transportado facilmente, avaliamos uma população pediátrica
com disfagia juntamente com uma equipe de fonoaudiólogas
auxiliando-as não só no diagnóstico como nas estratégias
terapêuticas. Forma de estudo: Clínico prospectivo randomizado. Método: Um grupo de 10 crianças entre 45 dias e
5 anos de idade, com média de 1 ano e 9 meses, prematuras
ou apresentando queixas de distúrbios da deglutição de
origem neurológica foram avaliadas através da videoendoscopia. A avaliação foi realizada de forma dinâmica (funcional)
pois as alimentávamos durante o exame, estudando
principalmente os distúrbios da fase faríngea. Resultados:
Observamos as alterações da fase faríngea que são melhor
identificadas com o exame, e claramente identificávamos
distúrbios da sensibilidade e motricidade faríngea, assim como
a ocorrência de penetração laríngea, a qual dividimos em
alta ou baixa, aspiração, ou déficits de clearence após cada
movimento deglutório, assim como a coordenação
respiração-sucção-deglutição. Conclusão: A videoendoscopia da deglutição (VED) é um exame ágil e com alto grau
de precisão, praticamente sem riscos para a população
pediátrica, norteando com segurança o trabalho da fonoaudióloga para terapia.
im: Using fiberoptic endoscopy that can be easily
transported, we evaluated a dysphagic pediatric population
with a fonoaudiologic team helping her not only with
diagnosis but also in therapeutic strategic. Study design:
prospective clinical randomized. Method: A group of 10
children between 45 days and 5 years old, an average of 1
year and 9 months with disturbs of deglutitions from
neurologic or prematures ariseing had been evaluated
through fiberoptic endoscopy. The evaluation had been
executed in a dynamic form (functional one) because we
fod them during the examination, studying principally the
faringeal fases disturbs. Results: We observed the alterations
of pharyngeal fase that are better identificated with the exam,
where we clearly identificated the sensibility disturbs and
the pharyngeal motricity, as well as the occurrence of high
or deep laryngeal penetration, aspiration, or clearence
deficits after each swallowing movement, as well as
coordination of respiration-succion-deglution. Conclusion:
The fibereoptic endoscoipic evaluation of swallowing (FEES)
is an agile exam and with high precision, practically without
risks to the pediatric population, aiming safety the
fonoaudiologic work to the therapy.
Preceptor da residência médica da Santa Casa e Hospital Irmãos Penteado de Campinas; ambulatório de disfagia da Unicamp.
2
Coordenador da residência médica de ORL da Santa Casa e Hospital Irmãos Penteado de Campinas.
Responsável pelo setor de disfagia neo-natal da Maternidade de Campinas; pós-graduanda do ambulatório de disfagia da Unicamp.
4
Professor-doutor de otorrinolaringologia da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp.
5
Fonoaudióloga.
1
3
Depto. de ORL da Irmandade de Misericórdia de Campinas: Santa Casa e Hospital Irmãos Penteado.
Endereço para correspondência: Ari de Paula Av. Júlio de Mesquita, 960, 18o andar; Bairro Cambuí, Campinas, SP 13025-061
Fones: (0xx19)3232.4478/3236.8972 - e-mail:
Artigo recebido em 9 de agosto de 2001. Artigo aceito em 15 de outubro de 2001.
REVISTA BRASILEIRA DE OTORRINOLARINGOLOGIA 68 (1) PARTE 1 JANEIRO/FEVEREIRO 2002
http://www.sborl.org.br / e-mail:
91
de disfagia pediátrica avaliados através da videonasofibrolaringoscopia, o que chamamos de videoendoscopia da
deglutição (VED), mostrando os detalhes de cada exame.
INTRODUÇÃO
A disfagia infantil está assumindo uma importância
cada vez maior, tanto dentro da pediatria como em áreas
afins como a otorrinolaringologia, fonoaudiologia,
pneumologia e gastroenterologia, destacando-se exatamente o estudo interdisciplinar que esta área exige. A primeira
necessidade de uma criança ao nascer relaciona-se com a
respiração, e a segunda é justamente a alimentação.
Qualquer distúrbio na sucção, na coordenação respiraçãodeglutição, ou no controle neuro-muscular para propulsão
do leite materno para a faringe, esôfago e estômago, pode
desencadear, poucas horas após o nascimento, uma
situação de risco que deve ser imediatamente diagnosticada
e controlada. Diferentes enfermidades que cursam com
malformações estruturais comprometendo o sistema
estomatognático ou mesmo distúrbios neuro-motores
(centrais ou periféricos) podem manifestar clinicamente a
disfagia em qualquer etapa da infância. Seguramente as
lesões cerebrais (ex.: traumatismo crânio-encefálico,
episódios isquêmicos e hemorrágicos) constituem a maioria
das causas de disfagia. Segundo estudos em adultos
realizados por Langmore (1995) e Smith (1999), o
desconhecimento da patologia da disfagia ou a subestimação dos fatos pode acarretar graves conseqüências
clínicas, como a desidratação, desnutrição e pneumopatias
aspirativas. Acreditamos, portanto, que a criança esteja
ainda mais susceptível a estas complicações. A avaliação
da disfagia deve ser feita pelo estudo das suas etapas oral,
faríngea e esofágica. Este estudo visa demonstrar como
podemos efetuar uma avaliação da deglutição, especialmente da fase faríngea utilizando um videonasofibroscópio,
estudando o complexo sistema neuromuscular envolvido,
e desta forma orientar um plano de terapia. Sem dúvida,
o advento da videonasofibroscopia foi fundamental para
o estudo da fonação (Sawashima, 1968) e deglutição
(Langmore, 1988) pois é um exame que pode ser repetido
quantas vezes forem necessárias, facilitando a observação
da eficiência da terapêutica instituída, e apesar de
desconfortável, Aviv (2000) não observou riscos em
pacientes adultos na imensa maioria dos casos. Estudos já
evidenciaram sua importância (Macedo, 1998; De Paula,
2000; Eckey, 2001), assim como Leder (2000) utilizou
metodologia semelhante para avaliar crianças, porém este
último grupo necessita de aprofundamento, especialmente
no Brasil. A videofluoroscopia seria o exame mais preciso,
porém tem o inconveniente de ser muito caro, com poucos
locais disponíveis dificultando o acesso a este
procedimento. Além disso não se pode desprezar a
irradiação emitida (Wright, 1998). Conscientes que este
exame tem importância no diagnóstico funcional do
distúrbio disfágico e de sua imediata utilização terapêutica,
fazemo-lo em conjunto com uma fonoaudióloga com
experiência na patol (...truncated)