Ultrasound guided core biopsy for breast lesions using 16G needle
Martins
O uso da agulha de 16G na core biopsy guiada por ultrassonografia
em lesões
mamárias
Artigo
Original
312
O uso da agulha de 16G na core biopsy guiada por
ultrassonografia em lesões mamárias
Ultrasound guided core biopsy for breast lesions using 16G needle
ELIZABETH COSTA MARTINS1; ALKINDAR SOARES2; CARLOS MARQUES GUIMARÃES3; MARIA DE NAZARÉ BASTOS DA SERRA FREIRE4; HILTON KOCH5;
MARTHA MARSILLAC6
R E S U M O
Objetivo: O objetivo deste estudo foi desenvolver um padrão de avaliação diagnóstica pela Core biopsy com agulha de 16G em
lesões mamárias. Utilizando critérios ecográficos padronizados e relacionando os resultados ao tamanho das lesões investigadas e
avaliando o número ideal de fragmentos a serem colhidos. Métodos: Estudo prospectivo de maio de 2004 a setembro de 2005 em
79 pacientes com lesões incluídas nas categorias 2, 3, 4 e 5, segundo Bi-RADS® US, realizando Core Biopsy com agulha de 16G,
retirando-se cinco fragmentos numerados e colocados individualmente em frascos com formol a 10%. Resultados: De 84 biópsias
realizadas houve 81 diagnósticos conclusivos (96%), com 43 malignos (51%) e 38 benignos (45%). A eficácia da Core biopsy aumenta
com o número de amostras colhidas: com uma amostra é de 95,24%,duas amostras 96,93%; três amostras 98,8%; quatro amostras
98,81%; cinco amostras 100%. Conclusão: A retirada de três fragmentos foi suficiente para um resultado satisfatório.
Descritores: Neoplasias da mama. Ultrasonografia mamária. Técnica de diagnóstico e procedimentos. Biópsia por agulha.
INTRODUÇÃO
A
alta incidência de afecções mamárias, frequentemente
malignas e com altas taxas de mortalidade, implica na
necessidade de estudos mais detalhados para um melhor
conhecimento das alterações apresentadas pelas glândulas mamárias, com o conseqüente aperfeiçoamento da
propedêutica1. Este fato nos conduz a desenvolver a cada
dia novas técnicas de abordagem que permitam um diagnóstico adequado, principalmente quando se trata de diagnóstico precoce2. A associação da mamografia com a
ultrassonografia veio trazer uma importante contribuição
para o diagnóstico das doenças da mama3.
A core biopsy guiada pela ultrassonografia têm
sido muito utilizada para o estudo histopatológico das lesões mamárias tendo Valor Preditivo Positivo (VPP) de 100%
quando comparado à mamografia ( VPP 52,3%) no diagnóstico destas lesões4. Este método é fundamental para
que se evitem cirurgias desnecessárias e, mesmo quando a
intervenção cirúrgica se faz necessária, o conhecimento da
natureza histopatológica da lesão permite um planejamento cirúrgico mais racional, possibilitando assim uma eficácia maior nos resultados finais5.
No que diz respeito ao prognóstico de pacientes
com câncer de mama, de todos os fatores preditores, o
tamanho da lesão é o mais determinante, tornando o diag-
nóstico de lesões menores que 1cm2 fundamental para a
melhora da sobrevida destas pacientes6.
A maioria dos estudos envolvendo a core biopsy,
utiliza agulhas calibrosas de 14Gauge(G) que em lesões
pequenas podem dificultar a colheita de material adequado, além do maior risco de complicações7.
Surge, portanto, em trabalho mais recente o
questionamento se agulhas menos calibrosas como a de
16 e 18 G poderiam melhorar a eficácia diagnóstica da
core biopsy, em especial, nas lesões menores que 1cm2 ou
se a oferta de fragmentos menores poderia prejudicar a
leitura histopatológica8.
O presente estudo tem por objetivo desenvolver
um padrão de avaliação diagnóstica pela core biopsy com
agulha de 16G em lesões mamárias suspeitas, utilizando
critérios ecográficos padronizados para a caracterização e
descrição das imagens ultrassonográficas e relacionando
os resultados ao tamanho das lesões investigadas e avaliando o número ideal de fragmentos a serem colhidos9.
MÉTODOS
Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética
da Instituição aonde foi realizado sob o CEP 009/05. Um
Termo de Consentimento Esclarecido e Informado foi assi-
Trabalho realizado na Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro, Serviço de Ginecologia- RJ-BR.
1. Professora do Curso de Pós-Graduação em Ginecologia da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro - RJ-BR; 2. Chefe da 28ª Enfermaria
da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro, Serviço de Ginecologia- RJ-BR; 3. Professor Adjunto de Ultrassonografia da Universidade de
Fortaleza - CE - BR; 4. Chefe do Laboratório de Anatomia Patológica da Enfermaria 33 da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro – RJ-BR;
5. Professor Titular em Radiologia da UFRJ - RJ-BR; 6. Chefe do Serviço de Mastologia do Centro de Ginecologia e Obstetrícia do Rio de Janeiro
- RJ-BR.
Rev. Col. Bras. Cir. 2009; 36(4): 312-315
Martins
O uso da agulha de 16G na core biopsy guiada por ultrassonografia em lesões mamárias
nado pelas pacientes incluídas no estudo ou por seus parentes.
Foram avaliadas, em estudo prospectivo de maio
de 2004 a setembro de 2005, 79 pacientes com lesões
incluídas nas categorias duas (benignas), três (provavelmente
benignas), quatro (suspeitas) e cinco (altamente suspeitas)
segundo a classificação BI-RADS®-US. Tiveram como critérios de inclusão toda paciente encaminhada ao nosso serviço, baseada em suspeição clínica, estudos mamográficos e
ecográficos, com a solicitação de estudo histopatológico a
serem investigados por meio de procedimentos por agulha
guiada por ultrassonografia.
Tiveram como critérios de exclusão pacientes que
tinham lesões císticas ou que não cumpriram os critérios
estabelecidos acima..
Foi feita uma avaliação sequencial por imagem
diagnóstica e procedimento invasivo das lesões mamárias
da seguinte forma:
A - Após a varredura mamária completa
A1 – Caracterizou-se ecograficamente a lesão
segundo padrões do Lexicon Classification Form - ACR BIRADS® - US.
A2 – Calculou-se o volume da lesão medida em
três diâmetros ortogonais baseado na constante da elipse (0,52).
Para efeito de cálculo estatístico, as lesões foram divididas em
grupos em relação ao seu tamanho, em menores que 1cm2,
entre 1e 2cm2, entre 2,1 e 5cm2 e maiores que 5cm2.
A3 – Classificou-se a lesão descrita à
ultrassonografia segundo ACR BI-RADS® - US.
Os exames ecográficos foram realizados por médico
qualificado pela American Board of Radiology. A ultrassonografia
foi realizada em um aparelho Hitachi EUB 525 (Hitachi Medical
System), com sonda de variação de frequência de 7,5 - 10
MHz e aparelho L5 (GE Medical Systems), com sonda de variação de freqüência de 6.5 - 12MHz.
B - Abordagem invasiva
Antes da realização do procedimento a paciente
foi orientada a suspender qualquer tipo de medicação que
pudesse interferir na coagulação.
B.1 – No local do procedimento foi realizada
anestesia local com injeção de 1 ml de xylocaína à 2%,
sem vasoconstrictor, no plano intradérmico.
B.2 – A realização da core biopsy foi com agulha de 16G montada em pistola de core biopsy Promag 2.5
automática, produzida pela Manon Produtos Médicos de
São Paulo.
Foram retirados cinco fragmentos numerados e
colocados individualmente em frasco (...truncated)